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Ironias...

por Kruzes Kanhoto, em 28.03.17

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A política local não é tema que caiba neste blogue. Mas hoje apetece-me fazer uma excepção. Uma coisa assim para confirmar a regra. O assunto, convenhamos, merece. Até porque não é todos os dias que um tribunal declara a perda de mandato de um presidente de Câmara. O que, como não podia deixar de ser, constitui o assunto do momento cá na cidade.

Não tenho sobre o caso nenhum “estado de alma” acerca do qual valha a pena dissertar. Tão pouco me importa a forma, o conteúdo, a bondade ou não de todas as tomadas de posição acerca do assunto ou outros pormenores da trama. Nem sequer os pormaiores. O único detalhe que não me deixa indiferente é a ironia do autarca poder vir a perder o mandato - se, a seguirem-se eventuais recursos, a sentença vier a ser confirmada por instâncias superiores - na sequência de uma sua decisão que envolve deixar de fazer despesa.  Coisa que é capaz de ser mais ou menos inédita. Assim a atirar para o sui generis, quase.

 

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publicado às 22:50

Remate kruzado

por Kruzes Kanhoto, em 26.03.17

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Haverá na comunicação social muita gente séria e honesta. Na prateleira, provavelmente. É que, a julgar por aquilo que diariamente vamos lendo, entre os que reúnem pelo menos uma daquelas qualidades não serão muitos os que estão no activo. Vejamos dois casos ilustrativos. Só, que não me apetece ser exaustivo.

 

“Pontuar na Luz costuma dar título ao dragão” garante hoje, em plena primeira página, um pasquim que se publica na cidade do Porto. Costuma pois. Ora se costuma. Basta ver o exemplo do ano passado. Ou, se não chegar, o do ano anterior. Estamos, portanto, conversados em termos de qualidade informativa.


Por seu lado “A Bola”, logo na capa, recorda aos seus leitores que “Maxi nunca perdeu contra o Benfica”. Grande feito. Ao alcance de poucos, convenhamos. Principalmente por causa dessa coisa do nunca. Seria, de facto, uma proeza assinalável não se desse o caso desse nunca corresponder a três jogos. Já agora - e até nem custava muito - poderiam ter acrescentado que o uruguaio caceteiro, desde que deixou o Glorioso nunca mais foi campeão. Mas isso, enfim, sou eu que tenho algum apreço pelo rigor terminológico. Coisa que, obviamente, não se pode esperar dos lambe-cús da actual comunicação social tuga.

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publicado às 13:23

Deputados mal educados e outras criancices

por Kruzes Kanhoto, em 25.03.17

O governador do Banco de Portugal não será um figura pública que reúna a admiração de um número significativo de portugueses. Mas, apesar disso, devia ter sido evitada a humilhação pública a que foi sujeito no Parlamento. Expô-lo à má-criação de gaiatos arrogantes que nunca fizeram nada de útil na vida, foi prestar um péssimo serviço à democracia e, até, ao apuramento seja do que for que querem apurar. Serviu, isso sim, apenas para mostrar ao país inteiro a falta de consideração que as gerações mais novas e os políticos em geral têm pelos mais velhos. O homem tem idade para ser avô daqueles deputados e, só por isso, já merecia ser tratado com respeito. Além do mais, tem também, uma carreira profissional que lhe permitiu chegar ao lugar que ocupa. Tudo coisas que gente como aqueles deputados nem sonham o que é.

 

Li por aí umas comparações parvas acerca do crime de ontem, o assassinato à facada de quatro pessoas em Barcelos, e acções terroristas na Europa envolvendo igualmente o uso de facas. Estão - coitados, que isto da cabecita não dar para mais é uma chatice - a comparar o cú com a feira de Borba. Um dia destes ainda os vou ver a escreverem que os presos políticos, libertados pelo 25 do A, não passavam de reles criminosos de delito comum.

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publicado às 11:58

Que a loucura tomou conta dos habitantes deste planeta, não constitui nenhuma espécie de novidade. Tanto assim é que noticias tão idiotas, que à primeira vista tomamos por pantominice ou brincadeira de um ou outro piadista mais desinspirado, são, afinal, o retrato fiel de acontecimentos reais. É o caso de uma cidadã espanhola, relatado pela comunicação social lá do sitio, para quem o equivalente ao nosso ministério público pediu uma pena de prisão de nove meses. Presumo que este prazo, dado o motivo da acusação, envolva algo de simbólico. A senhora era acusada de um delito de maus tratos ao filho de quinze anos. O pirralho, parece, ter-se-a queixado ao tribunal por a mãe lhe ter retirado o telemóvel com o intuito de o obrigar a estudar. Coisas que, obviamente, irritaram o fedelho. Não bastava o confisco do aparelho, foi ainda submetido à tortura do estudo. Uma violência, de facto. Não se faz. Nomeadamente a um filho.

Mas, apesar de tudo, a senhora teve sorte. O juiz era uma pessoa normal e tratou de a mandar em paz. E é assim, ao aceitar queixinhas bizarras como esta, que se esbanjam recursos, prejudica a vida das pessoas e, em última análise, contribui para o descrédito das instituições públicas e de quem as representa. Mas é a isto que nos temos de habituar. Será, cada vez mais, esta a realidade com que temos de conviver. Por mim, confesso, sinto uma imensa pena. Da mãe, por ter uma besta daquelas em casa, dos pais do gajo que decidiu levar o caso a julgamento, que não deve ter sido para ver o filho fazer figura de urso que lhe pagaram os estudos, e, por fim, de todos os que aturam passivamente as manias de uma escassa minoria que pretende obrigar as pessoas normais a seguirem as suas alucinações.

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publicado às 19:32

Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 23.03.17

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Tenho manifesta dificuldade em perceber gente que sente a estranha necessidade de estacionar em segunda fila. Mais ainda quando o motivo da paragem não constitui um daqueles imperativos urgentes, inadiáveis e que mais ninguém pode fazer pelo próprio sujeito. Ir ao tasco ali ao lado mordiscar qualquer coisa – seja em sentido real ou figurado – não parece que se enquadre nos preceitos minimamente toleráveis. Nomeadamente quando se trata de uma cidade pequena, onde qualquer sitio é perto de tudo e não faltam lugares para estacionar. Para já não falar que, mesmo ao lado, está um enorme parque de estacionamento gratuito onde cabe sempre mais um. Ou, em dias como este, mais uma centena.

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publicado às 19:42

A malta quer é copos e gajas boas!

por Kruzes Kanhoto, em 21.03.17

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E pronto, já cá faltavam as virgens ofendidas com as declarações do presidente do Eurogrupo. Aquilo do gajo ter considerado que nós, a malta do sul, esturramos o guito todo em bebida e com as gajas, caiu mesmo mal às alminhas mais sensíveis. O homem, coitado, estava apenas a usar uma metáfora para salientar o quão mal gastamos o dinheiro que os outros nos emprestam. Nós também podíamos, por exemplo, dizer que os holandeses estoiram demasiado graveto com marroquinaria. Metaforicamente falando, também. Poder, podíamos. Mas não era a mesma coisa. É que eles gastam-no, mas é deles. Convinha, digo eu, percebermos estas nuances.

