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A cultura das boas contas. Ou a falta de ambas.

por Kruzes Kanhoto, em 30.07.11
Daleitura de blogues de uma localidade não muito distante concluo que a autarquialá do sítio terá uma divida colossal à banca, a fornecedores e aos chamadosagentes culturais e desportivos do concelho. Nada que, relativamente à dividafinanceira, inquiete alguém. Tão pouco o atraso na regularização dos pagamentosàs empresas que venderam bens e prestaram serviços à autarquia é merecedor degrandes preocupações. O mesmo não se pode dizer da falta de cumprimento doscompromissos assumidos pela edilidade para com os tais “agentes”. Isso aí é que“alto lá e pára o baile”, que não pode ser.
Obviamenteque as dividas, seja qual for a sua natureza, são para pagar. O que não sepercebe é que o movimento associativo lá da terra exija um tratamento deexcepção e que se arrogue no direito de receber o que lhe é devido, de formaprioritária relativamente aos restantes credores. Fizeram, com certeza, aplanificação das suas actividades na perspectiva de receberem atempadamente osvalores em causa e o incumprimento autárquico estará certamente a causar transtornos.Mas, e isto não se afigura difícil de perceber, o mesmo sucederá com asempresas que aguardam a regularização de dezassete milhões de euros há mais detrezentos e sessenta dias.
Peranteeste cenário, nem sei como classificar argumentos do tipo “o chavão da falta dedinheiro já não convence”, usado para criticar o atraso no pagamento dasquantias acordadas com as associações. Há quem tenha dificuldade em perceber,especialmente na área cultural onde por norma as pessoas são mais avessas anúmeros, que o dinheiro, tal como tudo, também pode acabar. Ou, no mínimo, quese trata de um bem escasso para ser usado com ponderação. O que, dadas asevidências, não terá acontecido no caso em apreço. E é a ausência de críticadas gentes da cultura à gestão desastrosa que os conduziu até este estado decoisas, que me deixa verdadeiramente perplexo. Pior. Se reclamam é apenasporque a tal Câmara promoverá, na opinião deles, poucas actividades culturais. Ouseja, a divida até podia atingir valores ainda mais astronómicos que, desde queeles recebessem, estaria tudo bem. Com uma cultura destas não admira que o paísesteja neste estado!
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publicado às 16:57

A cultura das boas contas. Ou a falta de ambas.

por Kruzes Kanhoto, em 30.07.11
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publicado às 16:57

Ora assoem-se lá a este guardanapo!

por Kruzes Kanhoto, em 29.07.11
Assim que tomou posse o primeiro-ministro apressou-se a comunicar ao país que este ano os deputados não teriam férias. Embora agora pareça que afinal não vai ser bem assim, a verdade é que a malta gostou. Bem-feita, terá pensado a maioria dos eleitores para quem a profissão de representante da nação no hemiciclo não é lá muito bem vista e acha que os ditos figurões ganham demais para o serviço que apresentam. 
A necessidade de manter a Assembleia da República a funcionar, justificava-se o então recém-eleito chefe do governo, teria a ver com a imperiosa aprovação das medidas indispensáveis à salvação do país. Tratar-se-ia de aprovar coisas importantes, pelo que era fundamental não perder tempo. Férias e outras minudências teriam que esperar. 
Ficámos, portanto, todos na expectativa. Uns mais ansiosos que outros, é verdade, mas isso depende do feitio de cada um e, também, daquilo que cada qual considera importante. Tão importante que impeça até um ilustre deputado de gozar uns dias de descanso. Ora sabe-se – ou pelo menos calcula-se - que um deputado cansado não deputará com a qualidade que nós desejamos que depute e – há quem garanta isso - a deputação é uma actividade muito exigente, capaz de deixar a maioria de rastos se praticada de forma contínua e sem os necessários períodos de recuperação.
Pelo exposto fácil é concluir que sou a favor das férias dos representantes do povo. A última coisa de que precisamos é de deputados esfalfados, cansados de tanta actividade deputativa, a aprovar medidas cruciais e determinantes para o desenvolvimento do país. Como, por exemplo, a “Promoção e valorização dos bordados de Tibaldinho da Freguesia de Alcafache”. Para quem não sabe, como era o meu caso, “Nestes panos é bordada uma panóplia de motivos decorativos: os ilhós simples, espirais de ilhós (enleios), arcos de ilhós (cadeia), arcos ogivais, quadrados de nove ilhós, espirais de cordão, espirais de borbotos, círculos simples e concêntricos, rodízios, estrelas, óculos em cruz, corações simples, floridos ou com chave, com hastes, pétalas, malmequeres, girassóis, cravos, botõezinhos, folhas abertas e fechadas, folhas redondas, alongadas, pontiagudas e serrilhadas, folhas de feto, carvalho, trevo de quatro folhas, composições florais, laços, silvas, bolotas, tranças, pevides, pássaros, borboletas, Cruz de Cristo, dois oitos em cruz, crivos simples e de duas pernas, recorte ondeante, bainha aberta, machocos redondo, alongados (de pevide) e bicudos (serrilha ou dentes de rato), curvas espiraladas, cordão ondeante, canutilhos, pompons, letras maiúsculos, monogramas”.
Perante factos destes não consigo calar o meu regozijo. Temos, finalmente, deputados que se preocupam com o essencial. O que claramente vem desmentir todos os que insistem em menorizar a actividade parlamentar. Ora assoem-se lá a este guardanapo!
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publicado às 20:30

