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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O Parlamento aceita petições sexistas?!

por Kruzes Kanhoto, em 18.10.17

Acho piada aos activistas. De todas as espécies. E mais piada lhes acho à medida que as causas que defendem vão constituindo um dado adquirido. O caso da igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres entre homens e mulheres, por exemplo. Ainda que - pelo menos em termos legais - isso já seja um assunto arrumado, os tais activistas não se dão por satisfeitos. Querem mais. Muito mais.

Tanto que está para discussão no Parlamento uma petição com o sugestivo titulo de “benevolência a mães sozinhas com filhos a cargo”, onde a signatária solicita “encarecidamente um especial olhar do Estado protector para este público especifico”. Embora reconhecendo que já existem apoios às pessoas mais carenciadas, entende que é imprescindível ir mais longe. Nomeadamente “ser mais amplo, não sendo redutor apenas à folha de vencimento”. Seria de criar uma espécie de “estatuto” que permita às beneficiárias ter da parte do Estado apoios “ao nível do crédito à habitação, agua, gaz, electricidade, comunicações (incluindo internet)...para aquisição de viatura, nas oficinas quando os carros avariam, em todos os impostos, nas multas...” e sim estou a citar. Tudo isto, reitero, destinado às mães com filhos a cargo, estejam ou não empregadas, beneficiem ou não dos apoios sociais existentes e sejam ricas, remediadas ou pobres.

Desconheço o destino que os deputados vão dar a este rol de disparates. Para já está em análise e a serem ouvidas umas quantas entidades. Mas, dada a maluqueira que vai para aqueles lados, não me custa a crer que, de entre este conjunto de disparates, alguns venham a ter acolhimento.

Enquanto isso o país vai ardendo e o interior ficando sem gente. Não há por aí um activista que peça um estatuto especial para os resistentes que ainda cá vivem e que inclua, por exemplo, não pagar IRS?

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Deixa arder...

por Kruzes Kanhoto, em 16.10.17

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 (Imagem de "O insurgente")

 

O governo e os partidos da geringonça já fizeram centenas de reuniões para tratar dos problemas dos funcionários públicos e poucas - ou nenhuma - para tratar dos incêndios. Foi isto, mais coisa menos coisa, que ouvi hoje num telejornal. Não é verdade. Ou é apenas uma parte da verdade. O cavalheiro que proferiu esta afirmação devia ter acrescentado à agenda de trabalho dessas centenas de reuniões os problemas dos reformados. Como, até eu que não percebo nada disto, já aqui escrevi em inúmeras ocasiões. E aí sim, estaria inteiramente correcto. Por mim, enquanto funcionário e, espero, futuro reformado sou gajo para agradecer a preocupação. Mas não o faço. Não que seja mal agradecido. Acho é que aquela gentinha não devia lá estar para isso. Mas está. De um executivo composto quase em exclusivo por gente dependente do Estado não era de esperar algo diferente. Quanto ao resto é deixar arder. Habituem-se, já diz a ministra.

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O especialista, esse chato.

por Kruzes Kanhoto, em 20.08.17

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Parafraseando o outro: “Porra, chiça, que é demais!”. Não se aguenta tanto especialista em incêndios. Gente que, na generalidade dos casos, não distingue um pinheiro de um eucalipto e que, quase sempre, considera que tudo aquilo que arde é propriedade de gente cheia de dinheiro, egoísta e que visa o lucro fácil. E, presumo, envolvida naquela coisa dos grandes interesses, ou lá o que é, e que serve de justificação para tudo quando nada se percebe do assunto acerca do qual se disserta com pose de erudito.

A estes especialistas, confortavelmente instalados nos seus apartamentos dos subúrbios que nem sabe a espécie da árvore onde levam o cão a mijar, recomendo que nas próximas férias, em vez de irem para o estrangeiro só porque é “cool” e “bué da cultural”, percorram o interior do país. Falem com as pessoas – têm de procurar bem, dada a sua escassez – e depois, então, opinem acerca de limpeza de terrenos, espécies que não ardem e outras baboseiras do género. E, de caminho, rocem uns pastos. Ou, então, calem-se.

