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Ainda as eleições holandesas

por Kruzes Kanhoto, em 16.03.17

Tenho manifesta dificuldade em perceber a euforia que o resultado das eleições holandesas provocou na comunicação social, nas esquerdas em particular e na intelectualidade bem pensante em geral. Deve ser problema meu, admito. Afinal quem é que ganhou aquilo? Parece-me, se percebo alguma coisa disto, que foi um partido assim mais ou menos parecido com o PSD de cá. Estranho é isso constituir motivo de satisfação para os gajos de esquerda... mas pronto, eles lá sabem.

Celebra-se, também, a estrondosa derrota da extrema-direita. Pois que não sei se será bem assim. Hesito em considerar a subida de cinco lugares no parlamento como uma derrota. Mais ainda daquelas derrotas que fazem estrondo. Nomeadamente se, como padrão de análise, seguir os critérios de alguns partidos portugueses nas noites eleitorais. Todos se lembrarão que, desde as primeiras eleições, o Partido Comunista tem, a cada eleição, menos votos e menos deputados mas, nem assim, deixa de proclamar retumbantes vitórias. Mas, para a propaganda oficial das novas verdades, isso agora não interessa nada.

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publicado às 20:47

Maioria silenciosa é um conceito que parece não estar a ser muito bem entendido por alguns génios auto-proclamados. Eu explico. Com o exemplo nacional, que é para não ir mais longe. Nos idos do pós-25 de Abril o PCP fazia grandes comícios. Mobilizava magotes de gente. Centenas de milhares em cada manifestação, segundo as próprias contas. Na rádio, televisão e jornais as posições amplamente dominantes eram as do partido comunista. Nem sequer havia contraditório, que isso da democracia pluralista era coisa de reaccionários e burgueses. Mesmo nas ruas poucos eram os que se atreviam – como hoje, quase – a exprimir opiniões contrárias à verdade vigente. O politicamente correcto da época, portanto. Criou-se, por causa disso, no país a sensação que as eleições dariam uma estrondosa vitória aos comunistas. Até porque, nessa altura, ainda não havia sondagens. O pior foi aquilo do voto. Tiveram doze por cento. Uma minoria esmagadora. Por mais esganiçados que tivessem sido os seus arautos.

A história é uma coisa lixada. Mostra uma preocupante tendência para se repetir, a marota. Embora, por mais que se repita, haja sempre burros que não a entendem.

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publicado às 13:12

Candidatos de peso

por Kruzes Kanhoto, em 30.12.16

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Começam a ser conhecidos os candidatos às ainda relativamente distantes eleições autárquicas. Ou, nalguns casos, os candidatos a candidatos. Daqueles putativos, apenas. Outros, para além de reunirem as duas condições anteriormente enunciadas, são igualmente surpreendentes. Isaltino de Morais, por exemplo. Diz que o homem reunirá apoios que o tornam num sério candidato a reocupar a presidência do município de Oeiras. Por sinal o concelho com maior concentração de licenciados e doutorados do país. Curioso, isso. Nomeadamente quando se insiste tanto que um dos nossos maiores problemas é a baixa escolaridade da população...

Por cá a coisa promete. Ou muito me enganam – não me enganei, queria mesmo escrever isto - ou vamos ter vários candidatos de peso. O que é bom. O resultado também não parece difícil de adivinhar. Embora esta coisa das eleições se assemelhe cada vez mais com o Placard. Neste jogo nem sempre o que tem a “odd” mais baixa é o vencedor e nas contendas eleitorais o favorito nas sondagens às vezes não ganha. E depois há aquilo das influências externas, Assim tipo o Putin a meter o bedelho nas eleições americanas e isso. O que será um factor a ter em conta. Má ou boa. Por mim prefiro as boas. Contas.


