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Ainda vou ter de replantar as couves...

por Kruzes Kanhoto, em 30.10.12


Da discussão do orçamentodo Estado, que hoje começou na Assembleia da República, apenas acompanhei apenasa intervenção da ministra Cristas. Aquela do ministério do mar, da agriculturae de mais outras coisas igualmente relevantes. Talvez por, no entretanto, estarempenhado em devorar o lanche – a fomeca é lixada - não me recordo de nada doque a criatura disse. O que não se afigura preocupante porque a senhora,presumo, nada deve ter dito de importante.
O que me deixoupreocupado foram as intervenções seguintes. Nomeadamente de um deputado que lamentavao facto de Portugal ir perder não sei quantos milhões de euros em financiamentoscomunitários para a agricultura. Mais um que ainda percebeu que fundoscomunitários são despesa e que obrigam a derreter o dinheiro que não há. Que umqualquer borra-botas – como eu, por exemplo – pense assim ainda vá, agora umdeputado, que em princípio será um gajo inteligente, não perceber isso é que jáme parece esquisito…
Pelo contrário, o oradorseguinte – do bloco de esquerda, pareceu-me – mereceu o meu mais veemente e entusiásticoaplauso. Criticava o senhor a falta de dotação orçamental para o combate àspragas que afectam a agricultura. Tem toda a razão. As minhas couves são oexemplo vivo das consequências desastrosas que o desinvestimento nesta área podetrazer à economia. Estão a ser comidas a um ritmo alucinante por mais uma das múltiplaspragas que fazem do meu quintal o seu habitat natural. O que, é bom de ver,prejudica claramente a economia cá de casa. Não pode ser. Cortem onde quiseremmenos na luta contra os devoradores de vegetais. Era o que mais faltava termos em2013 um “monstro” amiguinho das lagartas!
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publicado às 20:07

Ainda vou ter de replantar as couves...

por Kruzes Kanhoto, em 30.10.12
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"No decide". Mas paga...

por Kruzes Kanhoto, em 28.10.12


Não constitui novidade – apenas o será para quem anda distraído – que ostratamentos efectuados no serviço nacional de saúde em consequência deagressões ou acidentes não são comparticipados. Por norma a vítima paga e, comalguma sorte, um dia mais tarde será ressarcida da despesa. Isto se a justiçafizer o seu trabalho e as seguradoras não conseguirem esquivar-se.
O irónico da coisa, para além da dupla penalização do agredido, é que enquantopara estes casos o SNS não assume a despesa com os serviços prestados, já emrelação ao aborto a prática é completamente diferente. Tudo à borla com atendimentoprioritário. Ou seja: o gajo que levou umas naifadas de um desconhecido aovirar da esquina o melhor que tem a fazer é dizer que caiu em cima de uma facaquando estava a preparar o almoço. Isto se não quiser gastar uma pequena fortunano hospital. Já a gaja que se esqueceu das pílulas – oferecidas pelo Estado,diga-se – não precisa de arranjar desculpas para que lhe façam o “desmancho”gratuitamente. Parece-me justo! E parvo, também.
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publicado às 16:32

"No decide". Mas paga...

por Kruzes Kanhoto, em 28.10.12
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Tão a morder o esquema?

por Kruzes Kanhoto, em 27.10.12


Em nome da contenção orçamental o governo decidiu suspender o programa “chequedentista”. Mas só para crianças. Os velhotes, entre outros, vão continuar abeneficiar do apoio estatal para tratar dos dentes. Faz todo o sentido. Osmiúdos, um destes dias vão-se embora, logo não faz grande sentido gastardinheiro prevenir cáries futuras. Quando as tiverem já cá não estão. Quanto aosvelhos, a maioria nem dentes tem. E, que se saiba, o “cheque dentista” nãoserve para consertar próteses…
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publicado às 21:49

Tão a morder o esquema?

por Kruzes Kanhoto, em 27.10.12
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Cem mil?! Duzentos mil! Ou mais..