Isto é mais ou menos como aquela cena do pedinte a quem damos uma esmola porque, afiança-nos, não tem dinheiro para comer mas, depois e já com as moedas na mão, vai comprar tabaco ou beber um copo. Ou como aquele amigo a quem desenrascamos umas massas e, em vez de orientar a vida, vai esbanjá-las em inutilidades. Todos, nestas circunstâncias, não se coibiriam de mandar o seu bitaite. Tal como o fez este socialista holandês.

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publicado às 19:12

Um mártir dá sempre jeito...

por Kruzes Kanhoto, em 20.03.17

De repente ficou toda a gente com muita peninha do Sócrates. Coitadinho. Está, garantem, a ser vitima da incompetência da justiça que não ata nem desata nessa coisa da acusação, ou lá o que é. Um atentado aos direitos, liberdades e garantias de um cidadão que não pode ficar eternamente sob suspeita. Pois. Deve ser isso tudo, deve. E aquela parte do “cada tiro, cada melro”, também. Ou, então, é aquilo das barbas do vizinho. É que, não é por nada pois eu destas coisas só sei o que ouço dizer, se a investigação se prolongar por muito mais tempo isto ainda chega ao nível de “paróquia”...

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publicado às 18:49

Desinspiração

por Kruzes Kanhoto, em 19.03.17

Confesso a minha falta de inspiração. Isto apesar de temas para escrever ser coisa que não falta. Pelo contrário. Culpo a esquerda por isso. Pela falta de inspiração e pela abundância dos temas. Tantos que até se torna difícil escolher. Esta acusação não é em vão. Por um lado a esquerda é óptima a criar factos, visões paralelas, mundos alternativos e reinos de fantasia. Tudo coisas que proporcionariam inúmeros posts e, em condições normais, um rol quase infindável de tiradas jocosas e outras tantas piadolas a escarnecer dos seus autores. Mas, por outro lado, a esquerda bafienta e retrograda tomou conta das televisões, das rádios e da opinião publicada em geral. O que, naturalmente, me afasta dos locais onde essa malta destila a sua verborreia irracional. Prefiro não saber o que dizem e, consequentemente, ficar sem motivo para os gozar, a ter de os aturar. Assim como assim, ainda prefiro aqueles programas onde, entre gritos histéricos, concorrentes e apresentadores admitem publicamente a sua burrice. Sempre são mais honestos.

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publicado às 17:10

Populismo...mas do bom!

por Kruzes Kanhoto, em 18.03.17

Concordo com a pequena líder do Bloco de Esquerda quanto a isso da disparidade de vencimentos entre os trabalhadores e os manda-chuva das empresas. Há que fazer alguma coisa. Tanto nas públicas – em relação às quais a criatura não parece ter preocupações de maior – como nas privadas. E nem venham, os ultra liberais ou outros tansos quaisquer, reclamar da ingerência do Estado nem argumentar que, sendo privado, cada um paga o ordenado que quiser. Sem dúvida que sim. Mas deve existir um leque salarial minimamente razoável. Desde que, obviamente, se salvaguarde sempre a vontade dos accionistas. Se quiserem pagar mais, pagam. A todos.

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publicado às 15:50

E urinar sentado, também...

por Kruzes Kanhoto, em 18.03.17

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A Internet está cheia de noticias falsas e aquela a que hoje me refiro pode ser apenas mais uma. Espero que sim, mas temo que não. Ao que é relatado por uns quantos sites espanhóis, diversas organizações feministas estarão a preparar uma proposta, para apresentar ao parlamento do país vizinho, visando obter “a igualdade real entre sexos, géneros e identidades sexuais”. Seja lá o que for que isso queira dizer. Assim, entre outras parvoíces, pretende-se que os “médicos, durante a gravidez, fiquem proibidos de revelar aos progenitores se o bebé que aguardam é menino ou menina. Devem, isso sim, informar que tem órgãos sexuais de masculinos ou femininos.”

Todo o rol de disparates – e são muitos - constitui um excelente motivo para umas boas gargalhadas. Se, como tenho esperança, não passar apenas de uma piadola com o intuito de ridicularizar as feministas e restante a gentalha do politicamente correcto. Há, no entanto, uma ideia preocupante. Daquelas que, de alguma forma, já é defendida, e em alguns países aplicada, relativamente a outros tipos de doutrinas. Querem “impor sanções legais aos pais que inculquem ou permitam que inculquem aos seus filhos estereótipos machistas”. Se assim fosse a educação das crianças ficaria entregue aos valores e crenças de gente destravada, completamente doida e, em muitas circunstâncias, com conceitos de vida repugnantes ao comum dos mortais.

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publicado às 12:31

Ainda as eleições holandesas

por Kruzes Kanhoto, em 16.03.17

Tenho manifesta dificuldade em perceber a euforia que o resultado das eleições holandesas provocou na comunicação social, nas esquerdas em particular e na intelectualidade bem pensante em geral. Deve ser problema meu, admito. Afinal quem é que ganhou aquilo? Parece-me, se percebo alguma coisa disto, que foi um partido assim mais ou menos parecido com o PSD de cá. Estranho é isso constituir motivo de satisfação para os gajos de esquerda... mas pronto, eles lá sabem.

Celebra-se, também, a estrondosa derrota da extrema-direita. Pois que não sei se será bem assim. Hesito em considerar a subida de cinco lugares no parlamento como uma derrota. Mais ainda daquelas derrotas que fazem estrondo. Nomeadamente se, como padrão de análise, seguir os critérios de alguns partidos portugueses nas noites eleitorais. Todos se lembrarão que, desde as primeiras eleições, o Partido Comunista tem, a cada eleição, menos votos e menos deputados mas, nem assim, deixa de proclamar retumbantes vitórias. Mas, para a propaganda oficial das novas verdades, isso agora não interessa nada.

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publicado às 20:47

Bacorada do dia

por Kruzes Kanhoto, em 16.03.17

Bacorada é uma expressão que se usa com frequência por estas bandas quando se pretende qualificar uma opinião como disparatada. É, segundo qualquer dicionário online, um dito disparatado ou uma asneira.

 

A de hoje foi proferida por um tal Gustavo Santos e foi publicada na página do Semanário Sol no facebook. Diz a criatura: “Foi o meu cão que me ensinou a ser pai”. Pois. Só espero que o sujeito não dê um osso ao filho.

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publicado às 13:40

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Com o aproximar das eleições autárquicas presumo que comecem a surgir ideias para esturrar dinheiro. Novas umas, velhas outras e parvas a maioria. O habitual, portanto. Que nisto de gastar o que temos e, principalmente, o que não temos poucos conseguem fazer melhor do que nós. E, a bem dizer, nem é coisa que me preocupe. Esturre-se tudo. Não faz mal. Agora somos poucos, dentro de alguns anos seremos muito menos e num futuro não muito distante não restará ninguém para pagar a conta. Não estou particularmente pessimista. Nada disso. Limito-me a acreditar nas estatísticas. Quando nascem menos de metade do que aqueles que morrem, o futuro não parece muito difícil de adivinhar. É por isso que, quase de certeza, todos os candidatos à autarquia vão incluir nos seus programas eleitorais a construção de novos cemitérios. Parece-me o mais ajuizado. Ou mais escolas, que isto há visionários para tudo.

