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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O Maduro que estique o pernil

por Kruzes Kanhoto, em 28.12.17

Uma vergonha – ou pior, até – essa cena de boicotar o Natal dos outros. Não se faz. Como o camarada Maduro não se cansa de salientar, trata-se de mais um infame ataque, por parte do grande capital e das forças imperialistas, à revolução bolivariana e ao povo venezuelano. Não bastava destruírem toneladas de comida e medicamentos, só para chatear o povo e deixar mal vistos os lideres revolucionários, agora os fascistas ainda têm o descaramento de perseguir os navios gigantes que iam para a Venezuela atafulhados de pernil. Tudo, ao que se sabe, por causa de uns trocos miseráveis. E do lucro. E da ganância. E de mais umas quantas cenas capitalistas que agora não me ocorrem. 

Pena que ao camarada Maduro não lhe tenha dado para esticar o pernil. Refiro-me, obviamente, ao stock que ainda possa existir no país e que ele, assim tipo aquele truque da multiplicação dos pães ou lá o que era, tratasse de multiplicar por muitos. 

Nisto só duas coisas me surpreendem. A fraca indignação que o assunto suscitou e a ausência de um movimento de solidariedade para ofertar pernil aos venezuelanos. Os profissionais da indignação e dos movimentos solidários devem estar ocupados com outra indignação e com outra desgraça qualquer.

 

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Todos os ajuntamentos são criticáveis, mas alguns são mais criticáveis que outros...

por Kruzes Kanhoto, em 24.12.17

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(Imagem obtida na internet) 

Acho alguma piada às criticas fáceis ao denominado consumismo desenfreado que se verifica nesta época do ano e que por norma são documentadas por fotografias de superfícies comerciais a abarrotar de gente. A comunicação social e as redes sociais em geral, por estes dias, repetem-nas sem parar. É lá com eles. Ou com quem define a linha editorial e determina aquilo com que nos devemos indignar. Pena que, pelo menos de vez em quanto, não mostrem imagens do Metro de Lisboa. Mas percebe-se que não o façam. Criticar um serviço concessionado ao Partido Comunista é capaz de não ser, nos tempos que vivemos, muito popular.

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O cone

por Kruzes Kanhoto, em 16.12.17

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Se eu fosse um gajo com queda para a dissertação desatava para aqui a tecer considerandos acerca da época natalícia. Mas não tenho esses dotes. Nem, a bem dizer, dissertar seja coisa que me apeteça por aí além. Fico-me pelo cone. Que, sem se saber ao certo como nem porquê, se tornou no mais recente símbolo de Natal. Deve ser para não ofender os amigos dos pinheiros, ou isso. Mas, seja lá qual for o motivo, agora todas as terras têm um. Nós, por cá, também. E está janota, o sacana do cone.

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E do politicamente correcto, quem nos protege?!

por Kruzes Kanhoto, em 28.11.17

Parece que em algumas cidades, nas zonas onde se aguarda uma elevada concentração de pessoas por ocasião da quadra natalícia, estarão a ser colocadas protecções contra os automóveis assassinos. Pois, isso mesmo. Automóveis assassinos.

Talvez por não ser um grande conhecedor do mundo motorizado, desconhecia em absoluto a existência de veículos com vontade própria. E logo com vontade de matar, os patifes. Boa ideia essa de colocar as tais protecções. Nada como estar atento e trocar as voltas a essas máquinas diabólicas que nos querem limpar o sebo.

Ainda não consegui confirmar se estarão igualmente a ser tomadas algumas medidas contra aquelas facas com a mania de perfurar pessoas. Diz que existem muitas com essa tendência. Também já ouvi falar de alguns machados, quiçá motivados pelo aborrecimento derivado do pouco uso nas funções para que foram fabricados, que se resolveram atirar contra quem lhes apareceu à frente. Espero que, nisso da proteção natalícia, não fiquem esquecidos. Esses e outros objectos que, de repente, nos passaram a odiar. Façamos votos para que as tais protecções não se juntem ao clube e não fiquem, também elas, com vontade de nos matar.

