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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E ir à piscina de ceroulas, pode-se?

por Kruzes Kanhoto, em 08.08.17

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Foram noticia nos últimos dias diversas situações de mulheres, alegadamente seguidoras da religião islâmica, que se terão banhado vestidas nas piscinas dos hotéis onde se encontravam instaladas. Ou, na versão delas, com uma vestimenta de acordo com os preceitos a que obriga a sua crença. Mas, para todos os efeitos, estavam vestidas de alto abaixo e de fora apenas tinham o focinho, as mãos e os cascos.

Perante tão desadequado traje, na maior parte das ocorrências, os responsáveis pelas piscinas fizeram o que era esperado. Não permitiram tamanho disparate. Ora, quando esta actuação devia merecer o aplauso generalizado, não tardaram a aparecer os defensores da diversidade, do multiculturalismo e de mais uns trezentos conceitos cada um mais parvo do que o outro a condenar os responsáveis pela decisão de impedir o banho naquelas circunstâncias.

Parece, argumentam estes malucos, que aquilo de se meterem numa piscina naquela triste figura é integrador e que não devem ser discriminadas por isso. Como isto está a ir de mal a pior a cada ano que passa, desconfio que nas próximas férias a probabilidade de encontrar malta nesses preparos será bastante elevada. É por isso que já estou a tratar da indumentária que irei usar quando for chapinhar para a piscina. Uma fatiota mais ou menos como a da foto. Só para me sentir integrado. 

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Umas mamocas incomodam assim tanto?!

por Kruzes Kanhoto, em 07.08.17

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Ainda sou do tempo em que vislumbrar mamocas ao léu na televisão constituía algo para lá de impensável. Hoje é coisa mais ou menos corriqueira e, a bem dizer, já ninguém liga. É por isso que não percebo a polémica por causa daquela adepta do Glorioso que nos encheu a pantalha com o seu peito generoso. Devidamente coberto pelo manto sagrado, refira-se. Nem, ainda menos, consigo entender as razões que levaram o realizador da transmissão televisiva a pedir desculpa. Parece-me coisa própria de alguém com a espinha demasiado flexível. As criticas - não li nenhuma, não quero ler e nutro um profundo desprezo por quem as fez ou com elas concorda - presumo que venham de criaturas com um nível de intelecto próximo da indigência mental. Só é pena que andem por aí a beber a água que, nomeadamente em tempo de seca, tanta falta faz para dar de beber aos animais ou para regar as plantas.

Para a próxima ele que mande os operadores de câmara filmarem dois paneleiros a entrelaçarem as respectivas línguas e vão ver que ainda ganha um prémio qualquer, recebe um aumento de ordenado, uma promoção e uma medalha do Marcelo por promover a diversidade, a diferença e o enrabanço.

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Pacóvios!

por Kruzes Kanhoto, em 30.07.17

Aí pelo final dos anos sessenta e principio dos anos setenta do século passado o modo de vida no campo causava aos “lisboetas” - entenda-se os que moravam na chamada grande Lisboa – uma certa repulsa. Era, em muitas circunstâncias, motivo de gozo ou, em alternativa, de uma certa pena perante as condições de vida que, então, se verificavam na “província”. Recordo o quanto os enojava o facto de os animais andarem à solta pelas aldeias ou os estábulos localizarem-se paredes-meias com as habitações. Mesmo a natureza das tarefas agrícolas lhes causava uma certa aversão e eram, amiúde, objecto de chacota e piadas diversas.

Hoje, todo este tempo depois, acho-lhes graça. E sinto, agora é a minha vez, um enorme nojo pela maneira como partilham a casa, o sofá, a mesa e até a cama com os bichos. A quem consideram membros da família. Mas isso, enfim, eles lá sabem os parentes que têm. Depois há aquelas coisas a que chamam “experiências”. Vêm para o campo, passam umas horas a colher uvas, ordenhar vacas ou a limpar os currais e – no inicio pensei que era anedota – pagam para fazer isso!

Por mim podem continuar a relatar nos blogues deles, cheios de orgulho, todas estas vivências. Não tenho nada contra. As silvas lá da propriedade estão em crescimento acelerado e cortá-las é coisa que não me está a apetecer mesmo nada. Talvez faça um preço especial a quem queira vir ao Alentejo vivenciar a experiência única, enriquecedora e revigorante que é passar uma manhã com uma gadanha na mão.

