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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Manipulação informativa, misandria e xenofobia. Tudo em directo numa TV perto de si.

por Kruzes Kanhoto, em 04.11.17

A comunicação social insiste em manter na ordem do dia a cena de pancadaria em Lisboa. Como se isso fosse algo de importante para o país ou dali tivessem resultado consequências que constituíssem uma qualquer espécie de drama. Afinal, para quem terá sido agredido selvaticamente, os tais jovens até parecem não estar assim tão mal. Isto ou os seguranças batem como meninas ou alguém nos está a contar uma história alternativa. Entretanto não se vai falando no OE/2018. Realmente o que é que isso pode interessar aos portugueses quando comparado com um arraial de porrada entre meliantes? Nada, obviamente.


E aquilo do assédio sexual, ou lá o que é? Mais uma modernice. Outro filão a explorar até à exaustão pelo comité das noticias. Não tarda, também por cá, começarão a vir a terreiro umas quantas criaturas muito traumatizadas por terem sido apalpadas pelos colegas de carteira na escola primária. É nestas alturas que bem-digo ser pobre. Parece-me que é a única condição para se estar imune a esse tipo de acusações.


O elevado preço das casas em Lisboa é culpa, ao que alegam uns quantos, dos estrangeiros endinheirados que vêm para cá beneficiar da isenção de IRS, concedida em 2009 pelo governo do Sócrates e ainda hoje em vigor. Uma chatice, isso de essa estrangeirada vir para Portugal gastar o dinheiro deles quando o podiam fazer noutro país qualquer. Daí que ande a germinar a ideia de acabar com essa benesse. Eles que paguem como os demais, ameaçam umas criaturas que entendem tanto do que estão a falar como eu de cozinha uzebeque. Mas, se fazem assim tanto mal na capital, façam-nos pagar tudo e mais alguma coisa onde acham que a sua presença está a distorcer o mercado e isentem-nos, também de tudo e mais o resto, em todo o interior do país. Mas não. Isso não será feito. Preferem que continuemos orgulhosamente sós. Como o outro.

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O Orçamento dos autarcas e reformados

por Kruzes Kanhoto, em 03.11.16

Tenho lido nos últimos dias – praticamente desde a sua apresentação oficial - que o Orçamento para 2017 é o Orçamento dos funcionários públicos e dos reformados. Será, em parte, verdade. Nomeadamente quanto aos últimos, pois a função pública, exceptuando os vinte cinco cêntimos do subsidio de refeição, não é contemplada com a distribuição de benesses, ao contrário do que acontece com os pensionistas.

Parece, no entanto, que todos se estão a esquecer dos autarcas. Esses, talvez, os maiores beneficiários da generosidade distributiva da geringonça. Para além da espécie de inimputabilidade - a ser aprovado o que é proposto – que o governo lhes pretende conceder, é ainda garantida uma torrente de dinheiro a desaguar nos cofres das autarquias como há muito se não via. E, se isso não fosse mais do que suficiente, vão dispor de inteira liberdade para endividarem as respectivas Câmaras – e, por consequência os respectivos munícipes e os portugueses em geral – em montantes que apenas conhecerão como limites a imaginação dos mais extravagantes de entre eles. O período negro, no que diz respeito aos calotes dos municípios, que terminou – salvo uma ou outra miserável excepção – em 2012, não constituiu uma lição suficiente. Continua-se, por isso, a dar fósforos aos incendiários.

Não me surpreende. Os governantes de agora são os mesmos que rebentaram o país e, na sua maioria, os autarcas que esturraram dinheiro à tripa-forra também. Já vimos este filme e sabemos como acaba. Só um tolinho pode esperar que, desta vez, tenhamos um final feliz.

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Governo, amigo, o povo está contigo!

por Kruzes Kanhoto, em 13.10.16

Já falta pouco para ficarmos a saber todas as fantásticas medidas – algumas, desconfio, poderão até atingir o nível de sublime - com que a geringonça se propõe melhorar a nossa vida no próximo ano. Sabemos – sempre o soubemos, obviamente – que aquela trempe de esquerdistas apenas pretende o bem do povo. Ao contrário dos malvados da direita, que estão sempre a maquinar coisas para lixar a malta.

Não são, por isso, de esperar propostas que nos provoquem aborrecimento. Tal como subidas de impostos, cortes de salários ou baixar as reformas. Nada disso. Quando muito aumentarão umas quantas tretas que os ricos fazem questão possuir. Casas e assim. Ou, se isso não ameaçar a consistência da geringonça, um ou outro imposto sobre uns itens que provoquem problemas ao nível da saúde. Tipo o açúcar ou as gorduras. Nada que seja de primeira necessidade. O que, parece, fica de fora é o papel higiénico. Ainda não é desta que lhe é aplicada uma taxa. Ou um imposto, sei lá. Uma derrama, quiçá. Mas devia, já que se trata de um artigo de última necessidade.

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Dez milhões de especialistas em orçamento do Estado

por Kruzes Kanhoto, em 23.02.16

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É espantosa a quantidade de pessoas que se manifesta visivelmente impressionada com o brilhantismo do Orçamento de Estado congeminado pela geringonça – caranguejola era igualmente um nome engraçado – e pelas deslumbrantes melhorias que, acham, aquilo vai trazer às suas vidas. Já nem me atrevo a contestar. Até por – reconheço – não passar de um verdadeiro ignorante no que as estas matérias diz respeito. Muito longe da sapiência evidenciada por tantos que, apesar de nem um mês de ordenado saberem gerir, tudo sabem quando em causa estão as contas da nação.

Começo a acreditar naquele deputado que hoje à tarde garantia para este Orçamento o aplauso da generalidade dos portugueses. Noventa e nove por cento, gritava entusiasmado, aplaudem e apoiam as propostas que ele contém. Coisa que, contudo, não me tranquiliza. É que essa costuma ser a percentagem com que os partidos do governo habitualmente ganham as eleições naqueles países que servem de inspiração ao tal deputado.

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