por Kruzes Kanhoto, em 25.10.12


Há quem defenda a necessidade imperiosa de despedir cem mil funcionáriospúblicos como única maneira de equilibrar as contas do país. Outros cortes,teorizam, pouco ou nada adiantam. Talvez tenham razão. Mas, à cautela, por mimdespedia duzentos mil. Só para ter a certeza que a medida resultava mesmo.
Não faço a mínima ideia quantos sejam, mas assessores, especialistas eoutros serviçais que pululam por todos os níveis da administração públicaseriam – só para dar o exemplo – os primeiros a receber guia de marcha. Dada airrelevância da poupança seguir-se-iam os consultores, os gajos dos projectos,dos outsourcing´s e “empresas” cujo único cliente é o Estado. Coisa paraenvolver, assim por alto, mais umas dezenas de milhar de “funcionários”. Como,muito provavelmente, os ganhos ainda não seriam os pretendidos podia continuar comas construtoras que sobrevivem à conta das obras inúteis. Lá teriam de regressaraos seus países de origem mais uns quantos “funcionários”. É a vida.
Ainda assim não teria obtido os milhões necessários nem atingido oobjectivo de pôr no desemprego duzentas mil almas. Haveria, portanto, de cortarmais. As próximas vítimas seriam os artistas “funcionários” que vão percorrendoo país a fazer espectáculos pagos com dinheiro público. Com toda a estruturaque mantém esta festa nacional a funcionar deve ser possível poupar mais umasdezenas de milhar de empregos suportados pelo Estado. Temos pena.
Por fim a educação. A vaca sagrada onde todos têm medo de tocar.Terminavam de imediato as chamadas “actividades extra-curriculares”. Por seremisso mesmo. Extra. Trata-se de uma invenção com meia-dúzia de anos, que custapara cima de um dinheirão aos portugueses e pouco mais servem do que para ospapás terem os meninos entretidos. Importante é manter a parte curricular. Deresto se não há dinheiro não há luxos.
Se ainda assim não chegasse – e não chegava, de certeza – podiam sempremandar para casa aqueles funcionários que os políticos contratam para ajudar osdois trabalhadores, já existentes na entidade, que fazem o serviço que podiaser feito por um.
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publicado às 19:17

Cem mil?! Duzentos mil! Ou mais..

por Kruzes Kanhoto, em 25.10.12
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Nacional hipocrisia

por Kruzes Kanhoto, em 23.10.12


Segundo um estudo de opinião divulgado um dia destes, mais de oitenta porcento dos portugueses preferem que o orçamento do próximo ano promova cortes nadespesa do Estado em alternativa a um novo aumento de impostos. Passou-medespercebido o local e o público-alvo do inquérito. Deve ser do tamanhodiminuto – cada vez mais pequeno para a minha vista – da ficha técnica quenormalmente acompanha estas coisas. Mas o seu resultado, assim de repente,parece-me em absoluta contradição com a realidade. A menos que a sondagem tenhasido efectuada numa reunião daqueles economistas que vão aos canais televisivosarrotar postas de pescada. E cagar estacas, também.
Os portugueses podem até estar de acordo com toda a espécie de cortesorçamentais. Basta ser cumprida uma condição. E se duas melhor ainda. Que nãoos afecte e, de preferência, que atinja em cheio o vizinho do lado. Daí queestes resultados não surpreendam por aí além. Revelam na perfeição a nacionalhipocrisia e comportamento colectivo que nos conduziu a esta triste situação. Eque, não serão necessário grandes dotes adivinhatórios para o prever, noslevará ainda a muito pior.
Um bom exemplo do que acabo de escrever pode ser constatado no facebook.Podemos acompanhar, quase em directo, as actividades estapafúrdias - onde seesturram os euros que não há - que muitos políticos fazem questão decompartilhar connosco e, salvo raríssimas excepções, os likes são mais quemuitos. Poucos ousam questionar quanto custa, porque se faz, ou diga que nãogosta das inventivas maneiras que aquela malta arranja para delapidar o nossodinheiro. Podiam, digo eu, começar por ali a expressar o desejo de redução dadespesa. Um pouco de honestidade intelectual não lhes ficava nada mal.
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publicado às 20:11

