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Nem a lesar se revelaram competentes...

por Kruzes Kanhoto, em 30.12.15

O que têm em comum os alegados lesados do BES e do BANIF? Muita coisa, certamente. Permito-me destacar duas. São ignorantes e, quase todos, velhotes. Nenhum de entre eles se coíbe de garantir a sua manifesta ignorância em matéria financeira e o total desconhecimento do risco que corriam as suas poupanças ao subscreverem os produtos que os bancos lhes tentavam impingir. Nem, pelos vistos, lhes terá ocorrido aquela máxima popular que relaciona a esmola avultada com a desconfiança do pobre. Talvez, quem sabe, por não serem desconfiados. Nem pobres. Apenas ignorantes, confessam.

O segundo aspecto em comum entre uns e outros é a idade relativamente avançada de quase todos. Algo que me deixa boquiaberto. É que andei quatro anos a ouvir queixas acerca das atrocidades que o governo estava a cometer contra os idosos, condenando-os à pobreza, à fome, à miséria – às galés, quase – e, vai-se a ver essas tretas, como já se suspeitava, eram manifestamente exageradas. Até nisso, em matéria de lixar o pagode, o governo anterior se revelou incompetente.

Seja como for passaríamos bem sem estes escândalos. Nomeadamente os contribuintes. Os outros, na sua maioria seguramente, foram à ganância. Tanto assim é que, ainda agora, os “depósitos” que os bancos prometem remunerar com juros mais simpáticos continuam a ter uma procura muito significativa. Inclusive pelos reformados. Outra vez...

 

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publicado às 18:57

E assobiar?! Pode-se ou também dá choça?

por Kruzes Kanhoto, em 28.12.15

Como já tenho idade para ter juízo – daqui a pouco até para deixar de o ter – não me parece que corra o risco de ir malhar com os costados à cadeia por causa de algum piropo inapropriado. Digamos que não é assunto que integre a minha lista de preocupações imediatas. O que me apoquenta é o caminho que estamos a percorrer. Da ditadura do politicamente correcto e da imposição do pensamento único, parece estarmos agora a acelerar o passo em direcção a uma ditadura mesmo a sério. Temo que um destes dias seja criada uma espécie de policia do comportamento. Ainda que disfarçada de entidade reguladora. É que isto as proibições não devem ficar por aqui. Ou muito me engano seguir-se à criminalização da piscadela de olho. E do clássio assobio, por que não. Ambos perigosas e ultrajantes formas de assédio, como todos sabemos. Noutro âmbito, também não tardará a penalização do peido e do arroto. Ou, quiçá, da bufa. Nem que seja com uma coima.

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publicado às 20:18

Coisas de um tempo velho. Ou novo, sei lá.

por Kruzes Kanhoto, em 27.12.15

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O país está repleto de obras faraónicas. De utilidade duvidosa, a maior parte delas. O mal não vem de agora nem, por estranho que isso possa parecer, foi exclusivo de Sócrates, Guterres ou Cavaco. É muito anterior. Nem, presumo, terá um fim à vista. Vai, de certeza, continuar enquanto por cá habitar um povo que aprecia esturrar dinheiro e admira quem o esturra em seu nome.

Visitei por estes dias um desses exemplos. O Forte da Graça, em Elvas. Uma fortaleza inexpugnável destinada a defender a linha de fronteira. Parece que nunca foi invadida. Nem, sequer atacada. Reconvertida, num longínquo dia, em presidio militar. Ambivalência que não deixa de ser irónica, diga-se. Que isto de transformar um lugar concebido para impedir que o inimigo lá entre num espaço de onde ninguém consegue sair não é para qualquer um.

Ficou a sua construção em mais de setecentos mil réis. Menos de quatro euros, na actual moeda, mas que à época custou um colossal aumento de impostos aos contribuintes da altura. A juntar aos mais de seis milhões de euros que os contribuintes portugueses e europeus, agora, gastaram na recuperação do imóvel e sua envolvente. Para completar o ramalhete, assim tipo cereja em cima do bolo”, só falta saber quanto custará o teleférico “Rondão de Almeida” a ligar a cidade ao Forte...