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A esquerda sofre de intolerância à livre opinião...

por Kruzes Kanhoto, em 24.06.17

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A esquerda não tolera opiniões divergentes da sua. Isto nem é uma opinião. É um facto. Quem se atreve a divergir da verdade oficial está feito. Agora, a propósito dos últimos incêndios, voltámos a assistir a todo o ódio que é destilado relativamente a quem ousa sugerir que é capaz de existir, naquela tragédia toda, alguma responsabilidade politica do actual governo. E sublinho do actual. Se a atribuição da culpa for feita ao anterior até é uma coisa muito valorizável de referir. Mas, cuidado, se por descuido a culpa for também atribuída aos dois governos que precederam o anterior já é uma filhadaputice outra vez.

Nas redes sociais e nos jornais andam todos atirados às canelas do gajo que escreveu um artigo num jornal espanhol acerca da temática dos incêndios em Portugal. Uma vergonha, dizem. Querem, à viva força, saber quem é o tipo. Deve ser para lhe darem uma carga de porrada. Que é para ele aprender a não dizer mal de um governo de esquerda, o porco fascista.

E depois há aquilo da memória. Selectiva, no caso. Gostam de recordar que Assunção Cristas apelava, enquanto ministra, às boas graças de Nossa Senhora de Fátima. Algo condenável e motivo de gozo, para eles. Catarina Martins chama pela chuva no twitter. Mas isso, apesar de igualmente parvo, não merece reparo à malta da esquerdalha. Coerente esta gentinha.

 

 

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Operação vinho chamuscado. Ou azeite esturrado, vá.

por Kruzes Kanhoto, em 21.06.17

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Desde o fim de semana o país foi invadido por uma nova e estranha espécie. Aparenta ser inofensiva mas aborrece como o caraças. São os especialistas em incêndios. Estão em todo o lado. Menos onde são precisos, parece-me. Que era, desconfio, a combater o fogo.

A propósito de incêndios e especialistas em assuntos derivados da questão ocorreu-me, nem sei ao certo porquê, a possibilidade deste olival, repleto de pastos, dentro do perímetro urbano e colado a um bairro residencial pegar fogo. Seria uma chatice. Sem culpados, provavelmente. Já se em vez de oliveiras, fossem eucaliptos, não restariam dúvidas quanto aos responsáveis pela desgraça que se espera não aconteça...

Possibilidade de incêndio que, há uns anos, as autoridades competentes em matéria de fogaréus trataram de prevenir relativamente a uma propriedade da família situada no meio de nenhures. Um terreno de pequena dimensão, com algum pasto - ainda que bastante menos do que o da imagem, rodeado de vinhas por todos os lados e que motivou um diligente aviso das não menos diligentes autoridades no sentido de se proceder à limpeza do mesmo. Deviam ter medo que o vinho não saísse grande coisa. Pena que não tenham a mesma preocupação quanto ao azeite.

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Incêndios

por Kruzes Kanhoto, em 10.08.16

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 Isto dos incêndios é uma coisa curiosa. Todos os anos – ou quase – se atira mais dinheiro para cima do problema, se afectam mais recursos e apesar disso fica-se com a sensação que, mais fogo ou menos fogo e mais hectare ardido ou menos hectare ardido, continua tudo na mesma.

Depois há aqueles que reclamam por estudos, debates, ordenamento do território e outras iniciativas que se costumam sugerir quando não se sabe como resolver um problema. Não vale a pena. Podem estudar, debater e ordenar o que quiserem se isso lhes dá prazer. Não adianta. Desde que o homem descobriu o fogo que existem incêndios. E incendiários. Que, por mais estranho que pareça a alguns citadinos, a mata não arde sozinha. Isso da combustão espontânea, do pedaço de vidro que origina uma chama ou de árvores que não ardem não existe. É uma treta. Haverá sempre alguém que provoque um fogo. Nem que seja por queimar o papel a que limpou o rabo. E é em relação a estes gajos – malucos ou não – que se terá de fazer alguma coisa. Prende-los, sei lá. Por mais estranha que esta ideia aparente ser a quem aplica a justiça. A menos que incendiar constitua – por praticado reiteradamente – mais um daqueles direitos adquiridos sempre tão protegidos pelos tribunais.

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