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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Uns chatos, estes larápios dos tempos modernos.

por Kruzes Kanhoto, em 30.03.17

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 Estes gajos do phishing, ou lá o que chamam a isso de roubar dados pessoais, começam a aborrecer-me. A bem dizer nunca deixaram de o fazer. Mas agora estão a ficar particularmente chatos. Ainda mais chatos. Insistem, quase diariamente, em pedir as minhas credencias bancárias. A mim e muitas outras pessoas, de certeza. E, ao que parece, a sua perseverança tem sido recompensada. Diz que uns quantos clientes de uma entidade bancária muito falada por estes dias, terão caído na esparrela e, como seria de esperar, viram as suas contas depenadas. Grandes malucos. Como não lhes chegava já terem confiado nos bancos, nos banqueiros e nos políticos que saquearam os bancos foram ainda confiar num desconhecido que lhes enviou um email. Deve ter sido um "impulse" qualquer.  

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Os amiguinhos dos animais são, como toda a gente sabe, pessoas sensíveis. Nota-se.

por Kruzes Kanhoto, em 29.03.17

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Poucas causas mobilizam mais os portugueses, nomeadamente os agarrados do facebook, do que aquela mania parva de achar que os bichos têm os mesmos direitos que o ser humano. Confundindo isso, a maior parte das vezes, com o que se pretende que seja a defesa e protecção dos animais.

Hoje bastou o Presidente da Câmara de Aveiro queixar-se da legislação que proíbe o abate de animais, para os maluquinhos da Internet lhe caírem em cima que nem “gato a bofe”. Os custos para as autarquias são de monta e, como salienta o edil, a estadia dos bichos pode prolongar-se por muitos e longos anos. Provocando, obviamente, problemas de lotação dos espaços e obrigando a novos e maiores investimentos. Nada, naturalmente, que preocupe a cambada de imbecis para quem um cão sarnoso é mais importante que o pai ou a mãe. Esturre-se o dinheiro que for preciso, acham eles. São tão burros, mas mesmo tão burros, que nem percebem donde vem o graveto para sustentar essas maluqueiras. Ou, se percebem, não se importam. O que ainda é pior. Nomeadamente quando não se coíbem de mandar bitaites contra a maneira como “ele” é gasto quando em causa estão outras despesas do Estado. Por exemplo com RSI, ordenados, pensões e outras coisas que dão jeito às pessoas...

 

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Ironias...

por Kruzes Kanhoto, em 28.03.17

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A política local não é tema que caiba neste blogue. Mas hoje apetece-me fazer uma excepção. Uma coisa assim para confirmar a regra. O assunto, convenhamos, merece. Até porque não é todos os dias que um tribunal declara a perda de mandato de um presidente de Câmara. O que, como não podia deixar de ser, constitui o assunto do momento cá na cidade.

Não tenho sobre o caso nenhum “estado de alma” acerca do qual valha a pena dissertar. Tão pouco me importa a forma, o conteúdo, a bondade ou não de todas as tomadas de posição acerca do assunto ou outros pormenores da trama. Nem sequer os pormaiores. O único detalhe que não me deixa indiferente é a ironia do autarca poder vir a perder o mandato - se, a seguirem-se eventuais recursos, a sentença vier a ser confirmada por instâncias superiores - na sequência de uma sua decisão que envolve deixar de fazer despesa.  Coisa que é capaz de ser mais ou menos inédita. Assim a atirar para o sui generis, quase.

 

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Remate kruzado

por Kruzes Kanhoto, em 26.03.17

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Haverá na comunicação social muita gente séria e honesta. Na prateleira, provavelmente. É que, a julgar por aquilo que diariamente vamos lendo, entre os que reúnem pelo menos uma daquelas qualidades não serão muitos os que estão no activo. Vejamos dois casos ilustrativos. Só, que não me apetece ser exaustivo.

 

“Pontuar na Luz costuma dar título ao dragão” garante hoje, em plena primeira página, um pasquim que se publica na cidade do Porto. Costuma pois. Ora se costuma. Basta ver o exemplo do ano passado. Ou, se não chegar, o do ano anterior. Estamos, portanto, conversados em termos de qualidade informativa.


Por seu lado “A Bola”, logo na capa, recorda aos seus leitores que “Maxi nunca perdeu contra o Benfica”. Grande feito. Ao alcance de poucos, convenhamos. Principalmente por causa dessa coisa do nunca. Seria, de facto, uma proeza assinalável não se desse o caso desse nunca corresponder a três jogos. Já agora - e até nem custava muito - poderiam ter acrescentado que o uruguaio caceteiro, desde que deixou o Glorioso nunca mais foi campeão. Mas isso, enfim, sou eu que tenho algum apreço pelo rigor terminológico. Coisa que, obviamente, não se pode esperar dos lambe-cús da actual comunicação social tuga.