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publicado às 20:08

É a democracia, estúpido!

por Kruzes Kanhoto, em 13.03.16

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Pode gostar-se ou não de Donald Trump. Todos os motivos são bons e muito respeitáveis para odiar o homem. O que parece muito pouco respeitável é a tentativa de o silenciar, de boicotar os seus comicios e de, por vias pouco legitimas, tentar impedir a sua nomeação como candidato presidencial. Atitude que, por cá, tem uma quantidade significativa de apreciadores. Não acho bem. O fulano tem todo o direito a dizer os dispartes que quiser e a propo-los aos eleitores americanos. O resto resolve-se nas urnas. Diz que é isso a democracia ou lá o que chamam aquilo do povo ser chamado a escolher livremente quem o governa.    

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publicado às 10:01

Com aquela coisa dos macacos que se andaram a explodir por Paris, a entrevista do camarada Jerónimo à RTP quase passou despercebida. O homem, entre outras declarações assaz curiosas, garantiu não saber se o seu partido vai ou não aprovar o orçamento de Estado para 2016 que um eventual governo do PS venha a apresentar mal acabe de tomar posse. Estamos, portanto, conversados acerca da solução estável e credível que António Costa tem para apresentar ao Cavaco...

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publicado às 14:15

Já?!

por Kruzes Kanhoto, em 10.11.15

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É pá, deixem ao menos secar a tinta!!!

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publicado às 21:00

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Presumo que a esmagadora maioria dos que exultam de felicidade com a coligação das esquerdas já se tenha dado ao trabalho de ler o programa do governo que vão apoiar. Se sim e, apesar de o terem lido, continuam a acreditar que a solução governativa encontrada não nos vai atirar, a médio prazo, para mais uma bancarrota, então, são qualquer coisa mais do que apenas ingénuos ou idealistas.

Ali, no tal programa, o PS propõe-se fazer um enorme aumento da despesa – não sei quantificar mas serão, seguramente, largos milhares de milhões de euros – e uma colossal diminuição da receita. Mantendo, garantem, o desvio orçamental dentro das margens do tratado. Acredito que os autores disto saibam fazer contas. Suponho, até, que usem o excel – ou o calc, vá - para calcular estas coisas. Desconfio é que se enganaram nas formulas.

A menos que estejam confiantes no espírito transgressor, na tendência acelera dos portugueses e na receita que possam obter com a colocação de um radar em cada esquina. Com aquilo do SINCRO deve ser só facturar.

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publicado às 13:17

Estranho conceito de democracia...

por Kruzes Kanhoto, em 31.10.15

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Bastou um grupo de três indivíduos, cada um por si, ter a ideia de sugerir a realização de uma manifestação em frente à Assembleia da República contra um eventual governo de esquerda, para deixar os comunistas e outros esquerdalhos à beira de um ataque de nervos. Pelos vistos a rua é da esquerda. O direito ao protesto é da esquerda. O direito à liberdade de expressão só pode ser exercido se for para exprimir opiniões favoráveis à esquerda. Apenas a esquerda se pode manifestar nas ruas. Tem o exclusivo, devem achar as criaturas. Era assim em setenta e cinco. Pelos vistos querem que assim continue em dois mil e quinze. E isto ainda sem estarem no governo...

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publicado às 16:45

Há silêncios que valem por mil palavras

por Kruzes Kanhoto, em 30.10.15

Mário Soares é um gajo que gosta de dizer coisas. Daí que seja mais do que estranho o silêncio a que se remeteu desde o dia 4 de Outubro. Deve ter perdido o pio. Ou, o mais provável, estar em choque. Não é para menos. Mas lá que o silêncio do homem é ensurdecedor, lá isso é.

