Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Investigue-se...e talvez se escrevam menos pantominices!

por Kruzes Kanhoto, em 30.10.17

Quem tem a paciência de me ler sabe que não tenho os jornalistas em grande conta. Nomeadamente aqueles – e são muitos – que comem toda a palha que lhes põem na gamela. Ou, quero eu dizer na minha, que têm como boa e verdadeira qualquer historieta que lhes é contada, não hesitando em transmitir aos seus leitores, ouvintes ou que seja as patranhas que alguém lhes relatou.

Como, por exemplo, um artigo publicado no “Observador” acerca daquilo que a autora intitulou “sexo à moda antiga” e onde relatava as experiências amorosas, sexuais e afins de umas quantas idosas. Num desses relatos uma das velhotas, confidencia que “casei com 22 anos. Conheci-o nas festas e ele estava sentado num muro com outros gajos. E as minhas amigas, a certa altura disseram: “Dou-te 500 escudos para ires ter com aquele rapaz”. Pensei: “Raios, que ainda não namorei nada, vou mesmo ter com aquele gajo”. Ainda por cima 500 escudos já era dinheiro! Então fui lá ter com ele”. Ora, tendo a senhora em questão oitenta e seis anos, isto ter-se-á passado no ano da graça de mil novecentos e cinquenta e três. A outrora intrépida namoradeira pode, agora, estar confusa. Mas, digo eu, a jovem jornalista tinha obrigação de saber – ou, pelo menos, de se informar – quanto valiam então quinhentos escudos. Talvez se surpreendesse se alguém lhe explicasse que valiam muito mais do que dois euros e meio.

E se nisto dos escudos foi assim, imagino as restantes pantominices que as velhinhas contaram à jovencita...

 

Compartilhar no WhatsApp

Empreendedorismo tuga

por Kruzes Kanhoto, em 29.10.17

IMG_20171029_102907.jpg

 

Vender flores num cemitério parece-me bem. Que seja a Junta de Freguesia a fazê-lo afigura-se, também, como algo perfeitamente normal. Mais ainda quando se recordam os finados. Podia era anunciar a iniciativa em bom português. Daquele sem erros. A menos que o órgão autárquico responsável pela gestão do cemitério não tenha nada a ver com o anúncio nem com a venda e a ideia tenha partido de outro empreendedor qualquer. Um funcionário menos letrado mas com olho para o negócio, ou assim. Coisa em que, convictamente, não acredito.

Compartilhar no WhatsApp

O hortelão

por Kruzes Kanhoto, em 28.10.17

IMG_20171028_102150.jpg

 

Reitero que gosto daquilo. Daquela estrutura alegadamente artística. Mesmo que por desleixo, má-vontade ou falta de dinheiro ninguém a tenha mandado pintar. A sorte, no caso, é que isto não tem ido de chuva, senão a alegada obra de arte – sim, diz que é isso – ainda estaria mais enferrujada e capaz de, por esta altura, ir para a sucata.

Mas isso agora não interessa nada. O importante é que ficámos todos este sábado a perceber, com a colocação da última peça, o que representa tão majestático ornamento. É, nem mais nem menos, do que a merecida homenagem ao hortelão. Faz sentido.

Compartilhar no WhatsApp

AiParque...

por Kruzes Kanhoto, em 27.10.17

Estive um dias destes – ontem, pronto – numa empresa localizada no iparque. Diz que se pronuncia aiparque, ou lá o que é. Uma extensão de terreno infraestruturado, com um nome pomposo, onde é suposto instalarem-se empresas de carácter tecnológico, dedicadas à investigação – ainda indaguei se havia escritório de detectives, mas parece que não – e daquelas todas inovadoras. Ou seja é uma zona industrial onde se fixam empresas modernas. Um dia destes, presumo, pois por agora os dedos de uma mão chegam para contar as existentes.

Mas não é a aparente escassez de investidores nem o nome amaricado do investimento – avultado, calculo – que suscitam a minha critica. O que me aborreceu e, simultaneamente, causou estranheza foi estar num local com todas aquelas características e, durante todo o santo dia, não ter tido acesso a wi-fi, dados móveis nem rede de telemóvel. Esta, muito fraquinha, só no exterior do edifício. Deve ser aquela coisa do espeto de pau na casa do ferreiro...