Ora assoem-se lá a este guardanapo!

por Kruzes Kanhoto, em 29.07.11
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Mau sinal

por Kruzes Kanhoto, em 26.07.11

Dasinalização que alguns iluminados pela ignorância se lembraram de espalharprofusamente, aqui há atrasado, pelos bairros da Salsinha, Monte da Razão eQuinta das Oliveiras, este sinal é talvez o único que faz todo o sentido. Noentanto já foi vandalizado em diversas ocasiões. Terá, portanto, inimigos deestimação que não suportarão a imposição de parar. Ou, então, seráoutra coisa qualquer no âmbito das doenças mentais. Daquelas que algunsinsistem em classificar como vandalismo. Seja como for, a “obra” deu trabalho eo derrube do sinal não foi uma tarefa simples. Pena que estas bestas nãoconcentrem as suas energias em atitudes mais cívicas. Como, por exemplo, fecharas tampas dos três contentores situados poucos metros mais abaixo e que,misteriosamente, NUNCA estão fechadas. Mas isso, além de constituir assuntopara outro post a publicar um destes dias, deve ser coisa que envolve muitoesforço.
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publicado às 22:00

Mau sinal

por Kruzes Kanhoto, em 26.07.11
Mau sinal
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publicado às 22:00

Asíntese da execução orçamental recentemente divulgada pela Direcção-Geral do Orçamento apresenta valores, no que diz respeito à administração local, quesimpaticamente me limitarei a classificar apenas como perturbadores. Istoporque, contrariamente ao que seria expectável, a despesa do conjunto dos municípiosnão está a encolher relativamente ao ano anterior. Bem pelo contrário. Atéfinal de Junho a despesa, do total de toda a administração local, registou umaumento de 2,4 por cento. Isto apesar das despesas com pessoal – os eternosculpados – terem caído, por comparação com igual período do ano passado, em 3,3por cento.
Estesnúmeros não reflectem, na minha opinião, apenas má gestão por parte de quemlidera os municípios portugueses. O caso será muito mais grave do que isso. Oque estes indicadores nos mostram é que estando o poder local muito mais pertodas pessoas lhe é praticamente impossível ir contra o que dele exigem oseleitores e, vivendo os portugueses um estranho estado de negação da realidade,é muito difícil a qualquer autarquia reduzir seja o que for no âmbito das suasdespesas sem ter de se confrontar com a reacção dos que se habituaram a viver,de alguma forma, à conta do orçamento municipal. De resto apenas um totó acreditaráque um autarca, por mais corajoso ou empenhado em prosseguir uma gestãoracional da coisa pública, será capaz de olhar nos olhos os seus munícipes edizer-lhes que a “festa” acabou. Excepto, como os números claramentedemonstram, se os cortes forem no pessoal. Aí ninguém se importa de ser mauzãoporque sabe que a populaça fica satisfeita.
Atítulo de exemplo – podia ser outro, mas este parece-me sintomático – até finalde Junho, foram pagos pelas autarquias mais 9,8 milhões de euros emtransferências correntes - os vulgares subsídios - do que em período homólogodo ano anterior. Ou seja, mais de metade da poupança gerada com a redução dasdespesas com pessoal não serviu para reduzir o défice, equilibrar as contaspúblicas, salvar o país da bancarrota ou, o que me parecia sério, pagar as dívidas.Foi, antes, parar às contas bancárias dos inúmeros subsidio-dependentes,verdadeiros peritos na arte de mostrar trabalho – tipo, sei lá, comer camarão -com o dinheiro que lhes é dado de mão-beijada. Espero que façam bomproveito. Na verdadeira acepção da palavra.
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publicado às 23:38

Curiosidades da execução orçamental da administração local
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publicado às 23:38

