Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E uma baixazinha no IRS?

por Kruzes Kanhoto, em 16.11.17

Segundo as contas do governo – ainda não desmentidas, ao que julgo saber – o descongelamento dos escalões dos professores custaria seiscentos e cinquenta milhões de euros. Coisa que, pelos vistos, pouco ou nada importa aos sindicatos. Mas – e não é por uma questão de inveja ou falta de respeito pela profissão – importa-me a mim. E muito. É que esta maçaroca toda representa um pouco mais de meio por cento do total do IRS que o governo prevê arrecadar em 2018.

A menos que me esteja a escapar alguma coisa deve existir uma qualquer espécie de discriminação nisso do descongelamento. Para os professores, ao que declararam alguns docentes às televisões, estarão em causa umas centenas de euros por mês. Mas, para a generalidade das carreiras da função pública, o tal descongelamento não dá mais do que umas três dezenas de euros mensais a cada funcionário. Logo, não me parece que a classe docente tenha assim tanta razão de queixa. Ou se há é apenas por estarem com dificuldade em recuperar parte dos privilégios perdidos.

Compartilhar no WhatsApp

Manipulação informativa, misandria e xenofobia. Tudo em directo numa TV perto de si.

por Kruzes Kanhoto, em 04.11.17

A comunicação social insiste em manter na ordem do dia a cena de pancadaria em Lisboa. Como se isso fosse algo de importante para o país ou dali tivessem resultado consequências que constituíssem uma qualquer espécie de drama. Afinal, para quem terá sido agredido selvaticamente, os tais jovens até parecem não estar assim tão mal. Isto ou os seguranças batem como meninas ou alguém nos está a contar uma história alternativa. Entretanto não se vai falando no OE/2018. Realmente o que é que isso pode interessar aos portugueses quando comparado com um arraial de porrada entre meliantes? Nada, obviamente.


E aquilo do assédio sexual, ou lá o que é? Mais uma modernice. Outro filão a explorar até à exaustão pelo comité das noticias. Não tarda, também por cá, começarão a vir a terreiro umas quantas criaturas muito traumatizadas por terem sido apalpadas pelos colegas de carteira na escola primária. É nestas alturas que bem-digo ser pobre. Parece-me que é a única condição para se estar imune a esse tipo de acusações.


O elevado preço das casas em Lisboa é culpa, ao que alegam uns quantos, dos estrangeiros endinheirados que vêm para cá beneficiar da isenção de IRS, concedida em 2009 pelo governo do Sócrates e ainda hoje em vigor. Uma chatice, isso de essa estrangeirada vir para Portugal gastar o dinheiro deles quando o podiam fazer noutro país qualquer. Daí que ande a germinar a ideia de acabar com essa benesse. Eles que paguem como os demais, ameaçam umas criaturas que entendem tanto do que estão a falar como eu de cozinha uzebeque. Mas, se fazem assim tanto mal na capital, façam-nos pagar tudo e mais alguma coisa onde acham que a sua presença está a distorcer o mercado e isentem-nos, também de tudo e mais o resto, em todo o interior do país. Mas não. Isso não será feito. Preferem que continuemos orgulhosamente sós. Como o outro.

Compartilhar no WhatsApp

O Parlamento aceita petições sexistas?!

por Kruzes Kanhoto, em 18.10.17

Acho piada aos activistas. De todas as espécies. E mais piada lhes acho à medida que as causas que defendem vão constituindo um dado adquirido. O caso da igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres entre homens e mulheres, por exemplo. Ainda que - pelo menos em termos legais - isso já seja um assunto arrumado, os tais activistas não se dão por satisfeitos. Querem mais. Muito mais.

Tanto que está para discussão no Parlamento uma petição com o sugestivo titulo de “benevolência a mães sozinhas com filhos a cargo”, onde a signatária solicita “encarecidamente um especial olhar do Estado protector para este público especifico”. Embora reconhecendo que já existem apoios às pessoas mais carenciadas, entende que é imprescindível ir mais longe. Nomeadamente “ser mais amplo, não sendo redutor apenas à folha de vencimento”. Seria de criar uma espécie de “estatuto” que permita às beneficiárias ter da parte do Estado apoios “ao nível do crédito à habitação, agua, gaz, electricidade, comunicações (incluindo internet)...para aquisição de viatura, nas oficinas quando os carros avariam, em todos os impostos, nas multas...” e sim estou a citar. Tudo isto, reitero, destinado às mães com filhos a cargo, estejam ou não empregadas, beneficiem ou não dos apoios sociais existentes e sejam ricas, remediadas ou pobres.