Compartilhar no WhatsApp

O décimo terceiro mês...

por Kruzes Kanhoto, em 25.10.17

IMG_20171025_103513.jpg

Trinta dias tem Novembro, Abril, Maio e Setembro. De vinte e oito há só um e os demais têm trinta e um. Já com o nome Estremoz não conheço nenhum...

Compartilhar no WhatsApp

E aquilo de não cobiçar a mulher do próximo?

por Kruzes Kanhoto, em 23.10.17

A indignaçãozinha do dia anda hoje à volta daquela cena de um tribunal qualquer achar legitimo que o marido encornado chegue a roupa ao pêlo à mulher adultera. Diz, ao que rezam as crónicas, que o acórdão onde é reconhecido esse direito marital até mete citação da bíblia e tudo.

Nada disto me parece bem. Logo a começar pelo enxerto de porrada que a vitima levou. Dos dois – o amante e o marido – segundo os relatos. Mesmo que a senhora chegue para ambos, não é coisa que se faça isso de ir à figura da criatura com aqueles modos.

Também a decisão judicial não merece apreço nenhum. Ainda que perceba tanto de direito como de cozinha polaca, desconfio que é capaz de existir ali algo de contraditório. Se o marido viu a sua pena atenuada com base nas sagradas escrituras, então, já que a bíblia terá sido a referência moral, o amante devia ter sido severamente punido. É que o tal best-seller recomenda vivamente que não se cobice a mulher do próximo. Mesmo que o próximo até nem se importe. O que, pelos vistos, não seria o caso.

Compartilhar no WhatsApp

Não ponha aqui o seu pezinho...

por Kruzes Kanhoto, em 22.10.17

IMG_20171022_122404.jpg

 

A democracia tem custos. Uns maiores, outros menores e alguns perfeitamente dispensáveis. Nomeadamente, quanto aos últimos, os que resultam de situações reveladoras de negligência. É o caso dos estragos no passeio onde, durante a recente campanha eleitoral, esteve um cartaz de proporções épicas. Tão épicas que os boletins de voto com a cruz na candidatura em questão, se desdobrados e espalhados no dito cartaz, dificilmente chegariam para cobrir toda a sua superfície.

Agora, retirada a propaganda, sobram vários buracos. Tratando-se de um local muito frequentado por velhinhas espera-se que nenhuma ponha ali o pé. Pode ser que, por se tratar das imediações de uma igreja, a divindade de serviço as guie por melhor caminho. Caso contrário o resultado da negligência é capaz de não ser assim tão negligenciável.

Compartilhar no WhatsApp

Desabafos

por Kruzes Kanhoto, em 21.10.17

Já nem sei ao certo quantos anos tem o “Kruzes Kanhoto”. Perdi-lhe o conto. Entre o inicio no Sapo, a passagem para o Blogspot e o retorno à casa de partida devem ir para aí uns bons quinze anos. Se não mesmo mais. Mas isto tudo tem um fim e o deste espaço é capaz de não andar longe. Continuo a gostar de escrever, apraz-me dissertar sobre aquilo que me apoquenta, diverte ou é completamente indiferente mas, ainda que não o faça a pensar em “audiências”, desagrada-me fazê-lo quando sei que praticamente ninguém vai ler o que escrevo. O que, modéstia à parte, considero uma injustiça. Isto porque vejo blogs incrivelmente mal escritos, com posts sem nexo e acerca de nada terem visitas diárias na ordem das largas centenas.

Estou, passe outra vez a imodéstia, decepcionado com a falta de reconhecimento. Dos iniciais duzentos leitores, restam hoje pouco mais de vinte. Talvez seja, por isso, altura de terminar este projecto. Mas, termine ou não, continuarei a andar por aí.

Compartilhar no WhatsApp

Entregues à bicharada...

por Kruzes Kanhoto, em 20.10.17

Já dizia o outro que os tempos e as vontades se vão mudando. Ou, como se diz agora, as causas. É bom que assim seja. Mau é que algumas delas absorvam recursos que deviam ser destinados a assuntos realmente sérios. É, por exemplo, o caso da justiça. Apesar de os senhores juízes não terem tempo nem para se coçarem, pelo menos tendo em conta o que demora qualquer processo de trazer por casa a ser resolvido, são cada vez mais os problemas relacionados com as novas causas a ocuparem o tempo que a justiça devia reservar para o que é importante.

