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As favas da crise II (ou três, sei lá!)

por Kruzes Kanhoto, em 29.02.12

Alhos, ervilhas, poejos, coentros, salsa, nabiças, espinafres,favas e a meia dúzia de árvores que vão fazendo por sobreviver no meu quintal,começam a desesperar por uma boa chuvada. A reserva estratégica que armazeneichegou ao fim com o esvaziamento do último recipiente, a água da rede está pelahora da morte e no céu nem uma nuvenzita que prometa chuva. Daí que comece apensar que escolhi mal a altura para me dedicar a cuidar da terra.
Apesar da seca e do racionamento de água a que têm estadosubmetidas, as favas da crise ainda apresentam um desenvolvimento bastanteaceitável. Mas, a menos que a fezada da ministra da agricultura se concretize,o futuro não augura nada de bom também para estas plantas. O que seria uma pena.É que não gosto - nunca comi - mas tenho andado a preparar-me psicologicamente paraa minha primeira refeição envolvendo favas.  
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publicado às 21:55

As favas da crise II (ou três, sei lá!)

por Kruzes Kanhoto, em 29.02.12
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publicado às 21:55

Compreendi-te...

por Kruzes Kanhoto, em 28.02.12

Se um tal Paul Krugman acha que os salários em Portugal devem serreduzidos em, pelo menos, trinta por cento, não serei eu – humilde ignoranteque, tal como Jesus Cristo, não tenho biblioteca nem estudei economia – a ter aousadia de pensar o contrário. Nem, menos ainda, de considerar isso umaparvoíce. Isto apesar de ter uma pequena dificuldade em perceber – embora, decerteza absoluta, isso seja culpa da minha manifesta ignorância – que o ditosenhor, reconhecido génio desta ciência, defenda em simultâneo a quebra dosordenados e que não devem ser aplicadas mais medidas de austeridade. Isso,adianta, seria mau. Muito mau.
Ora eu que, reafirmo, não percebo nada disto, andava convencidoque a minha vida se tinha tornado mais austera desde que me começaram a cortarno ordenado. Estava, pelos vistos, enganado. Embora, vá lá saber-se porquê,quando ouvi o discurso do homem tenha ficado com a sensação que ele teriaquerido dizer o mesmo que eu digo sempre que a conversa não me agrada: Estouinteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária.
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publicado às 19:28

Compreendi-te...

por Kruzes Kanhoto, em 28.02.12
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publicado às 19:28


Está criada a ideia que entre os principais problemas do paísestão o excesso de endividamento dos particulares e a falta de liquidez dabanca. O que, no segundo caso, estará a impedir o acesso das empresas aocrédito bancário e, por consequência, a causar sérios problemas ao crescimentoda economia.
Tenho, cada vez mais, sérias reservas quanto à credibilidade destatese. É que, ciclicamente, a caixa de correio é invadida por propaganda como aque a imagem documenta. Acompanhada, esclareça-se, de um monte de documentação,aparentemente válida, que inclui um contrato de crédito pessoal já devidamenteassinado e que bastará devolver pelo correio para ter acesso a uma simpáticaquantia que poderei esturrar como muito bem me apetecer.
Não parece, portanto, que exista falta de liquidez à bancanacional. Tal como não se afigura que se verifique algum problema com o endividamentodos particulares. Se assim fosse este dinheiro estaria reservado para financiarprojectos inovadores de um qualquer dinâmico empreendedor e jamais ao dispor deum gajo como eu, com manifesta tendência para viver acima das minhaspossibilidades, com pouca vontade de trabalhar e a mania de fazer vida de rico àcusta do dinheiro dos esforçados e produtivos trabalhadores alemães.
Num momento de rara sagacidade e de um invulgar sentido patriótico,decidi não usufruir de tão tentadora oferta. Fica para a próxima. Por agora apapelada vai ficar arquivada. Se a crise apertar talvez ainda venha a servirpara limpar o cu.
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publicado às 21:19