Desconheço o destino que os deputados vão dar a este rol de disparates. Para já está em análise e a serem ouvidas umas quantas entidades. Mas, dada a maluqueira que vai para aqueles lados, não me custa a crer que, de entre este conjunto de disparates, alguns venham a ter acolhimento.

Enquanto isso o país vai ardendo e o interior ficando sem gente. Não há por aí um activista que peça um estatuto especial para os resistentes que ainda cá vivem e que inclua, por exemplo, não pagar IRS?

Compartilhar no WhatsApp

Inovações fiscais

por Kruzes Kanhoto, em 13.10.17

images.jpg

 

A inovação em matéria de impostos parece não ter fim à vista. O próximo a inventar é o imposto “Batata frita”. Isto para, segundo os mentores da ideia, desincentivar o consumo dos ditos tubérculos após fritura. Esta fúria tributária, apesar de idiota, não se me afigura mal de todo. É como o outro. Pior seria se nos continuassem a ir ao ordenado.

Ainda assim acho possível – e desejável, já agora que é só para desincentivar – ir mais longe neste caminho. Explorar novos horizontes e, digamos, continuar a inovar no que aos impostos que visam o desincentivo diz respeito. No âmbito dos fritos, por exemplo, sugiro que se taxem os torresmos, o brinhol e os jaquinzinhos. Quanto aos doces, os iogurtes, pudins ou leite creme também me parecem constituir um filão a explorar. Até porque, ao que consta, terão um teor de açúcar bem mais elevado do que certas bebidas já sujeitas ao imposto “Coca-cola” e, portanto, convém desincentivar o seu consumo.

Obviamente que só paga estes impostos quem quer. Quem não quer pagar não consome. É este o principal argumento usado sempre que o tema vem à baila e, diga-se, não podia estar mais de acordo. É por essa razão que reitero o meu apelo aos fiscalistas, economistas e outros parvos ao serviço do governo no sentido de taxar a queca. Também só paga quem quer. Ou pode.

Compartilhar no WhatsApp

Malvados, vão gastar o vosso dinheiro para outro lado!

por Kruzes Kanhoto, em 15.09.17

Extraordinário como, praticamente sem perder algum tempo a pensar, os internautas enchem o facecoiso e as caixas de comentários dos jornais aplaudindo as opções da geringonça. Hoje foi aquela ideia peregrina que o governo estará a amadurecer no sentido de taxar as pensões dos estrangeiros que, nos últimos anos, tiveram a ideia de viver e gastar as suas reformas cá pelo rectangulo.

Os argumentos são do mais variado mas, em quase todos, predomina a inveja. Assim na base do “se eu pago eles também têm de pagar”. Não adianta perder tempo a explicar a estes ignorantes as inúmeras vantagens para o país de ter pessoas com elevado poder de compra a viver grande parte do ano entre nós. Nunca perceberiam. Nem, menos ainda, percebem que caso coloquemos entraves à sua presença, outros lhes oferecerão aquilo que nós lhes negamos.

Percebo que alguns achem que o dinheiro deles não faz cá falta nenhuma. Nomeadamente aqueles que “o” têm certo ao fim do mês sem que para isso necessitem de desenvolver um esforço significativo. A esses pouco importa que os velhotes endinheirados do norte da Europa contribuam para a regeneração urbana das nossas cidades ou para a dinamização do nosso comércio, restauração e hotelaria. Tanto se lhes dá. Desconfio, até, que são capazes de pensar que se os estrangeiros começarem a pagar, a receita fiscal aumenta de tal maneira que o governo baixa o IRS...Tadinhos!