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publicado às 13:23

Presentes para cão

por Kruzes Kanhoto, em 26.12.15

 

Diz que este ano os artigos – itens, vá - que supostamente serão prendas natalícias para gatos e cães tiveram imensa saída. Venderam-se muito, portanto. Nada que me surpreenda por aí além. Atendendo à quantidade de “mães”, “pais” e “avós” babados que vejo a falar à atrasado mental com os bichos não é motivo para espanto. O que ainda me causa alguma admiração é ver – e são cada vez mais – esses mesmos familiares beijarem os cães no focinho ou permitirem que eles lhes lambam a cara. Presumo que eles e elas saibam que os canitos lambem os seus próprios tomates, comem merda e metem o focinho no cú dos outros cães. Mas, reitero, apenas me admiro. Não me importo. Apenas exerço o meu direito de os considerar, digamos, pouco asseados.

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publicado às 20:53

Olha o Costa preocupado com os fregueses...

por Kruzes Kanhoto, em 25.12.15

Criticar a troika por ter estado mais preocupada com as freguesias do que com a banca fará - toda a gente concordará - algum sentido. Isto dependendo, no entanto, de quem faz a critica. É que se for feita por quem chamou a dita troika e com ela assinou o acordo de todos conhecido, parece-me que é apenas mais uma conversa da treta. Demagogia, ou lá o que se costuma chamar a estas patacoadas. Mais ainda, quando finalmente conseguiu o poder que tanto ambicionava fez o mesmo que os antecessores que tanto criticou. Ou pior. Bastava-lhe ter esperado mais uns dias e o problema seria de outros e não nosso. Mas isso, sou eu a especular, era capaz de não dar jeito à corja do centrão cujos interesses todos temos de pagar.

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publicado às 12:37

Vendam a outro que não ao mesmo...

por Kruzes Kanhoto, em 24.12.15

Nem sei por que raio anda o governo a moer-nos com essa coisa dos bancos. Não se podia vender tudo ao Jorge Mendes e pronto?! Pronto, não. Nem precisava de ser a pronto. Podia ser em prestações suaves e a perder de vista. E também se fazia uma atençãozinha. Assim tipo leva três e paga um. Sempre era melhor do que pagarmos três e ficarmos sem nenhum.

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publicado às 15:25

Imposto religioso?! Cruzes! Credo!

por Kruzes Kanhoto, em 23.12.15

Parece que na Alemanha os cidadãos com rendimentos acima de determinando valor, praticantes de um culto religioso, pagam um imposto que, em parte, reverte a favor da respectiva confissão religiosa. Uma eficiente ideia alemã, esta. Especialmente naquela coisa da “parte”.

O estranho é este imposto não ser aplicado por cá. Por enquanto. Estou crente – salvo seja – que a sua aplicação em Portugal seria fácil. Tenho fé – lagarto, lagarto, lagarto – que a receita obtida era capaz de salvar um ou dois bancos. O Alimentar, o do Tempo ou outros congéneres.

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publicado às 19:17

Facturas para que vos quero...

por Kruzes Kanhoto, em 22.12.15

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Para conseguir poupar “algum” no IRS não basta pedir factura com NIF. Há que estar atento, de seguida, ao que vai sendo submetido pelos comerciantes no e-factura. Se para as “despesas gerais familiares” qualquer coisa serve, para o resto já não é bem assim. Uma das situações mais frequentes é o CAE não corresponder a uma actividade onde se pode obter beneficio fiscal. Aí o que há a fazer é seleccionar a factura e alterar a “actividade de realização da aquisição”. Ou, a verificar-se um caso como o da imagem, efectuar o reporte à Autoridade Tributária através do e-balcão. Sim, por que isto de estabelecimentos com mais ramos de negócios do que actividades registadas é o que não falta. Depois quem se lixa são os do costume.

