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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Reescrevam-se as histórias infantis!

por Kruzes Kanhoto, em 26.11.17

Uma inglesa doida varrida pretende banir a história da “Bela Adormecida” da escola do filho – desgraçada da criança que tal mãe tem – com o fantástico argumento que isso transmite às crianças que é legitimo a um homem beijar uma mulher enquanto esta dorme e, por consequência, sem o seu consentimento. Por incrível que possa parecer, a ideia suscita a simpatia de muita gente e merece um assustador número de comentários concordantes. Está tudo doido. Só pode. Ou, então, é um sinal dos tempos. Ou do fim deles.

Por cá, não há assim tanto tempo, já tivemos casos parecidos. Como aquela cena do “atirei o pau ao gato” e isso, que levou uns quantos patetas a argumentar que se tratava de promover a violência contra os bichanos. Só não percebo é porque não se indignam com o outro conto infantil em que a garota beija o sapo e o batráquio se transforma num príncipe. Oscular um bicho parece-me um acto repugnante e próprio de javardos.

Fico, também, à espera de um levantamento popular relativamente a outras histórias infantis. A Branca de Neve, por exemplo, que suspeito anda enrolada com sete gajos de baixa estatura. Comportamento que, convenhamos, não se afigura como o mais adequado para transmitir a criancinhas de tenra idade. E, pior ainda, nenhum desses baixinhos é negro, cigano ou muçulmano. Nem, mais grave, há entre eles qualquer homossexual. O que configura uma evidente promoção do racismo, homofobia e islamofobia. Só não vê quem não quer.

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A igreja e os homossexuais

por Kruzes Kanhoto, em 17.11.17

Mesmo não sendo devoto de nenhuma causa religiosa – a minha religião é o Benfica, e isso me envaidece – tenho a vaga sensação de, em algum lado, ter lido ou ouvido que a igreja católica estaria a atravessar uma grave crise de vocações. Tanto assim seria que, ao que até agora era a minha crença, os candidatos a percorrer os caminhos da fé e a dedicarem a vida a Cristo seriam em número quase insignificante. Ou seja, ninguém queria ir para padre.

Parece que, também nisto, não podia estar mais enganado. Afinal existirá uma legião imensa de gente que aquilo porque mais anseia é vestir a sotaina. Bastou um clérigo qualquer afirmar que os homossexuais não reúnem as condições necessárias para o acesso à profissão – de fé, no caso – e que, portanto, não serão admitidos no sacerdócio para, quase de imediato, serem mais do que muitos os que, de repente, descobriram a vocação. Isto, claro, a julgar pelas reacções exacerbadas que as palavras do senhor – o vigário, não o Outro – motivaram entre, quero acreditar, os putativos candidatos a seminaristas. Ou, então, são apenas os cães raivosos do politicamente correcto a mostrarem os dentes quando alguém lhes “vai ao cú”.

Mas, a bem dizer, a posição da igreja quanto a esta temática não se me afigura muito católica. Podiam, digo eu, aceitar os homossexuais. Pelo menos os não praticantes.

 

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A malta quer é copos e gajas boas!

por Kruzes Kanhoto, em 21.03.17

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E pronto, já cá faltavam as virgens ofendidas com as declarações do presidente do Eurogrupo. Aquilo do gajo ter considerado que nós, a malta do sul, esturramos o guito todo em bebida e com as gajas, caiu mesmo mal às alminhas mais sensíveis. O homem, coitado, estava apenas a usar uma metáfora para salientar o quão mal gastamos o dinheiro que os outros nos emprestam. Nós também podíamos, por exemplo, dizer que os holandeses estoiram demasiado graveto com marroquinaria. Metaforicamente falando, também. Poder, podíamos. Mas não era a mesma coisa. É que eles gastam-no, mas é deles. Convinha, digo eu, percebermos estas nuances.

Isto é mais ou menos como aquela cena do pedinte a quem damos uma esmola porque, afiança-nos, não tem dinheiro para comer mas, depois e já com as moedas na mão, vai comprar tabaco ou beber um copo. Ou como aquele amigo a quem desenrascamos umas massas e, em vez de orientar a vida, vai esbanjá-las em inutilidades. Todos, nestas circunstâncias, não se coibiriam de mandar o seu bitaite. Tal como o fez este socialista holandês.

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