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Evolução, dizem eles.

por Kruzes Kanhoto, em 27.07.17

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Cada um peticiona o que muito bem entende. E, para peticionar, nem precisa sair de casa. Deve ser por isso que essas coisas das petições são mais que muitas. Tantas que até aborrecem.

Dando uma olhadela pelos sites que promovem essas actividades lúdicas, percebe-se que quase todas são acerca de coisas importantes. Cães, na maioria. Deve ser o que mais preocupa esse exercito de desocupados. Querem - melhor, exigem - os peticionários de uma delas que os seus amiguinhos de quatro patas possam acompanhar os donos em centros comerciais, supermercados, restaurantes, hotéis, cafés e aceder livremente às praias. Dizem eles que é o que já acontece em muitos países mais avançados. Achava eu que o tempo em que homens e animais partilhavam o espaço seria nos tempos das cavernas ou daqueles casebres de aspecto bíblico mas, pelos vistos, há umas bestas que acham o contrário.

Talvez num futuro próximo esta gente consiga o que pretende. Quiçá, nessa sociedade mais evoluída, eu tenha o privilégio de refeiçoar num restaurante enquanto o cão da mesa ao lado manda uma cagada ou de apanhar sol na praia ao lado do canito que se está a espojar alegremente na areia. Talvez até - apesar de, curiosamente, isso ainda não ter sido reivindicado pelos patetas da causa - todos possamos ir à opera, ao teatro, ao cinema ou assistir a um show erótico acompanhados do cachorro. Isso é que era evolução. Peticione-se!

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Ai, credo! Uma aranha!

por Kruzes Kanhoto, em 22.07.17

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Segundo relata um conhecido pasquim, na parte dedicada às noticias parvas, os bombeiros terão sido chamados por um gajo que se assustou com a presença de uma aranha dentro de casa. Tudo, ao que parece, terá terminado em bem, pois o aracnídeo, conclui a noticia, foi devolvido à natureza são e salvo.

Excepto o interveniente acidental nesta ocorrência – a aranha - que, coitada, estava no seu papel de aranha que é andar por aí a tratar de se alimentar, os outros deviam corar de vergonha. A começar pelo tipo – tive de ler duas vezes, mas confirma-se era mesmo um gajo – que tem medo de uma aranha, ao ponto de nem ser capaz da esborrachar com uma vassoura ou algo suficientemente contundente. Depois os bombeiros que perdem tempo com minudências desta natureza. Deve ser por isso que, em muitas circunstâncias e quando são realmente precisos, demoram uma eternidade a aparecer. Andam ocupados com mariquices. Por fim, mas não por último, essa idiotice de soltar o bicho no descampado mais próximo. Poupem-me. Por mais idiotas que andem pelo Facecoiso a tecer loas a este comportamento, ele não deixa de ser parvo. O que a minha avó não se havia de rir destes idiotas! Ou, como ela sempre dizia, ainda lhe fazia umas “décimas”.

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Vá lá, sejam tolerantes...

por Kruzes Kanhoto, em 18.07.17

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Isto, se não fosse extremamente perigoso, constituiria motivo para umas boas risadas. Mas não constitui. A brigada das novas verdades e do politicamente correcto – o equivalente ocidental às policias religiosas dos países islâmicos ou aos diversos “comités” de outras ditaduras – é para levar a sério. A nova vitima destes biltres é o candidato do PSD à Câmara de Loures. O homem exprimiu a sua opinião acerca do comportamento da comunidade cigana e, aqui d’el rei, caiu-lhe tudo em cima. Ameaças, processos, queixas, exigência de retirada da candidatura e o rol habitual de insultos que sempre ocorrem quando além ousa dizer coisas que um minoria, determinada em fazer das suas convicções uma cartilha obrigatoriamente seguida por todos, não aceita. O curioso é que o motivo da controvérsia não é o conteúdo das acusações. Talvez por todos saberem que, por aí, não existe muito para contestar. O problema parece apenas residir no facto de terem sido proferidas. Ainda que, para muitos dos ofendidos com a frontalidade e o desembaraço de língua da criatura, os ciganos sejam o que menos importa. Para esses a grande chatice é que se o homem resolve manter o discurso ainda ganha aquilo.