Nacional hipocrisia

por Kruzes Kanhoto, em 23.10.12
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publicado às 20:11


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publicado às 19:04

Terá sido bonita a festa, pá. O resto nem por isso.
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O Estado paizinho

por Kruzes Kanhoto, em 20.10.12


Constitui para mim ummistério sem explicação racional que, em Portugal, o Partido Comunista e oBloco de Esquerda não obtenham, de cada vez que há eleições, noventa por centodos votos. Ou, mínimo dos mínimos, a maioria absoluta. Isto porque os portuguesesadoram que o Estado regulamente o mais ínfimo pormenor das suas vidinhas. Achammesmo que constituiu um dever fundamental do Estado dar-lhes tudo. Desde aspílulas contraceptivas, para a malta fornicar à vontade – e pagar o aborto casotenham o azar de calhar na margem de erro – até pagar-lhes o funeral, não vádar-se o caso de começar a ficar gente por enterrar. Não se percebe por issoque chegada a altura de fazer a cruzinha no boletim de voto a mão escorreguepara outras opções que prometem quase sempre reduzir a intervenção do Estado navida dos cidadãos.
Atente-se, só a título deexemplo e deixando de lado outras premissas, no caso recente da miúda deQuarteira a quem não terá sido serviço o almoço por causa de uma alegada dividados pais. O assunto desencadeou uma onda de comentários parvos, petiçõesimbecis e levou inclusivamente uns quantos a apelarem a que seja consagrada nalei a obrigatoriedade do Estado garantir, de forma gratuita, as refeiçõesescolares a todas as crianças. Cuidava eu, vá lá saber-se onde é que fui buscaresta ideia, que a alimentação dos filhos – em todas as circunstâncias – era obrigaçãodos pais. Pois parece que não. Que nisso, como em quase tudo, o melhor é desresponsabilizaros progenitores - esses já tem os cães para se preocupar – e passar essa ancestralresponsabilidade parental para o Estado protector.
Para além desta estranhatendência de simpatizar com princípios comunistas mas votar em partidos dedireita, os portugueses – o caso acima mencionado é especialmente elucidativo –tem também o mau hábito de “emprenhar pelos ouvidos”. Ou, como prefiro dizer, comemtoda a palha que lhes põem na camela.
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publicado às 20:28

O Estado paizinho

por Kruzes Kanhoto, em 20.10.12
O Estado paizinho
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publicado às 20:28

Ir (apenas a alguns bolsos) para além da troika

por Kruzes Kanhoto, em 18.10.12


Desde o inicio daintervenção da troika que o PSD anunciou a sua intenção de ir além das medidas queconstavam do memorando de entendimento assinado pelo anterior governo. Osportugueses é que não perceberam o que líder dos sociais-democratas queriadizer com tal afirmação. Ou então não ligaram nenhuma. A verdade é que nemnisso o homem cumpriu na totalidade. Se, naquilo que afecta quem trabalha, aultrapassagem das metas impostas foi feita com toda a tranquilidade e sem medode greves, manifestações ou protestos diversos, já relativamente àqueles quelhe apertam os calos a criatura piou fininho.
As autarquias locais sãodisso o melhor exemplo. Escapam à extinção de um número significativo de municípios,recebem o bónus do IMI, que poderá – segundo algumas estimativas - atingir osquatrocentos milhões de euros, em resultado do acréscimo de receita provenienteda reavaliação dos imóveis e não perdem os 175 milhões de euros que o ponto1.29 do memorando determinava que ia ocorrer em 2013. Em troca - imagine-se otopete - do cumprimento da lei dos compromissos!!!!!! Como se, para cumprir umalei da república, fosse condição oferecer dinheiro como contrapartida!
É o que dá esta coisa dademocracia e de não ser possível suspendê-la por uns anos. As eleições estãoquase à porta e para as ganhar, para além de uma boa dose de populismo, sãonecessários recursos financeiros. Fico, no entanto, tranquilo quanto à maneiracomo será gasto tanto milhão. Boa mesa e boa música não vão faltar. Os velhotesque o digam lá mais por altura do Natal.
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publicado às 19:59

