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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Quando a noticia ainda é parva do que a ideia...

por Kruzes Kanhoto, em 22.02.17

A ideia daquele vereador sueco que propõe uma pausa diária de uma hora nos serviços da autarquia para o pessoal tratar de ir dar uma queca, perdoem-me os admiradores da proposta, não passa de uma idiotice. Por todas as razões. A maior parte delas facilmente entendíveis até por qualquer mentecapto.

Estranho - ou, talvez, nem tanto - é isto ter sido notícia por cá.  Com destaque em letras garrafais e tudo, como se de algo importante se tratasse. Já outras coisas que se passam por aquelas bandas não merecem da comunicação social tuga nem uma leve referência. Critérios. Que, diga-se, também são fáceis de entender. Carros a arder, desordens quase diárias e relatos de vítimas de todo o tipo de violência constituem quase sempre um excelente material para exibir em televisão. Mas isso para os gajos das notícias, nos tempos que correm, depende da cor da pele, da origem e da religião professada pelos desordeiros.

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Fora do sitio do costume.

por Kruzes Kanhoto, em 21.02.17

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De certo alguém se arrependeu de levar a botelha para casa. Vai daí ficou mesmo ali, junta com a farinha. Nada de mais. Outro alguém tratará de a recolocar no lugar devido. É, no entanto, uma atitude que diz muito acerca do nosso modus vivendi.  Qualquer coisa assim do tipo, "outro o fará por mim" ou isso.  

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Velhinha terrorista

por Kruzes Kanhoto, em 20.02.17

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Concordo que o mundo é um lugar perigoso. Muita gente começou a reparar nisso há coisa de um ou dois meses. Ainda que pelos motivos errados, pois a ameaça vem de outro lado. Reconheço que a liberdade está ameaçada e que, um destes dias, aquilo que consideramos como adquirido, nomeadamente em matéria de direitos, poderá não ser algo tão garantido como supúnhamos.  

Esse dia já chegou para muitos. Aqui, na Europa dita democrática. Que o diga uma senhora inglesa, de setenta e oito anos, que foi detida pela policia local depois de ter escrito no seu blogue pessoal que o país está a ser invadido por uma "maré de guerreiros islâmicos". Apesar de libertada pouco depois, ficou sem o telemóvel e o computador pessoal - confiscados pelas autoridades policiais -  e, provavelmente, enfrentará a acusação de promover o ódio racial.  

E é a isto que, cada vez mais, iremos assistir. A criminalização da liberdade de expressão. Algo particularmente sinistro que julgávamos completamente erradicado da sociedade ocidental. Parece que, afinal, os europeus não têm o direito a expressar, no seu próprio país e em público, opiniões contrárias à ditadura do pensamento único estabelecida pelos imbecilóides do politicamente correcto. Depois admiram-se que Trumps, LePens e outros figurões ganhem eleições ou estejam cada vez mais perto disso... 

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Corrida inclusiva. Ou quase.

por Kruzes Kanhoto, em 19.02.17

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Este cartaz todo catita parece constituir um incentivo à salutar prática desportiva. Exorta os portugueses a correr. Com todos, que os seus autores não gostam de discriminações. Embora, olhando bem para a mensagem, seja possível detectar uma ou outra discriminaçãozinha. Os coxos, por exemplo, não podem praticar a saudável actividade que é a corrida. Logo estarão excluídos do "todos". Não se faz.  

Por mim não alinho nisso. Não corro. Não me apetece. Prefiro caminhar. Pratico todos os dias e, por enquanto, com resultados positivos. Ali entre a meia-noite e as oito da manhã, mais coisa menos coisa, farto-me de caminhar. Com a minha Maria. Que isso do todos – ou todas, que não quero ser acusado de polidiscriminar ninguém - seria uma grande confusão.  

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Ou isso ou começam as escassear as causas fracturantes...

por Kruzes Kanhoto, em 18.02.17

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Contra todas as expectativas, o país está muito melhor. Damos conta disso quando olhamos para as causas que, hoje por contraponto ao que se passava antes, preocupam os portugueses. Nas escolas, por exemplo. Agora o problema são as mochilas que desengonçam os costados dos putos. Os mesmo pirralhos que antes, coitados, desmaiavam por causa da larica. Presumo que nessa altura arrastassem penosamente as mochilas de tão esfaimados que estavam e, por não terem força para as carregar no lombo, a ameaça de futuros de bicos de papagaio se não colocasse. Passámos assim, quase de um momento para o outro, da preocupação com a sobrevivência para a luta pela qualidade de vida. Ainda bem. São os pequenos milagres que só uma governação de esquerda consegue produzir.  

