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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os calhandros

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.10
Os mais recentes casos de divulgação de dados, que supostamente deviam permanecer na confidencialidade dos processos judiciais, suscita, mais uma vez, uma questão deveras curiosa. Parece que o crime – o ilícito, vá, sejamos condescendentes – não está naquilo que nos é revelado pela comunicação social ou outros meios ainda mais acessíveis ao cidadão comum, mas, surpresa das surpresas, na divulgação do facto. Ou seja, criminoso não é quem comete o acto mas quem o torna público!!!!
Tem o primeiro-ministro toda a razão quando diz que estamos a assistir a jornalismo de “buraco de fechadura”. É perfeitamente normal que assim seja. Equilibra na perfeição com os políticos que temos. Nomeadamente com o partido que está actualmente no poder. Convém não esquecer que é no seio do PS que foi – está? – a ser cozinhado um projecto de lei que coloca online o rendimento de cada português. O rendimento declarado, diga-se, porque o obtido por meios indeclaráveis, esse, continuaremos sem notícias dele.
Também, ao que consta, a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais pretenderá institucionalizar a queixa e a denúncia como forma de combate à fraude e evasão fiscal. Assim uma espécie de bufaria institucional em que os cidadãos – bufos – se substituiriam ao Estado no seu dever de fiscalizar as actividades paralelas ou todos aqueles que tentam escapar aos impostos. Num e noutro caso tenho dificuldade em encontrar outro nome, que não “politica de fechadura”, para denominar este tipo de actuação. Mas, como é iniciativa do poder, deve ser coisa de superior interesse nacional.
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