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publicado às 22:53

Qualquer coincidência será pura semelhança

por Kruzes Kanhoto, em 14.03.17

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Se tivesse o meu dinheiro depositado no Montepio teria ficado, após ouvir as explicações dos entendidos acerca da situação do banco, muito mais descansado. Ainda assim, não sendo depositante, os meus níveis de traquilidade atingem valores bastante elevados no que se refere ao futuro da instituição. Mesmo enquanto contribuinte escuso de me preocupar. Garantem-me os gajos que sabem destes assuntos que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Assim tipo o BES, estão a ver? Aquele banco que, como toda a gente ficou a saber, nada tinha a ver com o GES, ou lá o que era, como não se cansaram de nos explicar, em tempos, os gajos que sabem mesmo destas matérias.

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publicado às 19:03

Passear pelo Alentejo, para um turista, pode ser algo de fantástico. Não sei por que raio há-de ser, mas vá, concedo que constitua uma experiência agradável. Para mim – e, acredito, para quem conheceu outro Alentejo, é apenas deprimente. Percorrem-se quilómetros de estrada sem encontrar qualquer veículo, não se avista vivalma nos campos e atravessam-se lugarejos e aldeias outrora repletos de vida hoje praticamente desertas. Depois são as ruínas e as casas abandonadas, tanto em zonas rurais como urbanas, quase a fazer lembrar um cenário fantasmagórico digno de um filme pós apocalíptico. A continuar assim bem podem as entidades promotoras do turismo na região esforçarem-se mas num futuro próximo, por mais milhões que gastem a divulgar o Alentejo, nem os turistas aqui vão querer vir. A não ser, talvez, para ver uma espécie em vias de extinção. O alentejano.

A este propósito refiro apenas dois dados. Do meu concelho, para não ir mais longe. Na década de sessenta, do século passado, residiam aqui mais de vinte sete mil pessoas. No final de dois mil e dezasseis, no mesmo espaço territorial que o concelho não aumentou nem diminuiu de tamanho, restam menos de treze mil habitantes. E, mesmo de entre entre estes, um número bastante significativo apenas será residente em termos estatísticos. Desconfio que este constitui o nosso maior problema. Do meu concelho, do Alentejo e do país. Mas isso sou eu, que tenho a mania de me preocupar, em primeiro lugar, com o que está perto. Uma parvoíce. Devia era estar raladíssimo por causa do Trump.

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publicado às 19:49

Bonés há muitos...

por Kruzes Kanhoto, em 11.03.17

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Depois do alarido por causa das opiniões de um fadista qualquer acerca da atribuição dos “Óscares”, estava à espera que o desabafo do tenista João Sousa, por causa daquela cena do boné, motivasse um nível de indignação relativamente elevado. Mas não. A policia da linguagem, os guardiões da nova moralidade e a esquerdalha em geral, desta vez, não estão com paneleirices. Ainda bem. Devem estar a lamber as feridas resultantes da “sova” que têm levado nos últimos dias por causa daquilo da palestra na Universidade Nova. Ou, então, perceberam finalmente que há limites para aquilo que as pessoas estão dispostas a aturar-lhes. Deve ser uma espécie de recuo estratégico...

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publicado às 17:54

Falem como deve ser, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 10.03.17

Decididamente não me entendo com isto da novilíngua. Ou lá o que é que chamam agora a esta nova maneira de, entre outras coisas, dar as noticias. Deixou de se saber, por exemplo, a origem étnica, religiosa ou outra dos terroristas. Hoje qualquer um que se faça explodir, atire um camião ou um automóvel para cima de uma multidão, desate aos tiros para um restaurante ou pegue num machado e ataque quem lhe aparecer pela frente é, quando muito, alguém com distúrbios emocionais ou, na pior das hipóteses, um jovem com dificuldades de socialização. Mesmo por cá, onde ainda não temos formas de luta tão radicais, segue-se o mesmo principio. Qualquer crime nunca é relatado como tendo sido perpetrado por um cidadão de uma qualquer minoria. Mesmo que isso esteja mais que provado. A menos que seja um branco e português. Nesse caso até a cor dos boxers da criatura ficamos a saber.

Mas existem excepções. Incompreensíveis, a meu ver. Continuam, por exemplo, a dizer ou a escrever “homens armados” quando descrevem um assalto. Ora, seguindo o mesmo principio, parece-me estarmos perante uma clara discriminação de género. Até porque, em muitas circunstâncias, não poderão ter a certeza. Que isto, com estas modernices todas, nem tudo é o que parece. Menos mariquices linguísticas e um pouco mais de rigor terminológico não faziam mal nenhum.

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publicado às 19:38

Pelo fim da discriminação no âmbito pecado.

por Kruzes Kanhoto, em 08.03.17

Depois de já ter revertido quase tudo o que havia para reverter, António Costa decidiu agora abrir uma nova frente no âmbito da reversão. Os ditados populares. Essa coisa da sabedoria popular não parece ser lá muito do agrado do primeiro-ministro em particular nem, mas isso sou eu a especular, dos geringonços em geral. Há, disse hoje o homem, que acabar com aquele dito de "entre marido e mulher ninguém mete a colher". Está, de facto, ultrapassado esse conceito. Actualmente – dizem, pois eu dessas cuscuvilhices não sei nada -  metem-se pelo meio do casal muitas coisas. E poucas, parece, são talheres. Mas fiquemos por aqui, que isto é um blogue frequentado por gente séria.  

Neste aspecto não discordo do tipo. Digamos que até acho bem. E, já agora que vem aí o Papa Xico, podíamos aproveitar para ir mais longe. Metia-se uma cunha -  coisa para a qual os tugas têm uma especial habilidade – para a igreja acabar de vez com aquela idiotice de considerar a cobiça da mulher alheia como um pecado. Não faz, nos tempos que correm, qualquer sentido manter em vigor esta visão discriminatória acerca do mulherio que se pode ou não cobiçar.  

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publicado às 21:48

Mais confiantes do que nunca. Outra vez.

por Kruzes Kanhoto, em 06.03.17

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Diz que os consumidores estão mais confiantes do que nunca. Ou quase. Estarão, até, prestes a entrar num estado de euforia como raramente se viu por cá. Ainda bem. Eles lá saberão porquê. Por mim, que gosto de ver as pessoas felizes, fico satisfeito. Isto apesar de ter alguma dificuldade em lobrigar motivos – só um, que seja – para tanta animação de índole consumista. Deve ser aquela coisa das expectativas. O Marcelo e o Costa têm distribuído tantas – expectativas – que o pessoal começou a acreditar que era mesmo a sério.  