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Deputados mal educados e outras criancices

por Kruzes Kanhoto, em 25.03.17

O governador do Banco de Portugal não será um figura pública que reúna a admiração de um número significativo de portugueses. Mas, apesar disso, devia ter sido evitada a humilhação pública a que foi sujeito no Parlamento. Expô-lo à má-criação de gaiatos arrogantes que nunca fizeram nada de útil na vida, foi prestar um péssimo serviço à democracia e, até, ao apuramento seja do que for que querem apurar. Serviu, isso sim, apenas para mostrar ao país inteiro a falta de consideração que as gerações mais novas e os políticos em geral têm pelos mais velhos. O homem tem idade para ser avô daqueles deputados e, só por isso, já merecia ser tratado com respeito. Além do mais, tem também, uma carreira profissional que lhe permitiu chegar ao lugar que ocupa. Tudo coisas que gente como aqueles deputados nem sonham o que é.

 

Li por aí umas comparações parvas acerca do crime de ontem, o assassinato à facada de quatro pessoas em Barcelos, e acções terroristas na Europa envolvendo igualmente o uso de facas. Estão - coitados, que isto da cabecita não dar para mais é uma chatice - a comparar o cú com a feira de Borba. Um dia destes ainda os vou ver a escreverem que os presos políticos, libertados pelo 25 do A, não passavam de reles criminosos de delito comum.

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Noutro tempo a mãe ter-lhe-ia arranjado um motivo suficientemente bom para se queixar...

por Kruzes Kanhoto, em 24.03.17

Que a loucura tomou conta dos habitantes deste planeta, não constitui nenhuma espécie de novidade. Tanto assim é que noticias tão idiotas, que à primeira vista tomamos por pantominice ou brincadeira de um ou outro piadista mais desinspirado, são, afinal, o retrato fiel de acontecimentos reais. É o caso de uma cidadã espanhola, relatado pela comunicação social lá do sitio, para quem o equivalente ao nosso ministério público pediu uma pena de prisão de nove meses. Presumo que este prazo, dado o motivo da acusação, envolva algo de simbólico. A senhora era acusada de um delito de maus tratos ao filho de quinze anos. O pirralho, parece, ter-se-a queixado ao tribunal por a mãe lhe ter retirado o telemóvel com o intuito de o obrigar a estudar. Coisas que, obviamente, irritaram o fedelho. Não bastava o confisco do aparelho, foi ainda submetido à tortura do estudo. Uma violência, de facto. Não se faz. Nomeadamente a um filho.

Mas, apesar de tudo, a senhora teve sorte. O juiz era uma pessoa normal e tratou de a mandar em paz. E é assim, ao aceitar queixinhas bizarras como esta, que se esbanjam recursos, prejudica a vida das pessoas e, em última análise, contribui para o descrédito das instituições públicas e de quem as representa. Mas é a isto que nos temos de habituar. Será, cada vez mais, esta a realidade com que temos de conviver. Por mim, confesso, sinto uma imensa pena. Da mãe, por ter uma besta daquelas em casa, dos pais do gajo que decidiu levar o caso a julgamento, que não deve ter sido para ver o filho fazer figura de urso que lhe pagaram os estudos, e, por fim, de todos os que aturam passivamente as manias de uma escassa minoria que pretende obrigar as pessoas normais a seguirem as suas alucinações.

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Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 23.03.17

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Tenho manifesta dificuldade em perceber gente que sente a estranha necessidade de estacionar em segunda fila. Mais ainda quando o motivo da paragem não constitui um daqueles imperativos urgentes, inadiáveis e que mais ninguém pode fazer pelo próprio sujeito. Ir ao tasco ali ao lado mordiscar qualquer coisa – seja em sentido real ou figurado – não parece que se enquadre nos preceitos minimamente toleráveis. Nomeadamente quando se trata de uma cidade pequena, onde qualquer sitio é perto de tudo e não faltam lugares para estacionar. Para já não falar que, mesmo ao lado, está um enorme parque de estacionamento gratuito onde cabe sempre mais um. Ou, em dias como este, mais uma centena.

