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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

A propósito de coisas do terceiro mundo

por Kruzes Kanhoto, em 14.10.12


Há quem não goste de vero Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz, cheio de automóveis. Diz que lhe dá umar terceiro mundista, próprio de países com um acentuado deficit de desenvolvimentosocial e intelectual dos seus habitantes. Coisa de gente atrasada, portanto.Por mim não sei nada disso. Nem é assunto que integre a minha lista depreocupações mais imediatas. Ou longínquas, sequer.  Agora, de verdade, o que não gosto mesmo nada éde forasteiros que vêm para cá lavar roupa suja. Ou pior. Estendê-la.
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A propósito de coisas do terceiro mundo

por Kruzes Kanhoto, em 14.10.12
A propósito de coisas do terceiro mundo
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Mania das grandezas

por Kruzes Kanhoto, em 12.10.12


Gosto de Clios. Tanto quejá vou no terceiro. Um de cada vez, claro. Dou mesmo por mim a pensar que, omais provável, é já nem saber conduzir outro modelo ou um automóvel de outramarca. Desgosta-me por isso que os representantes do povo – os que merepresentam, portanto – apouquem o carro no qual me desloco e o dêem comoexemplo de viatura pouco digna. Aborrece-me, causa-me até um nível dedesconforto bastante significativo, que o meio de transporte do representadoseja considerado demasiado reles para o seu representante. Principalmentequando é o primeiro a suportar o pretenso bom gosto - luxo - do segundo.
A aversão demonstradarelativamente ao utilitário da Renault e a preferência pelos potentes topos degama é ainda mais estranha por vir de quem vem. Alguém que esteve no governo anterior, não secansou de o apoiar e ainda hoje lhe consegue descortinar virtudes. Chefiado, recorde-se, por um indivíduo quese deslocava com frequência num pequeno carro eléctrico.
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Mania das grandezas

por Kruzes Kanhoto, em 12.10.12
Mania das grandezas
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As nozes da crise

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.12


Num momento de rarasagacidade e de inusitada perspicácia – pronto, foi apenas sorte – antecipei-meaos ciganos de todas as espécies e, pela primeira vez em muitos anos, fiz umarazoável colheita da produção das nogueiras da propriedade. E isto em apenascinquenta por cento das árvores. Ou seja, duas.
No próximo fim-de-semana,se a rapaziada do costume não me poupar o trabalho, deverá ser recolhida quantidadeidêntica do restante arvoredo. Nozes, portanto, são coisa de que não vai havercrise cá por casa. E dedos completamente pretos também não.
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As nozes da crise

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.12
As nozes da crise
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E nas banhas, quando é que se corta?

por Kruzes Kanhoto, em 09.10.12


Diz que o governo seprepara para produzir legislação que permita colocar no olho da rua metade dostrabalhadores contratados a prazo da função pública. Será, parece, uma das tãoansiadas medidas de corte na despesa. As tais gorduras onde quase todos achamque a naifa governativa deve ser particularmente incisiva.
Nem vou gastar as pontasdos dedos a discorrer acerca desta intenção. Obviamente que, de excepção emexcepção, mais cedo que tarde se concluirá que apenas uma ínfima parte – ou aindamenos do que isso - das quarenta ou cinquenta mil pessoas nestas circunstânciairão ver quebrado o seu vinculo contratual com o Estado. Autarquias incluídas. Deresto só um tolo acreditará que em ano eleitoral alguém se vai atrever a fazerum despedimento desta envergadura.
Nesta anunciada medida oque também parece pouco sério é que não é feita qualquer referência, por maispequena, a uma eventual redução do número de assessores e membros dos gabinetesdos órgãos políticos. Deve, quero acreditar, tratar-se de um lamentávelesquecimento. Ou então fui eu que percebi mal.
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E nas banhas, quando é que se corta?

por Kruzes Kanhoto, em 09.10.12
E nas banhas, quando é que se corta?
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Presos às dividas

por Kruzes Kanhoto, em 08.10.12


Lamentava-se, aqui há atrasado,um dirigente de uma associação representativa dos profissionais das forças desegurança da situação, dramática segundo ele, que estaria a ser vivida poralguns dos seus associados e que, alegadamente, colocaria em causa o seu bomdesempenho profissional. Dita assim a coisa podia, de facto, ser preocupante. Temosde concordar que, na maioria das circunstâncias, quando as forças policiais intervêm,o caso, já de si, será um drama. Se a isso acrescer uma história dramática queinfluencie o comportamento do agente, então, o caldo pode mesmo entornar-se.
Mas não. O assunto tãodramatizado pelo tal dirigente não merece especial relevância. Trata-se afinalda dificuldade que alguns polícias e militares da GNR estarão a sentir para pagaras prestações dos créditos que contraíram. Em certos casos, acrescentava ocavalheiro, noventa por cento do vencimento estaria já comprometido e que orestante não dava, sequer, para assegurar as despesas de alimentação.
É verdade que ser autuadopor um agente esfomeado não é das coisas que mais me tranquiliza. Não me pareceé que o assunto assuma o dramatismo que se lhe pretende colocar em cima. As forçasde segurança são, esmagadoramente, compostas por gente competente e que sabeseparar de forma conveniente o trabalho dos assuntos particulares. Não irão porisso ter agora um comportamento diferente de quando, com dinheiro emprestado, iamde férias para destinos exóticos, compravam todo o tipo de novidade tecnológica,trocavam de carro todos os anos ou compraram uma casa toda artilhada e com odobro do tamanho do que necessitavam para albergar o agregado familiar.
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Presos às dividas

por Kruzes Kanhoto, em 08.10.12
Presos às dividas
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E que tal um imposto para financiar a limpeza do que os vossos parentes sujam?