Não é que queira ser do contra, mas, se calhar, sou o único a reparar no recibo de vencimento. Mania minha, isso. Se não o fizesse talvez estivesse também mais confiante do que nunca e com vontade de gastar o que não ganho. Não reparava, entre outras coisas,  que recebo menos este ano do que recebia no ano passado. E, já avisaram, para o ano ainda vou receber menos do que neste. Pelos vistos devo ter sido só eu a ouvir. Não fora isso e uma estranha sensação de "déjà vu" que me ocorre sempre que vejo os telejornais, era gajo para estar optimista.   

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publicado às 21:52

Um grande bardamerda também para ti, Grunho!

por Kruzes Kanhoto, em 05.03.17

Frogs+used+to+be+normal+then+obama+allowed+for+che

"Bardamerda para todos aqueles que não são do Sporting Clube de Portugal" terá regurgitado ontem o sapo Grunho de Carvalho após a reeleição para a presidência daquela agremiação verde às riscas sedeada ali para os lados do Campo Grande. Fica-lhe bem. Nem, de uma criatura daquelas, é de esperar outra coisa. Assim tipo um discurso ligeiramente acima de boçal, vá. Daí que não vá aqui desfiar aquele rosário de, por se tratar de uma grande instituição, o clube merecia melhor e outras tretas do género. Nada disso. Estão todos bem uns para os outros. A começar nos sócios, por terem escolhido um coiso daqueles. Mas ainda bem que o escolheram. O reles batráquio inchado, agora reeleito, constitui uma garantia de fracasso desportivo e um quase certo ainda maior descalabro financeiro. 

Estranho é a comunicação social não dar o merecido destaque a tão erudita declaração. Ou, então, não. Dos pequenos e dos fracos não reza a história. Já se fosse o presidente de um clube daqueles à séria - dos que ganham coisas e isso - teríamos conversa para umas quantas semanas. Melhor assim. Ele, todos, que vão para a santa senhora que os concebeu à beira de uma estrada qualquer.  

 

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publicado às 15:24

Maioria silenciosa é um conceito que parece não estar a ser muito bem entendido por alguns génios auto-proclamados. Eu explico. Com o exemplo nacional, que é para não ir mais longe. Nos idos do pós-25 de Abril o PCP fazia grandes comícios. Mobilizava magotes de gente. Centenas de milhares em cada manifestação, segundo as próprias contas. Na rádio, televisão e jornais as posições amplamente dominantes eram as do partido comunista. Nem sequer havia contraditório, que isso da democracia pluralista era coisa de reaccionários e burgueses. Mesmo nas ruas poucos eram os que se atreviam – como hoje, quase – a exprimir opiniões contrárias à verdade vigente. O politicamente correcto da época, portanto. Criou-se, por causa disso, no país a sensação que as eleições dariam uma estrondosa vitória aos comunistas. Até porque, nessa altura, ainda não havia sondagens. O pior foi aquilo do voto. Tiveram doze por cento. Uma minoria esmagadora. Por mais esganiçados que tivessem sido os seus arautos.

A história é uma coisa lixada. Mostra uma preocupante tendência para se repetir, a marota. Embora, por mais que se repita, haja sempre burros que não a entendem.

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publicado às 13:12

Ainda sou livre de discordar?!

por Kruzes Kanhoto, em 03.03.17

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De repente toda a gente começou a discutir política. Bom, discutir é uma maneira de dizer. Insultar quem não comunga dos mesmos pontos de vista é muito mais apropriado ao que, por estes dias, vamos assistindo em todos os espaços onde cada um pode partilhar a sua opinião. Ou, supostamente, devia poder sem que, em consequência da exposição pública do seu pensamento, se visse insultado por gente que se diz tolerante, garante ser acérrima defensora de todas as formas de liberdade e, mas isso sou eu a concluir, quase capaz de dar a vida por todos esses nobres ideais.

Esta intolerância perante a opinião do outro constituiu algo de muito perigoso. Começa por afastar da discussão quem tem opiniões diferentes das maioritariamente publicadas, promove a constituição de maiorias silenciosas e acaba por, nas urnas de voto, ter os resultados que se conhecem. Depois admirem-se.

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publicado às 19:06

Tropa fandanga

por Kruzes Kanhoto, em 02.03.17

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A Suécia restabeleceu – ou vai fazê-lo em breve, não interessa – o serviço militar obrigatório. Diz que não há suecos em número suficiente com vontade de ir para a tropa e que não estarão reunidas todas as condições necessárias à defesa do país. Depois há aquilo da Rússia, da Nato e outras balelas que tais. Até pode ser. Mas não será apenas isso. Por mais desculpas que se arranjem para dourar a pilula, a maior ameaça, se calhar, é outra. E, pelo menos em parte, já a têm dentro de portas. 

Igual medida estará a ser equacionada por cá. Tem, ao que se sabe, confessos adeptos à esquerda. Embora, quero acreditar, por motivos substancialmente diferentes dos evocados pelos governantes suecos. Por mim acho mal. Mas, admito, tal ideia, a concretizar-se,  constituiria um factor capaz de contribuir para a revitalização de cidades como a minha. Mais umas quantas centenas de pessoas aqui a viver teriam de fazer alguma diferença. Para melhor, reconheço. 

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publicado às 20:52

Voltámos ao tempo da censura...

por Kruzes Kanhoto, em 01.03.17

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Anda por aí, à solta, uma nova PIDE. Uma espécie de policia dos costumes. Uns disciplinadores da linguagem, digamos. Uns fulaninhos que tratam de perseguir todos aqueles que, por uma ou outra razão, ainda não estão a par das novas tendências da moda em matéria linguística. Cuidai-vos pois. Tudo o que disserdes constituirá certamente uma ofensa. Mesmo que esse não seja o propósito. E, mais dia menos dia, vós é que tereis de provar que não era vossa intenção ofender o ofendido e não, como agora, o ofendido a provar que o ofendestes. O melhor, antes que arranjais problemas, é contratar um interprete. Ou, no caso do fuçasbook e dos blogues, submeter os posts nao exame prévio dessa gentinha.

A este propósito, cito hoje o meu avô. Um sábio, também. Que, perante idiotices desta natureza, não hesitaria em os mandar ir “levar no cú ali para a muralha”. E, antes que alguém pense nisso, não estou a atentar contra a liberdade ou orientação sexual seja de quem fôr. Que se saiba o olho do cú não vê, nem tem sexo.

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publicado às 20:23

Percebe-se a ideia...

por Kruzes Kanhoto, em 28.02.17

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Compreendo que aquela parte das gajas nuas não entre nos corsos carnavalescos cá da zona. Está fresquinho e as moçoilas não estão para apanhar um resfriado. Seria um aborrecimento. Daí que não se desnudem e deixem isso para, digamos, outros carnavais.