Não é liquido que a banca tenha falta de liquidez.
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Profissão errada

por Kruzes Kanhoto, em 23.02.12

Há quem diga que o mundo está nesta tragédia porque as pessoas queo deviam governar não têm tempo. Estão demasiado ocupadas a cortar cabelo e aconduzir táxis. Ou, acrescento eu com alguma imodéstia, a escrever em blogues.Mas o contrário não será menos verdade. Muitos dos que estão em funções governativasdesempenhariam muitíssimo melhor outras actividades. Fazer-nos rir, porexemplo. Quem se lembraria de juntar mais de duzentas pessoas para, durantehoras discutir as vantagens da água engarrafada versus aguinha del cano?! Ou aquem ocorreria a fantástica ideia de inventar uma nova profissão de gestor decarreira para desempregados?! Daí acreditar convictamente que o mundo seria um lugarbem melhor se as pessoas que nos podiam divertir não estivessem demasiadoocupadas a governar.  
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publicado às 22:27

Profissão errada

por Kruzes Kanhoto, em 23.02.12
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O fim anunciado do Estado caloteiro

por Kruzes Kanhoto, em 22.02.12

Foi publicada na terça-feira de carnaval a chamada lei doscompromissos. Pretende-se, no âmbito do acordado com a troika, verdrasticamente reduzidos os prazo de pagamento dos valores em divida das administraçõespúblicas e fazer com que estas cumpram as suas obrigações no prazo de noventadias. Parece, portanto, um objectivo nobre. Atingi-lo é que vai ser umachatice. Principalmente porque o caminho escolhido é sinuoso e as regrasimpostas vão contra os mais elementares princípios de governação. Pelo menosdaquela a que estamos habituados. E sem a qual, por mais que digamos o contrário,não concebemos a função de governar.
Comprar apenas quando temos uma razoável certeza de, a curtoprazo, ter dinheiro, não é algo a que estejamos habituados. Seja na vidaprivada ou, ainda muitíssimo menos, na pública. Será, acredito, um choque. Atéporque quase ninguém está preparado – ou tem, sequer, conhecimento – do que aívem e das consequências que, a todos os níveis se vão fazer sentir no dia-a-diade cada cidadão. E nem sequer estou a pensar nas obras que as Câmaras vãodeixar de fazer ou dos ordenados que – no limite - muitos organismos públicos terãodificuldade em satisfazer. Preocupa-me antes que um qualquer hospital, ondetenha o azar de ir parar, não possua fundos disponíveis para adquirir aanestesia necessária para realizar cirurgias e desate a operar a sangue-frio.
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O fim anunciado do Estado caloteiro

por Kruzes Kanhoto, em 22.02.12
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Carnaval cá do sitio

por Kruzes Kanhoto, em 21.02.12



Outros, com muito mais conhecimento de causa do que eu, farão obalanço do carnaval cá da terrinha. Por mim foi igual aos anteriores. Se isso oinclui no grupo dos bons ou, pelo contrário, o integra no conjunto dos que nãovalem um chavelho, é coisa que me interessa pouco. Para já manifestações de desagrado, pelo menos visíveis,apenas a do cachorro da foto, que não se coibiu de demonstrar a sua irritação comos cabeçudos.
De realçar – do meu ponto de vista, claro – o facto de finalmenteter existido um arremedo de sátira e de terem desfilado umas gajas relativamentedespidas. Nada de muito animador, mas - quem sabe – possa constituir umincentivo a que outras folionas, em próximas edições, sigam o exemplo e nosproporcionem imagens muito mais interessantes.
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publicado às 19:10

Carnaval cá do sitio

por Kruzes Kanhoto, em 21.02.12
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A couve da crise

por Kruzes Kanhoto, em 20.02.12

Pela primeira vez em muito anos praticamente toda a área cultiváveldo meu quintal foi aproveitada para semear - ou plantar, conforme o caso –diversos produtos hortícolas. Por todo o lado, até mesmo nos locais mais improváveis, há vegetais que mais tarde ou mais cedo vão acabar na panela. Como, porexemplo, neste vaso. Mas – verdade, verdadinha – é que o crescimento destacouve escanzelada foi obra do acaso. Uma verdadeira couve da crise, portanto.
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publicado às 22:25