Isto a propósito de um julgamento, que está a decorrer algures num tribunal deste país, onde um homem é acusado de enforcar um gato. Acção que, obviamente, reprovo tanto como o facto de um tribunal mobilizar umas dezenas de pessoas e esturrar uns milhares de euros para julgar o alegado facínora. Se calhar uma coima seria mais penalizadora para a criatura e poupavam-se recursos – monetários, logísticos e humanos – muito mais úteis noutro processo qualquer. Mas não. Estes inventores de novas causas tinham mesmo de ir pelo mais difícil. Deve dar-lhes jeito que a justiça se entretenha com idiotices destas para, quiçá, um dia não ter tempo de os julgar a eles.

Ao que se relata, ainda acerca deste julgamento, o homem em questão era useiro e vezeiro em enxotar os animais que dele se acercavam. Em certa ocasião, ao que afiança uma testemunha, terá mesmo pontapeado um pato com tal violência que lhe causou – ao pato – um hematoma no abdómen. Não consigo deixar de sorrir perante esta descrição da cena de pancadaria entre homem e ave. E, também, de me congratular com a sorte do “marreco”. Por pouco não ficou a grasnar fininho...

Compartilhar no WhatsApp

O Parlamento aceita petições sexistas?!

por Kruzes Kanhoto, em 18.10.17

Acho piada aos activistas. De todas as espécies. E mais piada lhes acho à medida que as causas que defendem vão constituindo um dado adquirido. O caso da igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres entre homens e mulheres, por exemplo. Ainda que - pelo menos em termos legais - isso já seja um assunto arrumado, os tais activistas não se dão por satisfeitos. Querem mais. Muito mais.

Tanto que está para discussão no Parlamento uma petição com o sugestivo titulo de “benevolência a mães sozinhas com filhos a cargo”, onde a signatária solicita “encarecidamente um especial olhar do Estado protector para este público especifico”. Embora reconhecendo que já existem apoios às pessoas mais carenciadas, entende que é imprescindível ir mais longe. Nomeadamente “ser mais amplo, não sendo redutor apenas à folha de vencimento”. Seria de criar uma espécie de “estatuto” que permita às beneficiárias ter da parte do Estado apoios “ao nível do crédito à habitação, agua, gaz, electricidade, comunicações (incluindo internet)...para aquisição de viatura, nas oficinas quando os carros avariam, em todos os impostos, nas multas...” e sim estou a citar. Tudo isto, reitero, destinado às mães com filhos a cargo, estejam ou não empregadas, beneficiem ou não dos apoios sociais existentes e sejam ricas, remediadas ou pobres.

Desconheço o destino que os deputados vão dar a este rol de disparates. Para já está em análise e a serem ouvidas umas quantas entidades. Mas, dada a maluqueira que vai para aqueles lados, não me custa a crer que, de entre este conjunto de disparates, alguns venham a ter acolhimento.

Enquanto isso o país vai ardendo e o interior ficando sem gente. Não há por aí um activista que peça um estatuto especial para os resistentes que ainda cá vivem e que inclua, por exemplo, não pagar IRS?

Compartilhar no WhatsApp

Deixa arder...

por Kruzes Kanhoto, em 16.10.17

orcamento_estado_20181.jpg

 (Imagem de "O insurgente")

 

O governo e os partidos da geringonça já fizeram centenas de reuniões para tratar dos problemas dos funcionários públicos e poucas - ou nenhuma - para tratar dos incêndios. Foi isto, mais coisa menos coisa, que ouvi hoje num telejornal. Não é verdade. Ou é apenas uma parte da verdade. O cavalheiro que proferiu esta afirmação devia ter acrescentado à agenda de trabalho dessas centenas de reuniões os problemas dos reformados. Como, até eu que não percebo nada disto, já aqui escrevi em inúmeras ocasiões. E aí sim, estaria inteiramente correcto. Por mim, enquanto funcionário e, espero, futuro reformado sou gajo para agradecer a preocupação. Mas não o faço. Não que seja mal agradecido. Acho é que aquela gentinha não devia lá estar para isso. Mas está. De um executivo composto quase em exclusivo por gente dependente do Estado não era de esperar algo diferente. Quanto ao resto é deixar arder. Habituem-se, já diz a ministra.