Ir (apenas a alguns bolsos) para além da troika

por Kruzes Kanhoto, em 18.10.12
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publicado às 19:59

IVA e homens das tabernas

por Kruzes Kanhoto, em 17.10.12


Os empresários darestauração – taberneiros, como eram conhecidos até há alguns anos –lamentam-se da taxa de IVA, a máxima, que é aplicada às vendas que efectuam aosseus fregueses. Terão certamente as suas razões. Logo pelo montante que oimposto representa no valor do serviço que prestam e, depois, por issoconstituir um factor que pode afastar a clientela dos seus estabelecimentos. Estranhamenteainda não ouvi queixas, mas devo ser eu que não tenho prestado atençãosuficiente, à forte probabilidade de a elevada carga fiscal que incide sobreeste negócio potenciar uma fuga da freguesia para a economia paralela. O que meleva a concluir que no sector não haverá fuga ao fisco e que todos sãoexemplares cumpridores dessa coisa das obrigações fiscais, ou lá o que é.
A lamúria desta gente roda,invariavelmente, em torno de uma alegada dificuldade em “pagar o IVA àsfinanças”. Confesso, ninguém me manda ser ignorante, que quando ouvi estaexpressão pela primeira vez pensei que existissem problemas nas repartições definanças – bichas, avarias, greves ou tragédias diversas - que inviabilizassemessa pretensão. É que, na maioria dos casos, ninguém sai de um café,restaurante ou espelunca similar, sem pagar a conta. Onde, cuidava eu, estaria incluídoo IVA. Parece, afinal, que tenho andado enganado estes anos todos e que a coisanão funciona bem assim. A julgar pela conversa ao valor pago pelos clientesacrescerá, então sim, o imposto. E é precisamente essa importância – 23% - queos bons dos taberneiros dos tempos modernos se vêem à rasca para arranjar.Pois. Compreendo a dificuldade.
A inocência desta classeé comovedora. A julgar pelos seus lamentos parecem acreditar piamente que umaredução da taxa de imposto iria melhorar o seu negócio. Talvez tenham algumarazão. Mas para quem está convencido que é ele que paga o IVA, ainda que estebaixasse para zero, dificilmente reduziria os preços. E quem pensa o contrárioque faça um pequeno esforço de memória e tente lembrar-se do que foi, nestesector, a transição para o euro…
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publicado às 20:00

IVA e homens das tabernas

por Kruzes Kanhoto, em 17.10.12
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Desnorteados

por Kruzes Kanhoto, em 16.10.12


É opinião – uma evidência,diria - mais ou menos unânime que o governo está numa situação de absolutodesnorte. O mesmo, ainda que tal apreciação não recolha idêntica unanimidade, sepassa com os restantes portugueses que não integram o restrito grupo deministros, nem o assim não tão restrito grupo de adjuntos, assessores e outrospingentes que rodeiam os governantes. Está tudo desnorteado.
Ainda me recordo do tempoem que, para muitos daqueles que hoje protestam, cortar salários era uma coisaaceitável. Roubar dois ordenados por ano não era algo assim tão mau nem, paraos refilões de agora, constituía motivo para protestos. Tenho também uma vagaideia do assalto aos bolsos de centenas de milhar de portugueses não suscitargrandes preocupações quanto aos efeitos perversos e devastadores que isso teriana economia. Não foram poucos – provavelmente até alguns do que hoje reclamam –os que tentaram fazer-me ver que aquelas eram as medidas certas e que eu estavaredondamente enganado.
Tenho, pelo atrásescrito, todo o à-vontade para recordar a esta malta que não há dinheiro. Pormais que se manifestem, atirem pedras, partam coisas ou mostrem as mamocas. Penaque não tenham feito o mesmo antes. Já não digo há um ano atrás, quando estascoisas apenas atingiam uns quantos malandros. Nem, sequer, desde há dez ouquinze anos quando políticos de toda a espécie esturraram o dinheiro que,então, já não havia. Podiam, pelo menos, ir fazer idêntica chinfrineira juntodaqueles que todos os dias anunciam novas obras – megalómanas e de utilidadeduvidosa, quase sempre - com o dinheiro que não há.  E com gajas nuas, de preferência.
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Desnorteados