Embora os valores apresentadosnem me pareçam merecedores de grande destaque, até pela natureza das faltas em causa,um jornal de expansão nacional resolveu fazer manchete com um estudo segundo oqual os funcionários públicos faltam ao trabalho dezoito dias por ano. Isto emmédia, claro. E o problema reside principalmente aí. Estou, assim de repente, alembrar-me daquela história – não sei se verdadeira mas tenho boas razões paraacreditar que sim – de um vereador de um dos maiores municípios do país,simultaneamente detentor de um cargo numa empresa municipal e que,alegadamente, nem sequer sabia onde ficava a sede. Embora – isto tambémalegadamente – a generosa retribuição nunca tivesse deixado de ir estacionar nasua conta bancária.
Ora um gajo destes estraga claramente a média.Depois temos ainda aqueles fulanos que acumulam vários lugares em instituiçõesdiferentes. Apesar de toda a genialidade que sobejamente lhes é reconhecida,não terão o poder de estar, simultaneamente, em dois ou mais lugares. O queconstitui mais uma desgraça para a estatística. A menos – hipótese que nem ousocolocar – esta malta não entre nestas contas.
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publicado às 20:23

A média é quase sempre uma má maneira de medir...
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publicado às 20:23


Achopiada à tese, maioritariamente aceite como boa, que defende a incidência doimposto natalício, para além de outros ganhos, também sobre os juros dedepósitos a prazo. Para a esquerda de uma maneira geral e para grande parte dosopinadores com direito a voz nas televisões, essa abrangência seria da maisinteira justiça, ao contrário de, como pretende o governo, taxar apenas osrendimentos do trabalho.
Considero,como escrevi noutras ocasiões, que este imposto produzirá efeitos nefastos naeconomia. Não vejo por isso que abranger outros rendimentos lheacrescente qualquer tipo de justiça. Deixemos-nos de fingimentos e hipocrisias.Provavelmente muitos dos que vão ser abrangidos pelo corte no subsídio de Natalpossuem acções e, seguramente, a larga maioria são titulares de depósitos bancários.Taxar estes rendimentos seria penalizar quem já vê parte significativa do seutrabalho ir direitinha para os cofres do Estado e cobrar, ainda mais, aosmesmos.
Nemvale a pena espernear muito em busca de argumentos contrários ao que acabo deescrever. Nem, sequer, armar em anjinho de pau carunchoso e acreditar que é apenasuma minoria que detém produtos financeiros. De acordo comos dados do boletim estatístico do Banco de Portugal, hoje divulgados, o totalde depósitos aplicados por particulares atingiu os 122.249 milhões de euros emMaio, mais 1,386 mil milhões de euros face a Abril. Por detrás destes númerosestão, forçosamente, pessoas. Que trabalharam, pouparam e investiram. Entre osquais se encontram muitos reformados, que têm nos juros obtidos um complementopara as suas reformas. Mas, apesar disso, há quem considere uma injustiça nãolhes sacar umas massas. Opiniões.
Reitero a minha convicção que, feito o apuramentofinal, o resultado do impacto deste imposto na economia e, por consequência,nas contas do Estado a médio e longo prazo será trágico, e tudo o que sejaalargar a tributação servirá apenas para aumentar a dimensão dessa tragédia. Masisso não é preocupante. Os dos costume continuarão a pagar os desvarios dosinimputáveis do regime.
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Pagar uma vez é mau. Justo, mas mesmo justo, seria pagar duas. Ou três, vá.
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O passado está de regresso

por Kruzes Kanhoto, em 20.07.11
Desdeo final da década de oitenta - princípio dos anos noventa do século passado, vá- até há dois ou três anos atrás, era raríssimo ver ciganos nómadas por estasparagens. Agora, carroças repletas desta gente, são uma presença constante nasestradas do distrito de Évora. Não sei a que se deve tão estranho fenómeno mas,de verdade, não me agrada. Nem é por serem feios, porcos e, possivelmente,maus. Nada disso. O meu desagrado tem mais a ver com as memórias de um tempo emestas caravanas eram constituídas por muitas mais carroças e integravam largasdezenas ou centenas de pessoas que, à sua passagem, iam roubando o que podiam.Quase sempre a pessoas que pouco mais tinham do que eles, diga-se.
Éa memória desse tempo, que parece prestes a regressar, que me causa um certocalafrio e me provoca, perante este cenário, um sentimento de déjà vu. Esperoestar enganado e este não constitua mais um sinal de que estamos em claroprocesso de regressão social. Admitamos, antes, que esta malta aprecia anatureza, possui um indomável espírito de liberdade e que prefere levar a vidaa passear. Admitamos. Até porque por estas bandas nem há areia onde possamosesconder a cabeça.
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publicado às 22:42