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publicado às 13:24

Costa, a serpente.

por Kruzes Kanhoto, em 30.10.15

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Toda a gente já reconheceu que o actual impasse na vida politica portuguesa se deve a uma birra do individuo que chefia o PS. O homem – em termos políticos, evidentemente – não presta. O seu percurso fala por si. Mas não o culpo em exclusivo a ele. Todos os que viram – ou, apesar de tudo, ainda veem - ali um Messias, uma espécie de salvador da pátria, também são culpados. Em termos pessoais o senhor até pode ser uma jóia de criatura mas politicamente não vale nada. É pior do que as cobras. Daqueles que nem a história julgará. Não vai lá ter lugar. Terá, isso sim, um lugar destacado no anedotário nacional.

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publicado às 08:30

Começo a ficar sem paciência para a cambada de comentadores da treta que pululam pelas televisões e para as conversas acerca de quem deve ou não governar. Menos ainda para os exercícios parvos, geralmente reveladores de elevado grau de demência, dos que procuram demonstrar que quem perdeu as eleições, afinal, as ganhou. Vão todos bardamerda. Decidam-se mazé a formar governo e a dar um rumo a isto. Num país a sério vinte e quatro ou quarenta e oito horas após as eleições os governos estão em funções. A bem dizer nem só nos países a sério é assim. Até naqueles onde a bandalheira é apenas relativa estas coisas são feitas mais depressa.

Já estou por tudo. Só para deixar de os ouvir. Constituam lá o vosso governo socialista-comuno-bloquista. Só espero que não me decepcionem. Comecem a tratar da reforma agrária nos campos do sul, a construir o TVG, o novo aeroporto de Lisboa, a terceira ponte sobre o Tejo e a dividir o país em regiões administrativas. E, já agora, não se esqueçam de regulamentar o trabalho sexual e enquadrar os respectivos profissionais num quadro legal que os proteja na sua actividade. E, também, os faça pagar impostos. Ah, e comecem a caminhar para o socialismo. Sem parar, de preferência. Ou, se pararem que seja quando estejam bem longe...

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publicado às 19:59

Vem aí a verdadeira troika?

por Kruzes Kanhoto, em 07.10.15

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Chapelada. Não vejo outra forma de qualificar a eventual coligação PS-PCP-BE. Assim uma espécie de vitória na secretaria após, cada um deles, ter levado uma coça dentro do campo. A tramóia até pode ter cobertura constitucional. Pode, também, argumentar-se que o conjunto daqueles partidos recolheu o maior número de votos expressos. Pode isso tudo. Não pode é afirmar-se, sem fintar a verdade, que foi esse o projecto escolhido pelo eleitorado. Pelo contrário. O que se pode argumentar, com uma assinalável dose de certeza, é que caso se tivessem apresentado a eleições em coligação a votação que obteriam estaria muito longe de ser aquela. Mais. A maioria dos votantes do PS não se revêem nessa hipotética troika. Nem tão pouco os do Partido Comunista.

Tenho, apesar de tudo, uma enorme expectativa relativamente a este cenário. Nomeadamente em ver como vai ser justificado este acordo por algumas criaturas e, quando a coisa começar a azedar nas ruas, como será defendido o eventual governo dessa estranha coligação. Vai ser uma fartote de rir. Terá imensa piada ver, cá na minha terra, destacados dirigentes e militantes locais de PS e PCP que toda a vida se odiaram – em termos políticos e muitas vezes não só - do mesmo lado da barricada e a defenderam a mesma dama. Só por isso já valia a pena ver essa troika no poder...

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publicado às 21:55

As eleições não se ganham no Facebook

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.15

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Parte do país está em negação. Nunca equacionou que a coligação pudesse vencer as eleições e, desde domingo à noite, não faz outra coisa que mal dizer os portugueses que optaram por confiar o seu voto aos vencedores. Um lamentável exercício de falta de cultura democrática, de arrogância, de ausência de civismo, de educação e, também, de notória indigência mental.