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A sério?!

por Kruzes Kanhoto, em 17.02.17

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A direita – esse bando de mal feitores e de gente ruim – quer matar a Caixa. Berram os garotos que, lá pelo parlamento, dão voz ao partidos que sustentam a geringonça. Que eles o façam, as pessoas normais até toleram. Coitados, são novos. Aquilo, um dia, há-de passar-lhes. Agora gente com idade para ter juízo achar que pretender saber até onde foram as pantominices – ou mesmo os erros de perceção, vá - é mais prejudicial à saúde da instituição do que as tropelias cometidas por lá ao longo de umas dezenas de anos, é que já parece uma coisa assim um bocadinho estranha. Não sei, digo eu que não percebo nada de finanças. Só desconfio - é cá uma ideia minha -  que o crédito malparado costuma ser ligeiramente pior para  o negócio da banca do que saber se o gajo que manda naquilo é ou não um pantomineiro. Mas isso é na vida real. Coisa que os tais garotos não sabem o que é.  

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A tranquilidade da bicha

por Kruzes Kanhoto, em 16.02.17

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Ao contrário do que esperava ainda não dei conta de nenhum desaguisado – nem um quiproquó, ao menos – relacionado com a nova lei da prioridade no atendimento. Nomeadamente nas caixas dos supermercados. Falhei redondamente nas previsões, admito. O que, diga-se, é perfeitamente normal isso de eu errar os prognósticos. Mas, neste particular, ainda bem que a ausência de ocorrências derivadas da questão tem sido a norma. O que só pode significar uma coisa. Os portugueses são muito mais inteligentes que os políticos. Continuam a fazer a sua vidinha e estão-se nas tintas para as leis parvas que eles inventam.  

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Cem Tino

por Kruzes Kanhoto, em 14.02.17

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Curiosa a campanha que os escribas de esquerda -  na sua maioria, porque ainda há um ou outro sério que não alinha nessas coisas – no sentido de branquear as pantominices do Centeno. Nomeadamente quando as mesmas encrencas disseram o que Maomé não disse do toucinho, a propósito de cenas parecidas protagonizadas por gente da direita. Ou mesmo de esquerda. Como o Sócrates, por exemplo. Isto, evidentemente, cingindo-nos apenas ao âmbito da aldrabice. 

Faz-me confusão, isso. Não entendo como é que o cidadão comum, que escreve em blogues, desabafa no Facebook ou atira umas larachas numa roda de amigos não consegue manter a lucidez suficiente – e nem é precisa muita – para perceber que patetices destas acontecem com todos os que estão envolvidos na politica. Sejam ou não da facção que mais nos agrada.  

Isto está cada vez mais parecido com o futebol. O nosso clube do coração joga sempre bem e merece sempre ganhar. O que, no meu caso, até é verdade. Mas isso sou eu, que sou do Benfica e isso me envaidece.  

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Multidiscriminação?! Eh pá, vão mazé é prá p*** que os pariu!

por Kruzes Kanhoto, em 13.02.17

Ainda bem que temos um governo que se preocupa com coisas importantes. Assim tipo criar novos conceitos. Daqueles que importam às pessoas em particular e aos militantes do politicamente correcto em geral. Tipo a multidiscriminação - alguém que é discriminado por ser gordo e maricas - e a discriminação por associação, que acontece, por exemplo, se um velhote que se desloca com duas jovens brasileiras a um serviço público é mal atendido por estar com elas.  

Mas há mais. Discriminações que se baseiam na ascendência ou no território de origem, ou seja, que digam respeito a afrodescendentes, passarão também a merecer uma especial atenção. Aqui não são dados exemplos mas, presumo, passará a estar incluído aquele dichote de mandar para a terra dele um negro que tenha nascido na Amadora. Ou, digo eu, contar anedotas e piadolas visando ridicularizar os protagonistas em função do local de onde são oriundos. Mas, quanto a esta última parte, apenas se envolver coxos ou marrecos, certamente. 

Por fim algo que se afigura potencialmente perigoso e que terá sido sugerido por um comité qualquer da ONU. O suposto agressor é que deve provar que não cometeu aquilo de que é acusado. Num país onde quem mata uma pessoa, ainda que perante várias testemunhas, é considerado inocente até a sentença transitar em julgado, parece-me ser qualquer coisa para nos deixar preocupados. Pelo menos àqueles que gostam da democracia. 

Voltarei, obviamente, ao assunto. 