por Kruzes Kanhoto, em 16.10.12
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A propósito de coisas do terceiro mundo

por Kruzes Kanhoto, em 14.10.12


Há quem não goste de vero Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz, cheio de automóveis. Diz que lhe dá umar terceiro mundista, próprio de países com um acentuado deficit de desenvolvimentosocial e intelectual dos seus habitantes. Coisa de gente atrasada, portanto.Por mim não sei nada disso. Nem é assunto que integre a minha lista depreocupações mais imediatas. Ou longínquas, sequer.  Agora, de verdade, o que não gosto mesmo nada éde forasteiros que vêm para cá lavar roupa suja. Ou pior. Estendê-la.
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A propósito de coisas do terceiro mundo

por Kruzes Kanhoto, em 14.10.12
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Mania das grandezas

por Kruzes Kanhoto, em 12.10.12


Gosto de Clios. Tanto quejá vou no terceiro. Um de cada vez, claro. Dou mesmo por mim a pensar que, omais provável, é já nem saber conduzir outro modelo ou um automóvel de outramarca. Desgosta-me por isso que os representantes do povo – os que merepresentam, portanto – apouquem o carro no qual me desloco e o dêem comoexemplo de viatura pouco digna. Aborrece-me, causa-me até um nível dedesconforto bastante significativo, que o meio de transporte do representadoseja considerado demasiado reles para o seu representante. Principalmentequando é o primeiro a suportar o pretenso bom gosto - luxo - do segundo.
A aversão demonstradarelativamente ao utilitário da Renault e a preferência pelos potentes topos degama é ainda mais estranha por vir de quem vem. Alguém que esteve no governo anterior, não secansou de o apoiar e ainda hoje lhe consegue descortinar virtudes. Chefiado, recorde-se, por um indivíduo quese deslocava com frequência num pequeno carro eléctrico.
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publicado às 22:49

Mania das grandezas

por Kruzes Kanhoto, em 12.10.12
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As nozes da crise

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.12


Num momento de rarasagacidade e de inusitada perspicácia – pronto, foi apenas sorte – antecipei-meaos ciganos de todas as espécies e, pela primeira vez em muitos anos, fiz umarazoável colheita da produção das nogueiras da propriedade. E isto em apenascinquenta por cento das árvores. Ou seja, duas.
No próximo fim-de-semana,se a rapaziada do costume não me poupar o trabalho, deverá ser recolhida quantidadeidêntica do restante arvoredo. Nozes, portanto, são coisa de que não vai havercrise cá por casa. E dedos completamente pretos também não.
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publicado às 19:46

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por Kruzes Kanhoto, em 11.10.12
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E nas banhas, quando é que se corta?

por Kruzes Kanhoto, em 09.10.12


Diz que o governo seprepara para produzir legislação que permita colocar no olho da rua metade dostrabalhadores contratados a prazo da função pública. Será, parece, uma das tãoansiadas medidas de corte na despesa. As tais gorduras onde quase todos achamque a naifa governativa deve ser particularmente incisiva.
Nem vou gastar as pontasdos dedos a discorrer acerca desta intenção. Obviamente que, de excepção emexcepção, mais cedo que tarde se concluirá que apenas uma ínfima parte – ou aindamenos do que isso - das quarenta ou cinquenta mil pessoas nestas circunstânciairão ver quebrado o seu vinculo contratual com o Estado. Autarquias incluídas. Deresto só um tolo acreditará que em ano eleitoral alguém se vai atrever a fazerum despedimento desta envergadura.
Nesta anunciada medida oque também parece pouco sério é que não é feita qualquer referência, por maispequena, a uma eventual redução do número de assessores e membros dos gabinetesdos órgãos políticos. Deve, quero acreditar, tratar-se de um lamentávelesquecimento. Ou então fui eu que percebi mal.
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publicado às 21:16