Por muito que custe a esse pagode existe vida e existe gente fora do Facebook. Pessoas que, como eles, fazem as suas opções politicas. Que – não me interessa se mal ou bem – estão de acordo com o caminho que o governo escolheu para conduzir o país. Gente que, por pensar diferente, não é ignorante. Fez as suas opções, votou e o quadrado onde assinalou a sua intenção de voto foi o que recolheu mais cruzinhas. É a vida. De outra vez calhará a outros.

O curioso é que muita dessa gente que agora usa os maiores impropérios para ofender os votantes do PAF, gosta de citar Voltaire – Jorge Jesus também podia ter dito algo parecido – recitando aquele chavão do “não concordo com o que dizes mas defendo até à morte o direito de o dizeres”. Por aquilo que vejo, ouço e leio parece que esta vontade de sucumbir defendendo o direito à discordância não se aplica naquela coisa da liberdade de voto, ou lá o que é.

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publicado às 20:36

A importância do copo menstrual

por Kruzes Kanhoto, em 05.10.15

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Como era de esperar as eleições trouxeram poucas novidades. Só uma a bem dizer. Aquela coisa do Pessoas-Natureza-Animais ou lá o que é. Contra as expectativas quase gerais conseguiram enfiar um deputado no Parlamento. Ainda bem que uns quantos portugueses introduziram na urna o seu voto com a cruzinha inserida no quadrado fronteiro ao símbolo do PAN e, assim, contribuíram para tornar mais animada a programação do canal televisivo AR TV.

Só hoje fui ler as linhas programáticas com que se coze aquela nova força politica. Fiquei, reconheço, manifestamente agradado. Deparei com uma panóplia de intenções geralmente boas – as minhas preferidas – e que depois de beber umas bejecas até era capaz de subscrever. Destaco aquela dos copos menstruais. Não estando, naturalmente, habilitado a pronunciar-me quanto às vantagens ou desvantagens do bem reutilizável em causa, saliento apenas a pertinência da questão. Ainda bem que alguém trouxe a menstruação para o debate politico. Era, admitamos, o tema fracturante que faltava.

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publicado às 22:09

Mais umas horas e isso passa...

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.15

O desespero é tanto, mas mesmo tanto, que não resistem a apelar ao voto. Ainda que de forma subtil. Ou que lhes parece a eles subtil. Caricaturas, frases feitas palermas e idiotices diversas ilustram hoje muitos “murais” do fuçasbook. Tempo perdido. Se querem ainda influenciar o sentido de voto de alguém vão a uma casa de banho pública, limpem o cú ao programa eleitoral e escrevam na parede uma palavra de ordem a apelar ao voto. É capaz de produzir mais efeito e ninguém fica a saber que andam a fazer figuras tristes.

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publicado às 11:16

Motivos de reflexão

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.15

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Mas para que raio serve este revolver? Quem pode estar interessado na sua compra? Que utilização pode um eventual comprador – ou compradora – dar aquela coisa? Que espécie de tara levou alguém a transformá-lo naquilo? Será que alguma vez foi utilizado num assalto? Ou, sei lá, noutra qualquer actividade lúdica? Terá sido com o seu precioso auxilio que os auto-rádios mudaram de lugar? Tudo questões deveras inquietantes. Apropriadas para um dia de reflexão acerca das promessas – falaciosas ou não – que ouvimos e lemos nos últimos dias.

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publicado às 13:02

Sondagens que valem o que valem

por Kruzes Kanhoto, em 28.09.15

Há reacções a isto das sondagens que me conseguem deixar ainda mais perplexo que o seu próprio resultado. Argumentam alguns experts que os estudos baseados em entrevistas telefónicas – telefone fixo, no caso - desvirtuam a análise influenciando, dizem, o resultado da coligação de direita. Por acaso também acho. Principalmente se os ditos inquéritos forem feitos em horário laboral. Neste caso os sondados serão, maioritariamente, reformados e desempregados. Dois grupos sociais onde, segundo os que desconfiam das sondagens, o descontentamento com o governo será maior. Ora se, ainda assim, o PAF tem uma vantagem de meia dúzia de pontos percentuais é, de facto, caso para desconfiar. Outra hipótese é o país dos comentadores, jornaleiros e intelectualidade urbano-deprimida pouco ter a ver com o país real. Mas isso já não é novo. Tem sido, pelo menos nestes últimos quarenta e um anos, quase sempre assim.