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Organizem-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 12.02.17

O ser humano é lixado. Nunca está satisfeito. Queixa-se de tudo. Uma jovem escocesa lamenta-se por ter acertado no euromilhões. Diz que o prémio – um milhão de euros, que até nem é coisa por aí além – lhe arruinou a vida. Coitada. Acredito. Só não percebo é a razão que agora a leva a processar a casa de apostas que organiza aquilo no Reino Unido. Pretende, ao certo, o quê?! Ser indemnizada pelas chatices que a fortuna lhe trouxe? Pois. É capaz de ser isso. Ou, então, é o guito a chegar ao fim.

Outros que também nunca estão satisfeitos são os tugas. Fartam-se de criticar os políticos que não cumprem as promessas feitas em campanha. Mas quando algum as cumpre, ainda que estrangeiro, atiram-se às canelas do homem. Aqui d’el rei que o gajo está mesmo a fazer o que prometeu. Não há paciência para aturar tanto especialista em política internacional. É moda. Mesmo entre aqueles que, no seu quotidiano, têm tiques em tudo iguais aos do Trump. Quase todos, se puserem bem a mãozinha na consciência.

E depois há aquela coisa dos ministros que se devem ou não demitir quando dizem mentiras. Embora quanto a isso, reconheço, os portugueses manifestem um nível de coerência bastante aceitável. Se o ministro mentiroso fôr de direita, deve ir-se embora. Se é de esquerda, fica. Compreendo. É tudo uma questão de princípios. Ou de falta deles.

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Uma espécie de dica de poupança.

por Kruzes Kanhoto, em 11.02.17

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Sou, como já escrevi noutras ocasiões, um adepto entusiástico das energias alternativas. Por agora apenas manifesto umas quantas reservas em relação aos automóveis eléctricos. A autonomia, aquilo das baterias demorarem uma eternidade a carregar e, principalmente, o preço da sua substituição deixam-me bastante céptico. Nestes aspectos ou a investigação carrega no acelerador ou terá de aparecer um qualquer outro “combustível” alternativo.

Mas, escrevia, sou um adepto das novas formas de obter energia. Tanto assim é que, para além do aquecimento de água, também tenho no meu telhado um daqueles painéis para produção de energia. Coisa que, garantiam-me, não valia a pena. Demasiado tempo até recuperar o valor do investimento, constituía – e constitui ainda, para os detratores da ideia – o principal argumento. Não vejo a coisa por esse prisma. Prefiro olhar para os mais de dezasseis por cento de poupança obtida. Ou para o facto de o dinheiro despendido com a aquisição do equipamento, se depositado num banco, não ter, nem de perto, a mesma rentabilidade.

Claro que num dia como hoje, sem sol, aquilo não produz nada. Mas essa é a excepção. 


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Orçamento participativo

por Kruzes Kanhoto, em 09.02.17

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Essa cena do orçamento participativo é das ideias mais parvas, demagógicas e populistas que já vi ocorrerem aos políticos. Até ainda não há muito tempo afectava apenas a moleirinha de uns quantos autarcas. Este ano contagiou, também, o governo. Estão, ao que é anunciado oficialmente, reservados uns quantos milhões - poucos, felizmente – destinados a promover iniciativas propostas pela sociedade civil e que, depois de submetidas a sufrágio, mereçam a escolha do maior número de cidadãos. Isto, dito assim, até se afigura como uma coisa muito valorizável. O pior é que, ao contrário do que se pode depreender, o país não tem dinheiro. Nem estes milhões, nem outros. Tem é divida. Muita. Daí que esta gente, se tivesse o mínimo de juízo que se exige a um governante, tratava de, pelo menos, não promover ainda mais despesa e, consequentemente, mais calote. 

Nem vale a pena dizer que tenho esperança que, entre as propostas apresentadas ao governo para gastar os tais milhões, se encontre uma que sugira utilizar o dinheiro para pagar a divida. Não tenho. Mesmo que surgisse, duvido que recolhesse mais do que um voto. O meu. É por isso que, já que é para esturrar,  irei tratar de apresentar a minha ideia quanto à maneira de desbaratar o guito. É mais ou menos aquilo de "já que não os podes vencer junta-te a eles". Tratarei de propor, assim que descubra onde o posso fazer, a construção - até pode ser aqui, na minha terra – de um centro empresarial intergaláctico. Uma coisa em conta, sem luxos e que acolha condignamente os investidores oriundos dos confins do universo. Até pode ser o Sócrates a elaborar o projecto e uma qualquer das muitas empresas do amigo a fazer a obra. Por mim, desde que os custos não derrapem, tudo bem.  

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A discriminação entre pensionistas - próximos e futuros - não é inconstitucional?

por Kruzes Kanhoto, em 08.02.17

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Diz a OCDE que os futuros pensionistas serão lesados nas reformas. Diz, mas não precisava. Toda a gente sabe. O problema é que poucos se importam. Anda tudo satisfeitinho da vida com as fantásticas reversões do Costa que quase ninguém quer saber disso.