Compartilhar no WhatsApp

O povo está com eles...

por Kruzes Kanhoto, em 15.10.17

Tenho manifesta dificuldade em entender o que move as multidões que se arrastam atrás dos políticos. Mais ainda quando os políticos são tipos como o Isaltino, o Sócrates ou o Valentim. Isto só para citar alguns. Pode, em certos casos, a causa do entusiasmo perante o figurão ter a ver com reconhecimento de favores passados ou a expectativa de benesses futuras. Não negligencio, também, a possibilidade de, outros, serem apenas figurantes contratados para a ocasião. Assim uma espécie de precários do aplauso, digamos. Todos esses, de alguma forma, ainda os consigo entender. Até perdoar, vá. Agora os que lá andam por convicção e por acreditarem piamente nas virtuosas qualidades de que as criaturas serão dotadas, é que se trata de um comportamento que está para além da minha compreensão.

Sócrates foi ontem recebido no Porto em apoteose. Pelas palavras que foi possível ouvir e pelas caras que pudemos reconhecer entre os presentes, ficámos a saber que o Partido Socialista – ou, pelo menos, parte dele – estará ao lado do ex-primeiro ministro. Preocupante, mais ainda por se tratar do partido que governa, mas nada de surpreendente. A “família”, por norma, protege os seus.

Compartilhar no WhatsApp

Inovações fiscais

por Kruzes Kanhoto, em 13.10.17

images.jpg

 

A inovação em matéria de impostos parece não ter fim à vista. O próximo a inventar é o imposto “Batata frita”. Isto para, segundo os mentores da ideia, desincentivar o consumo dos ditos tubérculos após fritura. Esta fúria tributária, apesar de idiota, não se me afigura mal de todo. É como o outro. Pior seria se nos continuassem a ir ao ordenado.

Ainda assim acho possível – e desejável, já agora que é só para desincentivar – ir mais longe neste caminho. Explorar novos horizontes e, digamos, continuar a inovar no que aos impostos que visam o desincentivo diz respeito. No âmbito dos fritos, por exemplo, sugiro que se taxem os torresmos, o brinhol e os jaquinzinhos. Quanto aos doces, os iogurtes, pudins ou leite creme também me parecem constituir um filão a explorar. Até porque, ao que consta, terão um teor de açúcar bem mais elevado do que certas bebidas já sujeitas ao imposto “Coca-cola” e, portanto, convém desincentivar o seu consumo.

Obviamente que só paga estes impostos quem quer. Quem não quer pagar não consome. É este o principal argumento usado sempre que o tema vem à baila e, diga-se, não podia estar mais de acordo. É por essa razão que reitero o meu apelo aos fiscalistas, economistas e outros parvos ao serviço do governo no sentido de taxar a queca. Também só paga quem quer. Ou pode.

Compartilhar no WhatsApp

Os transfinanceiros (ricos que nasceram num corpo de pobre)

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.17

Isto de governar um país, por mais que uma imensa maioria não perceba, é como gerir uma casa de família. A questão da divida, por exemplo. Eu, como quase toda a gente, também tive um crédito à habitação. Daqueles a pagar em vinte cinco anos. No meu caso foram “apenas” dezassete ou dezoito. A melhoria do nível vida verificada no tempo em que o Cavaco foi primeiro-ministro permitiu-me, com o aumento de rendimento, ir fazendo amortizações de capital e, com isso, poupar nos juros, diminuir a taxa de esforço e antecipar o fim do empréstimo em sete ou oito anos. Nada de mais. Qualquer pessoa minimamente inteligente – ou só precavida, vá – faria o mesmo.

Ora não é nada disso que os gajos que tomaram o poder estão a fazer. Para gáudio da populaça, diga-se, que se revela extremamente contente com o desvario que vai nos centros de decisão. Só um governo de idiotas e um povo imbecilizado não percebe que, numa altura de crescimento económico e de aumento do PIB, a única opção séria é reduzir a divida. Mas não. Pelo contrário. Ela cresce a cada dia. Perante, como se vê, o aplauso generalizado. É o que dá ter um país governado por gente que nem a sua vida sabe governar.