O passado está de regresso

por Kruzes Kanhoto, em 20.07.11
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Crise de valores

por Kruzes Kanhoto, em 19.07.11

Sempreconsiderei que é preciso um enorme descaramento e uma colossal falta de vergonha  – assim mesmo, sem nenhum conjunto de palavras pelo meio que possa darazo a interpretação diversa – para pedir, que é como quem diz exigir, um subsídioa uma instituição pública para realizar uma festa, fazer uma jantarada oupromover um qualquer evento semelhante. Na actual situação em quevivemos vou ainda mais longe. Continuar a exigir – quase encostar os autarcas àparede, não é mera figura de retórica – apoios para os mais variados disparatesque dirigentes associativos idealizam, constitui um acto lesivo do interesse detodos os portugueses e que me enoja profundamente. A existência de dinheiropúblico a financiar cantorias e cambalhotas, bejecas, camarão ou frango assado é,principalmente numa altura como a actual, um verdadeiro escândalo que deviaenvergonhar a todos os que, em alguma parte do processo, tem uma palavra adizer.  
Quandose solicitam estes apoios, são evocados motivos aparentemente muito nobres quejustificam a sua concessão. Desde o interesse público até coisas realmenteimaginativas, como a promoção e a divulgação do concelho em causa.  Seja lá o que for que isso queira dizer.Presumo que terá sido nesse contexto que os “Amigos da Festa Brava”, certamenteuma associação de reconhecido interesse público e que eventualmente promoverá oconcelho onde está sediada, ganharam quase oito mil e duzentos euros de subsídioatribuído pela Câmara lá da terra. No entanto, nessa mesma terra, muitas famíliasdeixaram de receber abono de família, pagam bastante mais irs e vão ver partedo seu subsídio de Natal ser absorvido pelo imposto natalício. É a crise. Devalores.
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publicado às 23:34

Crise de valores

por Kruzes Kanhoto, em 19.07.11
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Um pelo preço de dois

por Kruzes Kanhoto, em 17.07.11
Numaloja de electrodomésticos de uma conhecida cadeia de hiper-mercados, enquantoaguardava a minha vez de pagar, decorria na caixa ao lado um dos maisinteressantes negócios a que já tive a oportunidade de assistir. Um casal tinhaacabado de adquirir uma arca congeladora e, como medida de protecção adicionalà garantia, o vendedor propunha-lhe a subscrição de um seguro que, durantecinco anos, cobriria toda a espécie de azares que pudessem acontecer ao aparelho.Pela módica quantia de três euros e sessenta por mês. Uma insignificância quandocomparada com a tranquilidade proporcionada, acrescentava. Qualquer coisa comoduzentos e dezasseis euros no final dos sessenta meses, se nos dermos ao trabalhode fazer a conta.
Ao contrário do que seria de esperar, o casal – aparentemente de condição humilde, mas com idadepara ter juízo - não demorou muito tempo a concluir pela aceitação da propostado vendedor e, assim de repente, levar um electrodoméstico para casa e assumiro compromisso de pagar outro. Perante um cenário como o descrito anteriormente nãoé difícil concluir que os portugueses se deixam convencer com facilidade,manifestam uma confrangedora iliteracia financeira e uma preocupanteinabilidade para fazer contas. Assim não vamos lá. Contudo ajuda a explicarporque chegámos até aqui.
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publicado às 21:58

Um pelo preço de dois

por Kruzes Kanhoto, em 17.07.11
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Uma "brasa" no Ministério da Agricultura (*)

por Kruzes Kanhoto, em 16.07.11
Mesmocolocando as mais sérias reservas quanto à sua eficácia, aplaudo as medidasimplementadas pela nova Ministra da Agricultura visando a optimização dosrecursos energéticos pelos serviços do seu ministério. Se, por um lado, tudo oque envolve poupança me parece bem, já, por outro, não se me afigura que osimples facto de deixar de usar gravata e, por isso, poupar no ar condicionadoresolva grande coisa. Até porque a ministra já manifestou publicamente a suacondição de friorenta, o que não augura nada de bom quando, lá mais para oOutono, as temperaturas começarem a baixar. A menos que, por essa altura, sejaemitida alguma ordem de serviço a aconselhar os funcionários a incluir na suaindumentária gorros, cachecóis, luvas, sobretudos e ceroulas. Ou, fica asugestão, os serviços do ministério distribuam uma mantinha a cada colaborador.De preferência daquelas artesanais para estimular a economia das zonas rurais.
Oque, de todo, me desagrada é que a alegada poupança tenha apenas como alvo agravata. Ou, visto de outra forma, que apenas o pescoço masculino mereça seraliviado dos apertos a que normalmente está sujeito nos gabinetes e corredoresinstitucionais. Surpreende-me que as feministas de serviço, os mais variadosgrupos pela igualdade e, até, o Bloco de Esquerda, não tenham ainda vindoreclamar pela institucionalização do decote generosamente mais amplo ou da saiamais curta. Tudo, claro, em nome da poupança, da redução da pegada ecológica e,principalmente, do direito das mulheres a arejarem aquilo que muito bementenderem.