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publicado às 22:02

O culpado?! Para não variar devo ser eu.

por Kruzes Kanhoto, em 21.12.15

E pronto lá foi mais um. O BANIF, desta vez. Mas agora vamos apurar os responsáveis por mais este pesadelo financeiro para os contribuintes. Vamos caçar os patifes. Palavra dada que, presumo, seja palavra honrada. Acho muitíssimo bem. Há que levar à justiça quem nos anda a desgraçar. Estes e os outros. Todos. Os responsáveis por três falências das finanças públicas, os que estoiraram os bancos e os que rebentaram com o tecido produtivo do país. Mesmo que quase todos continuem instalados nas cadeiras do poder ou a banquetearem-se à mesa do orçamento. Acho bem mas, pelo sim pelo não, vou esperar sentado.

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publicado às 19:51

Será que assim já vão pedir factura?

por Kruzes Kanhoto, em 19.12.15

Afinal, ao contrário do que personalidades ligadas ao PS chegaram em tempos a anunciar, o sorteio do fisco "factura da sorte" é para continuar. Embora, ao que parece, com outros prémios que não os polémicos autómoveis. Desta vez, diz, são certificados de aforro. Sempre estou para ver que argumentos, mais ou menos rebuscados, vão agora arranjar os criticos desta medida. Que, por acaso ou talvez não, eram maioritariamente apoiantes da trupe que está agora no poder. Por mim acho muitissimo bem esta alteração. Ainda que me suscite algumas reservas. É que, sabendo a simpatia que os partidos do governo manifestam pela renegociação da divida, não sei se esta ideia não será uma espécie de piada de mau gosto. Ás tantas o melhor é sortearem entradas para a festa do avante...

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publicado às 17:40

Um pandego, este Costa.

por Kruzes Kanhoto, em 18.12.15

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Logo que a hipótese da existência de um governo das esquerdas começou a ganhar forma vaticinei que iríamos viver num estado de divertimento permanente. Mas, reconheço, não esperava tanto. Hoje, por exemplo, naquela conferência onde ameaçou nacionalizar a TAP – não vejo que outro sentido se pode extrair da conversa do homem – esteve ao melhor nível de um qualquer ditadorzeco latino-americano com pinta de narco-traficante. Teve piada. E depois aquilo de um governo não poder estar dependente da vontade de particulares, também teve a sua laracha. Cuidava eu que preocupante era os particulares estarem à mercê dos humores dos governos. Mas isso sou eu, que tenho a mania de achar que sei governar a minha vida e não aprecio que o governo – este ou outro qualquer - o queira fazer por mim.

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publicado às 22:57

A oportunidade de ser generoso...

por Kruzes Kanhoto, em 17.12.15

A generosidade tuga não conhece limites. Surpreende até os mais cépticos. Grupo onde faço o que posso para me incluir. Somos solidários como o caraças. Uns altruístas quaisquer, lá para o norte, não tinham melhor alojamento para oferecer aos refugiados do que uma casa em ruínas mas, ainda assim, num gesto de assinalável desprendimento e solidariedade, mostraram-se disponíveis para ali alojar uma família necessitada de acolhimento. Um gesto bonito, sem dúvida. Até porque quem dá o que tem a mais não é obrigado. Tocou-me profundamente tanta solidariedade. Tanto que também estou disponível para ceder um edifício, com jardim, para acolher uma família de refugiados. Precisa é de pequenas obras. Coisa pouca. Assim tipo, portas, janelas e telhado novo. Como a outra que os misericordiosos transmontanos disponibilizaram. Espero é que haja quem pague. Como os outros.

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publicado às 22:01

Ajudar os bancos agora já é uma coisa boa...

por Kruzes Kanhoto, em 16.12.15

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Deve ser impressão minha. Andarei distraído, na certa. Mas, assim que me lembre, ainda não ouvi dos se indignam com os custos das intervenções públicas no BPN e no BES para os contribuintes, o mais pequeno reparo às declarações de António Costa acerca do BANIF. O homem, só para recordar aos menos atentos, garantiu a integral protecção de todos os depósitos dos clientes daquele banco. Todos. Mesmo aqueles que ultrapassam os cem mil euros. Garantidos à custa dos contribuintes, como é óbvio. A somar, seja lá quanto for o montante, aos muitos milhões que já lá foram injectados e que iremos igualmente pagar.