A iliteracia financeira – e da outra, já agora – é a maior aliada do governo. Deste, do anterior e do próximo. Só assim se percebe que a população aceite pacificamente cortes brutais nas futuras pensões, enquanto as actuais permanecem intocáveis. Não que eu seja apologista de redução de rendimentos seja de quem fôr. Quem tiver dúvidas acerca disso leia, se tiver paciência, outros posts que por aqui fui publicando. Mas, a ter de se fazer alguma coisa para garantir a sobrevivência da Segurança Social – e pelos viste tem – então que o sacrifício se distribua por todos.

Para se perceber o que está em questão, nada melhor do que um exemplo. Os meus anteriores chefes aposentaram-se há vinte anos. Tinham, então, a idade que eu tenho hoje. O montante da pensão atribuída foi o equivalente ao valor do vencimento que auferiam na altura. Já eu, se me quiser reformar amanhã, ficarei com menos de um terço do que ganho agora. Ou, ninguém me manda ter pressa, espero mais uma dúzia de anos para, depois, ficar com cerca de oitenta por cento. Se tiver sorte. Deve ser a isto que chamam solidariedade intergeracional, ou lá o que é.

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Chinês com fezada

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.17

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Não estou a ver, assim de repente, motivo para tanto alarido por causa da aposta de cem mil euros na derrota no Rio Ave na sua deslocação à casa do Feirense. Eu próprio apostei como os de Vila do Conde iam perder. Um pouco menos que o tal chinês, é certo. Mas isso sou que, para além de apostador muito moderado, não frequento aqueles lugares tão próximos do local onde está sediado o clube contra o qual apostei. Nem, por isso mesmo, conheço – sequer de vista – ninguém ligado à agremiação vilacondense que me pudesse informar do estado anímico dos atletas para jogar à noite, ao frio, no campo do adversário ou se havia muitos jogadores constipados.
Tudo informações a que – diga-se – não sei se o chinês teve ou não acesso. Mas, estando ali mesmo ao lado, é natural que possa ter tido. O que, obviamente, nada tem de mal. São, como sabe que analisa estes assuntos, pormenores de uma importância extrema no momento de apostar e, mais ainda, quando a bola começa rolar. Ou então – e certamente terá sido – foi apenas uma questão de fé. Muita. E, nestas coisas da fé, cada um acredita no que quer.

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Xenofobia da boa. Valorizável, até.

por Kruzes Kanhoto, em 06.02.17

Dizem que os americanos são estúpidos. Mesmo não tendo especial apreço por generalizações, admito que sejam. Até porque quem o garante, por vezes de forma categórica e cheia de convicção, são os mesmos que por cá votam no PCP, na Bloca – é aquilo do género, ou lá o que é – e que elegeram gajos como Sócrates. Não os vou contrariar. De certeza sabem do que falam. E, também, como já dizia a minha avó - essa sábia senhora que não me canso de citar - um bêbado e um maluco nunca se contrariam. 

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Muitos sapos vai ter a comunicação social de engolir...

por Kruzes Kanhoto, em 05.02.17

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Não me parece que constitua papel da comunicação social fazer oposição ao poder. Ou, ao invés, servir de suporte aos governos. Nem, exceptuando os jornais partidários, doutrinar os seus leitores. E, lamentavelmente, é isso, ou algo ainda pior, que hoje em dia se tenta fazer nos diversos órgãos de informação. Que disso – informação – é coisa que há muito já se esqueceram de fazer. Pelo menos daquela isenta ou que, vá lá, trate mesmo de informar quem lê sem que o jornalista nos queira impingir a sua opinião. A que, obviamente, tem direito mas que a mim, enquanto leitor, não interessa nada.
É por essas e por outras que a minha leitura de jornais se resume aos que existem cá na terra. Dois, no caso. Sou assinante de um e leitor ocasional de outro. Mas mesmo estes, à sua maneira, estão também a trilhar caminhos idênticos aos que a restante imprensa já segue. Daí que, não raras vezes, me limite a ler o obituário. Rigorosamente, mais nada.

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Mais um corte...ah, espera, é só um adiamento.

por Kruzes Kanhoto, em 04.02.17

 

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Outro corte no ordenado, este ano. Mais um. Já vou estando habituado. Tal como também me vou habituando a que todos achem muito bem o que antes achavam mal só por ser mais uma reversão à moda do Costa, esse santo milagreiro. Verdade que, desta vez, não será bem um corte. É mais um adiamento. Restituem-me daqui por dez meses o que me tiram hoje. Ainda assim surpreende-me que todos aqueles – e são mais que muitos – que passam a vida a reclamar que o vencimento só lhes chega até ao dia cinco – ou nem isso – não se queixem agora que, quase de certeza, ainda acaba mais cedo.

