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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os séniores

por Kruzes Kanhoto, em 06.03.15

Tenho fundamentado receio de nunca chegar a ser velho. Não que tencione morrer cedo – antes das vinte e três horas não me dá jeito – ou acredite que a ciência vai descobrir qualquer coisa que me impeça de envelhecer. Nada disso. A mania do politicamente correcto vai encarregar-se de tudo e fazer com que eu daqui por uns anitos seja algo que, por enquanto, nem consigo imaginar.

Vejamos o que me leva a esta conclusão. Quando era miúdo, aos velhos chamava-se isso mesmo. Velhos. Num tratamento cordial podíamos apelidá-los de velhotes ou, mais ternamente, velhinhos e alguém menos educado chamar-lhe-ia, depreciativamente, velhadas.

No pós “vinte cinco do A” a intelectualidade de esquerda achou mal esta designação e, vai daí, passaram a ser a “terceira idade”. Mas como no singular não dava muito jeito desatámos a tratá-los por idosos. Ultimamente é ainda pior. Já não são nem uma coisa nem outra. São conhecidos agora como seniores.

Ora isto suscita algumas questões de carácter linguístico que considero assaz pertinentes. Por exemplo, o que devo dizer em lugar de velhinho?  Seniorzinho?! Não me parece.  Idosinho soaria ligeiramente melhor, mas demasiado demodé. E depreciativo? Não encontro pior do que veterano. E como se substitui o sempre simpático e afável velhote? Por qualquer coisa impronunciável, certamente… Era nestas coisas que os gajos que andam sempre a inventar estas mariquices deviam pensar antes de se porem com ideias.

Noutra perspectiva e vendo o lado positivo, reconheço algumas vantagens nesta nova semântica. Nomeadamente ao nível do piropo de andaime. Imagine-se um destes dias um trolha, perante uma senhora que apesar da idade mantenha ainda intactas algumas qualidades, a gritar: “Olha-me aquela sénior… toda jeitosa! Ainda fazia uma perninha nos juniores.”

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