Compartilhar no WhatsApp

E se fossem limpar a caca dos pombos?!

por Kruzes Kanhoto, em 09.10.17

Tal como tinha previsto num post publicado aqui há atrasado, os maluquinhos das estátuas já andam por aí. Liderados por esse português de gema que responde pelo nome de Mamadou Ba, da ancestral família dos Ba, tiveram como primeiro alvo uma estátua do Padre António Vieira. Parece que esse patife – refiro-me ao padre, claro – era um esclavagista do caraças e, portanto, merecedor do desprezo dos portugueses honrados e amantes da igualdade entre os homens. Nos os quais se inclui o tal Mamadou, da portuguesissima família dos Ba. Não sei se da Silva, mas isso agora não vem ao caso.

Que as criaturas protestem contra estátuas, pinturas ou o que mais lhes aprouver não é coisa que me escandalize. Ainda bem que o podem fazer. Até porque isto, ao contrário do que garante o distinto Ba, não é uma prisão a céu aberto de onde ele não quer sair nem que o empurrem. Que outras pessoas se armem em bisbilhoteiras e façam um convívio à mesma hora perto do local onde o senhor Ba e acólitos iam declamar uns poemas, também se me afigura muito legitimo. Era o que mais faltava que não o pudessem fazer. Mais ainda porque, e como bom português o compadre Mamadou devia saber isso, o tuga é um mirone do piorio.

Desconfio que a saga do ataque a estátuas estará apenas a começar. E o próximo alvo bem que pode ser a do nosso primeiro rei. O Afonso era um gajo lixado. Xenófobo e islamofobico como poucos.

Compartilhar no WhatsApp

Grande defensor dos trabalhadores e do povo, este...

por Kruzes Kanhoto, em 08.10.17

O que ontem era verdade hoje é mentira. Ou o contrário. Não sei, mas, no caso, é indiferente. Para o antigo chefe da CGTP, agora, não é possível baixar impostos. Nem desejável, acrescenta. Até porque, acha o cavalheiro, até nem pagamos por aí além. Pior, a criatura acha que teremos de nos conformar com a ideia de ir sempre pagando mais qualquer coisinha a cada ano que passa.

Já não me lembro – e não estou para ir pesquisar – mas suponho que este senhor tenha sido daqueles que considerou um roubo a quem trabalha aquilo do brutal aumento de impostos, ordenado pela troika, para pagarmos a bancarrota deixada pelo governo de Sócrates. Do qual, convém não esquecer, António Costa foi o número dois.

E é isto. É esta a coerência daqueles a quem a comunicação social vai dando voz e os contribuintes vão sustentando. São estas as baboseiras e estes alarves que vamos tendo de aturar. Nada de surpreendente nem a que não estejamos habituados. De estranhar, apenas, é que tanta gente ainda se mobilize para seguir estes idiotas.

Compartilhar no WhatsApp

Velharias

por Kruzes Kanhoto, em 07.10.17

IMG_20171005_181846.jpg

 

Segundo um site de passeatas, a feira das velharias que semanalmente se realiza em Estremoz constitui um dos locais de visita obrigatória para todos os passeantes. Também acho. Mesmo que não ache grande piada ao material exposto e, não raramente, fique sem saber se o item para o qual estou a olhar é classificável como velharia ou como lixo. Mas esta classificação fica, naturalmente, para os entendidos no assunto. A mim tanto se me dá.

Já a este quiosque, situado no centro da dita feira, não hesito em classificar como velharia. Apesar de fechado há anos, está tal e qual – ou quase, vá – como no último dia em que esteve aberto. O que, salvo melhor opinião de algum versado na temática, constitui uma inegável mais valia para o espaço circundante. É a preservação de equipamentos desta natureza que enriquece o património colectivo e mantém vivas as memórias de um povo. Está é a precisar de uma pintura, ou isso...

Compartilhar no WhatsApp

Por onde anda aquela malta de esquerda que se dizia sempre contra o governo, qualquer que ele fosse? Pelos vistos só resto eu...

por Kruzes Kanhoto, em 05.10.17

Esforço-me o mais que posso por gostar do governo. A sério. Dou o meu melhor para, tal como a maioria dos reformados, funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas me tornar num fã desta solução governativa. Ou problema, do meu ponto de vista. Mas, por mais esforços que desenvolva nesse sentido, não consigo. É escusado. De cada vez que estou quase a começar a tolerar aquela gentalha, eles encarregam-se de deitar por terra os meus esforços.