A ideia de pagar “por atacado” estará fundamentada na tal dinamização da economia através do consumo. O governo terá esperança que, quando o pessoal se deparar com muito mais dinheiro na conta, desate a consumir como se não houvesse amanhã. Por mim não lhe vou fazer a vontade. Se puder – e também para contrariar – ainda irei gastar menos. O mesmo deverá acontecer com o restante pagode que entende a medida como mais uma genialidade da geringonça. Ou muito me engano ou os cinquenta por cento do décimo terceiro mês nem para metade do cartão de crédito há-de chegar...

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E uma manifestação contra a burka? Ou uma carta, vá...

por Kruzes Kanhoto, em 02.02.17

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Como sempre acontece de cada vez que é anunciada, num país ocidental, a proibição do uso de burka – ou outro adereço ridículo qualquer que apenas deixe os olhos de fora às mulheres que o vistam – levantam-se umas quantas vozes ofendidas com a falta de respeito pelas tradições das criaturas. Não percebo a condescendência. Nomeadamente quando não é reciproca.

Compreende-se que os imigrantes oriundos desses países forcem as respectivas esposas a usar aquele traje repugnante. Ou, pelo menos, que não as incentivem a deixar de usá-lo. Isto porque, ao que é confessado pela esmagadora maioria dos invasores que demandam a Europa, as mulheres são um dos principais motivos porque vêm para cá. Ora, sabendo das intenções dos seu patrícios, é natural que queiram esconder as deles.

Apesar disso é intolerável que gente disfarçada de sacos de batatas circule nas nossas cidades. Nisto faço minhas as palavras do xeique Munir, chefe dos muçulmanos portugueses, relativamente aos seus irmãos de fé que habitam na Europa. Se não gostam vão-se embora.

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A sério?! Até o Carnaval incomoda esta gente?!

por Kruzes Kanhoto, em 31.01.17

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Os portugueses perderam o sentido de humor. E, de caminho pois um mal nunca vem só, o do ridículo. Ou, hipótese igualmente a não descartar, estão a ficar parvos. Já não aceitam uma piadola, um dichote ou uma brincadeira inocente. Nem no Carnaval. Isto, pasme-me, apesar de reclamarem pela terça feira do dito não ser feriado.

Hoje, vá lá saber-se porquê, aborreceram-se e trataram de derramar indignação nas redes sociais por causa daquela empresa que comercializa uma fantasia carnavalesca a que deu o nome de “fato de refugiado”. Outros, ainda que em menor número, também não apreciaram que, no mesmo site, estivesse à venda uma burka sexy. Pode constituir uma ofensa para os muçulmanos, justificam. Porra pá, deixem mas é de ser parvos. A continuar assim, o melhor é acabar com o Carnaval, vamos todos trabalhar nesse dia e as autarquias poupam uma pipa de massa com a organização das festividades. É que isto, se entrarmos por essa coisa das ofensas, ninguém pode sair à rua mascarado seja do que for. Presumo, por isso, que imagens como a que ilustra este post em breve deixarão de ser vistas nos nossos desfiles. Algum idiota se há-de queixar de uma potencial ofensa. E depois ainda me dizem que não vivemos numa ditadura...

 

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Uns pândegos, estes animalistas

por Kruzes Kanhoto, em 30.01.17

Se há leitura que me diverte são os blogues dos alegados defensores dos animais. Ciclicamente dou uma vista de olhos por uns quantos. É uma maneira de ficar a par das causas mais recentes no âmbito das ideias parvas. Que há muitas, por lá. Uma delas, das parvoíces, é que os cavalos não devem ser montados. Coitados, diz que se fartam de sofrer. Devem ficar, presumo, com espondilose, lumbago, bicos de papagaio e outras maleitas correlacionadas. O mesmo para as carroças. Nem pensar nisso. Diz que ficam todos derreados por servirem de força motriz. Vá lá que a agricultura se modernizou. Aquilo de puxar um arado devia ser uma coisa lixada para as bestas.

Por falar em bestas. Uma delas, a propósito da festarola que envolveu uma “matança de um porco” numa terrinha aqui das redondezas, classifica os habitantes da aldeia em causa como “civilizacionalmente atrasados”. Não deve ter gostado de saber que lhe mataram o parente. Mas os moradores do lugar não se devem sentir ofendidos com a classificação. A mulher é maluca. Aquilo é o resultado de animais a mais e homens a menos.