Compartilhar no WhatsApp

Camarada, demagogo és tu. Quiçá até um populista, camarada!

por Kruzes Kanhoto, em 16.06.17

Captura de ecra de 2017-06-16 22:18:52.jpg

 

Sob o sugestivo titulo “basta de demagogia com a devolução do IRS pelos municípios” um comunista qualquer escreve, numa publicação igualmente comunista, um extenso rol de alarvidades acerca da da tributação sobre os rendimentos do trabalho, do qual recorto a parte que melhor define aquilo que o homem – e, presumo, o pcp – pensam relativamente à carga fiscal a que os trabalhadores estão sujeitos. Nem me alongo em comentários acerca das bacoradas que ali estão expressas. Já ouvi muitos argumentos acerca deste tema. Contra, alguns. Admito, também, que esta opção das autarquias será, maioritariamente, usada como bandeira eleitoral. Agora, como decorre da opinião do articulista, defender esta brutal carga fiscal e, pior, achar que os trabalhadores que ganham, por exemplo, setecentos euros – esses burgueses - não devem ter uma redução de impostos para as autarquias poderem continuar a financiar as actividades destinadas aos “pobrezinhos”, é coisa para dar vontade de rir. Ou de lhe dar um murro nos cornos.

Compartilhar no WhatsApp

Que os meus impostos lhes façam bom proveito...

por Kruzes Kanhoto, em 19.04.17

Esta coisa da declaração do IRS deixa-me sempre com os níveis de irritabilidade em alta. Nem aquilo do fisco me devolver uma pequena parte do que andei a descontar ao longo do ano me faz ficar mais animado. Ao contrário de muita gente, para quem o reembolso fiscal constitui uma espécie de presente que os deixa felicíssimos da vida. Ainda bem que ficam felizes. Enganados, mas felizes. O problema é o que ainda “lá” fica. E não devia ficar. O que volta é nosso e nunca nos devia ter sido tirado. O fisco é, neste caso, aquele ladrão arrependido que nos devolve uma pequena parte do roubo.

O que me dá algum consolo é saber o bom uso que é dado à parte do meu vencimento que nunca chega à minha conta. Fico feliz e contente pelo contributo para o bem estar de todos aqueles – e são mais que muitos aqui na terrinha – que ao longo da vida nunca conheceram outro modo de subsistência que não os chamados apoios sociais. Só receio é que eles andem a abusar um bocado do tabaco, do álcool e se estejam a tornar demasiado sedentários. Como aquela família de gordos, que encontro todos os dias, sentada numa esplanada quando vou trabalhar e abancada noutra quando regresso. Se para aí adoecem ainda me aumentam os impostos para equilibrar as contas do SNS.

Compartilhar no WhatsApp

Viva a discriminação! Esta deve ser a bebidofobia, talvez.

por Kruzes Kanhoto, em 03.07.16

Captura de ecrã de 2016-07-03 12-37-46.jpg

 

Já dizia a minha avó – essa sábia senhora – que isto mais vale cair em graça do que ser engraçado. Assim está a geringonça. Em estado de graça. Agora é o IVA da restauração. Montaram uma trapalhada monumental mas, apesar disso, ninguém se queixa. A receita fiscal diminuirá – terá de ser compensada com um aumento de outro imposto qualquer – e o IRS que nós, os parvos do costume, teremos a pagar irá aumentar. Mas anda tudo satisfeito. Se fosse o insensível governo de direita é que era uma chatice. Uma violência sobre quem menos pode e menos tem, até. Ou, se preferirem, um assalto descarado aos bolsos dos portugueses, para satisfazer o grande capital. Ou pequeno, não interessa.

Acredito que, mais mês menos menos mês, sairá um estudo sério e aprofundado, como convém, da autoria do João Galamba ou de outro economista igualmente sério, onde ficará demonstrada a bondade desta medida e onde serão evidenciados os magníficos resultados em termos de crescimento do emprego, do PIB ou do pirilau dos clientes. Por mim as contas estão feitas. Tomemos como exemplo o café. Se eu beber mil café por ano, a sessenta e cinco cêntimos cada um, pago exactamente o mesmo que pagava quando o iva era a 23%, mas deduzo menos sete euros de IRS. O vendedor, pelos mesmos mil cafés, entrega ao fisco menos quarenta e seis euros e setenta e sete cêntimos. Que ficam para o bolso dele.