O curioso é que desta vez parece que ninguém está contra. Nem o PCP, o BE, a imensa chusma de comentadores encartados ou os sábios de pacotilha que percebem de tudo e têm a solução para todos os males. Está tudo caladinho. Devem estar a reunir argumentos para nos convencerem que se trata de uma coisa completamente diferente das anteriores falências. Por mim tudo bem. Podem continuar em silêncio. Ou a justificarem as manigâncias do ilusionista que chegou a primeiro ministro pela porta do cavalo. Continuarei a achá-los parvos na mesma.

Como está tudo garantido pelo Costa – palavra dada é palavra honrada – tomei finalmente uma decisão. Vou mesmo deixar de beber café. Com o dinheiro poupado compro o Banif. Uma semana de privação da cafeína deve chegar.

 

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publicado às 20:07

O nó

por Kruzes Kanhoto, em 15.12.15

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Tive, há muitos anos, uma colega que topava à distância aquilo a que chamava o “arrastar da asa”. Ou, desconfiava eu, era a sua prodigiosa imaginação a pregar-lhe partidas. Seja como for se a coisa demorasse muito tempo a concretizar-se, ou não se concretizasse de todo, a culpa era invariavelmente do “nó”. Algo que definia como a incapacidade do cavalheiro verbalizar perante a alegada pretendida tudo o que sentia pela dita. Uma espécie de nó, explicava, que apertaria a goela do fulano, comprometendo irremediavelmente ao fracasso o desfecho do “arranjinho”.

Quem fez estes gatafunhos manhosos deve padecer do mesmo mal. Se a declaração se limitou a isto, é bem feito que ela – ele, ou outra coisa qualquer, que eu não sou de discriminar ninguém – procure outro. Ou outra. Ou seja o que for. Mas deste o melhor é só querer distância. Que é para não ser parvo.

 

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publicado às 20:06

Só para memória futura

por Kruzes Kanhoto, em 14.12.15

Vai uma aposta em como para o ano já não vai existir essa coisa do ranking das escolas? E nem será tanto pelo facto de, invariavelmente, as escolas privadas açambarcarem as primeiras dezenas de lugares. Isso é pouco relevante por todas as razões que se conhecem. O problema será outro. Mesmo que em causa estivessem apenas as escolas públicas, uma classificação desta natureza causaria sempre incómodos. Nomeadamente aos que acham que somos todos iguais e que, quando não somos, o fracasso dos menos capazes é sempre dos outros, da sociedade, da chuva ou da falta dela, do grande – o pequeno escapa-se, o que me parece uma discriminação em função do tamanho - capital, dos EUA e da Merkel. Ah, espera. Da Merkel não, que ela agora já é boazinha.

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publicado às 18:36

A caixa prioritária

por Kruzes Kanhoto, em 13.12.15

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Quando tirei a carta de condução ensinaram-me que a regra da prioridade era isso mesmo, uma regra. Nunca devia ser confundida com um direito absoluto. Ou, aplicada aos tempos actuais, como um direito adquirido.

O mesmo, achava eu, seria aplicável noutras circunstâncias que não o trânsito automóvel. Como naquelas caixas prioritárias dos supermercados, por exemplo. Mas não. Ao que tenho visto, enquanto observador atento destes fenómenos, ali a prioridade é um direito inalienável exercido à custa de empurrões e sem uma palavra – nem sequer um simples “destó” - aos restantes consumidores da fila. Uma ultrapassagem forçada e está o caso arrumado.

Não contesto a priorização de grávidas, portadoras de crianças de colo ou de pessoas com maleitas diversas. Era o que mais faltava. A hierarquização da prioridade é que se me afigura demasiado complexa para deixar ao simples bom-senso da populaça. Deve a grávida de seis meses, apesar de saudável, passar à frente da de dois meses com uma gravidez de risco? A mamã com um rebento de três semanas dentro daquela coisa de transportar bebés deve ser preterida em detrimento de outra com um pirralho de cinco anos ao colo? E o gajo, que até podia ser eu, com uma unha encravada a tentar equilibrar-se apenas numa perna deve aguardar que toda esta malta seja atendida? Questões inquietantes, de facto. E que de vez em quando, tal como acontece no trânsito, dão em “desinquieta”.