E nas banhas, quando é que se corta?

por Kruzes Kanhoto, em 09.10.12
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Presos às dividas

por Kruzes Kanhoto, em 08.10.12


Lamentava-se, aqui há atrasado,um dirigente de uma associação representativa dos profissionais das forças desegurança da situação, dramática segundo ele, que estaria a ser vivida poralguns dos seus associados e que, alegadamente, colocaria em causa o seu bomdesempenho profissional. Dita assim a coisa podia, de facto, ser preocupante. Temosde concordar que, na maioria das circunstâncias, quando as forças policiais intervêm,o caso, já de si, será um drama. Se a isso acrescer uma história dramática queinfluencie o comportamento do agente, então, o caldo pode mesmo entornar-se.
Mas não. O assunto tãodramatizado pelo tal dirigente não merece especial relevância. Trata-se afinalda dificuldade que alguns polícias e militares da GNR estarão a sentir para pagaras prestações dos créditos que contraíram. Em certos casos, acrescentava ocavalheiro, noventa por cento do vencimento estaria já comprometido e que orestante não dava, sequer, para assegurar as despesas de alimentação.
É verdade que ser autuadopor um agente esfomeado não é das coisas que mais me tranquiliza. Não me pareceé que o assunto assuma o dramatismo que se lhe pretende colocar em cima. As forçasde segurança são, esmagadoramente, compostas por gente competente e que sabeseparar de forma conveniente o trabalho dos assuntos particulares. Não irão porisso ter agora um comportamento diferente de quando, com dinheiro emprestado, iamde férias para destinos exóticos, compravam todo o tipo de novidade tecnológica,trocavam de carro todos os anos ou compraram uma casa toda artilhada e com odobro do tamanho do que necessitavam para albergar o agregado familiar.
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publicado às 20:05

Presos às dividas

por Kruzes Kanhoto, em 08.10.12
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publicado às 20:05



Parte significativa do país estálouca. Doida varrida, mesmo. Andamos de mão estendida a pedir dinheiroemprestado para manter isto a funcionar, corremos o sério risco de um destesdias não haver dinheiro para pagar pensões e vencimentos à função pública, apossibilidade de tudo, mas mesmo tudo, paralisar por não existirem recursospara manter a máquina do Estado a funcionar é uma ameaça real mas, ainda assim,continuamos em festa e a exigir coisas cada vez mais parvas.
Nem vou, por agora, referir-me àsinúmeras festinhas - patrocinadas pelos dinheiros públicos que não existem - quetodos os dias se vão realizando de norte a sul e onde se vão esturrando oseuros que não há, numa constante e criminosa delapidação do erário público.Centro-me, hoje, numa antiga reivindicação de alguns alienados que desde hámuito exigem para os bichos o mesmo tratamento que os humanos em matériafiscal. Querem estes loucos que a comida para animais tenha uma taxa de IVAreduzida, em lugar da actual taxa máxima, e que as despesas de saúde “com oselementos não humanos da família” – possivelmente algum terá um primo gato ouum cão como irmão – sejam passíveis de dedução no IRS dos donos. Dos parentesde duas patas, portanto.
O mais extraordinário é que estagente não se coíbe de, publicamente, reivindicar este tipo de benesses como sefosse a coisa mais normal deste mundo. Numa altura em que estamos sujeitos amais um “enorme aumento de impostos” é preciso descaramento para soltaridiotices deste quilate. Parece que ainda não perceberam – tal como os desvairadosdas festarolas – que não há dinheiro para maluquices. Vão-se tratar, pá. Porquepara isso, embora pouco, ainda vai havendo.
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publicado às 15:11

E que tal um imposto para financiar a limpeza do que os vossos parentes sujam?
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publicado às 15:11

O passado que fique lá atrás...