(*)Pelo conteúdo do texto percebe-se claramente que a “brasa” a que me refiro é atemperatura. Nada de más interpretações que o respeitinho é muito bonito e istoé um blogue sério.
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publicado às 21:53

Uma "brasa" no Ministério da Agricultura (*)

por Kruzes Kanhoto, em 16.07.11
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Fogaréu

por Kruzes Kanhoto, em 14.07.11
Faz-me espécie que, ano após ano, este cenário se repita nesta zona da cidade. Há, pelo menos, vinte e dois anos que em cada Verão os incêndios em redor das muralhas ocorrem com inusitada frequência. Que, refira-se, apenas não é estranha à força de tanto se repetir. 
Não existe por ali nada que potencie, mais que em qualquer outro local, o risco de incêndio. Nem, que se saiba, nada que interesse queimar. Daí não se perceber o que motivará o constante arder daqueles pastos. A não ser que estes – coisa difícil de acreditar – possuam invulgares características capazes de provocar a sua combustão espontânea. 
Se calhar, digo eu que não percebo nada de fogueiras, o melhor será mesmo deixar arder tudo de uma vez. A menos que se pretenda que estes pequenos focos de incêndio sirvam como teste à prontidão e capacidade operacional das forças competentes para intervir nestes assuntos. O que, bem vistas as coisas, até nem parece mal de todo.
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Fogaréu

por Kruzes Kanhoto, em 14.07.11
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Um coice na crise?

por Kruzes Kanhoto, em 13.07.11
Esta imagem poderá revelar-nos que estaremos já em fase de retoma económica ou, pelo contrário, que regressámos ao tempo em que – presumo, porque não vivi nessa época – se comercializavam muares no principal largo da cidade. Seja como for, é de saudar o espírito de iniciativa destes comerciantes que resolveram mostrar as suas alimárias a eventuais compradores. 
Será, talvez, também um sinal que o regresso à terra – à lavoura, vá – está para breve. Quem sabe, com recurso aos métodos mais tradicionais e amigos do ambiente. Ou, vistas as coisas noutra perspectiva, poderão constituir uma alternativa aos actuais meios de transporte. Dispensam seguro, não gastam combustíveis fósseis e são fáceis de estacionar. Apesar disso desconfio que não terão grande sucesso no negócio. De resto só um parvo iria comprar uma mula a um cigano quando pode ter um jipe à borla. Ou com pouco trabalho e alguma ciganice. E os lavradores, como se sabe, não são nada parvos.
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Um coice na crise?

por Kruzes Kanhoto, em 13.07.11
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Patriotas, mas só relativamente.

por Kruzes Kanhoto, em 12.07.11
Opatriotismo evidenciado pelos portugueses desde que a Moody'sconsiderou a divida lusa como lixo é deveras enternecedor.Comovente, até. A maioria de nós descobriu, assim de repente e semque nada o fizesse prever, uma repentina paixão patriótica. Quasetão intensa como naquele longínquo Verão de 2004 em enfeitámostudo e mais alguma coisa com bandeirinhas nacionais. Daquelascompradas nas lojas dos chineses.
Apesarde achar alguma piada às tentativas de chatear os gajos da Moody's –ao ponto de também ter acedido e feito refresh inúmeras vezes nosite da organização - e admitindo que as agências de notação atépodem ser uns chatos do caraças, insisto, tal como escrevi aqui, quea culpa é quase exclusivamente nossa. Ninguém nos obrigou a pedirdinheiro emprestado. Nem, ainda menos, a não regularizaratempadamente os nossos compromissos. Só em processos de acçãoexecutiva a aguardar cobrança admite-se que estarão mais de vintemil milhões de euros. Sensivelmente um terço da chamada ajudaexterna recentemente negociada. Coisa pouca, portanto.
Admitoque, sem a quantidade astronómica de dinheiro que nas últimasdécadas desaguou no país, a nossa vida não seria a mesma coisa.Provavelmente não teríamos auto-estradas onde passam quase tantosveículos quantos os passageiros que embarcam ou desembarcam noaeroporto de Beja. Não haveria um campo de futebol relvado em cadaaldeia e o Tony Carreira, certamente, daria menos concertos. Nãoteria sido construído um parque habitacional suficiente paraacomodar vinte cinco milhões de habitantes nem, quase de certeza,veríamos qualquer gaiato ranhoso com o pai desempregado e a mãe norendimento mínimo a manusear um telemóvel de última geração. Nãoera, de facto, a mesma coisa. Mas, se calhar, não era pior.
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publicado às 23:02

Patriotas, mas só relativamente.

por Kruzes Kanhoto, em 12.07.11
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Deve ser uma espécie de montra...

