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Presumo que o presépio que visitei um dia destes numa cidade vizinha tenha causado a ira dos amiguinhos dos animais. Que eles, por estas zonas, são poucos mas, como todos os que abraçam essa causa, chatos como o caraças. Aquilo há lá de tudo o que pode irritar essa malta. Ele é a matança do porco, uma cavalgadura espancada, um crocodilo prestes a ser espetado com uma lança, galinhas enxotadas à base de vassourada, um raposa açoitada ou um rato quase esmagado são algumas das cenas retratadas. Uma representação desnecessária de violência sobre sobre seres dotados de sensibilidade – ou anjos de quatro patas, como lhes chamam os que já estão num estado de putrefação cerebral - dirão uns quantos alarves. Talvez. Mas tem graça. E merece uma visita. Antes que os iluminados desta alegada democracia aprovem uma lei a proibir estas coisas.

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publicado às 18:15

Animais, coisas e...coiso!

por Kruzes Kanhoto, em 22.12.16

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No âmbito de mais uma iniciativa parva, das muitas em que os deputados se entretêm, os amiguinhos dos animais conseguiram finalmente que os animais deixem ser coisas. Não vejo, assim de repente, a vantagem que daí pode advir. Nem para as pessoas, nem para os animais. Presumo, isso sim, é que num futuro mais ou menos próximo estarão a tentar impedir-me de matar um “ser vivo dotado de sensibilidade” - parece que os bichos agora são isso - com o intuito de o degustar. Não me surpreenderá por aí além que o consigam. A paranoia em relação à bicharada é mais que muita, a subversão de valores ultrapassou toda a razoabilidade e já se perdeu a noção do lugar do animal na sociedade. Quando se considera adequado e normal ter cães e gatos – quando não pior - a partilhar a casa, a cama e a mesa está tudo dito acerca da sanidade mental desta gente. Mas não admira. De uma sociedade controlada por urbano-deprimidos não se pode esperar grande coisa.

 

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publicado às 20:01

Detesto os bonzinhos. Prefiro os malvados.

por Kruzes Kanhoto, em 20.08.16

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Um conhecido radialista partilhou nas redes sociais a sua preocupação por ter visto a cozinha invadida por um rato. Ralações a dobrar, no caso. Pois, a acrescentar à primeira, estava igualmente preocupado quanto à maneira de se livrar do visitante indesejado sem colocar em causa a integridade física do pequeno roedor. Para começar, acrescentava, trancou a porta da cozinha a fim de impedir que o gato – ou o cão, não sei ao certo, lá de casa – tratasse da saúde ao ratinho. Isto enquanto magicava na solução que permitisse capturar o intruso sem o molestar.

Pouco me importa o destino que o homem queira dar ao rato. É lá com ele. A coisa apenas me despertou interesse pelo número inusitado de comentários que o post mereceu. Todos, ou quase, a apelar à clemencia, a sugerir maneiras - cada uma mais idiota do que a outra - para apanhar o bicho sem o magoar e à sua posterior libertação num descampado qualquer. Matá-lo, isso, está completamente fora de questão. Coitados dos poucos comentadores que, face às doenças transmitidas por aqueles animais, se atreveram a sugerir tal solução. O ódio destilado foi tanto que, estou em crer, se os apanhassem - aos comentadores malvados – aqueles seres sensíveis preocupados com a vida do ratinho, eram capazes de os matar.