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.12


Tenho a sensação, de hátempos a esta parte, que no tradicional mercado das hortaliças, frutas elegumes – e de outras coisas – dos sábados de manhã, em Estremoz, haverá cadavez mais gente a vender e a comprar. Pode ser da crise, dos preços mais emconta relativamente às grandes superfícies ou apenas da minha vista, mas,semana após semana fico com a impressão de que há sempre mais um vendedor atentar o seu negócio. Isto após muitos anos em notório declínio, em que era visívela diminuição de vendedores e de compradores e em que o lugar abandonado,normalmente por morte ou velhice do seu detentor, ficava vazio por muito tempo.
O futuro dirá se a minhapercepção corresponde ou não à realidade. Por mais estranho que possa parecerespero que não. Desejo mesmo estar redondamente enganado. Seria um sinal deretrocesso civilizacional e que parte da população do concelho teria de voltara viver – ou sobreviver – da terra, como nos tempos da miséria e da pobreza deque alguns se mostram saudosos. Bonito seria apenas para os turistas e paraaqueles que, de barriga cheia e bem instalados na vida, acham importantepreservar aquilo que chamam “tradição”. Principalmente quando a podem olhar doalto sem necessidade de a viver.
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publicado às 14:45

O passado que fique lá atrás...

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.12
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Não escrevi...mas podia ter escrito.

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.12


Não é hábito publicar posts que não tenhamsido escritos por mim. Abro hoje uma excepção para este texto que me foienviado por correio electrónico e que terá sido, segundo o remetente do e-mail,publicado originalmente na revista “Sábado”. É daquelas prosas tão jeitosas que atépodia ter sido eu a escrever…



                 O estranho mundo dos autarcas  
 
Nosúltimos dois anos, por causa da crise, muita coisa mudou em Portugal, mas houveuma que se manteve: o País continua, como sempre, a poder contar com osautarcas para introduzirem uma dose substancial de insanidade política emqualquer debate público em que se envolvam.

Este fim-de-semana, durante o congresso da Associação Nacional de Municípios,ficou mais uma vez provado que os presidentes de câmara estão perto daspopulações mas longe do planeta Terra. Primeiro, decidiram exigir ao Governo arevogação da Lei dos Compromissos - trata-se de uma legislação que (imagine-seo desplante) impede as autarquias de "assumirem compromissos que excedamos fundos disponíveis". Ou seja, impede-as de acumularem dívidas que terãode ser pagas pelos contribuintes.

Depois, para contrabalançar esta posição crítica, decidiram fazer algumaspropostas construtivas: criar "uma nova instância política de âmbitometropolitano eleita por sufrágio directo e universal" (faltou dizer quantocusta); incentivar o "fortalecimento e dinamização das ComunidadesIntermunicipais" (sim, também faltou dizer quanto custa); e lançar umaComissão Nacional da Administração Local (pois, faltou dizer quanto custa).

Os autarcas portugueses não têm a mais pequena dúvida de que estão certos e deque todos os outros estão errados: as propostas da troika são "um embuste,fruto da ignorância atrevida", o Governo é um mero "cúmplice"das "instituições internacionais" e todos aqueles que querem diminuiro número de freguesias são "realmente loucos" e estão "contra avontade do povo".

Se a isto tudo juntarmos o facto de o congresso ter acabado com o abandono departe dos autarcas e com uma votação feita debaixo de assobios e insultos,ficamos a perceber melhor como seria o País governado por presidentes de câmaracom ainda mais poderes e ainda mais dinheiro para gastar - seria animado, masperigoso. 
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publicado às 19:58

Não escrevi...mas podia ter escrito.

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.12
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publicado às 19:58

Saiam da frente!