por Kruzes Kanhoto, em 10.07.11

Odono deste veiculo pesado quer livra-se dele. Provavelmente já nãoé útil à sua actividade, pretende realizar algum capital ou,então, terá uma qualquer outra razão que não vem ao caso para ocolocar à venda. É lá com ele. Está no seu direito e não temosnada a ver com isso. Principalmente quando – obviamente também écoisa que nem questionamos – terá pago todas as licenças que ohabilitam a ter um bem em venda num espaço público.
Oque já me parece questionável é a necessidade da viatura estarali. Precisamente ali. Não mais à frente, ao lado ou mais atrás,mas exactamente naquele local que antes era ocupado por umainoportuna pernada da árvore. Entretanto removida, como se pode verna imagem, para dar lugar à camioneta que alguém pretende vender. Ramo esse que, como se pode constatar, nem se deu ao trabalho de colocar em local que pudesse ser recolhido pelos serviços de limpeza. Foi, como é visível, direitinho para a berma da estrada nacional.
Pertinenteé, igualmente, o sentimento de impunidade que permite a alguns teremeste tipo de comportamento. São muitos e muitos anos a cometer todoo tipo de tropelias impunemente. Danificar propositadamente umaárvore, plantada na via pública, com o intuito fútil de estacionarum camião pode ser coisa pouca. Constitui, no entanto, uma atitudereprovável e bem elucidativa do que, até nos mais pequenos pormenores, é hoje a bandalheira em que setornou o nosso país.
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publicado às 17:37

Deve ser uma espécie de montra...

por Kruzes Kanhoto, em 10.07.11
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"Portantos, ainda hadem vir mais!"

por Kruzes Kanhoto, em 08.07.11

Umhomem muda de mulher, de partido, de opinião, de religião e,alguns, até de sexo. No entanto, por uma qualquer deficiência defabrico que a ciência se revela incapaz de explicar, não conseguemudar de clube. Algures durante o processo de crescimento torna-seadepto de uma agremiação desportiva e, queira ou não, nunca maisse livra dessa paixão. O que é pena.
Pormim, benfiquista desde sempre, nomeadamente do tempo em que não eradado a estrangeiros o privilégio de vestir a camisola do glorioso, éparticularmente doloroso ver aquilo em que se está a tornar o maiorclube português. Despedem-se os jogadores que ainda constituíam aspoucas e vagas referências e mandam-se vir charters depseudo-craques do outro lado do Atlântico. Quase sempre de qualidadeinversamente proporcional ao dinheiro que custam.
Nemsei – e para dizer a verdade prefiro nem saber – se, entre aslargas de artistas do pontapé na bola, haverá por lá meia dúziaque tenha nascido cá pelo rectângulo. Provavelmente esta obsessãodo treinador por gente de fora e a pressa que manifesta em despacharos poucos portugueses, terá a ver, mais do que com opçõestécnico-tácticas, com a pouca vontade de ter no balneáriojogadores que não conseguem evitar um sorriso trocista quando oouvem falar. Consta que o homem prefere os estrangeiros porque, pelomenos ao principio, não se apercebem das suas constantes calinadas.
Omeu benfiquismo passou incólume por catorze anos sem títulos.Suportei estoicamente goleadas de cinco ou sete golos e outrashumilhações igualmente penosas. Receio, contudo, que fique abaladopor esta pré-época. E um sinal preocupante que isto pode estar aacontecer é quando dou por mim a fazer zapping logo que, nostelejornais, surgem noticias do Glorioso. Exactamente o mesmo quefaço quando os noticiários se referem a Andrades e Lagartos. Terei de certeza,lamento pensá-lo e ainda mais escrevê-lo, alguma dificuldade em vibrar com uma equipa quese apresentará no relvado sem jogadores portugueses. Coisa que nãose vê nem na Roménia ou em Chipre.
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publicado às 19:53

"Portantos, ainda hadem vir mais!"

por Kruzes Kanhoto, em 08.07.11
"Portantos, ainda hadem vir mais!"
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São lixo?! E foi preciso pagar para saber isso?!

por Kruzes Kanhoto, em 07.07.11
Masporque raio há-de uma Câmara Municipal ser avaliada por uma agênciade notação financeira?! Por mais que me esforce não consigoenxergar uma única vantagem para os munícipes dos municípiosavaliados e, se a lei não mudou desde ontem, os segundos apenasexistem para satisfazer as necessidades dos primeiros. Neste caso nemos argumentos muito rebuscados, que os autarcas – e os políticos,de uma maneira geral – costumam utilizar para justificar decisões racionalmente injustificáveis, servem de fundamento. A menos que nos queiram provocar, detanto riso, uma valente dor de barriga.
Nãoestou por dentro dos preços – por acaso nunca me ocorreu entrarnesse ramo de negócio – mas, calculo, um servicinho deste géneronão deve sair nada barato. Será, acredito, tão caro quanto inútil.Até porque, por melhor que fosse a classificação obtida, nãoserve para nada. É, por isso, muito bem feito que as Câmaras que osolicitaram tivessem sido consideradas como lixo. Estavam mesmo apedi-las.
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publicado às 22:50