 

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publicado às 14:41

Deixem lá de montar os animais, pá!

por Kruzes Kanhoto, em 15.07.16

 

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Isto não pode ficar apenas pelas carroças. Nem por outras tonterias menores. Há que ir ao cerne da questão. Esteja isso do cerne onde estiver e por mais dificil que se revele lá chegar. Verdade que temos andado lá perto. Do cerne. Nomeadamente quando deixámos de trautear aquelas músicas violentas como o "atirei o pau ao gato" ou "a pulga maldita". Mas é, manifestamente, pouco. Deviamos proibir, entre outras coisas, aqueles brinquedos insufláveis a imitar golfinhos, tartarugas ou crocodilos que as crianças cavalgam furiosamente nas praias e piscinas. Isso é que era. Ficavam a saber desde pequeninos que os animais não são para montar. Como alternativa podiam usar-se bonecas. Ou bonecos, vá. Daqueles que coiso, portanto. Que é para a criançada começar desde cedo a perceber para que tipo de animais é que pode - e deve - saltar para cima.

 

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publicado às 08:59

São uns fofos estes defensores dos animais

por Kruzes Kanhoto, em 01.07.16

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Essa coisa das petições online está na moda. Não servem para nada, ninguém lhes liga, mas há-as para todos os gostos e para todas as causas. Há, até, as petições contra as petições e existem, igualmente, petições contra as petições que são contra outras petições.

Dei, assim por mero acaso, com uma petição exigindo a uma autarquia – daquelas lá do norte - a urgente melhoria do canil da terra. Comovido pela fotografia de um cachorrinho amoroso metido numa enxovia, quase tive vontade de assinar. Mas, confesso, passou-me depressa. A leitura dos comentários de alguns signatários demoveram-me de tão tresloucado acto. Ficam uns quantos exemplos:

 

Pedro V.

Morte a quem faz isto, ponham-se no lugar dos pobres animais.

 

Ana O.

Sr. presidente, daria tudo para vê-lo nas mesmas condições que estes animais, veria como mudaria de atitude!!!Vergonha!!

 

maria e.

Tenho VERGONHA de os meus pais terem nascido nesta maldita cidade, desejo que esta tenha um CASTIGO ENORME da mãe natureza, pelo mal que fazem a inocentes.

 

andreia m.

que miséria...coitadinhos...o cãozinho da foto já deveria de ter sido abatido...coitados dos animais... :(

 

Tolerante esta gente. E com bom coração, também. O Pedro quer matar quem mal-trata os bichos, a Ana daria tudo para ver o presidente lá do sitio nas mesmas circunstâncias do canito e a Maria deseja que a terra dos pais seja castigada pela natureza. Tudo gente recomendável e merecedora do nosso respeito, portanto. Já a Andreia está ligeiramente baralhada. Coitada, se os outros três a apanham não lhe queria estar na pele...

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publicado às 00:02

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Não me importo nada que os meus escritos provoquem manifesto desagrado aos defensores dos animais que visitam este espaço. Estou-me nas tintas. Nem, como já escrevi noutras circunstâncias, admito pressões no sentido de escrever ou deixar de escrever seja acerca de que assunto for. Pressões que, diga-se, nunca tive. Até porque, quem as fizer – seja lá quem for - vai ter o nome aqui escarrapachado, vai ler e, sobretudo, ouvir um sonoro “vai para o c******”. Sem asteriscos. Depois, se não ficar satisfeito, pode queixar-se nos locais próprios. Até porque, comigo, estas coisas costumam funcionar ao contrário. Quanto mais se sentirem incomodados, mais vezes o assunto aqui será abordado, a critica mais corrosiva e o humor mais jocoso. Apenas por dois motivos. O primeiro porque quero e o segundo porque posso.

Posto isto – e por me dar um especial gozo malhar nos amiguinhos dos animais – vejamos as últimas ideias do PAN. Trata-se de uma proposta de regulamento municipal do animal, apresentada por aquela agremiação na Assembleia municipal de Lisboa e, felizmente, rejeitada pela maioria dos membros daquele órgão autárquico da capital. A ser aplicado, ficaria proibido o uso de aves de rapina para fins de controlo de segurança no aeroporto ou, por exemplo, a exibição da águia “Vitória” no Estádio da Luz.

