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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os transfinanceiros (ricos que nasceram num corpo de pobre)

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.17

Isto de governar um país, por mais que uma imensa maioria não perceba, é como gerir uma casa de família. A questão da divida, por exemplo. Eu, como quase toda a gente, também tive um crédito à habitação. Daqueles a pagar em vinte cinco anos. No meu caso foram “apenas” dezassete ou dezoito. A melhoria do nível vida verificada no tempo em que o Cavaco foi primeiro-ministro permitiu-me, com o aumento de rendimento, ir fazendo amortizações de capital e, com isso, poupar nos juros, diminuir a taxa de esforço e antecipar o fim do empréstimo em sete ou oito anos. Nada de mais. Qualquer pessoa minimamente inteligente – ou só precavida, vá – faria o mesmo.

Ora não é nada disso que os gajos que tomaram o poder estão a fazer. Para gáudio da populaça, diga-se, que se revela extremamente contente com o desvario que vai nos centros de decisão. Só um governo de idiotas e um povo imbecilizado não percebe que, numa altura de crescimento económico e de aumento do PIB, a única opção séria é reduzir a divida. Mas não. Pelo contrário. Ela cresce a cada dia. Perante, como se vê, o aplauso generalizado. É o que dá ter um país governado por gente que nem a sua vida sabe governar.

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Imigrantes, borlistas e caloteiros

por Kruzes Kanhoto, em 16.11.16

Apesar de nenhuma organização de apoio a imigrantes, refugiados ou outros desgraçados ter vindo a público defender o homem, parece que afinal o “Rei do Kebab” - aquele imigrante curdo que desbaratou um bando de meliantes que pretendiam assaltar o seu restaurante - vai, ao contrário que se chegou a temer, poder regressar a Portugal. A autorização de residência, ao que consta, será coisa para demorar poucos dias a ser concedida e, após isso acontecer, o senhor poderá voltar. Ainda bem. São, sem dúvida, boas noticias. É de pessoas assim que o país precisa, que isto de bananas há cá muitos.

Em sentido contrário foram, ao que dá conta alguma imprensa, cento e quarenta refugiados. Daqueles que o governo, organizações de caridade – solidariedade, em linguagem modernaça – ou outros patetas quaisquer insistiram em trazer para Portugal. Igualmente boas noticias. Eles que vão. E, principalmente, não voltem.

Outra boa noticia é aquilo do detector de borlistas que a Carris pretende instalar nos seus autocarros. Grande ideia. Mas que, duvido, passe disso mesmo. De ideia. Deve ser ilegal. Violar a privacidade, ou isso. Mesmo que daí não resultasse nada de mais, toda a gente ficava a saber quem viajava à borla. Ná, não pode ser. Logo agora que o governo até quer acabar com aquela cena do cobrador do fraque…

Por falar em caloteiros. São cada vez mais os alegados famosos a quem é “descoberta a careca”. Famosos, enfim, é como quem diz. Vagamente conhecidos, vá. Figurinhas sem importância, a maior parte deles. Gente que vive à custa de esquemas manhosos e que, quase sempre, não tem onde cair morta. Mas, como quase todos os desta laia, quem os ouve falar ou vê cuspir não os leva presos. E isso, de não irem presos, é que é pena...

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Boas noticias para os caloteiros!

por Kruzes Kanhoto, em 05.01.16

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 (Imagem da internet)

 

Não me importo de ser do contra. Faço, até, por isso em muitas circunstâncias. Recuso-me, sempre que posso, a seguir a carneirada ou a abanar o rabinho de contentamento sempre que os governantes – sejam eles quais forem – adoptem daquelas medidas muito pró-social. Não sou um coração mole, tenho a mania de fazer contas e preocupo-me em olhar um pouco mais para o horizonte.

Isto a propósito daquela ideia demagógica e altamente discriminatória de tornar as casas dos caloteiros impenhoráveis pelas dividas ao fisco e à segurança social. Ou seja, quem nada mais tiver de seu fica isento de pagar impostos e contribuições. À nossa custa, obviamente. Dos que pagamos para que os vigaristas possam ser uma espécie de inimputáveis fiscais.

Tratando-se de um universo infelizmente vasto haverá, concedo, casos e casos. Mas apenas quem não sabe o que é a vida – ou sabendo gosta de fazer generosidade à conta dos outros – entenderá esta medida como algo de socialmente justo. Os pobres, se entendermos como pobre quem ganha o salário mínimo ou pouco mais, não pagam impostos. Daí que os beneficiados sejam outros. Aqueles, se calhar, de quem ainda não há muito tempo ouvíamos dizer que se tinham esquecido de pagar essas minudências dos tributos ao Estado. E prejudicados os do costume. Os que vão pagar mais este desvario. A menos que alguém com juízo questione a constitucionalidade disto.


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