São lixo?! E foi preciso pagar para saber isso?!

por Kruzes Kanhoto, em 07.07.11
São lixo?! E foi preciso pagar para saber isso?!
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publicado às 22:50


Provavelmenteserei dos poucos que não embarcam nessa nova moda nacional de dizermal das agências de rating, que de repente transformou cadaportuguês num auto-proclamado especialista em análise de risco deinvestimento. Até porque “lixo” ainda não me parecesuficientemente grave. Por mim apenas vou ficar aborrecido – masmesmo assim só um bocadinho - quando a divida nacional forclassificada como ”merda de cão”. Grau que, por este andar, nãodemorará a atingir.
Nãosei se as tais agências erram ou não muitas vezes nas apreciaçõesque fazem. Desconfio que não. Se assim fosse, se calhar, já nãotinham clientes. A menos que a estes perder dinheiro desse umespecial gozo. É verdade que falharam redondamente quandorecomendavam como bom negócio o tal banco que faliu lá para asAméricas mas, que diabo, de gente que se engana de forma ainda maisredonda estamos todos nós mais que fartos.
Assim,de repente, nada me ocorre que possa ter causado tanta perplexidadena classificação da divida portuguesa como lixo financeiro. Isto,mal comparado, é como se eu for todos os meses ao banco pedir umempréstimo para manter o nível de vida a que estou habituado e,simultaneamente, o meu rendimento mensal não parar de ficar cadavez mais reduzido. Nestas circunstancias será perfeitamente normalque o fulano do banco – provavelmente um rapazola, escondido atrásde um computador e, quase de certeza, com ar de fuinha – comece adesconfiar da minha capacidade de cumprir com o pagamento e, àstantas, é gajo para me considerar um cliente de alto risco.
Nadadisto acontecia se não recorrêssemos sistematicamente ao crédito enos limitássemos a viver à medida da nossa capacidade de gerarriqueza. Ou, dito de outra maneira, não quiséssemos armar naquiloque não temos dinheiro para ser. Aí estaríamos-nos nas tintas paraas tais agências, podíamos mandar os mercados dar uma volta e rirna cara dos especuladores. Mas não. Nós somos mesmo assim. Nãogostamos é de ouvir a verdade.
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publicado às 22:48

Agências de rating prestes a considerar divida portuguesa como "merda de cão"
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publicado às 22:48

O ordenado da senhora FMI

por Kruzes Kanhoto, em 05.07.11

Nadatenho contra os ordenados chorudos que por aí se vão praticando. Épor isso que não partilho da indignação que assola uns quantoscomentadores, relativamente ao vencimento a auferir pela senhorafrancesa que vai chefiar o FMI. Há que ser realista. Está em causauma instituição que opera à escala planetária, que movimenta umaquantidade inimaginável de dinheiro pelo que, assim sendo, o cargo deveser principescamente pago. O que, bem vistas as coisas, nem é o caso.Principalmente se tivermos em conta que a gaja vai ganhar menos que ochefe máximo da Caixa Geral de Depósitos. Um banco que, segundojulgo saber embora isso não seja relevante para o caso, nem estaráentre os cem maiores bancos do mundo. Portanto, nem mesmo pensando ànossa dimensão, se pode considerar que a criatura tenha um saláriopor aí além. Dá para ir vivendo, mas não é lá grande coisa.
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publicado às 23:01

O ordenado da senhora FMI

por Kruzes Kanhoto, em 05.07.11
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publicado às 23:01

Ajudar os "desgraçadinhos" é prioridade nacional

por Kruzes Kanhoto, em 04.07.11
Emtese será muito defensável a ideia de que uma reduçãosignificativa da Taxa Social Única, paga pelas empresas sobre aremuneração dos trabalhadores ao seu serviço, contribuirá paraaumentar a competitividade da economia portuguesa. Supõem osdefensores desta ideia que a diminuição de encargos com o factortrabalho terá reflexos nos custos finais dos produtos ou serviçoscomercializados o que, por consequência, se traduzirá por preçosmais baixos. O que significa, ainda para quem defende esta tese, queas empresas exportadoras ficarão em melhores condições deconcorrer no mercado externo. Internamente os benefícios também sefarão sentir porque, garantem os apoiantes da ideia, será possívelproduzir a preços mais competitivos para o mercado interno e, assim,diminuir as importações.
Sóvantagens, portanto. Estamos em presença de um plano quase perfeito.Engendrado, talvez, por um génio da táctica. Assim a modos que umaespécie de Mourinho da economia. Confesso que até o meu aguçadoespírito critico se depara com inesperadas dificuldades emencontrar pontos fracos, ou criticáveis, em ideia tão brilhante.Digamos que apenas um pequeno pormenor me inquieta. Muitoligeiramente, é certo, mas ainda assim não me deixa inteiramentedescansado. Que é o facto de em Portugal os patrões – o queraramente é sinónimo de empresário – serem, na sua imensamaioria, portugueses. Trata-se de uma classe constituída, em grandeparte, por aldrabões, broncos e semi-analfabetos, sempre prontos aenganar tudo e todos. Seja o Estado, os trabalhadores ou os clientes. Daí que não me espantaria se, a verificar-se a prometida reduçãoda TSU, ela fosse encaminhada, ao contrário do pretendido, para oaumento da importação. De Ferraris, uísque, brasileiras e tudo omais que ocorra à fértil imaginação do patronato nacional.
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publicado às 23:28