Mas há mais. E pior. O controlo dos pombos apenas podia ser feito com recurso a contraceptivos e, mesmo para os afugentar, apenas se poderia recorrer a meios que não fossem susceptíveis de os magoar. Estão a ver aquilo dos picos nos edifícios? Com este regulamento tal seria impossível. Proibido seria também a existência de coches, atrelados e jaulas de transporte de cães e gatos. Trela apenas se não prejudicar os movimentos do bicho e, no caso dos cães perigosos, as pessoas devem adoptar um comportamento que não os irrite. Mesmo o extermínio de pragas de insectos ou ratazanas ficaria condicionado à aplicação de métodos que não causassem sofrimento aos exterminados.

Por fim, tipo piece-de-resistance, os “donos” deixariam de o ser. Passariam a “detentores”. Ainda bem que já não tenho animais de estimação. Acho que o meu cão ia ficar confuso quando me ouvisse chama-lo “BENFICA! Anda cá ao detentor”.

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publicado às 08:00

Cada coisa no seu lugar

por Kruzes Kanhoto, em 16.04.16

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Diz que o próximo passo na cruzada em curso no sentido de humanizar os animais será levantar a maior parte das interdições que actualmente existem no acesso a espaços publicos fechados relativamente à bicharada. Um cão, um gato ou um porco poderão aceder livremente a hotéis, restaurantes e, quiçá, até a hospitais se as intenções de uns quantos iluminados tiverem acolhimento. Dependerá do grau de loucura do legislador. 

Neste, como noutros aspectos, já pouca coisa me espanta. Admito que, pelo rumo que as coisas levam, um dia destes será assim. Tal como também será - se os proprietários ficarem impedidos de barrar a entrada a quem pretenda entrar com animais - o fim da restauração e da indústria hoteleira. Por mim, por muito que goste de cães e gatos, jamais me alojarei num hotel, tomarei uma refeição ou beberei um simples café num estabelecimento que permita tamanha javardice. 

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publicado às 18:40

Aceitam-se animais...crianças é que não!

por Kruzes Kanhoto, em 27.11.15

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Será, de certo, tudo muito legal. Estará, acredito, inserida numa opção estratégica de negócio que, porventura, dará óptimos resultados. Pode ser isso tudo e mais o que se quiser. Mas, para mim, é uma estupidez. Coisa de gente que nem merece que a reconheçam como tal.

Por breves instantes ainda ponderei incluir o estabelecimento hoteleiro em causa – culpa do Booking - entre as opções de escolha para uma curta estadia. Mas foi só até ver as condições do empreendimento. Não me serve. Recuso-me a pernoitar num sitio que permite animais. E, a juntar a isso, se não aceitar crianças, como é este, é coisa para o desaconselhar vivamente. Vade retro!

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publicado às 18:46

Animais!

por Kruzes Kanhoto, em 10.08.15

Ao ler o que se vai escrevendo acerca de qualquer assunto que envolva bichos, mal tratados ou não, sinto uma imensa saudade do tempo em que os animais não escreviam. O que não foi assim há tanto tempo. Basta recuar à época em que qualquer matarruano não se julgava um intelectual. Hoje é possível encontrar pérolas do mais fino recorte literário sempre que o tema é bicheza. Opiniões de gente que coloca os animais muito, mas mesmo muito, acima de qualquer pessoa. Por mim só espero que se um dia necessitarem de uma transfusão encontrem um animal com sangue compatível.

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publicado às 20:10

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Estou como o outro da estória da batata frita. Cada coisa no seu lugar. E o lugar dos cães não é na praia em ameno convívio com as pessoas como se fossemos todos da mesma espécie. Por alguma razão é proibido, sendo que essa proibição é bem visível nos acessos a todas as praias. Nada que importe a umas quantas bestas. Lá por entre eles e os bichos ser tudo ao molho e fé em Deus, não quer dizer que no espaço público tenha de ser assim. Mas destes não querem as autoridades saber...

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publicado às 11:56



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