Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

IVA e homens das tabernas

por Kruzes Kanhoto, em 17.10.12


Os empresários darestauração – taberneiros, como eram conhecidos até há alguns anos –lamentam-se da taxa de IVA, a máxima, que é aplicada às vendas que efectuam aosseus fregueses. Terão certamente as suas razões. Logo pelo montante que oimposto representa no valor do serviço que prestam e, depois, por issoconstituir um factor que pode afastar a clientela dos seus estabelecimentos. Estranhamenteainda não ouvi queixas, mas devo ser eu que não tenho prestado atençãosuficiente, à forte probabilidade de a elevada carga fiscal que incide sobreeste negócio potenciar uma fuga da freguesia para a economia paralela. O que meleva a concluir que no sector não haverá fuga ao fisco e que todos sãoexemplares cumpridores dessa coisa das obrigações fiscais, ou lá o que é.
A lamúria desta gente roda,invariavelmente, em torno de uma alegada dificuldade em “pagar o IVA àsfinanças”. Confesso, ninguém me manda ser ignorante, que quando ouvi estaexpressão pela primeira vez pensei que existissem problemas nas repartições definanças – bichas, avarias, greves ou tragédias diversas - que inviabilizassemessa pretensão. É que, na maioria dos casos, ninguém sai de um café,restaurante ou espelunca similar, sem pagar a conta. Onde, cuidava eu, estaria incluídoo IVA. Parece, afinal, que tenho andado enganado estes anos todos e que a coisanão funciona bem assim. A julgar pela conversa ao valor pago pelos clientesacrescerá, então sim, o imposto. E é precisamente essa importância – 23% - queos bons dos taberneiros dos tempos modernos se vêem à rasca para arranjar.Pois. Compreendo a dificuldade.
A inocência desta classeé comovedora. A julgar pelos seus lamentos parecem acreditar piamente que umaredução da taxa de imposto iria melhorar o seu negócio. Talvez tenham algumarazão. Mas para quem está convencido que é ele que paga o IVA, ainda que estebaixasse para zero, dificilmente reduziria os preços. E quem pensa o contrárioque faça um pequeno esforço de memória e tente lembrar-se do que foi, nestesector, a transição para o euro…
Compartilhar no WhatsApp

Comentar:

CorretorEmoji

Notificações de respostas serão enviadas por e-mail.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.