Ajudar os "desgraçadinhos" é prioridade nacional

por Kruzes Kanhoto, em 04.07.11
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publicado às 23:28


Prevê-seque a metade do subsidio de natal convertida em imposto renda aoscofres do Estado qualquer coisa como oitocentos milhões de euros.Pecúlio indispensável, dizem, ao cumprimento das metas do défice.Será, também, uma espécie de adiantamento. Quando o Costa do BPN -e restantes amigalhaços - forem condenados a pagar ao Estado cadaeuro que este já injectou, mais os mil milhões que se prepara parainjectar, naquele arremedo de banco, seremos todos reembolsados. Ecom juros, naturalmente.
Porsua vez a RTP custa aos contribuintes um pouco mais de trezentos etrinta e quatro milhões de euros por ano. No entanto, em nome dosinteresses das estações privadas, não se pode privatizar e, assim,aliviar desse fardo quem ainda vai pagando impostos. Ia estragar onegócio ao tio Balsemão e aos chatos da TVI que, lixados como são, eram gajospara ir buscar outra vez a Manuela Moura Guedes. Ou porque, dizemoutros, é fundamental manter um serviço público de televisão.
Pormim estou claramente dividido. Sem décimo terceiro mês aindaconsigo sobreviver, mas quem me tira o inenarrável “Último asair”, ou aqueles programas com parolos aos berros que preenchem asmanhãs e as tardes do canal público, tira-me tudo. Isso sim é que éserviço público. Mas, por outro lado, o graveto dava-me um jeitãodo caraças. É que sem ele vou ter de passar a beber Cergal...
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publicado às 23:51

O Estado é um gordo comilão que recusa fazer dieta
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publicado às 23:51

Assalto ao pote

por Kruzes Kanhoto, em 02.07.11
Mudarde vida nem sempre é fácil. Principalmente quando essa mudança épara pior. A isso chama-se por cá passar de cavalo para burro e,naturalmente, constitui uma alteração pela qual ninguém gosta depassar. Infelizmente vivemos um dos momentos mais difíceis dasultimas décadas e, queiramos ou não, estamos a ser obrigados amudar radicalmente os nossos hábitos. Por mais que não concordemos. O pior que podemos fazer é assobiar para o lado, continuar aproceder como até aqui e manter o estado de negação da realidade aque temos vindo a assistir nos últimos meses.
Poucossão, pelo menos a julgar por noticias que se vão lendo ou ouvindo,os que parecem ter consciência desta realidade. Veja-se o caso de umgrupo de cristãos, de uma localidade do interior do país, que nãoesteve com mais aquelas e vá de pedir um subsidio, no valor detrezentos euros, à autarquia lá do sitio, para a realização de umpasseio cultural e de recreio dos mais directos colaboradores dacomunidade cristã ao monumento do Cristo Rei, em Almada. Subsidioque, naturalmente, foi concedido.
Nãoestá em causa o valor, quase insignificante, do apoio concedido. Oque me espanta é a distinta lata de um grupo de pessoas que resolveir passear e pedir para isso financiamento público. Não estáigualmente em questão a legitimidade da atribuição do referidosubsidio. O exemplo que é transmitido, por quem pede e por quem dá,é que me parece absolutamente deplorável. Se, em lugar de trezentoseuros, fossem trinta mil que se destinassem a apoiar em termos desaúde, alimentação ou para suprir outras carências de quemrealmente necessita, seria uma iniciativa louvável que revelaria apreocupação de todos os envolvidos com as necessidades dos seussemelhantes. Assim dá quase a impressão de que, uns e outros,parecem ter manifesta dificuldade em perceber que o dinheiro públiconão pode servir para satisfazer prazeres pessoais. Por mais pequenosque sejam.
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publicado às 13:31

Assalto ao pote

por Kruzes Kanhoto, em 02.07.11
Assalto ao pote
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