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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Justiça espanhola

por Kruzes Kanhoto, em 01.04.17

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Uma cidadã espanhola foi condenada por um tribunal – igualmente espanhol, obviamente – numa pena de um ano de prisão por ter escrito umas graçolas nas redes sociais acerca do atentado que vitimou, em 1973, o então primeiro ministro – espanhol, também - Carrero Blanco. Ora isto, mesmo não sendo espanhol, seria coisa para me deixar indignado. É, arranjem as justificações manhosas que arranjarem, um atentado à liberdade de expressão. Contudo, neste caso concreto, acho muito bem a condenação da criatura. Tratar-se-á, ao que se escreve na imprensa espanhola, de uma feminaza esquerdista. Gente que anda por aí - seja em Espanha ou no resto do mundo – a defender a condenação de quem escreve piadolas ou, simplesmente, manda uns dichotes acerca dos valores defendidos pelo esquerdume, sob o pretexto do discurso do ódio ou outras idiotices que a esquerdalha gosta de inventar. Presumo, por isso, que a senhora não recorra da setença e, humildemente, assuma o seu erro cumprindo a pena que lhe foi imposta. É que isto a coerência é muito bonita e constitui, a par da inteligência superior de que são dotados, uma qualidade intrínseca de todos os seres que se dizem de esquerda. Pelo menos é o que eles dizem. Por mim duvido. De ambas.

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Ironias...

por Kruzes Kanhoto, em 28.03.17

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A política local não é tema que caiba neste blogue. Mas hoje apetece-me fazer uma excepção. Uma coisa assim para confirmar a regra. O assunto, convenhamos, merece. Até porque não é todos os dias que um tribunal declara a perda de mandato de um presidente de Câmara. O que, como não podia deixar de ser, constitui o assunto do momento cá na cidade.

Não tenho sobre o caso nenhum “estado de alma” acerca do qual valha a pena dissertar. Tão pouco me importa a forma, o conteúdo, a bondade ou não de todas as tomadas de posição acerca do assunto ou outros pormenores da trama. Nem sequer os pormaiores. O único detalhe que não me deixa indiferente é a ironia do autarca poder vir a perder o mandato - se, a seguirem-se eventuais recursos, a sentença vier a ser confirmada por instâncias superiores - na sequência de uma sua decisão que envolve deixar de fazer despesa.  Coisa que é capaz de ser mais ou menos inédita. Assim a atirar para o sui generis, quase.

 

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Um mártir dá sempre jeito...

por Kruzes Kanhoto, em 20.03.17

De repente ficou toda a gente com muita peninha do Sócrates. Coitadinho. Está, garantem, a ser vitima da incompetência da justiça que não ata nem desata nessa coisa da acusação, ou lá o que é. Um atentado aos direitos, liberdades e garantias de um cidadão que não pode ficar eternamente sob suspeita. Pois. Deve ser isso tudo, deve. E aquela parte do “cada tiro, cada melro”, também. Ou, então, é aquilo das barbas do vizinho. É que, não é por nada pois eu destas coisas só sei o que ouço dizer, se a investigação se prolongar por muito mais tempo isto ainda chega ao nível de “paróquia”...

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Abaixo o sexismo! Ou lá o que é...

por Kruzes Kanhoto, em 27.04.16

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Passei hoje mais uma manhã no tribunal. Perdi-lhes a conta, de tantas que foram. Mas, desta vez, fui ouvido. Ou melhor, interrogado. Não é que me incomode colaborar com a justiça. Nem que me queixe das muitas horas a aguardar a minha vez de testemunhar. Nada disso. O que me aborreceu foi o tratamento. Desagradou-me ser considerado uma testemunha. Ali estavam a juíza, a advogada, o advogado, o procurador, a queixosa, o réu e eu. A testemunha. Percebo agora muito melhor as mulheres que se sentem ofendidas com aquilo do cartão do cidadão. E renego todas as piadolas que já fiz em relação à ideia do Bloco de Esquerda para alterar a sua designação. Há, também, que tornar a justiça menos sexista e encontrar uma forma não discriminatória para designar quem presta testemunho. Não arrisco uma sugestão, mas lá que me senti vexado por ser uma testemunha, isso senti.

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