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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os transfinanceiros (ricos que nasceram num corpo de pobre)

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.17

Isto de governar um país, por mais que uma imensa maioria não perceba, é como gerir uma casa de família. A questão da divida, por exemplo. Eu, como quase toda a gente, também tive um crédito à habitação. Daqueles a pagar em vinte cinco anos. No meu caso foram “apenas” dezassete ou dezoito. A melhoria do nível vida verificada no tempo em que o Cavaco foi primeiro-ministro permitiu-me, com o aumento de rendimento, ir fazendo amortizações de capital e, com isso, poupar nos juros, diminuir a taxa de esforço e antecipar o fim do empréstimo em sete ou oito anos. Nada de mais. Qualquer pessoa minimamente inteligente – ou só precavida, vá – faria o mesmo.

Ora não é nada disso que os gajos que tomaram o poder estão a fazer. Para gáudio da populaça, diga-se, que se revela extremamente contente com o desvario que vai nos centros de decisão. Só um governo de idiotas e um povo imbecilizado não percebe que, numa altura de crescimento económico e de aumento do PIB, a única opção séria é reduzir a divida. Mas não. Pelo contrário. Ela cresce a cada dia. Perante, como se vê, o aplauso generalizado. É o que dá ter um país governado por gente que nem a sua vida sabe governar.

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Em tempos houve outro que queria um imposto europeu...

por Kruzes Kanhoto, em 13.12.16

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Como era de esperar a proposta de Rui Rio, no sentido de criar um novo imposto com a receita consignada ao pagamento dos juros da divida portuguesa, deixou os profissionais da indignação à beira de um ataque de nervos. Nem, diga-se, outra coisa seria de esperar. Por várias razões. Uns não percebem do que está o homem a falar. Embora, como se viu e leu, isso não os impeça de dar uso aos dedos para vilipendiar a ideia. Outros, mesmo não pagando impostos nem sabendo ao certo o que isso é, martelaram furiosamente o teclado só porque sim. Ou, relativamente à proposta, porque não.

Por mim não acho que a sugestão seja grande coisa. Ou, sequer, valha a pena perder tempo e criar burocracia com novos impostos que, parcialmete, substituam os existentes. A intenção seria fazer sentir a cada um de nós – aos poucos que pagam – quanto nos custa a divida. Talvez assim, pensará o aspirante a líder do PSD, percebamos melhor o esforço colectivo que estamos a fazer para pagar os desvarios dos governantes. Mas não. É escusado. Não queremos saber. Nem tão-pouco nos importamos com a forma como eles esturram aquilo que nos custa a ganhar. Veja-se o caso do IMI. A barbaridade de dinheiro que nos sacam é descaradamente esturrada nas nossas barbas sem que ninguém se irrite com isso. Ou, vá, gentilmente peça contas ao gastadores. Pelo contrário. Muitos até gostam de o ver a arder. Sem aspas. Propositadamente.

 

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Vamos lá elevar os padrõezinhos…

por Kruzes Kanhoto, em 01.09.16

Insisto. Por andam aqueles bloggers, gajos da área da geringonça - incluído o primeiro-ministro - e comentadores diversos que durante quatro anos não pararam de criticar o anterior governo por ter aumentado a divida? Isto apesar das razões para esse aumento terem maioritariamente a ver, como toda a gente sabe, com o empréstimo da troika, o alargamento do perímetro orçamental e aquilo dos “cofres cheios”. Ficava-lhes bem, acho eu, que dissessem qualquer coisinha acerca do tema agora que a divida, já sem as premissas anteriores, não pára de aumentar. Mas, se calhar,  pedir alguma honestidade intelectual a quem a não quer ter é capaz de ser coisa para estar a colocar os padrõezinhos da seriedade num patamar demasiado elevado.

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