Nem vale a pena questionar acerca de quem fica a perder. Isso, no entanto, não nos tira a fé na geringonça. Têm mesmo muita graça, eles. E nós também.

Compartilhar no WhatsApp

O IRS da bicharada

por Kruzes Kanhoto, em 27.02.16

woman-getting-hair-dressed-in-a-hair-salon-with-he

 

Estará para discussão, em sede de Orçamento de Estado para 2016, a possibilidade das despesas com a saúde dos animais – os amiguinhos de quatro patas, como é referido na petição que terá dado origem ao debate – passarem, já este ano, poderem ser deduzidas no IRS dos donos. Nem vou expressar o que penso disso. Não me apetece. Mas, assim de repente, vejo uns quantos quiproquós na aplicação prática da medida. Logo, para começar, no número de patas. E se o animal de estimação for, por exemplo, um pássaro? Ou uma cobra? Mesmo um peixe, vá. Fica excluído de tão generosa medida fiscal? Não seria justa tamanha discriminação e, de certeza, os deputados da geringonça tratarão de ignorar a infeliz e discriminatória referência dos peticionários.

Depois há aquilo do número de contribuinte. Se cada bicho – à semelhança dos dependentes – não possuír NIF como é que se comprova a sua existência? Não vão, certamente, pretender que a prova de vida dos animais seja feita através do registo na freguesia de morada dos donos e da correspondente licença...  É que se assim for muito boa gente é capaz de ter uma desagradável surpresa. Mas isso sou eu a conjecturar...

E as despesas de educação, alojamento e cabeleireiro da bicharada? Porque não hão-de, também, ser passiveis de dedução? Há, como se sabe, muitos canitos que frequentam escolas para desenvolverem certas capacidades – os cães guia, por exemplo – e outros que ficam alojados em hotéis para animais quando os donos vão de férias. Igualmente há os que necessitam de tratar do pelo com alguma regularidade para, por exemplo, evitar a acumulação das cagaitas. Tudo coisas, estas e mais umas quantas que agora não me ocorrem, que deviam merecer a melhor atenção do legislador.

Compartilhar no WhatsApp

Como é que se chama agora aquilo que ficou no lugar da austeridade?!

por Kruzes Kanhoto, em 03.02.16

Parece que foi decretado o fim da austeridade. Não noto nada de diferente, mas pronto se eles dizem que sim não sou eu que os vou contrariar. Para mim está tudo rigorosamente na mesma. Há, vá lá, aquela coisa manhosa da sobretaxa de IRS. Uns quantos – poucos - euros a mais no vencimento liquido. Estou a guardá-los. Dão jeito para pagar o aumento do imposto sobre a gasolina e da taxa do áudio-visual, ou lá o que é.

Onde estou convencido que vou poupar a sério é nas despesas com os serviços de restauração. Dez por cento a menos no IVA já dá para constituir um pecúlio apreciável. Capaz, até, de me fazer cometer uma pequena loucura. Comprar um carro novo, ou assim. Isto se chegar para o aumento do imposto automóvel, claro. Não posso é pagar o popó com cartão de crédito ou multibanco, senão lá se vai a poupança para o imposto de selo que, diz, irá incidir sobre os pagamentos com dinheiro de plástico. Ainda bem que a austeridade acabou, ufa!

Compartilhar no WhatsApp

Facturas para que vos quero...

por Kruzes Kanhoto, em 22.12.15

Captura de ecra de 2015-12-21 22:21:23.jpg

 

Para conseguir poupar “algum” no IRS não basta pedir factura com NIF. Há que estar atento, de seguida, ao que vai sendo submetido pelos comerciantes no e-factura. Se para as “despesas gerais familiares” qualquer coisa serve, para o resto já não é bem assim. Uma das situações mais frequentes é o CAE não corresponder a uma actividade onde se pode obter beneficio fiscal. Aí o que há a fazer é seleccionar a factura e alterar a “actividade de realização da aquisição”. Ou, a verificar-se um caso como o da imagem, efectuar o reporte à Autoridade Tributária através do e-balcão. Sim, por que isto de estabelecimentos com mais ramos de negócios do que actividades registadas é o que não falta. Depois quem se lixa são os do costume.

Compartilhar no WhatsApp