 

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Vêm aí mais promessas rançosas

por Kruzes Kanhoto, em 02.07.17

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(imagem obtida na internet)

Estão aí, não tarda, mais umas eleições autárquicas. Tal como as anteriores – desde 2005, que foi quando este blogue apareceu – vão ter neste espaço toda a atenção que merecem. Pouca, portanto. E, mesmo essa, já será muita. A conversa dos candidatos – de lés a lés - vai ser a de sempre. Aborrecida, inconsequente e geralmente parva. Já dá ranço, como diria a minha avó. Esqueçam lá isso de “construir um futuro melhor para todos”. Poupem-nos a palermices como “investir na atractividade e reforçar a imagem do concelho”. Também toda a gente sabe que gostam muito da “regeneração urbana, eficiência energética, energias renováveis, modernização tecnológica, ambiente” e de outros conceitos modernaços. Sabemos igualmente que querem muito “melhorar o acesso à saúde e reforçar a coesão e a justiça social”. Não se cansem. Prometam mas é o empregozinho lá nas vossas câmaras ao bom do eleitor e vão ver que ganham isso com uma perna às costas. Ah, espera, isso já fazem. Embora não conste do programa. Mas podia passar a constar. Em nome da transparência, ou lá o que é. 

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No passa nada

por Kruzes Kanhoto, em 30.06.17

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Uma quantidade bastante simpática de armamento levou sumiço de um quartel. Nada de novo. Já aconteceu noutras ocasiões. Nem, pelos vistos, é coisa que constitua motivo para preocupação de maior. Só falta aparecer aí um marmanjo qualquer, como da outra vez, a garantir que as armas estão em boas mãos. E ainda há quem insista em afiançar que a história não se repete...  

 

Diz o Jornal de Noticias de hoje que metade dos portugueses toleram a existência de corrupção autárquica. Fico, confesso, basbaque perante tão surpreendente revelação. De queixo caído, como dizemos por cá. Achava eu, na minha santa ignorância, que essa taxa de tolerância rondaria para aí os noventa e cinco por cento. Ou mesmo mais. A ser verdade, este número apenas vem revelar que a outra metade dos tugas são uns ingratos. Não valorizam o esforço hercúleo que os autarcas desenvolvem em prol da criação de emprego, da dinamização da economia e da simplificação de procedimentos ao nível da decisão. Uma falta de reconhecimento perante tanta eficiência, é o que é… 

 

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Vão mas é tratar dos macaquinhos. Do sótão.

por Kruzes Kanhoto, em 26.06.17

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Aborrecem-me os defensores dos animais. São parvos e, desconfio, padecem de algum problema ao nível do desenvolvimento intelectual. Não me refiro, obviamente, aos que dão o melhor de si e do seu tempo para salvar a bicharada abandonada. Esses, pelo menos na sua maioria, desenvolvem uma acção meritória merecedora de todos os encómios. A quem me apetece dar uns valentes tabefes são aqueles que estão sempre a mandar bitaites acerca de qualquer noticia que envolva animais. Seja sobre a caça à raposa, o excesso de javalis, as touradas ou os rastejantes que falecem por atropelamento quando atravessam as estradas.

Há duas ideias desta gente – ou mais, mas estas chegam para justificar o desprezo que nutro por eles – que me deixam fora de mim e com vontade de lhes torcer o pescoço. Como se faz aos pardais, para melhor exemplificar. A primeira é que para essa gente a vida de um bicho vale sempre mais do que a de uma pessoa. O que dispensa outros considerandos quanto à bondade daquelas alminhas e à lucidez que vai naquelas débeis cabecinhas. Depois é acharem que as pessoas do campo maltratam os animais e que as da cidade, fruto de uma superioridade qualquer, é que os tratam bem. Pois. Deve ser deve. Ter um cão, um gato ou um mini-porco – diz que é o que está agora na moda – fechado num apartamento é de certeza o que o faz feliz. Ao dono, talvez. Porque quanto ao pobre animal não concebo maior maltrato.


 

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Camarada, demagogo és tu. Quiçá até um populista, camarada!

por Kruzes Kanhoto, em 16.06.17

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Sob o sugestivo titulo “basta de demagogia com a devolução do IRS pelos municípios” um comunista qualquer escreve, numa publicação igualmente comunista, um extenso rol de alarvidades acerca da da tributação sobre os rendimentos do trabalho, do qual recorto a parte que melhor define aquilo que o homem – e, presumo, o pcp – pensam relativamente à carga fiscal a que os trabalhadores estão sujeitos. Nem me alongo em comentários acerca das bacoradas que ali estão expressas. Já ouvi muitos argumentos acerca deste tema. Contra, alguns. Admito, também, que esta opção das autarquias será, maioritariamente, usada como bandeira eleitoral. Agora, como decorre da opinião do articulista, defender esta brutal carga fiscal e, pior, achar que os trabalhadores que ganham, por exemplo, setecentos euros – esses burgueses - não devem ter uma redução de impostos para as autarquias poderem continuar a financiar as actividades destinadas aos “pobrezinhos”, é coisa para dar vontade de rir. Ou de lhe dar um murro nos cornos.