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A malta quer é copos e gajas boas!

por Kruzes Kanhoto, em 21.03.17

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E pronto, já cá faltavam as virgens ofendidas com as declarações do presidente do Eurogrupo. Aquilo do gajo ter considerado que nós, a malta do sul, esturramos o guito todo em bebida e com as gajas, caiu mesmo mal às alminhas mais sensíveis. O homem, coitado, estava apenas a usar uma metáfora para salientar o quão mal gastamos o dinheiro que os outros nos emprestam. Nós também podíamos, por exemplo, dizer que os holandeses estoiram demasiado graveto com marroquinaria. Metaforicamente falando, também. Poder, podíamos. Mas não era a mesma coisa. É que eles gastam-no, mas é deles. Convinha, digo eu, percebermos estas nuances.

Isto é mais ou menos como aquela cena do pedinte a quem damos uma esmola porque, afiança-nos, não tem dinheiro para comer mas, depois e já com as moedas na mão, vai comprar tabaco ou beber um copo. Ou como aquele amigo a quem desenrascamos umas massas e, em vez de orientar a vida, vai esbanjá-las em inutilidades. Todos, nestas circunstâncias, não se coibiriam de mandar o seu bitaite. Tal como o fez este socialista holandês.

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Um mártir dá sempre jeito...

por Kruzes Kanhoto, em 20.03.17

De repente ficou toda a gente com muita peninha do Sócrates. Coitadinho. Está, garantem, a ser vitima da incompetência da justiça que não ata nem desata nessa coisa da acusação, ou lá o que é. Um atentado aos direitos, liberdades e garantias de um cidadão que não pode ficar eternamente sob suspeita. Pois. Deve ser isso tudo, deve. E aquela parte do “cada tiro, cada melro”, também. Ou, então, é aquilo das barbas do vizinho. É que, não é por nada pois eu destas coisas só sei o que ouço dizer, se a investigação se prolongar por muito mais tempo isto ainda chega ao nível de “paróquia”...

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Desinspiração

por Kruzes Kanhoto, em 19.03.17

Confesso a minha falta de inspiração. Isto apesar de temas para escrever ser coisa que não falta. Pelo contrário. Culpo a esquerda por isso. Pela falta de inspiração e pela abundância dos temas. Tantos que até se torna difícil escolher. Esta acusação não é em vão. Por um lado a esquerda é óptima a criar factos, visões paralelas, mundos alternativos e reinos de fantasia. Tudo coisas que proporcionariam inúmeros posts e, em condições normais, um rol quase infindável de tiradas jocosas e outras tantas piadolas a escarnecer dos seus autores. Mas, por outro lado, a esquerda bafienta e retrograda tomou conta das televisões, das rádios e da opinião publicada em geral. O que, naturalmente, me afasta dos locais onde essa malta destila a sua verborreia irracional. Prefiro não saber o que dizem e, consequentemente, ficar sem motivo para os gozar, a ter de os aturar. Assim como assim, ainda prefiro aqueles programas onde, entre gritos histéricos, concorrentes e apresentadores admitem publicamente a sua burrice. Sempre são mais honestos.

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Populismo...mas do bom!

por Kruzes Kanhoto, em 18.03.17

Concordo com a pequena líder do Bloco de Esquerda quanto a isso da disparidade de vencimentos entre os trabalhadores e os manda-chuva das empresas. Há que fazer alguma coisa. Tanto nas públicas – em relação às quais a criatura não parece ter preocupações de maior – como nas privadas. E nem venham, os ultra liberais ou outros tansos quaisquer, reclamar da ingerência do Estado nem argumentar que, sendo privado, cada um paga o ordenado que quiser. Sem dúvida que sim. Mas deve existir um leque salarial minimamente razoável. Desde que, obviamente, se salvaguarde sempre a vontade dos accionistas. Se quiserem pagar mais, pagam. A todos.

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E urinar sentado, também...

por Kruzes Kanhoto, em 18.03.17

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A Internet está cheia de noticias falsas e aquela a que hoje me refiro pode ser apenas mais uma. Espero que sim, mas temo que não. Ao que é relatado por uns quantos sites espanhóis, diversas organizações feministas estarão a preparar uma proposta, para apresentar ao parlamento do país vizinho, visando obter “a igualdade real entre sexos, géneros e identidades sexuais”. Seja lá o que for que isso queira dizer. Assim, entre outras parvoíces, pretende-se que os “médicos, durante a gravidez, fiquem proibidos de revelar aos progenitores se o bebé que aguardam é menino ou menina. Devem, isso sim, informar que tem órgãos sexuais de masculinos ou femininos.”