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Um dia destes é um monumento. Classificado e tudo.

por Kruzes Kanhoto, em 29.01.17

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Reza a lenda que Jesus Cristo terá sido avistado nas redondezas no dia em que este chaço ali foi estacionado. Mas pode não passar disso mesmo, uma lenda. Até porque segundo um mito urbano, terá sido um sportinguista a deixá-lo naquele lugar na sequência das comemorações do último campeonato ganho pelo clube do Lumiar. O que, convenhamos, não fará grande diferença. É, em termos de espaço temporal, quase a mesma coisa. Mas isso agora não interessa nada. O que surpreende é o facto da carripana, após tantos séculos no mesmo sitio, ainda estar relativamente bem composta, digamos assim. Numa altura em que se colocarmos uma lata ou um cano podre junto ao contentor do lixo eles desaparecem quase de imediato, não deixa de espantar que tanto metal ainda por ali se mantenha. Deve estar sob apertadas medidas de vigilância...ou então é uma espécie protegida que importa preservar por já fazer parte da paisagem.

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Trumpofobia

por Kruzes Kanhoto, em 28.01.17

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O meu tio Alabaça, um velhote que por alturas do PREC rondava os oitenta anos, tinha, na época, uma visão muito critica do que então acontecia no país. Detestava comunistas, não apreciava o rumo que as coisas estavam a seguir e não via sustentabilidade nenhuma nas generosas medidas que os sucessivos governos iam tomando. O que, como seria de esperar, num Alentejo tomado de assalto por malucos e assolado numa onda de loucura colectiva, não o tornava numa figura muito popular entre a vizinhança. Infelizmente não viveu o suficiente para confirmar quanto a sua análise dos acontecimentos estava correcta. Teria dito aquilo que sempre dizia quando as suas previsões se revelavam certeiras. Um categórico “eu já sabia”.

Mesmo não tendo a veleidade de, sequer, me pretender aproximar do nível de saber de experiência feito daquele meu antepassado, também “eu já sabia” de que massa são feitos os que espalham aos quatro ventos conceitos como tolerância, respeito pela diversidade de opiniões, vontade popular e muitos outros chavões com que gostam de encher a boca. Bastou um idiota qualquer ganhar umas eleições do outro lado do mundo e é o que se vê. Veio ao de cima toda a intolerância, arrogância e falta de respeito relativamente a quem pensa diferente que, subtilmente, sempre evidenciaram. Quanto a essa gentalha insuportável não sei, mas, por mim, gosto da democracia e de poder dizer, se me apetecer, que gosto do Trump. Ou - e apetece-me mesmo - dizer que urge fazer qualquer coisa que impeça os fascistas islâmicos de tomar conta disto tudo. Mas isso sou eu que, ao contrário desses trumpofobicos, gosto da democracia. Ou lá o que é que chamam aquilo de termos direito a expressar publica e livremente a nossa opinião sem medo de represálias ou ameaças. E a vê-la respeitada, já agora.

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Ajudem os animais celibatários, pá!

por Kruzes Kanhoto, em 27.01.17

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Acho muita piada àquelas pessoas que relatam as aventuras dos seus animais de companhia como se estivessem a falar das traquinices dos filhos ou dos netos. Sou capaz de ficar largos minutos, embevecido, a ouvi-las. E, ao contrário do que se possa supor, levo-as muito a sério. Aprende-se bastante a escutá-las.

Exemplo disso era uma balzaquiana – muito bem conservada, diga-se – que contava a quem a ouvia que o mariola do canito – ou seria o gato? – à falta de companhia da mesma espécie – feminina, suponho, que o bicho se calhar não é paneleiro – se esfregava como se não houvesse amanhã, feliz da vida, numa almofada especialmente destinada para o efeito.

Não é que tenha nada a ver com isso, mas acho mal. Não que o bicho se esfregue, evidentemente. O que me parece grave – uma lacuna imperdoável, diria - é o mercado, a tecnologia, a ciência ou seja lá o que for ainda não dar resposta adequada às necessidades mais básicas dos nossos amigos de quatro patas. Ou de três, como o do meu amigo Joaquim O. (Só alguém cujo nome não será aqui revelado percebe o sentido da coisa, mas isso agora não interessa nada. Desculpa lá pessoa cujo nome não será revelado, mas tinha mesmo de fazer esta piadola!). Mas, dizia, é uma pena que ainda não tenham generalizado a produção e comercialização de uma cadela – ou uma gata, vá – insuflável. Ou outros briquedos sexuais, até. Seriam, de certo, um sucesso de vendas. E substituiriam as almofadas com inegáveis vantagens. Isto para além de, quase de certeza, nos proporcionarem histórias ainda mais animadas. Fica a ideia para um potencial investidor na nossa nova zona industrial…

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Delação familiar. Deve ser um novo conceito de democracia...

por Kruzes Kanhoto, em 26.01.17

Está muito na moda criticar aquilo que chamam populismo. Um conceito a atirar para o parvo, que serve para quase tudo quando escasseiam os argumentos para justificar as opções políticas das elites ocidentais que nos estão a conduzir em direcção ao fim trágico da nossa civilização.