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publicado às 09:00

Parem lá de me defender, se fazem favor...

por Kruzes Kanhoto, em 12.12.15

Se há coisa que me aborrece no Partido Comunista – e até há muitas – é aquela conversa parva, repetitiva e desconchavada de se auto-proclamarem defensores dos interesses dos trabalhadores e do povo. Começam logo por fazerem uma distinção, cujo sentido me escapa, entre trabalhadores e povo. Será que, para a camaradagem, o povo não trabalha? Ou os que trabalham não integram o povo? Povo é só quem está desempregado ou reformado? Admito que a resposta às minhas dúvidas seja óbvia mas, o que é que querem, não estou a captar a ideia. Ou então há uma gritante ausência de rigor terminológico no discurso comunista.

Depois, sendo eu trabalhador ou eventualmente povo, não me lembro de ter pedido a ninguém para me defender fosse no que fosse. E se tivesse pedido não seria, de certo, ao PCP. Parece-me, portanto, abusivo que o camarada Jerónimo e os seus sequazes me atormentem com a insistência de defender os meus interesses. Fazem lembrar as testemunhas de Jeová. Ou os vendedores de cartões de crédito. No fundo, no fundo, andam todos ao mesmo.

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publicado às 09:01

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Existe um estranho consenso acerca da culpa da taxa máxima do IVA na alegada crise do sector da restauração. Posso, admito, estar enganado mas não concordo mesmo nada. A proliferação de estabelecimentos do ramo é capaz de ser mais culpada. E, depois, há aquela coisa dos preços. Ainda que à beira-mar, cobrar um euro e vinte por um simples café quando à volta todos os outros vendem a pouco mais de metade não deve dar grande vida ao negócio. Como, de resto, anunciava a esplanada praticamente vazia onde um dos raros clientes garantia, para quem o queria ouvir, estar morto. Tal como todos nós, acrescentava. Só que, concluía, ainda não sabíamos. Nada o demovia da sua convicção. Por mais que o parceiro o tentasse convencer do contrário. Aquilo era o álcool da noite anterior a falar. Ou então – ao contrário de mim que não olhei para o precário antes – já sabia o preço. A boa noticia é que se lá voltar daqui por uns meses cada café vai custar “apenas” um euro e dez...

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publicado às 08:59

Arte?! Talvez, mas mázinha.

por Kruzes Kanhoto, em 10.12.15

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Não acredito que alguém, em seu perfeito juízo, admita a hipótese do funcionário da CP que impediu a vandalização de um comboio possa ser acusado da morte dos jovens grafiteiros. Pelo contrário. A acção merece um louvor da sua entidade patronal e o reconhecimento da sociedade pelo seu empenho na defesa da segurança e bem-estar dos utentes. De todos. Dos que estavam naquela altura na composição e dos outros que são obrigados a viajar em carruagens vandalizadas por artistas auto-proclamados.

A morte, seja de quem for é sempre de lamentar. Ainda que nuns casos mais que outros. Há, no entanto, actividades que envolvem risco. Entre elas a delinquência. Que, recorde-se, neste caso nem era motivada por qualquer intuito de satisfazer necessidades básicas ou essenciais à subsistência dos intervenientes. Entenderam, livre e espontaneamente, colocar a vida em risco em troca de algo inútil. Tiveram azar. Acontece.

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publicado às 19:27

Algum problema, palhaços?!

por Kruzes Kanhoto, em 10.12.15

Não estou a ver qual é o problema das nossas elites bem pensantes relativamente aos resultados eleitorais em França, que colocaram a extrema-direita lá do sitio como o partido mais votado. Então aquilo de não se poder excluir nenhum partido do arco da governação agora já não vale? Mas os votos, lá como cá, não valem todos o mesmo? Noto aqui uma estranha dualidade de critérios. E por mais argumentos bacocos que a insanidade mental de uns quantos consigam encontrar, não me convencem. A extrema-direita tem tanto direito a governar – lá, cá ou pelo caminho – como a extrema esquerda. Assim o povo queira. E em França, nomeadamente aqueles que sofrem na pele as maravilhas do multi-culturalismo, querem. Vide, por exemplo, os resultados da Frente Nacional na região de Calais… É que isto defender o ladrão que rouba a casa do vizinho é muito bonito. Já quando é a nossa que está a ser roubada...

