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Diz que de ora em diante os bichos têm um estatuto diferente. Deixaram de ser coisas. Mas, parece, não se aplica a todos. E ainda bem. Se não sentir-me-ia um criminoso da pior espécie. Do piorio, mesmo. Involuntariamente contribui para a morte – presumo que dolorosa – de umas quantas formigas. Deve ter doido, coitadinhas. Se tivesse optado por beber o café sem açúcar, provavelmente, esta tragédia teria sido evitada. Culpa minha ser guloso. Ainda tentei salva-las, mas já não havia nada a fazer. Era demasiado tarde. As que não morreram afogadas, já tinham sucumbido à elevada temperatura da água. Há, pois, que tomar medidas para evitar que mais bichinhos continuem a perder a vida nestas maquinetas que apenas existem para deleite dos humanos. Colocar um filtro anti-formiga, por exemplo, para obstar a que outras amiguinhas patudinhas pequerruchas faleçam em vão.

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publicado às 19:03

Captura de ecrã de 2016-07-03 12-37-46.jpg

 

Já dizia a minha avó – essa sábia senhora – que isto mais vale cair em graça do que ser engraçado. Assim está a geringonça. Em estado de graça. Agora é o IVA da restauração. Montaram uma trapalhada monumental mas, apesar disso, ninguém se queixa. A receita fiscal diminuirá – terá de ser compensada com um aumento de outro imposto qualquer – e o IRS que nós, os parvos do costume, teremos a pagar irá aumentar. Mas anda tudo satisfeito. Se fosse o insensível governo de direita é que era uma chatice. Uma violência sobre quem menos pode e menos tem, até. Ou, se preferirem, um assalto descarado aos bolsos dos portugueses, para satisfazer o grande capital. Ou pequeno, não interessa.

Acredito que, mais mês menos menos mês, sairá um estudo sério e aprofundado, como convém, da autoria do João Galamba ou de outro economista igualmente sério, onde ficará demonstrada a bondade desta medida e onde serão evidenciados os magníficos resultados em termos de crescimento do emprego, do PIB ou do pirilau dos clientes. Por mim as contas estão feitas. Tomemos como exemplo o café. Se eu beber mil café por ano, a sessenta e cinco cêntimos cada um, pago exactamente o mesmo que pagava quando o iva era a 23%, mas deduzo menos sete euros de IRS. O vendedor, pelos mesmos mil cafés, entrega ao fisco menos quarenta e seis euros e setenta e sete cêntimos. Que ficam para o bolso dele.

Nem vale a pena questionar acerca de quem fica a perder. Isso, no entanto, não nos tira a fé na geringonça. Têm mesmo muita graça, eles. E nós também.

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publicado às 12:44

...E o café nem é grande coisa!

por Kruzes Kanhoto, em 08.03.16

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Se há sector de actividade económica que tenho em muito má conta é o da restauração. Por muitos motivos. Tantos que nem me apetece enumerá-los. Não cabiam num post. Seria preciso um blogue inteiro e assunto para crónica diária de certo não faltaria.

Logo a começar pelas facturas. Coisa que nunca me esqueço de pedir nem que seja apenas pelo pagamento de um café. O que deixa, vá lá saber-se porquê,  a maior parte dos “empresários” do ramo extremamente desconfortáveis. E faço-o por dois motivos. Primeiro porque quero e segundo porque posso. Vou é de ora em diante ficar mais atento à falta de honestidade dos taberneiros. Não vá voltar a repetir-se o roubo de que fui vitima num estabelecimento, daqueles pseudo-finórios, que recentemente abriu cá no burgo. Paguei oitenta cêntimos por um café quando - apenas hoje soube disso - o preço praticado é de sessenta e cinco cêntimos. Deve ser por ter pedido factura.

É por estas e por outras que prefiro cada vez mais o cafezinho da crise. É mais barato, quase sempre melhor e não tenho de aturar aldrabões. Nem sou roubado à descarada.



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publicado às 20:30



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