A couve da crise

por Kruzes Kanhoto, em 20.02.12
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Teóricos do trabalho

por Kruzes Kanhoto, em 19.02.12

Alguns, de repente e assim quase do nada, descobriram as virtudesdo trabalho. Nomeadamente aquelas que envolvem a alegada necessidade detrabalhar mais horas, de acabar com feriados, suprimir pontes, gozar menos diasde férias ou até, pasme-se, voltar a fazer do Sábado um dia normal de labuta. Porque,dizem, tem sido o incumprimento destes preceitos que nos conduziu até aqui eapenas trabalhando muito mais – tempo, entenda-se – sairemos da crise.
Noto inúmeras incoerências neste discurso. Principalmente quando,em simultâneo, se enaltece ou alude como necessário o “investimento” nesta ounaquela obra megalómana que lhes agrada particularmente. Mesmo que daí, passadoo período de construção e muitos milhões depois, não resulte a criação de qualquerposto de trabalho. Pelo menos daqueles úteis e produtivos. Parece-lhes importarmuito pouco que os mamarrachos – os tais “investimentos”, segundo eles - apenaspelo facto de existirem tenham custos significativos. Se calhar até maispesados para o país do que umas quantas tolerâncias de ponto. São, aliás,conhecidos exemplos em que a demolição já chegou a ser ponderada como soluçãomais razoável.
Apesar de todo o historial de má aplicação dos recursos públicos,próprios ou vindos da Europa, insistem neste argumento patético. O rigor,quando se trata de gerir a coisa pública, apenas se lhes afigura importantequando em causa estão os direitos mais básicos das pessoas. Se for paraconstruir edifícios onde poucos entram, estradas onde ninguém passa, infra-estruturassem utilidade, distribuir benesses variadas por amigos ou compinchas ouempregar militantes do partido circunstancialmente no poder, então isso já ématéria pouco relevante e atirar para o populismo.
Mas, voltando à vaca fria – que é como diz a alegada necessidadede trabalhar mais e, por consequência, ter menos dias de lazer – tenho sériasdúvidas quanto ao real impacto na economia. Dividir o PIB pelo número de diasde trabalho e acreditar que por cada dia trabalhado a mais o seu valor aumentarána mesma proporção é, digamos, parvo. Faz-me lembrar aquele matemático queteorizava acerca da possibilidade de dividir sempre qualquer número por dois. Teoricamenteum carro nunca embateria num muro ou noutro objecto fixo, porque estando, porexemplo, a um metro ainda faltariam cinquenta centímetros para lá chegar. Eassim sucessivamente até ao infinito. Diz que morreu de acidente de viação.Bateu contra uma parede.
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Teóricos do trabalho

por Kruzes Kanhoto, em 19.02.12
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Só lhes falta criarem um virus qualquer...

por Kruzes Kanhoto, em 16.02.12

Sabe-se agora, se é que não se sabia antes, que as tais gordurasde que esta cambada falava antes das eleições são os portugueses. A soluçãopara o emagrecimento tem vindo a ser conhecida ao longo do tempo e surpreendeaté os mais precavidos e desconfiados. Aos jovens mandam emigrar, porque o paísnão é para gente nova. Aos funcionários públicos – esses malandros - sugeremque deixem de o ser, porque o dinheiro não chega para governar mandriões. Aos doentescriam todas as condições para que morram quanto antes, que o Estado não podeandar a pagar pequenos luxos como hemodiálise ou cirurgias e muito menospasseios de ambulância. Aos velhos fazem o que podem para que vão desta paramelhor quanto antes, que isto de receber reformas é mais um daqueles direitosadquiridos que fazem pouco sentido nos dias que correm. A todos, perante oroubo de que estão a ser alvo e a tentativa de extermínio de que são vítimas, recomendamque se deixem de pieguices. Qualquer bando de ladrões ou assassinosdificilmente faria melhor.
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publicado às 22:38

Só lhes falta criarem um virus qualquer...