por Kruzes Kanhoto, em 07.10.12


Parte significativa do país estálouca. Doida varrida, mesmo. Andamos de mão estendida a pedir dinheiroemprestado para manter isto a funcionar, corremos o sério risco de um destesdias não haver dinheiro para pagar pensões e vencimentos à função pública, apossibilidade de tudo, mas mesmo tudo, paralisar por não existirem recursospara manter a máquina do Estado a funcionar é uma ameaça real mas, ainda assim,continuamos em festa e a exigir coisas cada vez mais parvas.
Nem vou, por agora, referir-me àsinúmeras festinhas - patrocinadas pelos dinheiros públicos que não existem - quetodos os dias se vão realizando de norte a sul e onde se vão esturrando oseuros que não há, numa constante e criminosa delapidação do erário público.Centro-me, hoje, numa antiga reivindicação de alguns alienados que desde hámuito exigem para os bichos o mesmo tratamento que os humanos em matériafiscal. Querem estes loucos que a comida para animais tenha uma taxa de IVAreduzida, em lugar da actual taxa máxima, e que as despesas de saúde “com oselementos não humanos da família” – possivelmente algum terá um primo gato ouum cão como irmão – sejam passíveis de dedução no IRS dos donos. Dos parentesde duas patas, portanto.
O mais extraordinário é que estagente não se coíbe de, publicamente, reivindicar este tipo de benesses como sefosse a coisa mais normal deste mundo. Numa altura em que estamos sujeitos amais um “enorme aumento de impostos” é preciso descaramento para soltaridiotices deste quilate. Parece que ainda não perceberam – tal como os desvairadosdas festarolas – que não há dinheiro para maluquices. Vão-se tratar, pá. Porquepara isso, embora pouco, ainda vai havendo.
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E que tal um imposto para financiar a limpeza do que os vossos parentes sujam?

por Kruzes Kanhoto, em 07.10.12
E que tal um imposto para financiar a limpeza do que os vossos parentes sujam?
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O passado que fique lá atrás...

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.12


Tenho a sensação, de hátempos a esta parte, que no tradicional mercado das hortaliças, frutas elegumes – e de outras coisas – dos sábados de manhã, em Estremoz, haverá cadavez mais gente a vender e a comprar. Pode ser da crise, dos preços mais emconta relativamente às grandes superfícies ou apenas da minha vista, mas,semana após semana fico com a impressão de que há sempre mais um vendedor atentar o seu negócio. Isto após muitos anos em notório declínio, em que era visívela diminuição de vendedores e de compradores e em que o lugar abandonado,normalmente por morte ou velhice do seu detentor, ficava vazio por muito tempo.
O futuro dirá se a minhapercepção corresponde ou não à realidade. Por mais estranho que possa parecerespero que não. Desejo mesmo estar redondamente enganado. Seria um sinal deretrocesso civilizacional e que parte da população do concelho teria de voltara viver – ou sobreviver – da terra, como nos tempos da miséria e da pobreza deque alguns se mostram saudosos. Bonito seria apenas para os turistas e paraaqueles que, de barriga cheia e bem instalados na vida, acham importantepreservar aquilo que chamam “tradição”. Principalmente quando a podem olhar doalto sem necessidade de a viver.
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O passado que fique lá atrás...

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.12
O passado que fique lá atrás...
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Não escrevi...mas podia ter escrito.

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.12


Não é hábito publicar posts que não tenhamsido escritos por mim. Abro hoje uma excepção para este texto que me foienviado por correio electrónico e que terá sido, segundo o remetente do e-mail,publicado originalmente na revista “Sábado”. É daquelas prosas tão jeitosas que atépodia ter sido eu a escrever…



                 O estranho mundo dos autarcas  
 
Nosúltimos dois anos, por causa da crise, muita coisa mudou em Portugal, mas houveuma que se manteve: o País continua, como sempre, a poder contar com osautarcas para introduzirem uma dose substancial de insanidade política emqualquer debate público em que se envolvam.

Este fim-de-semana, durante o congresso da Associação Nacional de Municípios,ficou mais uma vez provado que os presidentes de câmara estão perto daspopulações mas longe do planeta Terra. Primeiro, decidiram exigir ao Governo arevogação da Lei dos Compromissos - trata-se de uma legislação que (imagine-seo desplante) impede as autarquias de "assumirem compromissos que excedamos fundos disponíveis". Ou seja, impede-as de acumularem dívidas que terãode ser pagas pelos contribuintes.

