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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O ridículo não cobra dividas

por Kruzes Kanhoto, em 20.12.16

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O calote é uma prática que me irrita. Os caloteiros, também. Pelo menos em determinadas circunstâncias. Quase todas, diga-se. Também quase sempre tendo a colocar-me do lado do gajo que procura reaver o que é seu. Salvo uma ou outra excepção onde o lesado - ele ou por interposta pessoa - tem uma actuação que, de tão ridícula, acaba por transformar o patife do caloteiro numa espécie de herói. É o caso, relatado por estes dias na imprensa, da tentativa de penhorar a refeição - sim, a refeição, não o subsídio ou qualquer outro abono com ela relacionado - a uma alegada devedora, por parte de uma empresa de recuperação de créditos. A ordem de penhora, parece, não terá sido cumprida por parte da entidade patronal que será, simultaneamente, fornecedora da refeição. Uma pena, isso. Seria curioso verificar o que faria o agente de execução com o almoço da senhora e de que forma essa apreensão contribuiria para deduzir a importância em dívida.

Apesar disso, reitero, estou do lado da criatura que, alegadamente, não cumpriu a sua parte no negócio que motivou esta penhora. Tem direito a refeiçoar. Até porque, se isso lhe for negado, não sobreviverá as dezenas de anos que - atendendo ao salário que, provavelmente, auferirá -  serão necessárias para pagar os vários milhares de euros que deve. Alegadamente, claro.

 

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Coisas de malucos. Ou de portugueses, tanto faz.

por Kruzes Kanhoto, em 09.01.16

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Ainda as penhoras - ou a sua impossibilidade - por dividas ao fisco. Podia argumentar, baseando-me na sabedoria popular, que quem não aguenta o peso larga a carga. Mas não, não vou por aí. Admito, até, a bondade na lei quanto a um ou outro caso. Custa-me é aceitar que muitos chicos-espertos – seguramente a esmagadora maioria dos envolvidos – se continuem a rir à conta de todos. Ou a roubar-nos. Como aquele taberneiro que não entregou o IVA que eu lhe paguei. Mas se é disto que o povo gosta...

Tal como também gosta daquela coisa de taxar as heranças. Um roubo que a maioria de esquerda pretende que o Estado volte a fazer aos contribuintes. Ou seja. Para a esquerda e, a julgar pelas opiniões que vou lendo e ouvindo, para a maioria da população sensível, educada, culta, solidária e tudo o mais que se queira, deve-se perdoar os caloteiros mas, simultaneamente, obrigar outros a pagar aquilo que já é seu por direito ainda que, eventualmente, nem tenham liquidez para o fazer. Embora, neste caso, possam sempre também eles tornarem-se caloteiros e, assim, obter o perdão daqueles que os pretendem roubar. Coisa de malucos? Não. Estamos em Portugal e esta é a vontade dos portugueses.

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Boas noticias para os caloteiros!

por Kruzes Kanhoto, em 05.01.16

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 (Imagem da internet)

 

Não me importo de ser do contra. Faço, até, por isso em muitas circunstâncias. Recuso-me, sempre que posso, a seguir a carneirada ou a abanar o rabinho de contentamento sempre que os governantes – sejam eles quais forem – adoptem daquelas medidas muito pró-social. Não sou um coração mole, tenho a mania de fazer contas e preocupo-me em olhar um pouco mais para o horizonte.

Isto a propósito daquela ideia demagógica e altamente discriminatória de tornar as casas dos caloteiros impenhoráveis pelas dividas ao fisco e à segurança social. Ou seja, quem nada mais tiver de seu fica isento de pagar impostos e contribuições. À nossa custa, obviamente. Dos que pagamos para que os vigaristas possam ser uma espécie de inimputáveis fiscais.

Tratando-se de um universo infelizmente vasto haverá, concedo, casos e casos. Mas apenas quem não sabe o que é a vida – ou sabendo gosta de fazer generosidade à conta dos outros – entenderá esta medida como algo de socialmente justo. Os pobres, se entendermos como pobre quem ganha o salário mínimo ou pouco mais, não pagam impostos. Daí que os beneficiados sejam outros. Aqueles, se calhar, de quem ainda não há muito tempo ouvíamos dizer que se tinham esquecido de pagar essas minudências dos tributos ao Estado. E prejudicados os do costume. Os que vão pagar mais este desvario. A menos que alguém com juízo questione a constitucionalidade disto.


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