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E do Pai Natal, ninguém reclama?!

por Kruzes Kanhoto, em 19.11.17

Agora que está quase a chegar mais uma quadra natalícia, é com manifesta expectativa e uma mal disfarçada ansiedade que aguardo pela nova causa fraturante do Bloco de esquerda e de outras forças minoritárias na sociedade mas amplamente dominantes no âmbito do mediatismo. Já me tarda uma campanha contra o Pai Natal. Não espero – e daí não digo nada - que desatem à porrada aos desempregados gordos com vestimenta vermelha e longa barba branca que, por estes dias, vão andar um pouco por todo o lado. Mas, tirando a parte da pancadaria, começo a achar estranha a ausência de uma campanha dirigida às criancinhas a esclarece-las que o Pai Natal não existe e que o anafado de vermelho é apenas mais um símbolo da sociedade capitalista, opressora e estereotipada de que urge libertá-las. Nem sei porque esperam, essas inteligências de perú. E por falar em perú, que tal outra campanha para salvar os perús deste planeta? É pá, vá lá, não me desiludam...

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Cara comida para estudante...é coisa do passado.

por Kruzes Kanhoto, em 14.11.17

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Uma das últimas indignações deste país de indignados teve a ver com as refeições servidas nas escolas e nas cadeias. Fraca qualidade, pouca quantidade e ingredientes indesejáveis reveladores de falta de higiene, foram os motivos que mais indignaram os profissionais da indignação. E são muitos, diga-se. Tantos que, seja na comunicação social ou no Facecoiso, conseguem ditar a agenda política. Mas isso, agora, não vem ao caso. O que vem ao caso é a desatenção, a ligeireza e a hipocrisia com que toda essa malta olha para estas coisas. E para outras, também.

Podiam, por exemplo, fazer a comparação entre o preço das refeições dos alunos e o das refeições servidas nas festas para os idosos. Podiam até, num rasgo de impertinência, questionar aqueles que elegem acerca do que tem a dizer sobre tão grande discrepância. É que isto de uma refeição para presos e estudantes ser tão mais barata do que a servida a velhinhos – que, na esmagadora maioria, até nem comem assim tanto – deve ter aqui uma marosca qualquer. Que, de certeza, nada terá a ver com aquela coisa dos votos, ou lá o que é, de que se alimentam os políticos.


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A seguir proíbem o quê? O peixe com espinhas?!

por Kruzes Kanhoto, em 27.12.16

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E aquilo do bolo-rei não trazer fava nem brinde?! Outra – mais uma - intromissão grosseira nas nossas liberdade individuais de que já ninguém reclama. Verdade que durante muitos anos, entre o Natal e o dia de reis, não fiz mais nada do que andar em funerais de gente que morreu engasgada por, inadvertidamente, ter engolido o brinde ou voluntariamente ter tragado a fava. Era um regabofe para as agências funerárias. Os gatos-pingados andavam numa lufa-lufa. E os dentes e placas que se escavacavam nesta quadra? Mais que muitos. Tantas que o meu vizinho dentista se despedia da família e só voltava a casa por altura do Carnaval, tal era a trabalheira. Mas, ainda assim, preferia os bolos-rei de outros tempos. Tinham mais piada. E muito mais frutos, também.

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Video de Natal

por Kruzes Kanhoto, em 26.12.16

 

Este é um daqueles vídeos de Natal que teria tudo para se tornar viral, como o pagode gosta de dizer. Mas não será o caso. Mais dia menos dia vai ser retirado da Internet, que isto do pessoal andar a ver coisas destas não agrada à censura nem aos defensores das novas verdades. Cá para mim é fofinho. Amoroso, quase. Ternurento, vá. É sobre um jovem que gosta de camiões, que ama as pessoas e apenas pretende fazer bem ao próximo. "The most wonderful form of jihad" é o seu sugestivo titulo.