Está, também, muito em voga lamentar os perigos que corre a democracia. Concordo, quanto a isso. Embora pelas razões opostas às daqueles que culpam o Trump e a extrema-direita pelo Apocalipse que anunciam. A democracia está, de facto, em perigo. E quem está a fazer de tudo para acabar com ela é a esquerda e a intelectualidade bem pensante.

Veja-se o exemplo finlandês. Diz que a policia local está a instigar as crianças a denunciarem os pais que, em casa, lhes transmitam ideias politicamente incorrectas. Entre os casos denunciáveis estarão, segundo a fonte que adianta a noticia, queixas sobre o excesso de imigrantes, opiniões negativas sobre o feminismo, reprovar a homossexualidade, fazer comentários negativos sobre o islão ou associar os muçulmanos a atentados terroristas. Este plano para impedir opiniões contrárias às do ‘establishment’ conta, como não podia deixar de ser, com o apoio de partidos e organizações “progressistas”. Que é como esses velhacos gostam de ser conhecidos.

Aqui chegados, não é de admirar que a reacção do eleitorado seja aquela que se está a verificar um pouco por todo o lado. Só um idiota chapado pode ficar surpreendido com a ascensão meteórica de figurões que até há poucos anos todos odiariamos. Com democracias desta natureza ainda um destes dias vamos ter saudades de muitas ditaduras.

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E de número de contribuinte, também se pode mudar?!

por Kruzes Kanhoto, em 25.01.17

Sempre preocupado com os grandes temas que preocupam os portugueses o governo prepara-se para produzir legislação que permita às crianças transexuais a possibilidade de escolherem, para usar na escola, o nome com que se identificam, independentemente da mudança no Registo Civil que, por enquanto, apenas pode ocorrer quando tiverem dezasseis anos. Por mim, ao contrário de uns quantos comentários que já li e ouvi acerca do assunto, não acho mal. Nem bem. Apenas parvo. Mas vindo de quem vem não é caso para estranhar. A malta já está habituada a que daquelas cabecitas só saiam ideias destas.

Mas, além dos sarilhos que vão arranjar aos professores, esta aberração legislativa, a contemplar apenas os casos das ditas crianças transexuais, pode configurar mais um caso de evidente discriminação. Que o Tomás e Constança, por serem portadores desse problema, queiram ser chamados, respectivamente, por Carlota ou Martim ainda é como o outro. Do mal o menos. Agora se a lei não permitir igual prerrogativa ao Eleutério, um futuro craque do pontapé na bola que gosta de ser chamado de Messi, então temos um problema.

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Trump e as badalhocas

por Kruzes Kanhoto, em 22.01.17

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Também por cá umas quantas centenas de pessoas, principalmente mulheres, se manifestaram contra o Trump. Custa-lhes engolir a vontade popular. É quase sempre assim quando os resultados das eleições não são aquilo que os iluminados acham que deviam ser. É uma parvoíce, mas entendo. Estão no seu direito de expressar todo o azedume que lhes vai na alma por a democracia estar a funcionar.

O que tenho manifesta dificuldade em perceber é o tipo de ameaça que – enquanto mulheres - preocupa essa gente. Acharão as criaturinhas que a sua liberdade está em perigo? Pensarão realmente que os direitos das mulheres vão regredir cem anos? E que isso, apesar de termos um oceano pelo meio, vai acontecer igualmente em Portugal? Se sim, então são mesmo estúpidas, hipócritas ou, não sendo nada disso, foram pagas para se manifestarem. É que não me consta que estas pessoas – ou outras, não importa – já se tenham manifestado contra a maneira como o islão trata as mulheres. E, neste caso, não é do outro lado do mundo. É aqui, na Europa. Na nossa casa. E não é apenas o que impõe a quem professa essa religião. É também a imposição desses usos e costumes medievais, que já afecta mulheres de muitas regiões europeias. Mas isso não as preocupa. Badalhocas!