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publicado às 21:41

Um mau comunicador estraga sempre uma boa ideia...

por Kruzes Kanhoto, em 25.09.15

Custa-me a acreditar que António Costa e a sua trupe consigam perder as eleições. Se isso acontecer será um caso de estudo. Algo que servirá de exemplo durante muitos anos sempre que se pretenda demonstrar o que não deve fazer um politico, um partido ou uma candidatura que, de facto, pretenda ser eleito. Nomeadamente quando o adversário é daqueles a quem até o Pato Donald dava uma coça.

Aquilo é cada tiro cada melro. A começar pela tralha que gravita à volta do homem. Gente que cada vez que abre a boca convence cem eleitores a votar noutro partido. Qualquer que ele seja. Depois a maneira de comunicar. Absolutamente incapaz de transmitir uma ideia com clareza, de forma convincente e que faça os ouvintes acreditar que a proposta é séria, exequível e justa.

Veja-se, a titulo de exemplo, aquela coisa das prestações não contributivas ficarem sujeitas à condição de recurso. Uma excelente intenção e, acrescente-se, uma medida da mais elementar justiça. No entanto até mete dó a incapacidade - ou o medo, talvez - dos socialistas explicarem isto de forma a que o eleitorado perceba. Teria a sua piada se uma boa proposta, como esta é, fosse um dos principais motivos para a derrota do seu proponente. Ou, talvez, apenas revelador da qualidade do eleitorado.

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publicado às 19:54

Outra vez a moenga dos cofres cheios

por Kruzes Kanhoto, em 23.09.15

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Continua a haver quem insista em bater na tecla dos “cofres cheios”. Uma ofensa aos portugueses, garantem. Assim de repente não estou a ver porquê. E mesmo sem ser de repente também não. A mim o que me ofende – e muito – é existirem políticos que parecem apenas entender a actividade politica como a missão de esvaziar os cofres.

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publicado às 19:38

Há muita falta de memória...

por Kruzes Kanhoto, em 12.09.15

Escrevi em inúmeras ocasiões que os portugueses nada aprenderam com a crise. Nada. Nadinha. Népia. A maioria não percebe a ponta de um corno de politica, são iletrados em matéria financeira e, quase todos, uns perfeitos ignorantes da nossa história. Mesmo da mais recente. Além de que padecem de outro problema. São terrivelmente esquecidos e apenas conseguem reter na memória as recordações de curtíssimo prazo.

Tanto assim é que se preparam para colocar outra vez o PS no poder e eleger toda a tralha de incompetentes que nos levou à falência. Outro sinal – tão preocupante como o primeiro - é que, a julgar pela amostra de hoje, se puderem vão às trombas ao Parvus Coelho. Já não se lembram que o último politico que levou nas fuças foi Presidente da República durante dez anos quando, na campanha em que foi escovado, não tinha mais de oito por cento das intenções de voto...



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publicado às 14:59

Uns ingratos estes eleitores. Promete-se-lhes tudo e mais um par de botas e, mesmo assim, os patifes preferem votar nos outros. Não se faz. Se calhar, digo eu que não sou de intrigas, o melhor é calarem-se. Fazerem-se de morto. Talvez assim subam nas sondagens. Experimentem, já que a fazerem-nos de parvo não está a resultar.

Entretanto a opinião publicada continua a esforçar-se por convencer a opinião pública que um empate é melhor do que uma vitória por poucochinho. Já agora, diga-se, é uma chatice isto de ser a segunda e não a primeira a escolher quem governa. Ou, até mesmo, a ser auscultada numa simples sondagem.

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