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.12


De há umassemanas para cá resolvi praticar alguma actividade física para além daquelamais básica, tipo ir a pé para o trabalho ou uns trabalhitos no quintal e na propriedade.Atendendo à minha forma deplorável, dar uma volta de bicicleta - de vez emquando, que isto não convém abusar e não tenho vontade de me cansar muito - pareceu-meo mais apropriado.
Ir pedalar para oespaço reservado a ciclistas existente na nova avenida foi, assim de repente edadas as características do percurso, a opção que se me afigurou mais razoável.Nada de mais errado. Ao longo da avenida circulam largas dezenas de pessoas quese dedicam às caminhadas de final da tarde - parte deles acompanhados pelosseus cães – e apesar da apreciável largura dos passeios a esmagadora maioriainsiste em caminhar pela pista destinada às bicicletas. Donde muitos, mesmo naiminência de colisão com o veiculo de duas rodas, não saem nem por nadacolocando em perigo a sua integridade física – o que não me preocupa por aíalém – e especialmente de quem vai, de bicicleta, no sitio certo.
A zona reservadaaos ciclistas está assinalada de forma adequada e o uso a que se destina nãodeixa qualquer espécie de dúvida ao mais burro caminhante. Daí não ser de fácilcompreensão a estúpida tendência que esta gente manifesta para caminhar porali. O melhor, se calhar, é ir pedalar para outro lado. Para, se o descobrir,um percurso reservado a peões, talvez. Ou então arranjar uma buzina.
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Saiam da frente!

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.12
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publicado às 21:15

O último que pague a conta

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.12


Estaremos ao quetudo indica a poucas horas de conhecer mais um pacote de medidas de austeridadeque, como é expectável, provocarão a ira de um número significativo deportugueses. Com toda a razão, muito provavelmente. Embora, como não me tenhocansado de escrever, o aborrecimento esteja a chegar tarde e a más horas. Que écomo quem diz já não há grande coisa para fazer além de pagar a conta.
É por isso que,antecipando-me ao Vítor Gaspar ou aos jornalistas bisbilhoteiros que descubramo que aí vem antes do anúncio do ministro, deixo aos meus leitores dois motivospara se indignarem. Dois pequenos exemplos que demonstram o desvario em quecontinuamos a viver, a forma irresponsável como o nosso dinheiro é desbaratadoe que deviam merecer, ainda mais no momento que atravessamos, a profundacensura daqueles que não se cansam de barafustar que lhes estão a ir ao bolso.Para pagar estas coisas, sublinhe-se.
Numa vila aquiperto foi recentemente inaugurado um novo campo de futebol com relvadosintético. Terá custado, diz, dois milhões de euros. Poderá não parecer muitoe, admite-se à partida, ser um equipamento de relevante interesse para a população.Talvez. O pior é que a terra em causa, para além das conhecidas dificuldades financeirasdo município local, não chega a ter dois mil habitantes. Dos quais, ou muito meengano, mais de metade não será sequer capaz de se locomover sem qualquer tipode restrições de ordem física.
Noutra vila,igualmente perto, foi anunciada a construção de um centro escolar. Obra parauns oito milhões, mais coisa menos coisa. No concelho em causa residem apenascinco mil almas, o que significa uma população escolar diminuta.  Seiscentos e sessenta e um alunos, desde o pré-escolaraté ao nono ano, segundo dados oficiais. É, portanto fazer a conta.
Não consta que alguémse queixe destas opções. Estarão, ao que parece, todos satisfeitos com estederramar de dinheiros públicos. Que, recorde-se, um destes dias alguém, inclusiveos profissionais das manifestações, terá de pagar. Talvez quando, por essas paragens,já não viva ninguém que possa usar estas infra-estruturas. Porque, entre outrasrazões, não houve inteligência para aplicar os milhões em investimento capaz decriar postos de trabalho que fixassem a população que ainda resta. 
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publicado às 20:36

O último que pague a conta

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.12
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