Já quanto à sátira, ou falta dela, percebo um bocadinho menos. Embora um espectador atento cujo nome não será aqui revelado tenha, num momento de rara sagacidade e inusitada perspicácia, descortinado neste dinossauro uma subtil referência satírica. Pois, espectador atento cujo nome não será aqui revelado, assim de repente, não estou a topar. O pessoal não é dessas coisas. É mais destas.

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publicado às 18:18

"Ganda" cena!

por Kruzes Kanhoto, em 27.02.17

Não sou de me congratular com a desgraça alheia. É coisa que me foi ensinada logo em pequeno. Mas, confesso, deu-me um certo gozo aquela barracada dos óscares. Bem feita. Estavam mesmo a pedi-las. É o que dá preocuparem-se mais com a política. Quando, diga-se, não é para isso que ali estão. A opinião deles – seja qual for o assunto – não interessa para nada. Não tem qualquer relevância. O prémio que obtêm significa, só e apenas, o reconhecimento pelo seu trabalho. É por isso que os admiramos. Quanto ao que pensam do Trump, do aquecimento global ou da exploração do trabalho infantil pelas marcas de roupa que ostentam a sua opinião, naquele contexto, é absolutamente desprezível. Se querem lutar contra tudo isso, fazem muito bem. Estão no seu direito. Mas duvido que o façam. A maior parte deles só quer é aparecer.

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publicado às 12:03

É a conta...ó faxavor!

por Kruzes Kanhoto, em 26.02.17

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Os taberneiros continuam a fugir ao fisco. Como sempre fizeram, diga-se. Estimam uns entendidos no assunto que a marosca chegue aos quinhentos milhões de euros. Coisa pouca, convenhamos. Nada que surpreenda. É, até, algo perfeitamente normal. Mais ainda desde que a geringonça decidiu baixar o IVA e, por força da menor dedução no IRS, desincentivar a exigência de factura pelo consumidor. Se, antes, a porta do galinheiro estava entreaberta agora, com esta medida, está totalmente escancarada e a chave entrega às raposas. Hoje em dia ninguém quer factura. Nem eu já ligo a isso. Qual é, portanto, o espanto?! Quanto aos milhões a menos, alguém os pagará. Tenho uma vaga ideia acerca de quem vai ser... 

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publicado às 12:20

Irritações nórdicas

por Kruzes Kanhoto, em 25.02.17

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Isso de aliciar reformados de outros países a vir esturrar as suas pensões em Portugal, mesmo sendo ideia do Sócrates, sempre me pareceu um golpe de génio. E, pelos vistos, funciona. Tanto que até irrita a ministra sueca das finanças. Ainda bem. Problema dela. Por mim, se fosse reformado e sueco, também fazia a trouxa e punha-me ao fresco. Ou, no caso, ao sol. Livrava-me de impostos, do frio e de outras coisas igualmente indesejáveis que por aquelas bandas existem cada vez em maior número. Pena que não venham mais. Desses, com graveto. Doutros não fazem cá falta nenhuma.  

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publicado às 12:44

Reformas ou esquema em pirâmide?

por Kruzes Kanhoto, em 23.02.17

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As conversas em torno das reformas baixaram de intensidade. Deve aquela táctica de, perante um assunto  manifestamente desagradável, garantir que o caso está encerrado. Nem sequer quando um economista de renome veio, um dia destes, dizer umas coisas acerca da sustentabilidade – ou da falta dela – do sistema de pensões as hostes se agitaram. Tirando um ou outro cão de fila. Daqueles que rosnam a tudo o que, mesmo vagamente, se assemelhe a uma critica à coligação de esquerda.   

Não sei se, como afirma o tal senhor,  o sistema de pensões é ou não sustentável. Assim de repente, olhando para a demografia, não parece. Por mim olho para aquilo e vejo um esquema em pirâmide. Desses manhosos, em que quem chega primeiro ganha muito dinheiro e os últimos perdem tudo. Com uma diferença, nesses esquemas quando se descobre a tramóia os que perderam, ao menos, sabem que já não vão perder mais. Nisto das pensões não é assim. Nós, os que vamos perder tudo o que descontámos, somos obrigados a continuar a pagar. Mesmo sabendo que dali não levaremos nada e que todo o nosso dinheiro irá parar a outros bolsos. A isto, no meu dicionário, chama-se burla.  

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publicado às 19:44

A ideia daquele vereador sueco que propõe uma pausa diária de uma hora nos serviços da autarquia para o pessoal tratar de ir dar uma queca, perdoem-me os admiradores da proposta, não passa de uma idiotice. Por todas as razões. A maior parte delas facilmente entendíveis até por qualquer mentecapto.

Estranho - ou, talvez, nem tanto - é isto ter sido notícia por cá.  Com destaque em letras garrafais e tudo, como se de algo importante se tratasse. Já outras coisas que se passam por aquelas bandas não merecem da comunicação social tuga nem uma leve referência. Critérios. Que, diga-se, também são fáceis de entender. Carros a arder, desordens quase diárias e relatos de vítimas de todo o tipo de violência constituem quase sempre um excelente material para exibir em televisão. Mas isso para os gajos das notícias, nos tempos que correm, depende da cor da pele, da origem e da religião professada pelos desordeiros.

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publicado às 22:23

Fora do sitio do costume.

por Kruzes Kanhoto, em 21.02.17

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De certo alguém se arrependeu de levar a botelha para casa. Vai daí ficou mesmo ali, junta com a farinha. Nada de mais. Outro alguém tratará de a recolocar no lugar devido. É, no entanto, uma atitude que diz muito acerca do nosso modus vivendi.  Qualquer coisa assim do tipo, "outro o fará por mim" ou isso.  

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publicado às 22:16

Velhinha terrorista

por Kruzes Kanhoto, em 20.02.17

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Concordo que o mundo é um lugar perigoso. Muita gente começou a reparar nisso há coisa de um ou dois meses. Ainda que pelos motivos errados, pois a ameaça vem de outro lado. Reconheço que a liberdade está ameaçada e que, um destes dias, aquilo que consideramos como adquirido, nomeadamente em matéria de direitos, poderá não ser algo tão garantido como supúnhamos.  

Esse dia já chegou para muitos. Aqui, na Europa dita democrática. Que o diga uma senhora inglesa, de setenta e oito anos, que foi detida pela policia local depois de ter escrito no seu blogue pessoal que o país está a ser invadido por uma "maré de guerreiros islâmicos". Apesar de libertada pouco depois, ficou sem o telemóvel e o computador pessoal - confiscados pelas autoridades policiais -  e, provavelmente, enfrentará a acusação de promover o ódio racial.  

E é a isto que, cada vez mais, iremos assistir. A criminalização da liberdade de expressão. Algo particularmente sinistro que julgávamos completamente erradicado da sociedade ocidental. Parece que, afinal, os europeus não têm o direito a expressar, no seu próprio país e em público, opiniões contrárias à ditadura do pensamento único estabelecida pelos imbecilóides do politicamente correcto. Depois admiram-se que Trumps, LePens e outros figurões ganhem eleições ou estejam cada vez mais perto disso... 