Todo o rol de disparates – e são muitos - constitui um excelente motivo para umas boas gargalhadas. Se, como tenho esperança, não passar apenas de uma piadola com o intuito de ridicularizar as feministas e restante a gentalha do politicamente correcto. Há, no entanto, uma ideia preocupante. Daquelas que, de alguma forma, já é defendida, e em alguns países aplicada, relativamente a outros tipos de doutrinas. Querem “impor sanções legais aos pais que inculquem ou permitam que inculquem aos seus filhos estereótipos machistas”. Se assim fosse a educação das crianças ficaria entregue aos valores e crenças de gente destravada, completamente doida e, em muitas circunstâncias, com conceitos de vida repugnantes ao comum dos mortais.

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Ainda as eleições holandesas

por Kruzes Kanhoto, em 16.03.17

Tenho manifesta dificuldade em perceber a euforia que o resultado das eleições holandesas provocou na comunicação social, nas esquerdas em particular e na intelectualidade bem pensante em geral. Deve ser problema meu, admito. Afinal quem é que ganhou aquilo? Parece-me, se percebo alguma coisa disto, que foi um partido assim mais ou menos parecido com o PSD de cá. Estranho é isso constituir motivo de satisfação para os gajos de esquerda... mas pronto, eles lá sabem.

Celebra-se, também, a estrondosa derrota da extrema-direita. Pois que não sei se será bem assim. Hesito em considerar a subida de cinco lugares no parlamento como uma derrota. Mais ainda daquelas derrotas que fazem estrondo. Nomeadamente se, como padrão de análise, seguir os critérios de alguns partidos portugueses nas noites eleitorais. Todos se lembrarão que, desde as primeiras eleições, o Partido Comunista tem, a cada eleição, menos votos e menos deputados mas, nem assim, deixa de proclamar retumbantes vitórias. Mas, para a propaganda oficial das novas verdades, isso agora não interessa nada.

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Bacorada do dia

por Kruzes Kanhoto, em 16.03.17

Bacorada é uma expressão que se usa com frequência por estas bandas quando se pretende qualificar uma opinião como disparatada. É, segundo qualquer dicionário online, um dito disparatado ou uma asneira.

 

A de hoje foi proferida por um tal Gustavo Santos e foi publicada na página do Semanário Sol no facebook. Diz a criatura: “Foi o meu cão que me ensinou a ser pai”. Pois. Só espero que o sujeito não dê um osso ao filho.

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O último que feche a porta e atire a chave ao lago do Gadanha!

por Kruzes Kanhoto, em 15.03.17

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Com o aproximar das eleições autárquicas presumo que comecem a surgir ideias para esturrar dinheiro. Novas umas, velhas outras e parvas a maioria. O habitual, portanto. Que nisto de gastar o que temos e, principalmente, o que não temos poucos conseguem fazer melhor do que nós. E, a bem dizer, nem é coisa que me preocupe. Esturre-se tudo. Não faz mal. Agora somos poucos, dentro de alguns anos seremos muito menos e num futuro não muito distante não restará ninguém para pagar a conta. Não estou particularmente pessimista. Nada disso. Limito-me a acreditar nas estatísticas. Quando nascem menos de metade do que aqueles que morrem, o futuro não parece muito difícil de adivinhar. É por isso que, quase de certeza, todos os candidatos à autarquia vão incluir nos seus programas eleitorais a construção de novos cemitérios. Parece-me o mais ajuizado. Ou mais escolas, que isto há visionários para tudo.

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Qualquer coincidência será pura semelhança

por Kruzes Kanhoto, em 14.03.17

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Se tivesse o meu dinheiro depositado no Montepio teria ficado, após ouvir as explicações dos entendidos acerca da situação do banco, muito mais descansado. Ainda assim, não sendo depositante, os meus níveis de traquilidade atingem valores bastante elevados no que se refere ao futuro da instituição. Mesmo enquanto contribuinte escuso de me preocupar. Garantem-me os gajos que sabem destes assuntos que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Assim tipo o BES, estão a ver? Aquele banco que, como toda a gente ficou a saber, nada tinha a ver com o GES, ou lá o que era, como não se cansaram de nos explicar, em tempos, os gajos que sabem mesmo destas matérias.

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O último que feche a porta e atire a chave ao Alqueva

por Kruzes Kanhoto, em 12.03.17

Passear pelo Alentejo, para um turista, pode ser algo de fantástico. Não sei por que raio há-de ser, mas vá, concedo que constitua uma experiência agradável. Para mim – e, acredito, para quem conheceu outro Alentejo, é apenas deprimente. Percorrem-se quilómetros de estrada sem encontrar qualquer veículo, não se avista vivalma nos campos e atravessam-se lugarejos e aldeias outrora repletos de vida hoje praticamente desertas. Depois são as ruínas e as casas abandonadas, tanto em zonas rurais como urbanas, quase a fazer lembrar um cenário fantasmagórico digno de um filme pós apocalíptico. A continuar assim bem podem as entidades promotoras do turismo na região esforçarem-se mas num futuro próximo, por mais milhões que gastem a divulgar o Alentejo, nem os turistas aqui vão querer vir. A não ser, talvez, para ver uma espécie em vias de extinção. O alentejano.

