Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O último que feche a porta e atire a chave ao Alqueva

por Kruzes Kanhoto, em 12.03.17

Passear pelo Alentejo, para um turista, pode ser algo de fantástico. Não sei por que raio há-de ser, mas vá, concedo que constitua uma experiência agradável. Para mim – e, acredito, para quem conheceu outro Alentejo, é apenas deprimente. Percorrem-se quilómetros de estrada sem encontrar qualquer veículo, não se avista vivalma nos campos e atravessam-se lugarejos e aldeias outrora repletos de vida hoje praticamente desertas. Depois são as ruínas e as casas abandonadas, tanto em zonas rurais como urbanas, quase a fazer lembrar um cenário fantasmagórico digno de um filme pós apocalíptico. A continuar assim bem podem as entidades promotoras do turismo na região esforçarem-se mas num futuro próximo, por mais milhões que gastem a divulgar o Alentejo, nem os turistas aqui vão querer vir. A não ser, talvez, para ver uma espécie em vias de extinção. O alentejano.

A este propósito refiro apenas dois dados. Do meu concelho, para não ir mais longe. Na década de sessenta, do século passado, residiam aqui mais de vinte sete mil pessoas. No final de dois mil e dezasseis, no mesmo espaço territorial que o concelho não aumentou nem diminuiu de tamanho, restam menos de treze mil habitantes. E, mesmo de entre entre estes, um número bastante significativo apenas será residente em termos estatísticos. Desconfio que este constitui o nosso maior problema. Do meu concelho, do Alentejo e do país. Mas isso sou eu, que tenho a mania de me preocupar, em primeiro lugar, com o que está perto. Uma parvoíce. Devia era estar raladíssimo por causa do Trump.

Compartilhar no WhatsApp

9 comentários

Comentar post