por Kruzes Kanhoto, em 16.02.12
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Um deputado ao nível de almeida

por Kruzes Kanhoto, em 15.02.12

João Almeida é um jove -rapazola, digamos - que passou de forma efémera pela presidência do Belenenses.O clube, que já foi um dos grandes no panorama desportivo nacional, tem passadonos últimos por uma profunda crise e, como quase sempre sucede quando se está namó de baixo, tudo lhe acontece. Daí não surpreender que o actual deputado doCDS por lá tenha andado, ainda que quase não tivesse tido tempo para aquecer olugar.
Mais do que para futebolices o rapaz parece é ter jeito para a política.Pelo menos a julgar pela forma como exortou hoje os funcionários públicos aprocurarem outra vida se não concordam com as regras que o moço entende deveremser aplicadas à função pública. Com estas declarações, repletas de bazofia, elesabe que está agradar à esmagadora maioria do eleitorado e, por mais ataques deque seja alvo por parte da oposição e dos sindicalistas, terá granjeado umaimensa legião de admiradores entre todos – e são muitos - os que vêem uminimigo em quem trabalha no sector público.
Não me choca que o Estado promova a mobilidade territorial nosseus funcionários. Até porque, a continuar a senda de encerramentos de serviçosno interior do país, as pessoas terão de ser colocadas noutros locais sequiserem continuar a trabalhar. Acho é desagradável - e completamentedesnecessária - a arrogância bacoca de um qualquer badameco engravatado e ar debetinho. Principalmente quando usa argumentos javardolas que se lhe podemaplicar quando, daqui por pouco mais de três anos, voltar a fazer parte daoposição. Quando reclamar das propostas de um futuro governo podem semprerecordar-lhe que quem não está bem muda-se.
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publicado às 22:29

Um deputado ao nível de almeida

por Kruzes Kanhoto, em 15.02.12
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Autarca visionário

por Kruzes Kanhoto, em 14.02.12

Visivelmente satisfeito com a sua iniciativa, um presidente dejunta de freguesia anunciava ontem a disponibilização de um serviço de babysitter. Tão improvável oferta – quando vinda de um serviço público – teria,segundo o próprio, a finalidade de permitir aos seus eleitores freguesesdesfrutar o dia dos namorados sem o empecilho dos fedelhos a estorvar ascomemorações.  
A ideia até nem parece má. Apenas um bocadinho parva, vá. Epotencialmente perigosa, também. Isto porque cria um precedente que pode levar aque o homem tenha de manter o serviço aberto vinte e quatro horas por dia, nos trezentose sessenta e cinco dias por ano. E, para evitar acusações de discriminação, émelhor que o faça. Seria, sem dúvida, simpático ter um lugar para deixar osrebentos, o cão ou a sogra, enquanto se dá uma queca. Ou mais. Um visionário,este autarca.
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publicado às 19:47

Autarca visionário

por Kruzes Kanhoto, em 14.02.12
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Apaguem a luz, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 12.02.12

Embora não tenha dados que o comprovem, acredito que a freguesiade Glória será, no concelho de Estremoz, a que terá o maior número de vivendascom piscina. O que, naturalmente, não tem nada de mal. Antes pelo contrário. Éum indicador que revela qualidade de vida – zona de conforto, talvez – e queconstituirá, certamente, motivo de satisfação para a região.
Já, ao invés, o facto de a iluminação pública da aldeia se acenderpor volta das cinco e meia da tarde me parece absolutamente intolerável. Aculpa não será, digo eu, dos moradores com piscina no quintal. Nem, se calhar,dos outros. Mas alguém deve ser responsável por tão precoce acendimento dasluzes. Provavelmente alguém que vive num mundo cor-de-rosa, que ainda não sedeu conta que a energia é cara e paga com dinheiro público. Ou então éaccionista da EDP.
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Apaguem a luz, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 12.02.12
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Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 11.02.12

Estremoz. Centro da cidade. Sábado de manhã. Apesar da imensaplaca central do Rossio Marquês de Pombal - onde cabe sempre mais um - alimesmo ao lado, há quem insista em levar o popó até à porta do estabelecimentoonde quer fazer compras. Neste caso talvez tenha sido o talho. A urgência emadquirir uns bifes para o almoço será uma razão de peso. Ou, quem sabe, aimperiosa necessidade em beberricar um cafezito no pastelaria ali ao lado. Nocaso em frente, para quem estiver no carro. Embora também não seja de descartara hipótese da loja das cuecas. Há coisas que não escolhem dias nem horas e quenão se compadecem com dificuldades logísticas. Nem de estacionamento.
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publicado às 15:11

Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 11.02.12
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Estrangeiros a mandar palpites acerca da maneira como nosgovernamos ou fazemos a gestão do nosso território é coisa que parece estar atornar-se um hábito. Agora foram uns camionistas espanhóis. Diz que não querempagar as portagens nas nossas auto estradas. Pior.  Têm a lata de fazer um ultimato ao governo –ao nosso, que apesar de ser uma merda é o nosso e portanto só nós é que podemosdizer mal – para no prazo de um mês criar uma zona livre de portagens até centoe trinta quilómetros da fronteira.
Apesar do meu carro, mesmo nos dias em que está na garagem,possuir o fantástico poder de passar por inúmeros pórticos das mais variadasex-scuts – mas isso talvez constitua motivo para um post com mais pormenores –não discordo da cobrança de portagens neste tipo de vias. Se assim não forterão de ser todos os contribuintes a pagar. Mesmo os que não têm automóvel. Oque, deve ser falta de visão estratégica, não me parece justo. Portanto quem asusa que as pague. Principalmente se forem espanhóis.
Fico a aguardar que todos os que se indignaram com as declaraçõesda Merkel e do outro gajo alemão do parlamento europeu, manifestem igualmente asua revolta com esta espécie de ultimado. Que envolve, ao que parece, a ameaçade uns quantos desacatos caso a sua pretensão não seja atendida. Desconfio, noentanto, que a reacção seja exactamente a contrária. É capaz de recolhersimpatias do lado de cá. Principalmente entre um bando de alarves que se, numcaso semelhante, fizessem o mesmo em relação a opções do governo espanhol –afectassem ou não os portugueses – eram gajos para não ter uma vida sossegadaquando atravessassem a fronteira.
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publicado às 20:24

Não gosto de ultimatos. É uma coisa que me aborrece.
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Não partilho da onda de indignação que para aí vai em resultadodas declarações da chanceler alemã, por acaso uma cidadã da ex-RDA, acerca damaneira como na Madeira se desbarataram os muitos milhões de euros que, oriundosdos cofres europeus, desaguaram na ilha do Alberto João. A senhora podia atéter dito muito mais, porque muito mais havia para dizer. Portugal de norte asul está repleto de exemplos que podiam perfeitamente figurar num compêndiosobre a maneira como se não deve esturrar dinheiro.
Obviamente não é agradável ouvir um estrangeiro tecer criticas à formacomo nos governamos. Por mais razão que tenha. Edifícios que apenas sãoutilizados escassos dias por ano ou, como mostra a imagem, estradas no meio denenhures com enigmáticas rotundas, são exemplos flagrantes da loucuradespesista de alguns que fazem obras, independentemente da sua utilidade, apenasporque há dinheiro para gastar. Isto sem esquecer os milhares de “cursos deformação”, que vão entretendo desempregados e gente com manifesta aversão aotrabalho, de uma inutilidade sobejamente certificada e que de pouco mais servempara além de mascararem os números do desemprego.
Mesmo assim acho que a senhora devia estar calada. Nestas comonoutras coisas a acção é muito mais importante que a conversa. E a criatura, seacha que andamos a gastar mal o dinheiro que manda para cá, há muito que deviater agido. Fechado a torneira era capaz de ter sido uma boa opção. Com osexemplos que todos conhecemos, o cidadão comum não notaria grande diferença.
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publicado às 20:30

Ninguém tem nada a ver como esbanjamos o dinheiro que nos dão!
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Os azelhas da comissão de trânsito

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.12

Umas quantas sumidades na matéria, reunidas sob a designação de Comissão Municipal de Trânsito, produziram – já lá vão uns anitos – uma proposta de alteração ao trânsito no Bairro da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras, aqui em Estremoz, que revolucionou a maneira de circular nas referidas urbanizações. Nada que os moradores reivindicassem, assinale-se, mas que mesmo assim os conceituados especialistas insistiram em produzir. Embora, como é fácil de constatar no terreno, as soluções propostas revelem – já o escrevi inúmeras vezes e voltarei a escrevê-lo outras tantas – completo desconhecimento da zona, desrespeito absoluto pelos moradores e total ausência de preocupações ambientais ou com a poupança de combustível.
Atente-se, a título de exemplo, na imagem acima. Não é difícil perceber - pelo menos para quem conhece o bairro, grupo em que os membro da tal comissão parecem não se incluir - que há moradores a percorrer agora mais quinhentos metros de cada vez que se deslocam de automóvel para fora da sua zona de residência. Tudo porque os cavalheiros que assim decidiram gostam de ruas com sentido único. Ainda que dois veículos se cruzem com a maior facilidade. Se cada residente fizer este percurso duas vezes por dia, não será necessária grande inteligência para calcular o dinheiro gasto ingloriamente por causa da decisão destas mentes iluminadas. Verdadeiros génios da arte de gestão de tráfego, até. Pena que evidenciem uma gritante falta de jeito para o cálculo.