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publicado às 20:11

Corrida inclusiva. Ou quase.

por Kruzes Kanhoto, em 19.02.17

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Este cartaz todo catita parece constituir um incentivo à salutar prática desportiva. Exorta os portugueses a correr. Com todos, que os seus autores não gostam de discriminações. Embora, olhando bem para a mensagem, seja possível detectar uma ou outra discriminaçãozinha. Os coxos, por exemplo, não podem praticar a saudável actividade que é a corrida. Logo estarão excluídos do "todos". Não se faz.  

Por mim não alinho nisso. Não corro. Não me apetece. Prefiro caminhar. Pratico todos os dias e, por enquanto, com resultados positivos. Ali entre a meia-noite e as oito da manhã, mais coisa menos coisa, farto-me de caminhar. Com a minha Maria. Que isso do todos – ou todas, que não quero ser acusado de polidiscriminar ninguém - seria uma grande confusão.  

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publicado às 13:10

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Contra todas as expectativas, o país está muito melhor. Damos conta disso quando olhamos para as causas que, hoje por contraponto ao que se passava antes, preocupam os portugueses. Nas escolas, por exemplo. Agora o problema são as mochilas que desengonçam os costados dos putos. Os mesmo pirralhos que antes, coitados, desmaiavam por causa da larica. Presumo que nessa altura arrastassem penosamente as mochilas de tão esfaimados que estavam e, por não terem força para as carregar no lombo, a ameaça de futuros de bicos de papagaio se não colocasse. Passámos assim, quase de um momento para o outro, da preocupação com a sobrevivência para a luta pela qualidade de vida. Ainda bem. São os pequenos milagres que só uma governação de esquerda consegue produzir.  

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publicado às 13:35

A sério?!

por Kruzes Kanhoto, em 17.02.17

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A direita – esse bando de mal feitores e de gente ruim – quer matar a Caixa. Berram os garotos que, lá pelo parlamento, dão voz ao partidos que sustentam a geringonça. Que eles o façam, as pessoas normais até toleram. Coitados, são novos. Aquilo, um dia, há-de passar-lhes. Agora gente com idade para ter juízo achar que pretender saber até onde foram as pantominices – ou mesmo os erros de perceção, vá - é mais prejudicial à saúde da instituição do que as tropelias cometidas por lá ao longo de umas dezenas de anos, é que já parece uma coisa assim um bocadinho estranha. Não sei, digo eu que não percebo nada de finanças. Só desconfio - é cá uma ideia minha -  que o crédito malparado costuma ser ligeiramente pior para  o negócio da banca do que saber se o gajo que manda naquilo é ou não um pantomineiro. Mas isso é na vida real. Coisa que os tais garotos não sabem o que é.  

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publicado às 18:55

A tranquilidade da bicha

por Kruzes Kanhoto, em 16.02.17

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Ao contrário do que esperava ainda não dei conta de nenhum desaguisado – nem um quiproquó, ao menos – relacionado com a nova lei da prioridade no atendimento. Nomeadamente nas caixas dos supermercados. Falhei redondamente nas previsões, admito. O que, diga-se, é perfeitamente normal isso de eu errar os prognósticos. Mas, neste particular, ainda bem que a ausência de ocorrências derivadas da questão tem sido a norma. O que só pode significar uma coisa. Os portugueses são muito mais inteligentes que os políticos. Continuam a fazer a sua vidinha e estão-se nas tintas para as leis parvas que eles inventam.  

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publicado às 19:52

Cem Tino

por Kruzes Kanhoto, em 14.02.17

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Curiosa a campanha que os escribas de esquerda -  na sua maioria, porque ainda há um ou outro sério que não alinha nessas coisas – no sentido de branquear as pantominices do Centeno. Nomeadamente quando as mesmas encrencas disseram o que Maomé não disse do toucinho, a propósito de cenas parecidas protagonizadas por gente da direita. Ou mesmo de esquerda. Como o Sócrates, por exemplo. Isto, evidentemente, cingindo-nos apenas ao âmbito da aldrabice. 

Faz-me confusão, isso. Não entendo como é que o cidadão comum, que escreve em blogues, desabafa no Facebook ou atira umas larachas numa roda de amigos não consegue manter a lucidez suficiente – e nem é precisa muita – para perceber que patetices destas acontecem com todos os que estão envolvidos na politica. Sejam ou não da facção que mais nos agrada.  

Isto está cada vez mais parecido com o futebol. O nosso clube do coração joga sempre bem e merece sempre ganhar. O que, no meu caso, até é verdade. Mas isso sou eu, que sou do Benfica e isso me envaidece.  

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publicado às 19:35

Ainda bem que temos um governo que se preocupa com coisas importantes. Assim tipo criar novos conceitos. Daqueles que importam às pessoas em particular e aos militantes do politicamente correcto em geral. Tipo a multidiscriminação - alguém que é discriminado por ser gordo e maricas - e a discriminação por associação, que acontece, por exemplo, se um velhote que se desloca com duas jovens brasileiras a um serviço público é mal atendido por estar com elas.  

Mas há mais. Discriminações que se baseiam na ascendência ou no território de origem, ou seja, que digam respeito a afrodescendentes, passarão também a merecer uma especial atenção. Aqui não são dados exemplos mas, presumo, passará a estar incluído aquele dichote de mandar para a terra dele um negro que tenha nascido na Amadora. Ou, digo eu, contar anedotas e piadolas visando ridicularizar os protagonistas em função do local de onde são oriundos. Mas, quanto a esta última parte, apenas se envolver coxos ou marrecos, certamente. 

Por fim algo que se afigura potencialmente perigoso e que terá sido sugerido por um comité qualquer da ONU. O suposto agressor é que deve provar que não cometeu aquilo de que é acusado. Num país onde quem mata uma pessoa, ainda que perante várias testemunhas, é considerado inocente até a sentença transitar em julgado, parece-me ser qualquer coisa para nos deixar preocupados. Pelo menos àqueles que gostam da democracia. 

Voltarei, obviamente, ao assunto. 

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publicado às 19:09

Organizem-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 12.02.17

O ser humano é lixado. Nunca está satisfeito. Queixa-se de tudo. Uma jovem escocesa lamenta-se por ter acertado no euromilhões. Diz que o prémio – um milhão de euros, que até nem é coisa por aí além – lhe arruinou a vida. Coitada. Acredito. Só não percebo é a razão que agora a leva a processar a casa de apostas que organiza aquilo no Reino Unido. Pretende, ao certo, o quê?! Ser indemnizada pelas chatices que a fortuna lhe trouxe? Pois. É capaz de ser isso. Ou, então, é o guito a chegar ao fim.

Outros que também nunca estão satisfeitos são os tugas. Fartam-se de criticar os políticos que não cumprem as promessas feitas em campanha. Mas quando algum as cumpre, ainda que estrangeiro, atiram-se às canelas do homem. Aqui d’el rei que o gajo está mesmo a fazer o que prometeu. Não há paciência para aturar tanto especialista em política internacional. É moda. Mesmo entre aqueles que, no seu quotidiano, têm tiques em tudo iguais aos do Trump. Quase todos, se puserem bem a mãozinha na consciência.