Admito que o problema seja meu. Ou do meu mau feitio. Se calhar – só para mencionar os exemplos mais recentes – preferir, como está a fazer a geringonça, que venham para cá migrantes pobres em vez de reformados estrangeiros abastados até será uma coisa boa. Eu, assim de repente, é que não estou a ver a vantagem. Mas, lá está, devo ter de me esforçar mais para apanhar o alcance da tramoia.

Depois os aumentos da reformas para o próximo ano. De certeza que aumentar as pensões de milhares de euros e manter congelados os vencimentos de seiscentos euros deve ser uma medida da mais elementar justiça social. Mas, lá está outra vez a minha ignorância, a mim parece-me uma tremenda injustiça que se faz a quem trabalha. Até porque terá de bulir muitos mais anos para, com sorte, ficar com metade da reforma daqueles que agora vão ser aumentados.

Por fim as mexidas no IRS. Ao que se sabe estará a ser estudada uma formula que impeça quem ganha mais de treze mil euros brutos anuais de beneficiar do alivio fiscal que andam por aí a prometer. Ou seja, para os alienados que mandam nisto tudo quem ganha novecentos e poucos euros brutos por mês é rico. O que, diga-se, me deixa ainda mais preocupado. Nomeadamente quando é sobejamente conhecida a determinação desta pandilha em tornar cada vez mais baixo o limiar de riqueza.

Compartilhar no WhatsApp

Isaltinações

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.17

Ainda me lembro do tempo em que a comunicação social, os engraçadinhos de serviço e, de uma forma geral, o país urbano troçavam das velhinhas de verruga e bigode a condizer que juravam devoção eterna à então presidenta Fátima Felgueiras, suspeita de diversos crimes de corrupção. A chacota foi geral e a simpatia que a senhora recolhia nas ruas da localidade atribuída à fraca instrução daquelas pobres alminhas.

Em Oeiras não se coloca a questão da literacia dos eleitores que elegeram Isaltino Morais. Nem, tão pouco, se pode relacionar a massiva votação que obteve com questões de ignorância. Quem votou na criatura fê-lo com plena consciência do acto que estava a praticar e cabal conhecimento dos actos praticados por aquele que estava a eleger.

Não vejo, por isso, grande diferença entre as velhotas analfabetas de Felgueiras, os doutores de Oeiras e os estarolas que se fartaram de gozar com as primeiras mas que agora não abrem o bico para zombar dos segundos. A não ser que seria uma enorme falta de educação chamar burras às anciãs da capital do calçado.

Compartilhar no WhatsApp

Ilusionismo eleitoral

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.17

Comovente – ternurento, vá – o modo como o PS está a tratar a hecatombe eleitoral do Partido Comunista nas autárquicas. Ou ridículo, se preferirem. Os socialistas insistem que as dez Câmaras perdidas pelos comunistas não representam para estes uma derrota. Derrotado é só o PSD, garantem. Isto apesar do próprio Jerónimo assumir que, sim senhor, perder um terço das Câmaras a que o Partido presidia constitui mesmo uma derrota.

Ora isto, vindo do individuo que ocupa o cargo de primeiro ministro ou da outra badameca que o acolita, já seria de esperar. Não é novo. É apenas parvo. A novidade é aqui o reconhecimento do seu fracasso por parte do PCP. Deve ser o instinto de sobrevivência. Já da parte do PS aquelas falinhas mansas não se destinam a afundar o PSD e ao seu líder. Nem precisam, que bem no fundo já eles estão. Visam somente manter os comunistas sossegados. Assim será mais fácil, um destes dias, dar-lhes a facada final. É o modus operandis dos traidores. Quem não os conheça que os compre.

Não estou com isto a defender os comunistas. Com o mal deles posso eu bem. Não suporto é gente com a mania que é esperta e convencida que enrola todos os outros. E o cavalheiro que chefia o governo é um desses.

Compartilhar no WhatsApp

Pág. 1/2