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Embrulhar é que está a dar!

por Kruzes Kanhoto, em 23.12.16

Ainda sou do tempo em que um gajo – uma gaja também, vá – ia a uma grande superfície nesta altura natalícia, comprava o que muito bem lhe apetecia e, junto às caixas, um bando de “joves” contratados especialmente para o efeito, tratava dos embrulhos. À pala, claro. Embrulhavam tudo. Lembro-me de, em certa ocasião, alguém mesmo à minha frente ter mandado embrulhar um frango assado. E cheirava bem, o raio do franganito.

Agora já não é assim. No lugar da rapaziada que aproveitava as férias de natal para ganhar uns trocos, estão os escuteiros ou uma associação de auxilio a uns desgraçados quaisquer. Todos, com esta mudança, ficaram a ganhar. Os donos do supermercado que se livraram dos encargos com aquele pessoal e os escuteiros ou as tais associações que sacam uns trocos aos preguiçosos que não querem embrulhar as prendas em casa. E nós? Nós ficámos a perder. Como sempre.

Esta situação revela a elevada capacidade de inovação do empresariado português. Deve ser por isso que não gostam de pagar salários dignos. Afinal para quê?! Até têm quem lhes faça o servicinho de borla. Nem sei como é que este tipo de comportamento não se generalizou. Mas não deve tardar. Um dia destes, num daqueles tascos com pré pagamento, ainda me aparece um voluntário da associação dos ramelosos anónimos a servir-me o café...

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Dar o melhor aos eleitores...

por Kruzes Kanhoto, em 21.12.16

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Não se pense que isso das almoçaradas, jantaradas e outras comezainas e festarolas oferecidas pelas autarquias aos eleitores mais idosos - seja pelo Natal ou noutra altura qualquer, que isto há que trazer o eleitorado satisfeito - constitui um exclusivo nacional. Nada disso. Aqui ao lado, em Espanha, é igual. Embora, a julgar pelas noticias que chegam de Lozoya, um ayuntamiento perto de Madrid, a coisa por lá já chegou a outro nível. A cantante convidada para animar os comensais, da festa dos idosos e reformados lá do sitio, apresentou-se em grande estilo. Vestida, como aconselham os rigores da época e recomendam as normas do decoro associadas à circunstância, mas com uma fatiota que simulava estar nua. Rezam as crónicas que os velhotes gostaram. Pudera. Bem esgalhada, a ideia. Podia era ter menos pêlo, aquilo.

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A caixa prioritária

por Kruzes Kanhoto, em 13.12.15

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Quando tirei a carta de condução ensinaram-me que a regra da prioridade era isso mesmo, uma regra. Nunca devia ser confundida com um direito absoluto. Ou, aplicada aos tempos actuais, como um direito adquirido.

O mesmo, achava eu, seria aplicável noutras circunstâncias que não o trânsito automóvel. Como naquelas caixas prioritárias dos supermercados, por exemplo. Mas não. Ao que tenho visto, enquanto observador atento destes fenómenos, ali a prioridade é um direito inalienável exercido à custa de empurrões e sem uma palavra – nem sequer um simples “destó” - aos restantes consumidores da fila. Uma ultrapassagem forçada e está o caso arrumado.

Não contesto a priorização de grávidas, portadoras de crianças de colo ou de pessoas com maleitas diversas. Era o que mais faltava. A hierarquização da prioridade é que se me afigura demasiado complexa para deixar ao simples bom-senso da populaça. Deve a grávida de seis meses, apesar de saudável, passar à frente da de dois meses com uma gravidez de risco? A mamã com um rebento de três semanas dentro daquela coisa de transportar bebés deve ser preterida em detrimento de outra com um pirralho de cinco anos ao colo? E o gajo, que até podia ser eu, com uma unha encravada a tentar equilibrar-se apenas numa perna deve aguardar que toda esta malta seja atendida? Questões inquietantes, de facto. E que de vez em quando, tal como acontece no trânsito, dão em “desinquieta”.

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