E depois há aquela coisa dos ministros que se devem ou não demitir quando dizem mentiras. Embora quanto a isso, reconheço, os portugueses manifestem um nível de coerência bastante aceitável. Se o ministro mentiroso fôr de direita, deve ir-se embora. Se é de esquerda, fica. Compreendo. É tudo uma questão de princípios. Ou de falta deles.

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publicado às 12:32

Uma espécie de dica de poupança.

por Kruzes Kanhoto, em 11.02.17

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Sou, como já escrevi noutras ocasiões, um adepto entusiástico das energias alternativas. Por agora apenas manifesto umas quantas reservas em relação aos automóveis eléctricos. A autonomia, aquilo das baterias demorarem uma eternidade a carregar e, principalmente, o preço da sua substituição deixam-me bastante céptico. Nestes aspectos ou a investigação carrega no acelerador ou terá de aparecer um qualquer outro “combustível” alternativo.

Mas, escrevia, sou um adepto das novas formas de obter energia. Tanto assim é que, para além do aquecimento de água, também tenho no meu telhado um daqueles painéis para produção de energia. Coisa que, garantiam-me, não valia a pena. Demasiado tempo até recuperar o valor do investimento, constituía – e constitui ainda, para os detratores da ideia – o principal argumento. Não vejo a coisa por esse prisma. Prefiro olhar para os mais de dezasseis por cento de poupança obtida. Ou para o facto de o dinheiro despendido com a aquisição do equipamento, se depositado num banco, não ter, nem de perto, a mesma rentabilidade.

Claro que num dia como hoje, sem sol, aquilo não produz nada. Mas essa é a excepção. 


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publicado às 16:40

Orçamento participativo

por Kruzes Kanhoto, em 09.02.17

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Essa cena do orçamento participativo é das ideias mais parvas, demagógicas e populistas que já vi ocorrerem aos políticos. Até ainda não há muito tempo afectava apenas a moleirinha de uns quantos autarcas. Este ano contagiou, também, o governo. Estão, ao que é anunciado oficialmente, reservados uns quantos milhões - poucos, felizmente – destinados a promover iniciativas propostas pela sociedade civil e que, depois de submetidas a sufrágio, mereçam a escolha do maior número de cidadãos. Isto, dito assim, até se afigura como uma coisa muito valorizável. O pior é que, ao contrário do que se pode depreender, o país não tem dinheiro. Nem estes milhões, nem outros. Tem é divida. Muita. Daí que esta gente, se tivesse o mínimo de juízo que se exige a um governante, tratava de, pelo menos, não promover ainda mais despesa e, consequentemente, mais calote. 

Nem vale a pena dizer que tenho esperança que, entre as propostas apresentadas ao governo para gastar os tais milhões, se encontre uma que sugira utilizar o dinheiro para pagar a divida. Não tenho. Mesmo que surgisse, duvido que recolhesse mais do que um voto. O meu. É por isso que, já que é para esturrar,  irei tratar de apresentar a minha ideia quanto à maneira de desbaratar o guito. É mais ou menos aquilo de "já que não os podes vencer junta-te a eles". Tratarei de propor, assim que descubra onde o posso fazer, a construção - até pode ser aqui, na minha terra – de um centro empresarial intergaláctico. Uma coisa em conta, sem luxos e que acolha condignamente os investidores oriundos dos confins do universo. Até pode ser o Sócrates a elaborar o projecto e uma qualquer das muitas empresas do amigo a fazer a obra. Por mim, desde que os custos não derrapem, tudo bem.  

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publicado às 22:22

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Diz a OCDE que os futuros pensionistas serão lesados nas reformas. Diz, mas não precisava. Toda a gente sabe. O problema é que poucos se importam. Anda tudo satisfeitinho da vida com as fantásticas reversões do Costa que quase ninguém quer saber disso.

A iliteracia financeira – e da outra, já agora – é a maior aliada do governo. Deste, do anterior e do próximo. Só assim se percebe que a população aceite pacificamente cortes brutais nas futuras pensões, enquanto as actuais permanecem intocáveis. Não que eu seja apologista de redução de rendimentos seja de quem fôr. Quem tiver dúvidas acerca disso leia, se tiver paciência, outros posts que por aqui fui publicando. Mas, a ter de se fazer alguma coisa para garantir a sobrevivência da Segurança Social – e pelos viste tem – então que o sacrifício se distribua por todos.

Para se perceber o que está em questão, nada melhor do que um exemplo. Os meus anteriores chefes aposentaram-se há vinte anos. Tinham, então, a idade que eu tenho hoje. O montante da pensão atribuída foi o equivalente ao valor do vencimento que auferiam na altura. Já eu, se me quiser reformar amanhã, ficarei com menos de um terço do que ganho agora. Ou, ninguém me manda ter pressa, espero mais uma dúzia de anos para, depois, ficar com cerca de oitenta por cento. Se tiver sorte. Deve ser a isto que chamam solidariedade intergeracional, ou lá o que é.

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publicado às 19:33

Chinês com fezada

por Kruzes Kanhoto, em 07.02.17

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Não estou a ver, assim de repente, motivo para tanto alarido por causa da aposta de cem mil euros na derrota no Rio Ave na sua deslocação à casa do Feirense. Eu próprio apostei como os de Vila do Conde iam perder. Um pouco menos que o tal chinês, é certo. Mas isso sou que, para além de apostador muito moderado, não frequento aqueles lugares tão próximos do local onde está sediado o clube contra o qual apostei. Nem, por isso mesmo, conheço – sequer de vista – ninguém ligado à agremiação vilacondense que me pudesse informar do estado anímico dos atletas para jogar à noite, ao frio, no campo do adversário ou se havia muitos jogadores constipados.
Tudo informações a que – diga-se – não sei se o chinês teve ou não acesso. Mas, estando ali mesmo ao lado, é natural que possa ter tido. O que, obviamente, nada tem de mal. São, como sabe que analisa estes assuntos, pormenores de uma importância extrema no momento de apostar e, mais ainda, quando a bola começa rolar. Ou então – e certamente terá sido – foi apenas uma questão de fé. Muita. E, nestas coisas da fé, cada um acredita no que quer.

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publicado às 20:01

Xenofobia da boa. Valorizável, até.

por Kruzes Kanhoto, em 06.02.17

Dizem que os americanos são estúpidos. Mesmo não tendo especial apreço por generalizações, admito que sejam. Até porque quem o garante, por vezes de forma categórica e cheia de convicção, são os mesmos que por cá votam no PCP, na Bloca – é aquilo do género, ou lá o que é – e que elegeram gajos como Sócrates. Não os vou contrariar. De certeza sabem do que falam. E, também, como já dizia a minha avó - essa sábia senhora que não me canso de citar - um bêbado e um maluco nunca se contrariam. 

