Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Se os "jornaleiros" não noticiam, noticiemos nós!

por Kruzes Kanhoto, em 17.04.17

press_freedom_fists.jpg

 

Este fim de semana, numa cidade espanhola, um marroquino atirou a viatura que conduzia para cima de grupo de pessoas que se encontravam no passeio. Causou cinco feridos, um dos quais em estado critico. Claro que nada disto, apesar de se encaixar num certo padrão de acontecimentos, mereceu grande destaque nos meios de informação tradicionais. Por cá, tanto quanto sei, nem foi noticiado. O que não admira. Já constitui um hábito.

Mas, ao que a policia local se apressou a garantir, não se tratou de um acto deliberado. O jovem seguia em elevada velocidade pela rua fora, tinha a carta de condução há apenas dois meses e terá perdido o controlo da viatura. Normalíssimo. Está sempre a acontecer. Então com os mouros é um Deus nos acuda. Sem ofensa, nessa coisa do amigo imaginário. Ah, e o moço não estava bêbado nem nada, que os diligentes bófias fizeram-lhe logo o teste de alcoolemia. É apenas mais um aselha encartado.

O problema, ainda segundo as autoridades competentes, terá sido originado pela procissão que, horas antes, tinha percorrido aquela avenida. Os procissantes terão deixado o pavimento coberto de cera que, com o calor, derreteu e acabou por provocar o despiste do incauto magrebino. Culpa, portanto, dos católicos. Não tinham nada de procissar na via pública. Nem, muito menos, deixar por lá os resíduos da sua fé.

Pode, admito, ser tudo como a policia diz. O que me deixa com os poucos cabelos em pé é a pressa com que concluem pela não intencionalidade do acto e o conjunto tão alargado de hipóteses que arranjam para justificar a ocorrência. Isso e a ausência de noticias acerca deste e de dezenas de outros acontecimentos similares que, todos os dias, ocorrem em solo europeu envolvendo sempre intervenientes que professam as mesmas crenças. Desconfio que alguém nos anda a querer esconder qualquer coisa...

Compartilhar no WhatsApp

Quem decide a relevância das noticias?!

por Kruzes Kanhoto, em 05.06.16

33.jpg

 

Terá dito, em tempos, a Ferreira Leite que o alinhamento dos telejornais era um assunto demasiado sério para ser deixado ao critério dos jornalistas. Se não foi isso, foi algo parecido mas com o mesmo significado. Tinha toda a razão. Todos os dias os noticiários televisivos fazem questão de o demonstrar.

Foi através de um desses espaços informativos que ficámos, logo de seguida, a saber dois factos importantíssimos para as nossas vidas e, quiçá, para o destino colectivo da humanidade. Que uma professora de vinte e poucos anos terá violado, de forma continuada, um aluno de treze. Tendo, até, engravidado do dito. Coitado do moço. Desgraçado. Presumo que tenha ficado traumatizado. Se calhar agora, para a história ser perfeita e fazer disparar ainda mais os níveis de inveja de noventa e nove por cento da população masculina, até vai ser indemnizado. A outra ocorrência relevante do dia dava-nos conta de um puto de seis anos que telefonou para o número de emergência a denunciar uma infracção de trânsito cometida pelo pai. Nada que um par de tabefes não resolva. Se o objectivo era transformar o gaiato num herói duvido que o tenham conseguido. Foi apenas promovido a bufo.

Entretanto tropelias à séria, como as que os seguidores de um determinado profeta vão praticando pela Europa, são intencionalmente escondidas do grande público. Deve ser isso do critério editorial, ou lá o que é.

Compartilhar no WhatsApp