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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Naquilo do "mata-leão" o filme não está a rodar ao contrário?!

por Kruzes Kanhoto, em 12.05.17

Sou do tempo em que nas repartições públicas os contribuintes eram tratados abaixo de cão. Dado o tratamento que hoje é dispensado aos canitos, muitos - nomeadamente os mais novos - até poderão pensar que o acolhimento a quem, por azar ou necessidade, se deslocava ao qualquer serviço público era relativamente bom. Mas não. Era mau, mesmo.  

Hoje os papéis inverteram-se. A arrogância, a má-criação e a prepotência passaram para o lado dos utentes. Qualquer badameco acha que o funcionário que o atende é seu escravo e que está ali para cumprir as suas vontades, por mais absurdas que elas se revelem. Lamber-lhe as partes pudibundas, até, se esse  for o seu desejo.   

Para este estado de coisas muito tem contribuído a comunicação social. O caso das finanças do Montijo constitui um bom exemplo. Trataram de elevar à condição de herói um individuo que não só estaria a coagir quem o atendia como também se recusou acatar as ordens de um agente da autoridade. Já para o agente, que se limitou a cumprir o seu dever e a fazer aquilo que se espera que faça numa ocasião como aquela, parece reservado o papel de vilão. A vitima, a funcionária, essa não interessa para nada. Bem diferente do filme que a mesma comunicação social faz quando algum jornalista é untado. Nesse caso os que lhes batem são sempre os maus. Mesmo que às vezes só se percam as que caiem no chão...  

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Será que assim já vão pedir factura?

por Kruzes Kanhoto, em 19.12.15

Afinal, ao contrário do que personalidades ligadas ao PS chegaram em tempos a anunciar, o sorteio do fisco "factura da sorte" é para continuar. Embora, ao que parece, com outros prémios que não os polémicos autómoveis. Desta vez, diz, são certificados de aforro. Sempre estou para ver que argumentos, mais ou menos rebuscados, vão agora arranjar os criticos desta medida. Que, por acaso ou talvez não, eram maioritariamente apoiantes da trupe que está agora no poder. Por mim acho muitissimo bem esta alteração. Ainda que me suscite algumas reservas. É que, sabendo a simpatia que os partidos do governo manifestam pela renegociação da divida, não sei se esta ideia não será uma espécie de piada de mau gosto. Ás tantas o melhor é sortearem entradas para a festa do avante...

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E que tal começar pela própria casa?

por Kruzes Kanhoto, em 23.11.15

Todos temos direito à opinião. Seja lá o assunto o que for. Independentemente do grau de conhecimento que tenhamos da matéria sobre a qual exerçamos o nosso direito opinativo. Daí que não exclua legitimidade a todos que, convictamente, manifestam uma opinião diferente da minha acerca dos destinos políticos, económicos e financeiros do país. Só estranho que muitos, sabendo exactamente o que é melhor para o governo, para a economia e para as finanças nacionais não saibam governar a sua própria casa, gerir a economia doméstica e organizar as respectivas finanças pessoais. Mas isso sou eu e o meu mau feitio.

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A ignorância também paga imposto

por Kruzes Kanhoto, em 20.11.15

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Tendo a desconfiar dos estudos. Mas, no caso do que foi divulgado hoje que coloca os portugueses entre os povos mais ignorantes do mundo relativamente a assuntos financeiros, acredito que não deve falhar por muito. Basta ouvir o que se diz na rua e ler o que se escreve nos jornais ou nas redes sociais para facilmente se concluir pela ignorância que por aí grassa quando o tema são as finanças.

Atente-se, por exemplo, no caso das facturas com NIF com as quais os contribuintes podem obter deduções a nível fiscal. Os comentários que tenho lido e ouvido sobre o assunto são de arrepiar. Reveladores de uma desinformação e de uma mentalidade distorcida que, acreditava eu, já não existiam nos tempos em que vivemos. Coisa que, reitero, nada tem a ver com a idade nem com o nível de escolaridade de cada um. Que o diga uma senhora a quem todos os anos preencho a declaração de IRS, analfabeta e com mais de oitenta anos, que não deixa escapar uma factura sem o respectivo número de contribuinte.

A ignorância costuma sair cara. E, como ando a escrever de há um ano a esta parte, todos os que alarvemente se recusaram a pedir factura vão, lá para meados do ano que vem, sofrer na carteira as consequências dessa alarvidade. Depois queixem-se do Passos, do Costa ou de quem quer que seja que lá esteja nessa altura. Por mim, que não gosto mesmo nada de pagar impostos, cada cêntimo conta. É pouco? É. Mas ainda assim deve ser mais do que a devolução da sobretaxa…

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