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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Mais coisinhas boas promovidas pela geringonça...

por Kruzes Kanhoto, em 28.07.17

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O facto de eu ter um Dácia na garagem e um morador das Quintinhas um Audi, não faz de mim um pobre nem transforma o habitante do resort mais famoso de Estremoz e arredores num rico. Tão pouco comparar o dinheiro que eu possa ter depositado no banco ou que o outro sujeito tenha, suponhamos, enterrado na sub-cave da barreca pode servir para aferir das necessidades de cada qual. Mesmo a eventualidade de sair o euromilhões a um de nós – a mim ou ao cigano das Quintinhas – não fará de nenhum dos dois um milionário. Na ocorrência de tal bambúrrio, se ambos retirarmos o dinheiro do banco – o que constituiria uma medida ajuizada, saliente-se – ambos podemos ser considerados uns pobres de Jó e, logo, candidatos a receber o RSI. Sim, que nestas coisas – como em todas as outras, aliás – a malta de esquerda é que sabe. E se a malta da esquerda disser que o sortudo apostador pode receber umas valentes maçarocas da Segurança Social, então é porque assim é que está bem e encerra-se já aqui o assunto.

De referir, por fim, que quem não estiver de acordo com o exposto é racista, xenófobo, populista, cultiva um discurso de ódio e devia era estar preocupado com o Berardo, o Oliveira, o Cavaco, o Dias Loureiro e as grandes fortunas que não pagam impostos. Mencionar o Sócrates, o Vara ou três bancarrotas com governos do Partido Socialista não vale.

 

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Populismo do bom

por Kruzes Kanhoto, em 12.06.17

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Gosto de ouvir o Marcelo a falar de populismo. A sério. É, até, a pessoa indicada para o fazer. Percebe disso como poucos. E de outras coisas, também. Como de dizer porra nenhuma mesmo não parando de falar, por exemplo. Por mim o homem já se calava. Mesmo essa idiotice dos afectos já aborrece. E, de caminho, parava de dar graxa aos portugueses. Ou, sei lá, ia dá-la aos emigrantes tugas que andam a penar na Venezuela. Que desses, coitados, ninguém quer saber.

Que somos uns gajos desenrascados toda a gente sabe. Não é preciso que o ex-comentador nos esteja sempre a recordar isso. Temos, nesta foto, uma dessas situações. Na ausência de melhor, serviu um cabo eléctrico em fim de vida para manter a árvore fixa ao apoio que a protege durante o crescimento. Mais ou menos o que fez o doutor Bosta. Para se fixar no poder tudo lhe serviu. Até o apoio de partidos políticos seguidores de ideologias bafientas e com o prazo de validade mais do que ultrapassada pela vontade dos povos que as tiveram de sofrer na pele. Um desenrascado, o gajo. Deve ser por isso que o outro populista gosta dele.

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Populismo selectivo

por Kruzes Kanhoto, em 03.06.17

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O que não falta por estes dias é gente indignada, na internet e noutros locais menos virtuais, por a Câmara de Almada ter gasto para cima de um dinheirão a ofertar umas "cebolas" caríssimas aos seus funcionários mais antigos. Acho muito bem que o pagode se indigne com o esturranço de dinheiro público. Lamento, até, que o faça tão poucas vezes. Mas, neste caso, desconfio da indignação. Ou, pelo menos, da quantidade e qualidade da indignação vertida. Não sei porquê mas parece-me que o problema serão os destinatários da oferta. Se o relógio fosse dado a uns putos ranhosos quaisquer seria, certamente, uma iniciativa muito valorizável por ensinar as criancinhas a ver as horas. Ou se os alvos da dádiva fossem os velhinhos. Pobres ou de uma academia sénior qualquer. Estaríamos, então, perante uma atitude louvável capaz de enternecer o coração empedernido ao mais fundamentalista dos possidónios.  

O Estado e, particularmente, as autarquias locais oferecem tudo e mais alguma coisa desde que lhe cheire a voto. Almoços, jantares, viagens, livros, remédios e toda uma vasta panóplia de itens que a mais delirante imaginação consiga discorrer são dados indiscriminadamente a velhos e a novos, a pobres e a ricos. Poucos se indignam com isso e os que o fazem são logo apelidados de populistas e outros nomes pouco simpáticos. Coisa que em relação aos críticos deste caso em concreto não acontece. Lixados, estes conceitos de populismo... 

 

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Populismo...mas do bom!

por Kruzes Kanhoto, em 18.03.17

Concordo com a pequena líder do Bloco de Esquerda quanto a isso da disparidade de vencimentos entre os trabalhadores e os manda-chuva das empresas. Há que fazer alguma coisa. Tanto nas públicas – em relação às quais a criatura não parece ter preocupações de maior – como nas privadas. E nem venham, os ultra liberais ou outros tansos quaisquer, reclamar da ingerência do Estado nem argumentar que, sendo privado, cada um paga o ordenado que quiser. Sem dúvida que sim. Mas deve existir um leque salarial minimamente razoável. Desde que, obviamente, se salvaguarde sempre a vontade dos accionistas. Se quiserem pagar mais, pagam. A todos.

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Populistas à portuguesa.

por Kruzes Kanhoto, em 10.12.16

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A esquerda em geral, a intelectualidade em particular, a imprensa politicamente correcta e até alguns papalvos que nem desconfiam o que isso significa andam extremamente preocupados com o populismo que, segundo eles, estará a ganhar uma inusitada e preocupante força na Europa e nos Estados Unidos. Ora, segundo o dicionário Priberan, populismo será uma política que procura obter o apoio da população através de medidas que aparentemente lhe são favoráveis. Então, segundo esta definição, o actual governo e os partidos que o apoiam constituem, em Portugal, a expressão maior do populismo. Fácil é também concluir que o anterior terá sido, desde que me recordo, o menos populista de todos os governos.

Parece-me descortinar aqui uma estranha incoerência. Ou, então, não. Talvez não tenha nada de estranho. Nem de incoerente. A esquerdalha, a intelectualidade, a imprensa politicamente correcta e demais papalvos apenas apreciam a pluralidade de opiniões quando estão de acordo com eles. Ou detêm a maioria. Como sobejamente sabemos o populismo é sempre de direita. À esquerda até a mais abjecta das ditaduras é tolerada. Ou, mesmo, elogiada como não se têm cansado de fazer em relação ao Fidel.

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Populistas, dizem eles...

por Kruzes Kanhoto, em 30.11.16

Populismo – ou populista, tanto faz – integrará, quase de certeza, o leque de candidatas a palavra do ano. Está na moda chamar isso aos que, por este ou aquele motivo, se desviam da linha de pensamento único vigente. Mesmo que, na maior parte das vezes, essa designação vise criticar aquilo que dita o senso comum, a opinião do homem médio ou a conduta do bom pai de família. Ou, como diriam outros, a maioria silenciosa. Conceitos que, cada vez menos, significam alguma coisa para uma minoria, a cada dia mais pequena, de pessoas que se arrogam no direito de determinar o que é, ou deixa de ser, correcto.

Por mim quero que eles se lixem. Fazem-me lembrar uns quantos habitantes de um determinado resort. Quando apanhados a roubar no supermercado das cercanias, chamam racistas aos seguranças que lhes solicitam a devolução dos itens roubados. O contexto é, mais ou menos, o mesmo. Um dias destes, quando enriquecerem o vocabulário, talvez substituam o alegado insulto. Populista parece-me adequado. É mais fino.

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