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Mas qual é o vosso problema com o Trump?!

por Kruzes Kanhoto, em 20.01.17

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Depois de os últimos dias terem sido dedicados a endeusar o casal Obama, hoje voltaram em força os discursos anti-Trump. Uma coisa fina, isso. Dá ares de intelectual. Ou, no mínimo, de criatura bem-pensante. Por mim não tenho pachorra para os aturar. Nomeadamente aos que se recusam a perceber que são os argumentos usados para promover os Obamas ao patamar de divindade e o ódio que destilam relativamente ao Trump – aos que o elegeram, também - que ajudam ao surgimento de mais clones do agora Presidente americano.

Por cá bem podem os pé de microfone, os paineleiros de serviço nas diversas televisões e os bloguistas de inteligência superior prepararem-se. Vão ter muito para falar. Ou teclar. França, Holanda e Alemanha são já a seguir. E se não for nestas, será nas próximas eleições que acontecerá aquilo que tanto temem. A extrema-direita no poder. A culpa, essa, não será dos russos. Será vossa. De todos os politicamente correctos. Da ditadura do pensamento único que querem impor ao povo. Ou mudam de discurso ou, mais cedo do que tarde, vamos todos ter um azar do caraças.

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Vão trabalhar, palhaços, vão trabalhar!

por Kruzes Kanhoto, em 18.01.17

Apesar de benfiquista de todos os costados sinto-me solidário com os futebolistas do Sporting. Está-lhes tudo a correr mal. O seu futebol mete dó, os adversários teimam em marcar golos nos últimos minutos e, como se isso não fosse pouco, têm de aturar um chefe idiota e um patrão doido varrido. Para já não falar nos adeptos – provavelmente um bando de rufias e mandriões - que fizeram questão de os ir esperar ao estádio, altas horas da madrugada, só para ofender quem trabalha. Sim, porque os jogadores, bem ou mal, trabalham. Coisa que aqueles energúmenos, provavelmente, só conhecem de ouvir falar. Se bulissem de certeza que não teriam grande vontade de estar ali a aborrecer quem exerce honestamente a sua actividade profissional. Se soubessem o que é trabalhar de certeza que, àquela hora, preferiam estar a descansar o coirão.

Obviamente que, enquanto benfiquista, fico satisfeito sempre que o Sporting tem um desaire. Mas, enquanto trabalhador, aborrece-me que quem trabalha não seja respeitado. Mesmo quando as coisas não correm bem. Ter um chefe habituado a perder, um patrão que nunca soube o que é ganhar e depois levar com a culpa das derrotas deve ser uma coisa lixada.

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Frio?! Assustava-me era se estivesse calor...

por Kruzes Kanhoto, em 17.01.17

Os gajos das televisões e mais uns quantos maganos andam há uns dias a esforçar-se por me convencer que está frio. Decretaram, até, que vamos estar em alerta laranja por causa disso. Da frialdade. Não me parece caso para tanto. Frio, frio era quando a malta fazia uma espécie de derrapagem artística nas poças de água que tinham congelado durante a noite. Ou no tempo em que as torneiras amanheciam com uma estalactite. Agora não. Estará, quando muito, fresquinho. E, mesmo assim, só para o pessoal mais friorento. Ainda hoje o coveiro foi para o trabalho de manga curta a acelerar na sua mota, os ciganos do resort andavam de t-shirt no Continente e o puto ranhoso navegava na internet sentado no portado de mármore da biblioteca já era noite cerrada. Um dia perfeitamente normal, portanto.

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E o povo, pá?! Não tem direito a ficar com tsu?!

por Kruzes Kanhoto, em 16.01.17

Gosto de ouvir o comentário semanal do Marques Mendes. O homem fala bem. Nomeadamente por não ser gago. Como diria a minha avó, essa sábia senhora. Mas ontem não gostei assim tanto. Ao contrário do que é costume a opinião do baixote não foi tão esclarecedora quanto o habitual. Isto, claro, relativamente àquela coisa da redução da TSU para as empresas que empreguem trabalhadores pelo salário mínimo. É que parece-me ter existido, em tempos não muito distantes, uma certa unanimidade acerca do país não dever basear o seu modelo de crescimento numa economia de baixos salários. Ora isto, desconfio, constitui um incentivo a que isso aconteça. E depois há aquilo da despesa pública. O facto de ser o orçamento de Estado a financiar a manigância não tem, desta vez, importância nenhuma para o pequenote.

Fiquei, pois, pouco esclarecido acerca do que leva aquele comentador a defender esta ideia. Deve ser problema meu, presumo, ter ficado sem saber se ele quer a redução aprovada por ter acordo – mesmo que a medida seja má, como é – ou se a quer aprovada por a achar boa. E, neste último caso, boa para quem. Se calhar, entre outros, para muitos escritórios de advocacia que assim poupam uns cobres com os jovens licenciados que contratam pelo salário mínimo...

 

 

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