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publicado às 20:00

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Não me parece que constitua papel da comunicação social fazer oposição ao poder. Ou, ao invés, servir de suporte aos governos. Nem, exceptuando os jornais partidários, doutrinar os seus leitores. E, lamentavelmente, é isso, ou algo ainda pior, que hoje em dia se tenta fazer nos diversos órgãos de informação. Que disso – informação – é coisa que há muito já se esqueceram de fazer. Pelo menos daquela isenta ou que, vá lá, trate mesmo de informar quem lê sem que o jornalista nos queira impingir a sua opinião. A que, obviamente, tem direito mas que a mim, enquanto leitor, não interessa nada.
É por essas e por outras que a minha leitura de jornais se resume aos que existem cá na terra. Dois, no caso. Sou assinante de um e leitor ocasional de outro. Mas mesmo estes, à sua maneira, estão também a trilhar caminhos idênticos aos que a restante imprensa já segue. Daí que, não raras vezes, me limite a ler o obituário. Rigorosamente, mais nada.

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publicado às 13:00

Mais um corte...ah, espera, é só um adiamento.

por Kruzes Kanhoto, em 04.02.17

 

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Outro corte no ordenado, este ano. Mais um. Já vou estando habituado. Tal como também me vou habituando a que todos achem muito bem o que antes achavam mal só por ser mais uma reversão à moda do Costa, esse santo milagreiro. Verdade que, desta vez, não será bem um corte. É mais um adiamento. Restituem-me daqui por dez meses o que me tiram hoje. Ainda assim surpreende-me que todos aqueles – e são mais que muitos – que passam a vida a reclamar que o vencimento só lhes chega até ao dia cinco – ou nem isso – não se queixem agora que, quase de certeza, ainda acaba mais cedo.

A ideia de pagar “por atacado” estará fundamentada na tal dinamização da economia através do consumo. O governo terá esperança que, quando o pessoal se deparar com muito mais dinheiro na conta, desate a consumir como se não houvesse amanhã. Por mim não lhe vou fazer a vontade. Se puder – e também para contrariar – ainda irei gastar menos. O mesmo deverá acontecer com o restante pagode que entende a medida como mais uma genialidade da geringonça. Ou muito me engano ou os cinquenta por cento do décimo terceiro mês nem para metade do cartão de crédito há-de chegar...

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publicado às 11:27

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Como sempre acontece de cada vez que é anunciada, num país ocidental, a proibição do uso de burka – ou outro adereço ridículo qualquer que apenas deixe os olhos de fora às mulheres que o vistam – levantam-se umas quantas vozes ofendidas com a falta de respeito pelas tradições das criaturas. Não percebo a condescendência. Nomeadamente quando não é reciproca.

Compreende-se que os imigrantes oriundos desses países forcem as respectivas esposas a usar aquele traje repugnante. Ou, pelo menos, que não as incentivem a deixar de usá-lo. Isto porque, ao que é confessado pela esmagadora maioria dos invasores que demandam a Europa, as mulheres são um dos principais motivos porque vêm para cá. Ora, sabendo das intenções dos seu patrícios, é natural que queiram esconder as deles.

Apesar disso é intolerável que gente disfarçada de sacos de batatas circule nas nossas cidades. Nisto faço minhas as palavras do xeique Munir, chefe dos muçulmanos portugueses, relativamente aos seus irmãos de fé que habitam na Europa. Se não gostam vão-se embora.

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publicado às 20:01

A sério?! Até o Carnaval incomoda esta gente?!

por Kruzes Kanhoto, em 31.01.17

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Os portugueses perderam o sentido de humor. E, de caminho pois um mal nunca vem só, o do ridículo. Ou, hipótese igualmente a não descartar, estão a ficar parvos. Já não aceitam uma piadola, um dichote ou uma brincadeira inocente. Nem no Carnaval. Isto, pasme-me, apesar de reclamarem pela terça feira do dito não ser feriado.

Hoje, vá lá saber-se porquê, aborreceram-se e trataram de derramar indignação nas redes sociais por causa daquela empresa que comercializa uma fantasia carnavalesca a que deu o nome de “fato de refugiado”. Outros, ainda que em menor número, também não apreciaram que, no mesmo site, estivesse à venda uma burka sexy. Pode constituir uma ofensa para os muçulmanos, justificam. Porra pá, deixem mas é de ser parvos. A continuar assim, o melhor é acabar com o Carnaval, vamos todos trabalhar nesse dia e as autarquias poupam uma pipa de massa com a organização das festividades. É que isto, se entrarmos por essa coisa das ofensas, ninguém pode sair à rua mascarado seja do que for. Presumo, por isso, que imagens como a que ilustra este post em breve deixarão de ser vistas nos nossos desfiles. Algum idiota se há-de queixar de uma potencial ofensa. E depois ainda me dizem que não vivemos numa ditadura...

 

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publicado às 19:44

Uns pândegos, estes animalistas

por Kruzes Kanhoto, em 30.01.17

Se há leitura que me diverte são os blogues dos alegados defensores dos animais. Ciclicamente dou uma vista de olhos por uns quantos. É uma maneira de ficar a par das causas mais recentes no âmbito das ideias parvas. Que há muitas, por lá. Uma delas, das parvoíces, é que os cavalos não devem ser montados. Coitados, diz que se fartam de sofrer. Devem ficar, presumo, com espondilose, lumbago, bicos de papagaio e outras maleitas correlacionadas. O mesmo para as carroças. Nem pensar nisso. Diz que ficam todos derreados por servirem de força motriz. Vá lá que a agricultura se modernizou. Aquilo de puxar um arado devia ser uma coisa lixada para as bestas.

Por falar em bestas. Uma delas, a propósito da festarola que envolveu uma “matança de um porco” numa terrinha aqui das redondezas, classifica os habitantes da aldeia em causa como “civilizacionalmente atrasados”. Não deve ter gostado de saber que lhe mataram o parente. Mas os moradores do lugar não se devem sentir ofendidos com a classificação. A mulher é maluca. Aquilo é o resultado de animais a mais e homens a menos.

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publicado às 20:02

Um dia destes é um monumento. Classificado e tudo.

por Kruzes Kanhoto, em 29.01.17

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Reza a lenda que Jesus Cristo terá sido avistado nas redondezas no dia em que este chaço ali foi estacionado. Mas pode não passar disso mesmo, uma lenda. Até porque segundo um mito urbano, terá sido um sportinguista a deixá-lo naquele lugar na sequência das comemorações do último campeonato ganho pelo clube do Lumiar. O que, convenhamos, não fará grande diferença. É, em termos de espaço temporal, quase a mesma coisa. Mas isso agora não interessa nada. O que surpreende é o facto da carripana, após tantos séculos no mesmo sitio, ainda estar relativamente bem composta, digamos assim. Numa altura em que se colocarmos uma lata ou um cano podre junto ao contentor do lixo eles desaparecem quase de imediato, não deixa de espantar que tanto metal ainda por ali se mantenha. Deve estar sob apertadas medidas de vigilância...ou então é uma espécie protegida que importa preservar por já fazer parte da paisagem.

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publicado às 19:08



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