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Agência Europeia do Medicamento. Ou da Mezinha, vá...

por Kruzes Kanhoto, em 15.06.17

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Vai para aí uma grande polémica por causa daquilo da sede da Agência Europeia do Medicamento. Todos a querem. Até eu. Aqui, na minha terra, é que ela ficava bem instalada. Nem sei por que raio os autarcas cá do sitio não apresentam também a candidatura da cidade. Era um bom destino a dar a alguns prédios que estão ao abandono. Por exemplo a antiga casa da câmara. Sempre era melhor do que um centro interpretativo não sei do quê que uns quantos alarves lá querem instalar. Outro seria o palacete do Bernardo – ou lá como se chama o tipo – que estará, alegadamente, à espera de fundos públicos para ser recuperado. Ao menos, assim, já que o público gasta ali o dinheiro, sempre servia para alguma coisa e não ficávamos privados do guito. São pequenos para albergar tantos funcionários?! Ora essa, aproveitam-se os entre-forros. Mas se ainda assim não chegar, temos uma zona industrial a estrear que deve dar para construir uma coisa jeitosa.

Podemos, ao contrário dos outros candidatos, não ter universidades, hospitais, laboratórios, empresas especializadas na matéria e outras ninharias. Mas temos velhos com fartura e, como é natural, são eles quem mais necessita de medicamentos. E temos vinho. Muito e bom. Que, sustentam alguns especialistas no assunto, faz muito bem à saúde e, com a tal agência cá, até podia ser elevado à categoria de medicamento.

No entanto, se a decisão de sediar aquilo em Lisboa já estiver tomada, não nos devemos deixar abater pelo centralismo lisboeta. Há que inovar. Criemos nós a Agência Europeia da Mezinha. Com sede cá, obviamente. Fica a ideia.

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Populismo do bom

por Kruzes Kanhoto, em 12.06.17

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Gosto de ouvir o Marcelo a falar de populismo. A sério. É, até, a pessoa indicada para o fazer. Percebe disso como poucos. E de outras coisas, também. Como de dizer porra nenhuma mesmo não parando de falar, por exemplo. Por mim o homem já se calava. Mesmo essa idiotice dos afectos já aborrece. E, de caminho, parava de dar graxa aos portugueses. Ou, sei lá, ia dá-la aos emigrantes tugas que andam a penar na Venezuela. Que desses, coitados, ninguém quer saber.

Que somos uns gajos desenrascados toda a gente sabe. Não é preciso que o ex-comentador nos esteja sempre a recordar isso. Temos, nesta foto, uma dessas situações. Na ausência de melhor, serviu um cabo eléctrico em fim de vida para manter a árvore fixa ao apoio que a protege durante o crescimento. Mais ou menos o que fez o doutor Bosta. Para se fixar no poder tudo lhe serviu. Até o apoio de partidos políticos seguidores de ideologias bafientas e com o prazo de validade mais do que ultrapassada pela vontade dos povos que as tiveram de sofrer na pele. Um desenrascado, o gajo. Deve ser por isso que o outro populista gosta dele.

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Mais mil milhões que voaram...

por Kruzes Kanhoto, em 11.06.17

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A administração tributária terá deixado prescrever, no último ano, dividas ao fisco no valor aproximado de mil milhões de euros. Assim, sem mais nem menos. Sem que, aparentemente, nada aconteça. A coisa parece ficar por um simples “olha que aborrecimento, lá perdemos uns trocos”. Ou, se calhar, nem isso. Ninguém se rala por tão pouco. Agora, que se os factos ocorressem na vigência de outro governo qualquer teríamos conversa para vários dias. Afinal, trata-se apenas de uma bagatela que daria para pagar cerca de um mês de vencimentos aos funcionários públicos. Quase nada, portanto.

Mais do que a perda de tanto dinheiro – a somar a muito outro que já se perdeu em receita fiscal – o que me deixa estupefacto é a reacção que observo em meia dúzia de blogues – não me apeteceu ler mais – de acérrimos apoiantes da geringonça. Para quase todos a culpa não é do governo. Coitado, não tem responsabilidade nenhuma nisso. Os culpados são os malandros dos funcionários. Esses patifes que só atrapalham. Nisto e noutros – poucos - aspectos onde a actuação do governo ainda não conseguiu atingir a genialidade. Eu sei que reverter cortes nas reformas actuais à custa de cortes nas reformas futuras, faz toda a diferença na maneira como os reformados de hoje e os reformados de amanhã olham para o governo. Não precisamos é de ficar cegos. Ou, apenas, de não querer ver. Nem escrever.