PS - As setas verdes representam a circulação que se fazia antes e as laranja a que se faz depois da implementação do plano engendrado pelos sábios da comissão de trânsito.
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publicado às 20:41

Os azelhas da comissão de trânsito

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.12
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E se fosse o Sócrates?

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.12
Façamos um pequeno exercício. Um suponhamos, vá. Imaginemos que o primeiro-ministro era ainda José Sócrates – lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus, cruzes canhoto - e que, tal como o parvo que lá está agora, tinha decidido não conceder tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Mais. Não contente com tamanho tiro no pé vinha, alarvemente, papaguear que quem não fosse trabalhar não era patriota. Não serão certamente necessários especiais recursos imaginativos para calcular o arraial que a comunicação social ia montar em torno de tamanho disparate. Com este tudo é diferente. Muito mais suave. O homem tem boa imprensa, os críticos de antes são os apaniguados de agora e os jornalistas não se atrevem a piar muito não vá o Relvas tecê-las.
Embora não seja especial apreciador de festas carnavalescas reconheço, tal toda a gente que saiba fazer contas, a importância desta quadra na economia e na tradição popular. A mesma para a qual Parvus Coelho se está nas tintas. O que significa estar nas tintas para o povo que governa. Mas isso, vindo de onde vem, a poucos surpreenderá. 
Tudo indica que em 2012, apesar de receber menos dois meses de salário, vou trabalhar mais cinco dias. Pelo menos. Daí que não reconheça a um badameco qualquer, autoridade para ganir acerca de atitudes patrióticas. Para isso ou para outra coisa. Porque – não me devo enganar muito – Terça-feira de Carnaval vai ser um feriado igual ao que sempre foi. Já da autoridade do primeiro-ministro não se poderá dizer o mesmo. O país vai desobedecer-lhe. Ostensivamente.
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E se fosse o Sócrates?

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.12
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Concentradissimos no acessório

por Kruzes Kanhoto, em 05.02.12
Imaginação e capacidade para gastar dinheiro – que normalmente não têm, sublinhe-se – são atributos que reconheço à generalidade dos autarcas. Qualquer pretexto é bom para uma comemoração, uma festa ou para instituir a prática de uma qualquer actividade. Tudo à borla, de preferência, que isso de cobrar seja o que for aos eleitores envolve sempre aspectos desagradáveis. A menos, claro, que seja à socapa. Tipo no IMI, que aí eles pagam nas Finanças e a maioria nem sabe que a massa vai direitinha para os cofres das Câmaras e daí para as tais comemorações, festas e actividades importantes. 
Como, por exemplo, proporcionar a prática de yoga aos meninos do ensino básico e pré-escolar. Coisa fundamental na formação académica das criancinhas, ao que parece. Essencial para as manter atentas e elevar a sua capacidade de concentração nas aulas, diz que também. Deve ser, pois. Nem desconfio se os montantes envolvidos serão ou não relevantes. Pouco me importa. Se calhar a malta que encontrou emprego a dar estas aulas até nem ganha muito e, compreende-se, precisa de trabalhar que a vida está difícil. Depois queixam-se que as refeições escolares estão em perigo porque a autarquia não tem verbas… 
Nem tudo, no entanto, são actividades parvas ou despesas sem nexo. Algumas autarquias do interior estarão a ponderar a hipótese de se substituírem ao Estado no transporte de doentes a consultas e tratamentos médicos. De louvar, sem dúvida. Se podem levar velhotes e mais carenciados a discotecas, proporcionam viagens de avião só para experimentarem a sensação, organizam excursões a Fátima ou ao Oceanário e fazem as festas mais variadas e alarves, também podem ajudar quem necessita a aceder aos cuidados de saúde indispensáveis.
Mas isto sou só eu a divagar. É uma estranha mania de ver as coisas todas ao contrário que não há maneira de me largar.
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publicado às 19:07