A este propósito refiro apenas dois dados. Do meu concelho, para não ir mais longe. Na década de sessenta, do século passado, residiam aqui mais de vinte sete mil pessoas. No final de dois mil e dezasseis, no mesmo espaço territorial que o concelho não aumentou nem diminuiu de tamanho, restam menos de treze mil habitantes. E, mesmo de entre entre estes, um número bastante significativo apenas será residente em termos estatísticos. Desconfio que este constitui o nosso maior problema. Do meu concelho, do Alentejo e do país. Mas isso sou eu, que tenho a mania de me preocupar, em primeiro lugar, com o que está perto. Uma parvoíce. Devia era estar raladíssimo por causa do Trump.

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Bonés há muitos...

por Kruzes Kanhoto, em 11.03.17

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Depois do alarido por causa das opiniões de um fadista qualquer acerca da atribuição dos “Óscares”, estava à espera que o desabafo do tenista João Sousa, por causa daquela cena do boné, motivasse um nível de indignação relativamente elevado. Mas não. A policia da linguagem, os guardiões da nova moralidade e a esquerdalha em geral, desta vez, não estão com paneleirices. Ainda bem. Devem estar a lamber as feridas resultantes da “sova” que têm levado nos últimos dias por causa daquilo da palestra na Universidade Nova. Ou, então, perceberam finalmente que há limites para aquilo que as pessoas estão dispostas a aturar-lhes. Deve ser uma espécie de recuo estratégico...

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Falem como deve ser, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 10.03.17

Decididamente não me entendo com isto da novilíngua. Ou lá o que é que chamam agora a esta nova maneira de, entre outras coisas, dar as noticias. Deixou de se saber, por exemplo, a origem étnica, religiosa ou outra dos terroristas. Hoje qualquer um que se faça explodir, atire um camião ou um automóvel para cima de uma multidão, desate aos tiros para um restaurante ou pegue num machado e ataque quem lhe aparecer pela frente é, quando muito, alguém com distúrbios emocionais ou, na pior das hipóteses, um jovem com dificuldades de socialização. Mesmo por cá, onde ainda não temos formas de luta tão radicais, segue-se o mesmo principio. Qualquer crime nunca é relatado como tendo sido perpetrado por um cidadão de uma qualquer minoria. Mesmo que isso esteja mais que provado. A menos que seja um branco e português. Nesse caso até a cor dos boxers da criatura ficamos a saber.

Mas existem excepções. Incompreensíveis, a meu ver. Continuam, por exemplo, a dizer ou a escrever “homens armados” quando descrevem um assalto. Ora, seguindo o mesmo principio, parece-me estarmos perante uma clara discriminação de género. Até porque, em muitas circunstâncias, não poderão ter a certeza. Que isto, com estas modernices todas, nem tudo é o que parece. Menos mariquices linguísticas e um pouco mais de rigor terminológico não faziam mal nenhum.

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Pelo fim da discriminação no âmbito pecado.

por Kruzes Kanhoto, em 08.03.17

Depois de já ter revertido quase tudo o que havia para reverter, António Costa decidiu agora abrir uma nova frente no âmbito da reversão. Os ditados populares. Essa coisa da sabedoria popular não parece ser lá muito do agrado do primeiro-ministro em particular nem, mas isso sou eu a especular, dos geringonços em geral. Há, disse hoje o homem, que acabar com aquele dito de "entre marido e mulher ninguém mete a colher". Está, de facto, ultrapassado esse conceito. Actualmente – dizem, pois eu dessas cuscuvilhices não sei nada -  metem-se pelo meio do casal muitas coisas. E poucas, parece, são talheres. Mas fiquemos por aqui, que isto é um blogue frequentado por gente séria.  

Neste aspecto não discordo do tipo. Digamos que até acho bem. E, já agora que vem aí o Papa Xico, podíamos aproveitar para ir mais longe. Metia-se uma cunha -  coisa para a qual os tugas têm uma especial habilidade – para a igreja acabar de vez com aquela idiotice de considerar a cobiça da mulher alheia como um pecado. Não faz, nos tempos que correm, qualquer sentido manter em vigor esta visão discriminatória acerca do mulherio que se pode ou não cobiçar.  

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