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O génio da urna

por Kruzes Kanhoto, em 10.06.17

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Ontem apenas ouvi as noticias de “relance”, sem lhes dar a devida atenção. No final do dia, depois dos sound bites que fui apanhando, deitei-me convencido que o tal Corbyn,  o trabalhista inglês meio maluco, tinha ganho as eleições. Afinal não, fiquei hoje a saber. Foram os conservadores. Nem sei o que me terá levado a pensar o contrário. Culpei, primeiro, a pouca atenção que dediquei ao assunto em particular e aos órgãos de informação em geral. Depois, pensando melhor, conclui que houve qualquer coisa que me levou a esse convencimento. Deve ter sido o peculiar metódo de análise dos resultados eleitoral criado por Barreirinhas Cunhal há mais de quarenta anos, que agora faz escola entre jornaleiros tugas e analistas esparveirados, segundo o qual, no que toca a eleições, quem ganha perde e quem perde ganha. É por isso que gosto de futebol. Pelos menos sei sempre quem ganha. É quem mete mais golos. O resto é conversa fiada. E na politica também.

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Sexo, trabalho e boa-disposição...

por Kruzes Kanhoto, em 07.06.17

 

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Segundo um estudo qualquer – desses estudos que ciclicamente aparecem sem que se descortine qual é a sua importância - onze em cada cem pessoas já tiveram relações sexuais com colegas de trabalho. Desconfio que, apesar da sua inutilidade, a conclusão encontrada não deve andar muito longe da verdade. Ou, se calhar, até peca por defeito. Pelo menos a fazer fé em metade do que se vai vendo, ouvindo e lendo por aí, por aqui e por outros lados.  

Ao contrário do que se possa pensar, esta prática, diz, não prejudica as empresas. Nada disso. Segundo a mesma investigação as pessoas vão com mais alegria para o local de trabalho, estarão mais motivadas e terão, por isso, um melhor desempenho profissional. Pelo menos enquanto as respectivas caras-metades não souberem. No entretanto, como diz alguém cujo nome não será aqui mencionado, são todos felizes. E ainda bem. 

Mas, a ser verdade isso da produtividade, este estudo suscita umas quantas questões. Cada uma mais inquietante que a outra. Tanto que até escuso de me alongar a identificá-las. Limito-me a constatar que há muito que se concluiu que uma pausa para café - ou para a bucha, vá - favorece a produção do trabalhador e que um intervalo para uns minutos de ginástica, garantem alguns, parece que também faz milagres no âmbito do bem estar laboral. 

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A demagogia do costume

por Kruzes Kanhoto, em 05.06.17

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Há qualquer coisa nessa polémica dos estagiários do Pingo Doce que se me está a escapar. Assim de repente não estou a ver questiúncula que justifique o alarido armado por aquele deputado esquisito do Bloco de Estrume. Nem, a bem dizer, consigo perceber as contas dele. Quinhentos euros limpos e dez horas de trabalho, incluindo duas de pausa para refeiçoar, é o que recebem e o horário cumprem grande parte dos trabalhadores do privado. Das duas uma. Ou o coisinho não sabe fazer contas – o gajinho é de letras, não admira que os números o baralhem – ou então nem sequer sabe o valor do salário mínimo nacional, nem qual é o horário normal de trabalho. O que, diga-se, não surpreende. Nunca deve ter vivido com um ou cumprido o outro. É nestas alturas que gosto de citar Jerónimo de Sousa: “Ele sabe lá o que é a vida”. Embora, para ser deputado, não precise de saber.


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Lágrimas de crocodilo

por Kruzes Kanhoto, em 04.06.17

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Nem sei por que razão acontecimentos como os de ontem em Londres ainda constituem noticia. É o novo normal. É isto que cobardemente aceitamos quando estamos dispostos a acolher entre nós uma legião de gente que nos odeia e nos deseja cortar as goelas.