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publicado às 09:00

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Se há comentários que merecem ser apagados este não é, seguramente, um deles. Merece reflexão. Mesmo que acerca dele não haja muito para acrescentar. Esta criatura parece demonstrar uma visceral aversão pelos outros seres humanos. Causam-lhe nojo, pelos vistos. Se os pais pensassem assim o mais certo era não estar cá para escrever estes disparates. O que, diga-se, tornaria o mundo um lugar melhor. Seja como fôr, dentro de alguns anos provavelmente alguém vai ter de lhe voltar a limpar o vómito, a baba e o cocó. Coisa que, caso desse uso ao cérebro, já devia ter percebido.

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publicado às 13:13

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O post anterior esteve em destaque no Sapo - obrigado equipa dos blogs do Sapo - o que atraiu um inusitado número de visitantes e originou uma quantidade de comentários absolutamente fora do normal. Insultuosos na sua maioria, discordantes quase todos e impublicáveis uma dúzia deles. Nada disso me surpreende. Nem, sequer, me aborrece. Pelo contrário. Diverte-me.

O conteúdo do post parece ter irritado muita gente. Ainda bem. Era essa a ideia. Seguir-se-ão outros sobre as pessoinhas que empatam as filas nas caixas dos supermercados. Ou que conduzem a dez à hora. Ou que não apanham os cocós dos cães. Só porque quero. E também porque posso.

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publicado às 22:03

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Se há coisa que me aborrece é ficar largos minutos à espera que uma criatura qualquer pague as contas, suas e de todos os familiares, no multibanco. Mais desesperante ainda se, após cada pagamento, fizer uma consulta ao saldo da conta. Tudo assuntos que podem, com muito mais segurança e tranquilidade, ser feitos em casa. Mas não. Vá lá saber-se porquê há ainda quem prefira fazê-las na rua. Uns corajosos, é o que é. Não só revelam um destemor enorme face à bandidagem, como não se importam de enfrentar os olhares de desprezo dos que têm de aguentar pela conclusão das suas transações. É por estas e por outras – mas especialmente por estas, reconheço – que me agrada a ideia de lançar um imposto sobre este tipo de operações. O que até se pode concretizar em breve se essa for a vontade do PCP.

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publicado às 10:22

Governo fantoche e deputados “faztudos”

por Kruzes Kanhoto, em 05.12.15

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Contrariando aquelas teses populistas que asseguram ser os deputados pessoas pouco dadas ao trabalho, temos agora, que me lembre pela primeira vez vez, um parlamento disposto a trabalhar. Até demais, a julgar pela amostra dos primeiros dias. Trabalham por eles e pelo governo. Preparam-se para legislar acerca de tudo e de todos. Como se não houvesse amanhã. Está tudo previsto. Desde os temas fracturantes às nacionalizações. Do fim dos exames à proibição das praxes. Deverá seguir-se, quiçá, a criminalização do piropo. Ou, com a obsessão que este gente tem com as bichas, a fixação administrativa de preços dos bens de consumo.

Bem visto bem visto nem precisávamos de governo. A Assembleia da Republica faz-tudo. E é isso, mais ainda que as maluquices do ilegítimo, que me faz temer o futuro. Daqueles “faztudos” qualquer coisa se pode esperar.

