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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Há muita falta de memória...

por Kruzes Kanhoto, em 25.09.12


Manuela FerreiraLeite caiu, finalmente, nas boas graças dos portugueses. O discurso, em tommais ou menos arruaceiro, agradou à generalidade dos que se não revêem nasactuais opções políticas de quem nos governa e o descontentamento daídecorrente acabou por fazer o resto.  Rapidamentese esqueceram umas quantas tiradas mais ou menos infelizes - como a suspensãoda democracia ou a hemodiálise para os velhotes ficar reservada só para os quea possam pagar – e vá de elogiar a clarividência da senhora. Seja pela suaquase disponibilidade para participar em manifestações ou, principalmente, pelaferoz defesa que a criatura fez dos reformados. Os tais que, ainda um destesdias, ela achava que só deviam ter acesso a tratamentos médicos se os pagassem.
Devo ter sido oúnico, de entre os que não gostam de Passos Coelho, a achar as declarações daporta-voz de Cavaco um verdadeiro disparate. Um conjunto de baboseiras, abem-dizer. Primeiro porque me lembro que foi a senhora, no tempo em que ocupouo lugar de ministra das finanças, a congelar o vencimento dos funcionáriospúblicos para, ao que à época argumentava, controlar o défice. O resultado é sobejamenteconhecido. Tal como agora, o desequilíbrio das contas não parou de aumentar. E,convém não esquecer, tomou a mesma medida dois anos consecutivos. Como aquelemédico que lhe serviu de exemplo, também ela insistiu na receita apesar do estadode saúde do paciente se ter agravado.
Depois a questãodas reformas. Num momento de rara sagacidade, a ex-lider do PSD comparou osdescontos que os trabalhadores fazem ao longo da vida a um depósito bancário.Sugerindo que, por isso, as pensões não podem ser cortadas dado que o dinheiroque os pensionistas estão agora a receber é o que foram, ao longo da vidacontributiva, entregando ao Estado. Não é, obviamente, assim. A segurançasocial não funciona num sistema de capitalização do tipo PPR. Quem trabalha fazos seus descontos e estes servem para pagar aos reformados de hoje esperandoque, no futuro, a geração seguinte faça o mesmo.
Percebo que asenhora não goste de ver a sua pensão diminuída e aproveite o tempo de antenaque lhe dão para puxar a brasa à sua sardinha. Não precisa é de ser demagoga –até porque a sua carreira política já acabou – nem querer fazer dos outrosparvos. Teve, enquanto interveniente na vida política, sobejas ocasiões parafazer alguma coisa pelos reformados que vivem com reformas de miséria e, pormais que me esforce, não me ocorre nada de bom a que possa associar o seu nome.Pena que, tal como dizia o outro, haja tão fraca memória na politica e nos políticos.E nos portugueses de uma maneira geral.
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