Hoje é o dia para as habituais lágrimas de crocodilo. Outra vez. Por esta hora já todos condenámos o ataque. Alguns, daqueles que apenas por uma má disfarçada vergonha não aplaudem estas acções, acrescentaram uns quantos “mas” seguidos de palavras como “americanos”, “petróleo” ou “Israel” entre outras patranhas. Aproveitámos também para declarar que não temos medo nenhum deles e que vamos, haja o que houver, continuar a fazer a nossa vidinha. Seguir-se-ão umas vigílias, minutos de silêncio e as inevitáveis homenagens às vitimas. Entretanto acendem-se velas, depositam-se flores nos locais da tragédia e colocam-se bandeiras e frases enternecedoras no Facebook. Tudo isto enquanto garantimos que o islão não tem nada a ver com o assunto, que a moirama não é toda igual e acusamos de islamofobia quem se atrever a associar os seguidores do profeta ao terrorismo. O habitual.

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Populismo selectivo

por Kruzes Kanhoto, em 03.06.17

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O que não falta por estes dias é gente indignada, na internet e noutros locais menos virtuais, por a Câmara de Almada ter gasto para cima de um dinheirão a ofertar umas "cebolas" caríssimas aos seus funcionários mais antigos. Acho muito bem que o pagode se indigne com o esturranço de dinheiro público. Lamento, até, que o faça tão poucas vezes. Mas, neste caso, desconfio da indignação. Ou, pelo menos, da quantidade e qualidade da indignação vertida. Não sei porquê mas parece-me que o problema serão os destinatários da oferta. Se o relógio fosse dado a uns putos ranhosos quaisquer seria, certamente, uma iniciativa muito valorizável por ensinar as criancinhas a ver as horas. Ou se os alvos da dádiva fossem os velhinhos. Pobres ou de uma academia sénior qualquer. Estaríamos, então, perante uma atitude louvável capaz de enternecer o coração empedernido ao mais fundamentalista dos possidónios.  

O Estado e, particularmente, as autarquias locais oferecem tudo e mais alguma coisa desde que lhe cheire a voto. Almoços, jantares, viagens, livros, remédios e toda uma vasta panóplia de itens que a mais delirante imaginação consiga discorrer são dados indiscriminadamente a velhos e a novos, a pobres e a ricos. Poucos se indignam com isso e os que o fazem são logo apelidados de populistas e outros nomes pouco simpáticos. Coisa que em relação aos críticos deste caso em concreto não acontece. Lixados, estes conceitos de populismo... 

 

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Catarina, a pequena

por Kruzes Kanhoto, em 01.06.17

A primeira-ministra Catarina Martins já prometeu novos aumentos das prestações sociais, do salário mínimo e de mais umas quantas benesses. Não é que ache mal a intenção da pequena líder. Pelo contrário. O que me desagrada profundamente – que isto os desagrados devem ser sempre profundos - é o desprezo com que esta "coisinha" trata os restantes portugueses. Nomeadamente aqueles que ganham há um ror de anos pouco mais que o actual salário mínimo e que, a continuar assim, vão ficar em igualdade salarial com quem, antes da crise, ganhava bastante menos.  Para alguns a diminuição do leque salarial que está a ser promovida até pode constituir uma questão de justiça social. Por mim não consigo ver outra coisa senão falta de respeito pelo mérito, incentivo ao desleixo profissional e discriminação laboral e remuneratória. 

Sabe-se que aumentar apoios sociais e salários mais baixos estimula a economia, dado que os seus destinatários poem de imediato em circulação aquilo que recebem. A maioria por imperiosa necessidade e outros, não tão poucos quanto isso, apenas porque sim.  Cabeleireiros, manicuras, tatuadores e taberneiros, entre outros, que o digam. E é disso que a geringonça precisa. De pobres e de quem gaste. É por isso que não baixa os impostos. Esses ricaços que ganham seiscentos, oitocentos ou mil e poucos euros todos os meses que tratem de sustentar o optimismo nacional.  Porque os que ganham mais do que isso também já tiveram a sua benesse. 

 

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Coisas que, no âmbito do coisar, não coisam nada

por Kruzes Kanhoto, em 29.05.17

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Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, já dizia um conhecido figurão quando questionado acerca de umas coisas que, alegadamente, teria feito e que nos coisaram a todos. O mesmo se pode dizer acerca dos coisos. Uns servem de alguma coisa e outros para coisa nenhuma. O coiso da imagem, por exemplo. Serve para coisas de jeito. Como ver a bola ou outra coisa qualquer que mereça ser vista. Outros, caros e profusamente distribuídos pelo país inteiro, não se sabe ao certo para que servem. Daí que um coiso possa ser uma coisa útil e outro coiso não passe de uma coisa inútil. Daquelas coisas que apenas servem para fazer sombra. Ou coiso.  

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