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publicado às 10:06

O primeiro que acenda a luz... (actualizado)

por Kruzes Kanhoto, em 04.12.15

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Assim que as trevas da noite caem sobre a terra, diz que ali para os lados do resort cá do sitio fica um breu do caraças. Nem uma luzinha se acende. Parece que a EDP se fartou de fornecer energia gratuitamente às centenas de habitantes e tratou de resolver o problema. Electrodomésticos de toda a espécie serão, enquanto a normalidade não for reposta, monos sem utilidade. Uma chatice. Ou não, nunca se sabe. O pagode que por lá vive, estranhamente, não está a ser particularmente efusivo na reacção ao acontecido. Às tantas até andam satisfeitinhos – e satisfeitinhas - da vida. Daqui por uns mesitos ficamos a saber...

 

Actualização - Diz que o assunto estará resolvido e a luz regressado ao resort. Parece que agora irão "abastecer-se" de energia noutro poste um pouco mais distante. Tudo isto alegadamente, como é óbvio.

 

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publicado às 19:15

Bombas boas e bombas más

por Kruzes Kanhoto, em 03.12.15


Os russos andam há semanas a bombardear a Síria. Não se sabe ao certo para quê, pois ao que garantiram fontes altamente credíveis - sites comunistas da América-latina amplamente citados por cá – no fim de três ou quatro dias já tinham aniquilado mais de noventa por cento do Daesh. Mas, independentemente do tempo que estão a demorar a rebentar com os restantes dez por cento, o que impressiona é a invulgar pontaria da aviação russa. Nem uma criança esventrada, uma velhinha desgrenhada a lamentar o rebentamento da casa ou um habitante indignado pela criminosa violência e a clamar vingança pelos actos criminosos de uma potência imperialista. Nada. Nicles. As bombas estão a acertar em cheio nos alvos e isso dos danos colaterais é coisa que nem sequer existe. Para desespero das TV's e dos próprios terroristas, presumo.

Já a hipótese de alguns países ocidentais se juntarem aos bombardeamentos está a provocar a ira de alegados pacifistas. Acreditam estes idiotas inúteis que estas acções irão provocar uma mortandade geral. Manifestam, vá lá saber-se porquê, uma evidente falta de confiança na pontaria dos pilotos franceses, ingleses e americanos. De qualquer forma, podem sempre colocar em prática aquela tese fantástica das flores que derrotam armas, que ouvimos tão propalada quando dos atentados de Paris. Mandem muitas flores para a Síria e o Iraque. Depois digam se resultou.


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publicado às 08:59

Indignação de barriga cheia

por Kruzes Kanhoto, em 02.12.15

Percebo a indignação dos reformados relativamente à anterior governação. Foram chamados, pela primeira vez, a partilhar as dificuldades de um Estado falido e isso, por mais que se tente justificar, dificilmente é compreendido por quem é vitima daquilo que considera ser uma injustiça. Compreendo-os, reitero. Até porque fui, de longe, muitíssimo mais prejudicado do que eles. Logo a começar, ainda no tempo do outro governo socialista, pelo fim do abono de família para quem auferia, salvo erro, mais de oitocentos euros. Isto enquanto deixava intactas todas as reformas. E sublinho todas. Nessa altura não me recordo de ninguém, desde a Isabel Moreira à outra senhora anafada da associação de reformados, achar que estávamos perante uma inqualificável injustiça. Nem, sequer, me lembro de ter ouvido falar nessa coisa da solidariedade intergeracional. Ou lá o que chamam àquilo de cortar os direitos aos novos para manter os dos velhos.

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publicado às 08:53

Organizem-se!

por Kruzes Kanhoto, em 01.12.15

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As famílias portugueses têm cada vez menos filhos. O que, presumo, no conceito de uns quantos iluminados deve constituir uma espécie de evolução social, de melhoria da qualidade de vida ou outra parvoíce qualquer que os alarves bem pensantes e fazedores de opinião em geral gostam de papaguear.

Os portugueses estão, também, cada vez mais tolerantes. Excepto na politica e no futebol. Quando ao resto aceitam tudo. Agora até parece que inventaram uma idiotice qualquer de “especismo” ou lá o que é. Diz que é assim uma coisa tipo discriminação mas aplicada quando não se dão à bicheza os mesmos direitos que gozam as pessoas. Deve ser por isso – consta - que aquilo do tudo ao molho será cada vez mais frequente. Modernices.

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publicado às 08:36



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