Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O papel (higiénico) da discórdia

por Kruzes Kanhoto, em 05.03.15

A propósito da avaliação na função pública contaram-me recentemente uma história que terá ocorrido numa autarquia local e que ilustra bem a maneira como o sistema é encarado e, através de uma ironia e sentido de humor muito próprios, os portugueses tratam estas coisas. Ou seja, ao nível que elas merecem ser tratadas.

Ao que me contaram, para avaliação da equipa responsável pela limpeza do edifício sede da dita autarquia teria sido estabelecido entre outros objectivos  a redução em dez por cento relativamente ao ano anterior do número de rolos de papel higiénico consumidos no edifício. Compulsadas todas as fichas de monitorização preenchidas ao longo do ano e cruzados os dados obtidos com a documentação do armazém, ter-se-á constatado que o objectivo não teria sido atingido e, em consequência disso, a nenhuma das funcionárias terá sido atribuída a classificação de Muito Bom.

Obviamente insatisfeitas as funcionárias terão reclamado evocando, entre outros argumentos, o facto de cada rolo de papel higiénico ter um menor número de folhas do que os utilizados no ano que servia de comparação. Vários papéis, análises e reuniões depois, ter-se-á concluído que, em resultado de consulta promovida pelo Aprovisionamento, o fornecimento deste produto foi adjudicado a outro fornecedor que apresentou um preço mais favorável. E com menos folhas por rolo, também.

O imbróglio não terá ainda sido resolvido. O conselho de coordenação da avaliação lá do sítio, pese as muitas horas gastas a discutir tão delicado assunto, contam-me, parece hesitar na decisão a tomar. O que se compreende. Decisões fundamentais para o interesse público não se tomam de ânimo leve.

Compartilhar no WhatsApp