Depois, para contrabalançar esta posição crítica, decidiram fazer algumaspropostas construtivas: criar "uma nova instância política de âmbitometropolitano eleita por sufrágio directo e universal" (faltou dizer quantocusta); incentivar o "fortalecimento e dinamização das ComunidadesIntermunicipais" (sim, também faltou dizer quanto custa); e lançar umaComissão Nacional da Administração Local (pois, faltou dizer quanto custa).

Os autarcas portugueses não têm a mais pequena dúvida de que estão certos e deque todos os outros estão errados: as propostas da troika são "um embuste,fruto da ignorância atrevida", o Governo é um mero "cúmplice"das "instituições internacionais" e todos aqueles que querem diminuiro número de freguesias são "realmente loucos" e estão "contra avontade do povo".

Se a isto tudo juntarmos o facto de o congresso ter acabado com o abandono departe dos autarcas e com uma votação feita debaixo de assobios e insultos,ficamos a perceber melhor como seria o País governado por presidentes de câmaracom ainda mais poderes e ainda mais dinheiro para gastar - seria animado, masperigoso. 
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Não escrevi...mas podia ter escrito.

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.12
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Saiam da frente!

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.12


De há umassemanas para cá resolvi praticar alguma actividade física para além daquelamais básica, tipo ir a pé para o trabalho ou uns trabalhitos no quintal e na propriedade.Atendendo à minha forma deplorável, dar uma volta de bicicleta - de vez emquando, que isto não convém abusar e não tenho vontade de me cansar muito - pareceu-meo mais apropriado.
Ir pedalar para oespaço reservado a ciclistas existente na nova avenida foi, assim de repente edadas as características do percurso, a opção que se me afigurou mais razoável.Nada de mais errado. Ao longo da avenida circulam largas dezenas de pessoas quese dedicam às caminhadas de final da tarde - parte deles acompanhados pelosseus cães – e apesar da apreciável largura dos passeios a esmagadora maioriainsiste em caminhar pela pista destinada às bicicletas. Donde muitos, mesmo naiminência de colisão com o veiculo de duas rodas, não saem nem por nadacolocando em perigo a sua integridade física – o que não me preocupa por aíalém – e especialmente de quem vai, de bicicleta, no sitio certo.
A zona reservadaaos ciclistas está assinalada de forma adequada e o uso a que se destina nãodeixa qualquer espécie de dúvida ao mais burro caminhante. Daí não ser de fácilcompreensão a estúpida tendência que esta gente manifesta para caminhar porali. O melhor, se calhar, é ir pedalar para outro lado. Para, se o descobrir,um percurso reservado a peões, talvez. Ou então arranjar uma buzina.
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Saiam da frente!

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.12
Saiam da frente!
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O último que pague a conta

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.12


Estaremos ao quetudo indica a poucas horas de conhecer mais um pacote de medidas de austeridadeque, como é expectável, provocarão a ira de um número significativo deportugueses. Com toda a razão, muito provavelmente. Embora, como não me tenhocansado de escrever, o aborrecimento esteja a chegar tarde e a más horas. Que écomo quem diz já não há grande coisa para fazer além de pagar a conta.
É por isso que,antecipando-me ao Vítor Gaspar ou aos jornalistas bisbilhoteiros que descubramo que aí vem antes do anúncio do ministro, deixo aos meus leitores dois motivospara se indignarem. Dois pequenos exemplos que demonstram o desvario em quecontinuamos a viver, a forma irresponsável como o nosso dinheiro é desbaratadoe que deviam merecer, ainda mais no momento que atravessamos, a profundacensura daqueles que não se cansam de barafustar que lhes estão a ir ao bolso.Para pagar estas coisas, sublinhe-se.
Numa vila aquiperto foi recentemente inaugurado um novo campo de futebol com relvadosintético. Terá custado, diz, dois milhões de euros. Poderá não parecer muitoe, admite-se à partida, ser um equipamento de relevante interesse para a população.Talvez. O pior é que a terra em causa, para além das conhecidas dificuldades financeirasdo município local, não chega a ter dois mil habitantes. Dos quais, ou muito meengano, mais de metade não será sequer capaz de se locomover sem qualquer tipode restrições de ordem física.
Noutra vila,igualmente perto, foi anunciada a construção de um centro escolar. Obra parauns oito milhões, mais coisa menos coisa. No concelho em causa residem apenascinco mil almas, o que significa uma população escolar diminuta.  Seiscentos e sessenta e um alunos, desde o pré-escolaraté ao nono ano, segundo dados oficiais. É, portanto fazer a conta.
Não consta que alguémse queixe destas opções. Estarão, ao que parece, todos satisfeitos com estederramar de dinheiros públicos. Que, recorde-se, um destes dias alguém, inclusiveos profissionais das manifestações, terá de pagar. Talvez quando, por essas paragens,já não viva ninguém que possa usar estas infra-estruturas. Porque, entre outrasrazões, não houve inteligência para aplicar os milhões em investimento capaz decriar postos de trabalho que fixassem a população que ainda resta. 
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O último que pague a conta

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.12
O último que pague a conta
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