Concentradissimos no acessório

por Kruzes Kanhoto, em 05.02.12
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Estroinas

por Kruzes Kanhoto, em 04.02.12
Comparar a situação em que vive o país com a de um grupo de amigos que foi ao restaurante e no final da festarola não tem dinheiro para pagar a conta é apenas uma parte da verdade. E, como se sabe, uma meia verdade geralmente produz muito mais estragos que uma mentira. Embora a analogia faça algum sentido, seria bom esclarecer que, desse grupo de pândegos, alguns comeram caviar e beberam champanhe enquanto a imensa maioria apenas emborcou umas mines e mastigou uns tremoços. Convém também que se diga que, no final da pândega, a conta é a dividir por igual independentemente do que cada um tenha consumido e que, pasme-se, até os que não foram ao banquete têm de pagar. Mesmo assim, seria bom que quem faz estas comparações não se esquecesse de referir que ainda há uns quantos que insistem em continuar o repasto e outros que não querem pagar. Nem ficar a lavar os pratos, que foi a alternativa manhosa que a nova gerência da espelunca encontrou para minorar os prejuízos.
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Estroinas

por Kruzes Kanhoto, em 04.02.12
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Poupar nas balas. E, já agora, nos juizes.

por Kruzes Kanhoto, em 03.02.12
Não sou especial apreciador da maneira como os polícias abordam o vulgar cidadão. Arrogância e não raras vezes má-educação parecem ser requisitos essenciais para pertencer a qualquer força de segurança. Que essa postura seja exibida em situações críticas ou na presença de potenciais criminosos é compreensível, mas quando se trata de uma qualquer banal ocorrência é esta pose absolutamente descabida e reveladora, entre outras coisas, de má conduta profissional.
Nutro, no entanto, alguma admiração pelo trabalho policial. Nomeadamente aquele que obriga a dar o coiro ao manifesto. Que é como que diz a lidar com todo o tipo de escumalha e arriscar a vida, na maior parte das situações, por muito pouco. Daí que tenha dificuldade em perceber que um policia seja condenado em catorze anos de prisão por ter morto um meliante. Na sequência de um assalto, diga-se. Parece que o agente terá agido com negligência. Durante o assalto e na perseguição que se seguiu não manteve o cano da arma apontado para cima e o dedo longe do gatilho. Coisa que, pensava eu – mas ninguém me manda ser parvo – devia ser, ela sim, considerada negligente. Se assim é não se justifica que a polícia ande armada. Era até uma boa maneira de poupar. Não se gastava dinheiro em armamento, não se apanhavam os assaltantes e poupava-se um dinheirão com os trâmites judiciais. Só vantagens, portanto.
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publicado às 20:15

Poupar nas balas. E, já agora, nos juizes.

por Kruzes Kanhoto, em 03.02.12
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publicado às 20:15

Justiça cega

por Kruzes Kanhoto, em 02.02.12
Valentim Loureiro foi hoje absolvido por um tribunal qualquer. Parece que era acusado de coisas. Que, como é óbvio, não terá feito. Tal como já aconteceu, em tempos, com a Fátinha de Felgueiras, com o Avelino de Marco de Canavezes e está para acontecer com o Isaltino de Oeiras. Ou como irá suceder sempre que em causa esteja alguém – autarca ou não – a quem a parolada bate palmas. Nem se percebe bem porque razão a justiça perde tempo com ninharias em lugar de se preocupar crimes realmente importantes. Tipo roubo de peixe congelado, feijão verde ou champô. Vá lá que, de vez em quando, aparecem juízes com “eles no sítio” capazes de punir, com a severidade que este tipo de crime merece, os perigosos sem abrigo e as temíveis velhinhas que espalham o terror nos supermercados.
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publicado às 22:01

Justiça cega

por Kruzes Kanhoto, em 02.02.12
Justiça cega
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Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 01.02.12

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publicado às 22:14

Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 01.02.12
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